A entrevista que Alberto João Jardim concedeu ao DN e àTSF nacional, gravada no Funchal, com João Marcelino e João Fragoso, vem hoje publicada no matutino lisboeta, comn o título "O PS faz discursos à esquerda mas é o partido que mais à direita tem governado Portugal":Lisboa e Funchal estão de costas voltadas, sobretudo depois da aprovação da última versão da Lei das Finanças das Regiões Autónomas. Esta semana, durante o debate do orçamento aqui na região, voltou a falar em "garrote colonial de Lisboa". Até quando este clima vai manter-se?
- É uma boa pergunta, não para mim, mas para o primeiro-ministro. No próprio dia das eleições, em Maio, depois de o povo madeirense ter dito o que pensava de todos os problemas que injustamente nos tinham sido criados, tive o cuidado de dizer que era preciso reabrir o diálogo, como é normal num estado democrático. Nesse mesmo dia, um porta-voz do Partido Socialista, se não me engano o dr. Vitalino Canas, disse que "não, não, tudo fica na mesma", numa atitude de prepotência. Depois, quando tomei posse, tornei a dizer a mesma coisa. O Estado precisa que haja um diálogo correcto e sem ninguém perder a face. Isto não é um braço-de-ferro, é uma forma de encontrarmos uma solução aceitável para todos no presente quadro das dificuldades em que vive o Estado português. Ora, depois das eleições, eu nunca fui contactado por ninguém do Governo da República.
- E tentou contactar alguém?
Vou agora eu próprio contactar. O chefe de gabinete do ministro da Presidência telefonou um dia ao meu chefe de gabinete dizendo que agora a coordenação das regiões autónomas deixava de ser do primeiro-ministro e passava a ser do ministro da Presidência. Tomei posse em Junho, meteu-se o Verão, o planeamento da execução do programa do Governo, depois foi a preparação do orçamento e, entretanto, decorria a Presidência da União Europeia. Compreendo que os ministros estivessem todos empenhados. Agora está pronta uma carta para o ministro da Presidência dizendo: "Ó homem, nós também estamos aqui, nós também somos parte do território nacional." Os senhores devem achar exótico que, em dois anos e meio de Governo, o primeiro-ministro só tivesse necessidade de falar com o presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira duas vezes, uma hora cada.
E o senhor, achou necessário falar com o primeiro-ministro?
Não. Eu achei sempre necessário falar com o primeiro-ministro mas no clima que se gerou e que me levou à demissão e à convocação de eleições extraordinárias, e num clima eleitoral em que o Partido Socialista concorria também, aqui, na Madeira, e onde ficou em 15%, não se justificava. Não havia clima para se fazer esse contacto.
- Nos próximos orçamentos, em princípio, vai contar com menos verbas do que aquela a que estava habituado. Em 2006 teve menos 37,3 milhões de euros...
- Sim. Menos 30 e tal em cada orçamento.
- Como vai governar sem essas verbas?
É um desafio, porque a questão não é só essa. Leia a entrevista aqui.
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