Tenho que dar o braço a torcer - o que não me custa - e reconhecer que, finalmente, temos a prova provada de que há médicos que se preocupam com o que tem sido dito sobre os serviços hospitalares, que não toleram as patifarias nem as bandalhices de um bastonário da OM ressabiado e que confunde tudo, e que deveria estar já sob investigação do Ministério Público por uso abusivo e manipulador das funções que exerce em deliberado prejuízo de instituições e de uma região como a Madeira. Por isso, e confesso que não estava à espera que este grito de revolta em defesa da dignidade, da competência, do saber e da experiência profissional dos serviços e dos clínicos subscritores do documento, não posso deixar de realçar a dignidade e a legitimidade do protesto, porque é disso que se trata, dos Directores dos Serviços e Coordenadores de Unidades do SESARAM que independentemente das diferenças de opinião e mesmo de críticas que possam ter sobre questões internas inerentes ao sistema regional de saúde e que não devem ser tratadas na praça pública (como se isso resolvesse para alguma coisa), sentiram necessidade de exprimir a sua posição face ao desenvolvimento e contornos do problema da idoneidade e capacidade formativa do SESARAM. Neste contexto, enviaram uma carta ao Bastonário com conhecimento para a Ministra da Saúde, Secretario Regional dos Assuntos Sociais, e Presidente do Conselho de Administração e Director Clínico do SESARAM. É muito importante referir que é natural, lógico e legitimo - e acabem por favor com caça às bruxas ou manias de perseguição - que os médicos, tal como outros profissionais de sáude, mas sobretudo, pelas responsabilidades acrescidas, os directores clínicos e Coordenadores de Unidades do SESARAM, tenham o direito, diria mesmo o dever, a terem opiniões próprias, a darem sugestões, a serem ouvidos, a proporem melhorias estruturais e funcionais, a darem sugestões, a serem respeitados, enfim, assumindo aquilo que me parece ser o verdadeiro exercício de uma função de direcção ou de coordenação. Não creio que o serviço regional de saúde, ou o SESARAM saiam prejudicados por causa das opiniões dos médicos, pela imperiosa necessidade de serem ouvidas e respeitadas, sem que daí possa vir mal ao mundo ou, mais do que isso, sem que por causa disso existam razões para que alguém se sinta incomodado ou desautorizado. Tenho para mim que pior seria termos um Sesaram a funcionar com base em falsos unanimismos, exigindo consensualidades forçadas e pretendendo contar com pessoas desmotivadas. E neste quadro de solidariedade e de direito à indignidade e de defesa do seu prestígio pessoal e profissional e dos serviços que lideram - mesmo sabendo-se que nada é perfeito e que não há homens perfeitos - que realço, aplaudo e curvo-me perante o exemplo que os directores de serviços e coordenadores de unidades acabam de dar, reforçando a minha convicção de que as coisas devem funcionar adequadamente e que este caso vergonhoso envolvendo a com a OM nacional e o seu bastonário, constitua uma oportunidade para a reintrodução do diálogo consolidado na diferença de opiniões que apenas fortalecem o colectivo e, neste caso, os serviços.
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