quinta-feira, novembro 18, 2010

Médicos: um protesto legítimo em defesa da dignidade

"Exmo. Sr. Bastonário da Ordem do Médicos
A atribuição de idoneidades obedece aos pareceres dos colégios das respectivas especialidades, avaliadas que foram por estes, atribuindo as reais capacidades formativas de cada serviço, face a proposta dos mesmos. Baseando-se nos pareceres dos vários colégios das especialidades, o Conselho Nacional Executivo da Ordem dos Médicos atribui, ou não, a idoneidade e capacidade formativa aos vários Serviços dos hospitais deste país. Obviamente que estamos a falar de um assunto sério, que como tal deve ser tratado, tendo em conta que estamos a lidar com os percursos profissionais de várias pessoas, projectos de vários serviços e hospitais. Em suma, estamos a falar de muito trabalho que se quer sério e organizado. Com visitas periódicas, tanto mais válidas quanto mais inesperadas, sem para tal ser necessário autorização, compete à Ordem e sua estrutura, como entidade que atribui idoneidade e capacidade formativa, zelar pela qualidade da formação que cada serviço presta.
Estranhamos que até á data, a Ordem dirigida por vossa Ex.ª, não tenha conseguido uma equipa que permitisse avaliar extraordinariamente as queixas que lhe foram apresentadas e que resultaram na retirada da capacidade formativa por alegado dever de prudência. O dever de prudência aconselharia a que se deixasse tudo como estava até aqui, até que a Ordem conseguisse essa equipa para proceder a essa averiguação.
Também não deixa de ser estranho, que no intervalo de meses, uma Instituição que há anos tem serviços idóneos e com capacidade formativa, que pode variar de total a parcial, definida pelos Colégios das várias especialidades, perca a possibilidade de atribuição de novas capacidades formativas.
Como motivos da posição de Vossa Ex. falou-se da legislação sobre receitas, irregularidades contratuais, horários médicos, falta de colegas de referência, etc., etc. A ser verdade esta constatação, teria que ser posta em causa, pelo menos nos últimos 15 anos, os critérios adoptados pela Ordem na atribuição de idoneidades e capacidades formativas. Relembramos que a sua responsabilidade seria a primeira a ser investigada, visto Vossa Ex.ª, estar à frente dos destinos da Ordem dos Médicos nos últimos anos.
Ao manter a sua postura, afirmando que o SESARAM não tem novas capacidades formativas, terá que ser levado ao extremo a sua decisão, criando-se um problema gravíssimo na RAM do qual Vossa Ex.ª seria o único responsável, ou seja: não existindo capacidade formativa para o início dos vários Internatos, muito menos existirá essa capacidade formativa para a continuidade dos actuais internatos e internos em formação das várias especialidades e dos vários anos, no SESARAM.
Neste contexto a RAM seria esvaziada de cerca de 155 médicos para os quais Vossa Ex.ª com certeza arranjará colocação imediata para formação, nos vários Hospitais públicos do país, sendo certo que se criaria uma falta de recursos humanos nunca antes vivida na RAM com consequências gravíssimas e imprevisíveis.
Sugerirmos a Vossa Ex. a que se informe, antes de assumir a responsabilidade referida, sobre a capacidade formativa dos vários serviços dos Hospitais deste país que presumimos encontrar-se neste momento praticamente esgotada.
Através desta carta, todos os directores do SESARAM, manifestam o seu desagrado pela atitude tomada pelo Conselho Executivo da Ordem dos Médicos face ao desenvolvimento e contornos do problema Idoneidade e Capacidade Formativa do SESARAM.
Atenciosamente, Funchal, 16 de Novembro de 2010
". Assinam 38 directores clínicos e coordenadores de unidades.

Sem comentários: