Foi Nuno no "Público", num artigo com o título "O "país" do eu sozinho", publicado em Dezembro de 2007: "Bloco carnavalesco toda a gente sabe o que é. Pensa-se logo em Brasil, música, desfiles e multidões. Pois no meio do carnaval carioca andou certo dia um sujeito com um cartaz a dizer "Bloco do Eu Sozinho". Ele só, mais ninguém: ele era a sua escola, a sua banda, o seu próprio mestre-de-cerimónias na celebração do Rei Momo. A representação era tão insólita que até foi título de um disco: Bloco do Eu Sozinho, de Los Hermanos, 2001. Pois Portugal tem uma história parecida, não com reis nem carnavais mas com um auto-denominado "príncipe" que alimenta o seu próprio carnaval ao anunciar a transformação em país de um ex-ilhéu madeirense, o da Pontinha, aquele que tem o Forte de São José.Ele já tinha ameaçado, mas no dia 30 concretizou a ameaça: foi entregar uma carta no Palácio de S. Lourenço pedindo a desanexação daquele pedaço de rocha com um forte em cima, que tenciona promover a nação, ou melhor, a principado. Já tem brasão de armas, viatura oficial e tudo. E ameaçou isolar-se do mundo, como disse à agência Lusa: "No dia 31 de Dezembro do corrente ano, a partir das 24 horas, as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas serão fechadas ao trânsito de pessoas e mercadorias". Entretanto, diz que enviou cartas a toda a gente: ao secretário-geral da ONU, aos presidentes da União Europeia e Parlamento Europeu e aos países e organismos apoiantes da "nova nação". A coisa é séria. Além do mais, para que não se pense que ele brinca, garante que o rochedo tem tudo o que precisa para ser um Estado. Tem povo e tem leis. Quais leis? Ele explicou-o, ontem mesmo, ao Destak: "Tem a sua própria Constituição, respeita fundamentalmente as Nações Unidas, e tem a minha família, que é constituída por quatro pessoas e portanto já é povo, já é plural." Um caso para o Guiness Book?A verdade é que o Forte de S. José da Pontinha foi vendido pela Coroa portuguesa a privados, por alvará do rei D. Carlos, e quem o comprou foram os britânicos Blandy. Na altura, a Pontinha era mesmo um ilhéu separado da Madeira, embora a curta distância. Mais tarde, no início do século XX, construíram um molhe que o ligou à ilha-mãe e deixou de ser ilhéu. No ano 2000, invocando uma "neurose obsessiva" pelo mar, Renato comprou o forte pela módica quantia de nove mil contos (cerca de 45 mil euros). Desde essa data começou a criar em torno dele uma fantasia brasonada que o leva, agora, à declaração de "independência". E, pelo sim pelo não, já vai comparando o seu caso com o de Timor-Leste, embora não esclareça se os "seus" indonésios são capitaneados por Alberto João Jardim ou por José Sócrates. A verdade é que ele está felicíssimo com a história. Tanto, que até já disse à SIC-Notícias, em Outubro passado, que porá o "país" ao dispor para quem der dê jeito. "Podíamos falar de um povo que não tem território, os palestinianos: Supondo que eles chegavam aqui com um prato de Sacavém, um prato da Vista Alegre, com o melhor presunto e eu perdia a cabeça e trocava o meu forte por um presunto?" Como vêem, era escusado Annapolis. Bastava o "país" do eu sozinho". Já não há respeito pela realeza...quinta-feira, janeiro 24, 2008
Deram uma porrada no "Visconde"...
Foi Nuno no "Público", num artigo com o título "O "país" do eu sozinho", publicado em Dezembro de 2007: "Bloco carnavalesco toda a gente sabe o que é. Pensa-se logo em Brasil, música, desfiles e multidões. Pois no meio do carnaval carioca andou certo dia um sujeito com um cartaz a dizer "Bloco do Eu Sozinho". Ele só, mais ninguém: ele era a sua escola, a sua banda, o seu próprio mestre-de-cerimónias na celebração do Rei Momo. A representação era tão insólita que até foi título de um disco: Bloco do Eu Sozinho, de Los Hermanos, 2001. Pois Portugal tem uma história parecida, não com reis nem carnavais mas com um auto-denominado "príncipe" que alimenta o seu próprio carnaval ao anunciar a transformação em país de um ex-ilhéu madeirense, o da Pontinha, aquele que tem o Forte de São José.Ele já tinha ameaçado, mas no dia 30 concretizou a ameaça: foi entregar uma carta no Palácio de S. Lourenço pedindo a desanexação daquele pedaço de rocha com um forte em cima, que tenciona promover a nação, ou melhor, a principado. Já tem brasão de armas, viatura oficial e tudo. E ameaçou isolar-se do mundo, como disse à agência Lusa: "No dia 31 de Dezembro do corrente ano, a partir das 24 horas, as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas serão fechadas ao trânsito de pessoas e mercadorias". Entretanto, diz que enviou cartas a toda a gente: ao secretário-geral da ONU, aos presidentes da União Europeia e Parlamento Europeu e aos países e organismos apoiantes da "nova nação". A coisa é séria. Além do mais, para que não se pense que ele brinca, garante que o rochedo tem tudo o que precisa para ser um Estado. Tem povo e tem leis. Quais leis? Ele explicou-o, ontem mesmo, ao Destak: "Tem a sua própria Constituição, respeita fundamentalmente as Nações Unidas, e tem a minha família, que é constituída por quatro pessoas e portanto já é povo, já é plural." Um caso para o Guiness Book?A verdade é que o Forte de S. José da Pontinha foi vendido pela Coroa portuguesa a privados, por alvará do rei D. Carlos, e quem o comprou foram os britânicos Blandy. Na altura, a Pontinha era mesmo um ilhéu separado da Madeira, embora a curta distância. Mais tarde, no início do século XX, construíram um molhe que o ligou à ilha-mãe e deixou de ser ilhéu. No ano 2000, invocando uma "neurose obsessiva" pelo mar, Renato comprou o forte pela módica quantia de nove mil contos (cerca de 45 mil euros). Desde essa data começou a criar em torno dele uma fantasia brasonada que o leva, agora, à declaração de "independência". E, pelo sim pelo não, já vai comparando o seu caso com o de Timor-Leste, embora não esclareça se os "seus" indonésios são capitaneados por Alberto João Jardim ou por José Sócrates. A verdade é que ele está felicíssimo com a história. Tanto, que até já disse à SIC-Notícias, em Outubro passado, que porá o "país" ao dispor para quem der dê jeito. "Podíamos falar de um povo que não tem território, os palestinianos: Supondo que eles chegavam aqui com um prato de Sacavém, um prato da Vista Alegre, com o melhor presunto e eu perdia a cabeça e trocava o meu forte por um presunto?" Como vêem, era escusado Annapolis. Bastava o "país" do eu sozinho". Já não há respeito pela realeza...
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