sexta-feira, maio 06, 2011

PORTUGAL: MEMORANDO DE ENTENDIMENTO SOBRE CONDICIONALISMOS ESPECÍFICOS DA POLÍTICA ECONÓMICA (I)

"03 de Maio de 2011, 13:40

[No que se refere ao Regulamento (UE) n.° 407/2010 de 11 de Maio de 2010, que estabelece um Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira, nomeadamente o artigo 3 (5) do mesmo, o presente Memorando de Entendimento detalha as condições gerais de política económica como incorporado no Decisão de implementação do Conselho [...] de [...] sobre a concessão de ajuda financeira da União para Portugal. O pagamento trimestral de assistência financeira do Mecanismo de Estabilização Financeira Europeu será sujeito a revisões trimestrais de condicionalidade para a duração do programa. A primeira revisão será realizada no terceiro trimestre de 2011, e a de 12ª revisão e última no segundo trimestre de 2014. A liberação das parcelas será baseada na observância dos critérios quantitativos de desempenho, o respeito das decisões e recomendações do Conselho da UE no âmbito do procedimento de défice excessivo, e uma avaliação positiva dos progressos realizados no que diz respeito aos critérios de política no Memorando de Políticas Económicas e Financeiras (MEFP) e no presente Memorando de Entendimento sobre condicionalismos específicos da política económica, que especifica os critérios detalhados que serão avaliados para as sucessivas revisões até ao fim do programa. A revisão em curso em qualquer trimestre vai avaliar o cumprimento das condições a serem cumpridas até o final do trimestre anterior. Se as metas não forem cumpridas ou se for espectável que não o sejam, medidas adicionais serão tomadas. As entidades comprometem-se a consultar a Comissão Europeia, o BCE e o FMI na adopção de políticas que não são compatíveis com o presente Memorando. Será ainda apresentada à Comissão Europeia, ao BCE e ao FMI, toda a informação solicitada que estiver disponível para acompanhar os progressos durante a implementação do programa e acompanhar a situação económica e financeira. Antes da liberação das parcelas, as autoridades devem fornecer um relatório sobre a observância do cumprimento das condicionalidades.]

1. Política fiscal
Objectivos:
Reduzir o défice orçamental para valores abaixo dos 10.068 milhões de Euros (equivalente a 5,9% do PIB com base nas projecções actuais) em 2011, dos 7.645 milhões de Euros (4,5% do PIB) em 2012 e dos 5.224 milhões de Euros (3,0% do PIB) em 2013, por meio de medidas permanentes de alta qualidade e minimizando o impacto da consolidação de grupos vulneráveis; promover uma trajectória descendente do rácio de dívida pública no PIB a partir de 2013; manter a consolidação orçamental no médio prazo, até alcançar uma posição de equilíbrio orçamental, nomeadamente através da contenção do crescimento das despesas; apoiar a competitividade por meio de ajustamentos da estrutura fiscal, neutros em termos orçamentais.
A política fiscal em 2011
1.1. O Governo atinge um défice global não superior a EUR 10.068 milhões em 2011. [Q4-2011]
1.2. Durante o resto do ano, o Governo vai aplicar rigorosamente a Lei do Orçamento para 2011 e as medidas adicionais de consolidação orçamental introduzidas antes de Maio de 2011. Os progressos serão avaliados tendo por referência os tectos trimestrais (cumulativos) de déficit definidos no Memorando de Políticas Económicas e Financeiras (MEFP), incluindo o Memorando Técnico de Entendimento (MTE). [Q3 e Q4-2011]
A política fiscal em 2012
1.3. Na base da proposta desenvolvida por altura da primeira revisão, o Orçamento de 2012 irá incluir uma recalibração do sistema fiscal - neutral em termos de impacto sobre a receita - com vista a reduzir os custos laborais e a aumentar a competitividade [Outubro 2011].
1.4. O Governo vai conseguir um défice público de não mais de 7.645 milhões de Euros em 2012. [Q4-2012]
1.5. Ao longo do ano, o Governo irá aplicar rigorosamente a Lei do Orçamento para 2012. Os progressos serão avaliados através de tectos trimestrais (cumulativos) de déficit estabelecidos no Memorando de Políticas Económicas e Financeiras (MEFP), incluindo o Memorando Técnico de Entendimento (MTE). [Q1, Q2, Q3 e Q4-2012]
1.6. As seguintes medidas serão realizadas com a Lei do Orçamento de 2012 [Q4-2011], salvo disposição em contrário:
Despesa
1.7. Melhorar o funcionamento da administração central, eliminando redundâncias, aumentando a eficiência, reduzindo e eliminando serviços que não representem uma utilização eficaz dos dinheiros públicos. Isso deve resultar em poupanças anuais no valor de pelo menos 500 milhões de Euros. Planos detalhados serão apresentados pelas Autoridades Portuguesas e serão apreciados no 1.º trimestre de 2012; o impacto orçamental vai estender-se até 2014. Para este efeito, o Governo vai:
 reduzir o número de serviços, mantendo a sua qualidade;
 criar um gabinete único para questões fiscais e promover a partilha de serviços entre as diferentes partes do Governo;
 reorganizar os governos locais e a prestação de serviços da administração central ao nível local;
 avaliar periodicamente o valor em dinheiro dos vários serviços públicos que fazem parte do sector público na acepção da definição das contas nacionais;
 promover a mobilidade de pessoal nas administrações central, regional e local;
 reduzir as transferências do Estado para os organismos públicos e outras entidades;
 rever os regimes de compensação e benefícios em organismos públicos e entidades que, de forma independente, definem os seus próprios sistemas de remuneração;
 reduzir os subsídios aos produtores privados de bens e serviços.
1.8. Reduzir custos na área da educação, com o objectivo de poupar 195 milhões de Euros, através da racionalização da rede escolar através da criação de agrupamentos de escolas; redução das necessidades de pessoal, centralização das compras; redução e racionalização das transferências para escolas privadas com acordos de associação.
1.9. Assegurar que os salários agregados do sector público como percentagem do PIB diminuem em 2012 e 2013 [2 º trimestre de 2012 para a avaliação; Q2 de 2013 para concluir o processo].
 Limitar admissões de pessoal naadministração pública a fim de obter reduções anuais em 2012-2014 de 1% ao ano no quadro de pessoal da administração central e de 2% na administração local e regional. [Q3-2011]
 Congelar salários no sectorpúblico em termos nominais em 2012 e 2013 e restringir promoções.
 Reduzir o custo orçamentalglobal dos regimes de benefícios de saúde para os regimes de funcionários públicos (a ADSE, a ADM e a SAD), reduzindo a contribuição patronal e ajustando o alcance de benefícios de saúde, com uma poupança de 100 milhões de Euros em 2012.
1.10. Controlo de custos no sector da saúde com base em medidas detalhadas, abaixo listadas, em "sistema de cuidados de saúde”, com poupanças no valor de 550 milhões de Euros;
1.11. Reduzir as pensões acima de 1.500 Euros de acordo com a progressão aplicada aos salários do sector público a partir de Janeiro de 2011, com o objectivo de economizar pelo menos 445 milhões de Euros;
1.12. Suspender a aplicação das regras de indexação das pensões e congelar pensões, excepto para as pensões mais baixas, em 2012;
1.13. Reforma do seguro de desemprego com base em medidas detalhadas abaixo em "Mercado de trabalho e da educação", economizando no médio prazo de cerca de 150 milhões de euros;
1.14. Reduzir as transferências para as autarquias locais e regionais em, pelo menos, 175 milhões de Euros, com vista a que este subsector contribua para a consolidação orçamental;
1.15. Reduzir os custos noutros organismos e entidades públicos em, pelo menos, 110 milhões de Euros;
1.16. Reduzir custos nas empresas do Estado, com o objectivo de poupar pelo menos EUR 515 milhões, por meio de:
 sustentar uma redução média permanente em custos de exploração de pelo menos 15%;
 estreitar esquemas de compensação e restringir benefícios;
 racionalizar planos de investimento a médio prazo;
 aumentar as suas receitas provenientes de actividades de mercado.
1.17. Reduzir permanentemente a despesa de capital em 500 milhões de Euros, ao priorizar projectos de investimentos e fazendo um uso mais intensivo das oportunidades de financiamento disponibilizadas pelos fundos estruturais da UE.
Receita
1.18. Introdução de uma regra aplicável a toda a despesa fiscal, impedindo a criação de novas componentes de despesas fiscais e a ampliação de componentes já existentes. A regra será aplicada a todos os tipos de despesa fiscal, de natureza temporária ou permanente, a nível central, regional ou local.
1.19. Redução das deduções de imposto sobre as sociedades e regimes especiais, com um rendimento de pelo menos 150 milhões de Euros em 2012. As medidas incluem:
 abolir todas as taxas reduzidas de imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas;
 limitar as deduções de prejuízos de exercícios anteriores de acordo com a matéria tributável e reduzir o período de reporte de três anos;
 reduzir os benefícios fiscais e revogar as isenções fiscais subjectivas;
 reduzir os benefícios fiscais, designadamente os sujeitos à cláusula de caducidade do Estatuto dos Benefícios Fiscais, e fortalecimento das regras de tributação dos veículos de empresas;
 propor alterações à lei das finanças regionais para limitar a redução do IRC nas Regiões Autónomas a um máximo de 20% vis-à-vis as taxas aplicáveis no Continente.
1.20. Redução dos benefícios e deduções em IRS, com um rendimento de pelo menos 150 milhões de Euros em 2012. As medidas incluem:
 limitar ao máximo os benefícios fiscais dedutíveis de acordo com o escalão com limite inferior aplicado a rendimentos mais elevados e um limite zero para os escalões de rendimento mais elevado;
 aplicação em categorias individuais: (a) a introdução de um limite máximo para despesas de saúde, (b) eliminar a possibilidade de dedução da hipoteca da habitação principal e supressão da possibilidade de dedução das rendas e dos pagamentos de hipotecas de juros para habitação própria; eliminar a dedutibilidade dos juros de renda para as novas hipotecas; (c) a redução dos itens elegíveis para deduções de impostos e revisão da tributação dos rendimentos em espécie;
 propostas de alteração à lei das finanças regionais para limitar a redução do IRS nas Regiões Autónomas a um máximo de 20% vis-à-vis as taxas aplicáveis no Continente.
1.21. Aplicar impostos de rendimento pessoal a todos os tipos de transferências sociais e assegurar a convergência das deduções de IRS aplicada às pensões e os rendimentos do trabalho com o objectivo de angariar pelo menos 150 milhões de Euros em 2012.
1.22. Alterações na tributação de imóveis para aumentar a receita em pelo menos 250 milhões de Euros, reduzindo substancialmente as isenções temporárias para as habitações ocupadas pelos proprietários. A Transferências do governo central para os governos locais vão ser revistas para assegurar que as receitas adicionais são totalmente utilizadas para a consolidação fiscal.
1.23. Aumentar as receitas do IVA para alcançar um rendimento de pelo menos 410 milhões de Euros para um ano inteiro por via de:
 redução das isenções de IVA;
 movendo categorias de bens e serviços de taxas reduzida e intermédia do IVA para taxas superiores;
 propostas de alteração à lei das finanças regionais para limitar a redução do IVA nas Regiões Autónomas a um máximo de 20% vis-à-vis as taxas aplicáveis no Continente.
1.24. Aumentar os impostos especiais de consumo para conseguir pelo menos 250 milhões de Euros em 2012. Em particular:
 aumentar os impostos das vendas de automóveis e as isenções fiscais de abates de veículos;
 aumentar os impostos sobre produtos de tabaco;
 indexação dos impostos especiais de consumo à inflação;
 introdução de impostos sobre o consumo de electricidade em conformidade com a Directiva 2003/96 da UE.
1.25. Aumentar os esforços para combater a evasão fiscal, fraude e informalidade para aumentar a receita em pelo menos 175 milhões de Euros em 2012.
A política fiscal em 2013
1.26. Conseguir um défice não superior a EUR 5.224 milhões em 2013. [Q4-2013]
1.27. Ao longo do ano, o Governo vai aplicar rigorosamente a Lei do Orçamento para 2013. Os progressos serão avaliados contra os tectos trimestrais cumulativos do déficit definidos no Memorando de Políticas Económicas e Financeiras (MEFP), incluindo o Memorando Técnico de Entendimento (MTE). [Q1, Q2, Q3 e Q4-2013]
1.28. As seguintes medidas serão realizadas com a Lei do Orçamento de 2013 [Q4-2012], salvo disposição em contrário:
Despesa
1.29. Aprofundamento das medidas introduzidas na Lei do Orçamento de 2012 com o objectivo de reduzir as despesas na área de:
 funcionamento da administração central: 500 milhões de Euros. Planos detalhados serão apresentados e avaliados antes do 3º trimestre de 2012;
 educação e racionalização da rede escolar: 175 milhões de Euros;
 massa salarial: diminuição anual de 1% ao ano em contagens de pessoas da administração central e 2% nas administrações locais e regionais;
 regimes de benefícios de saúde para os regimes de funcionários públicos: 100 milhões de Euros.
 sector da saúde: 375 milhões de Euros;
 transferências para as autarquias locais e regionais: 175 milhões de Euros;
 reduzir os custos adicionais noutros organismos e entidades públicos e nas empresas públicas: 175 milhões de Euros;
 despesas de capital: 350 milhões de Euros;
 manter a suspensão das regras de indexação de pensões, excepto para as pensões mais baixas em 2013.
1.30. Adicionalmente, o governo vai estender o uso de métodos de teste e melhor direccionar o apoio social, conseguindo uma redução das despesas com benefícios sociais de pelo menos 350 milhões de Euros.
Receita
1.31. Aprofundamento das medidas introduzidas na Lei do Orçamento de 2012, levando a receita extra, nos seguintes domínios:
 bases de tributação e redução dos benefícios fiscais e deduções fiscais: 150 milhões de Euros;
 benefícios de IRS e as deduções fiscais: 175 milhões de Euros;
 tributação de todos os tipos de transferências sociais e de convergência das deduções de IRS para as pensões e os rendimentos do trabalho: 150 milhões de Euros;
 impostos especiais de consumo: 150 milhões de Euros.
1.32. Actualizar o valor da propriedade fictícia dos imóveis para efeitos fiscais para aumentar a receita em pelo menos 150 milhões de Euros em 2013. As transferências do governo central para os governos locais vai ser revista para assegurar que as receitas adicionais são totalmente utilizadas para a consolidação fiscal.
A política fiscal em 2014
1.33. O Governo terá como objectivo alcançar um défice público de mais de 4.521 milhões de Euros em 2014. As medidas necessárias serão definidas na Lei do Orçamento de 2014. [Q4-2013]
1.34. Ao longo do ano, o Governo irá aplicar rigorosamente a Lei do Orçamento para 2014. Os progressos serão avaliados contra os tectos trimestrais cumulativos do déficit definidos no Memorando de Políticas Económicas e Financeiras (MEFP), incluindo o Memorando Técnico de Entendimento (MTE). [Q1, Q2, Q3 e Q4-2013]
1.35. Com a Lei do Orçamento de 2014, o Governo irá continuar a aprofundar as medidas introduzidas em 2012 e 2013, com vista, nomeadamente, à ampliação das bases fiscais e de moderação das despesas primárias para alcançar uma diminuição da despesa pública em relação ao PIB.

2. Regulação e supervisão do sector financeiro

Objetivos:
Preservar a estabilidade do sector financeiro; manter a liquidez e apoiar um processo de desalavancagem equilibrado e ordenado no sector bancário; reforçar a regulação e supervisão bancária, levar a bom termo o caso do Banco Português de Negócios e agilizar a Caixa Geral de Depósitos; reforçar o quadro de resolução de crises bancárias e reforçar o Fundo de Garantia de Depósitos; reforçar os quadros de falência de empresas e famílias. Manter a liquidez no sector bancário.

Manter a liquidez do sector bancário
2.1. Sujeito à aprovação nos termos das regras de concorrência da UE, as autoridades estão empenhadas em facilitar a emissão de títulos bancários garantidos pelo governo num montante máximo de 35000ME, incluindo o actual pacote de medidas de apoio.

Desalavancagem do sector bancário:

2.2. O Banco de Portugal (BdP) e o BCE, em colaboração com a Comissão Europeia (CE) e o FMI, estabelecerá objectivos claros de índices de alavancagem periodicamente e vai pedir aos bancos que concebam planos de financiamento de médio prazo específicos por instituição até ao final de Junho de 2011 por forma a alcançarem uma posição estável baseada nos mercados. As avaliações trimestrais serão conduzidas em consulta com o CE e FMI, que examinarão a exequibilidade dos planos de cada banco e as suas implicações para os índices de alavancagem, assim como o impacto no crédito agregado e na economia como um todo. O BdP pedirá os ajustamentos necessários a esses planos.

Almofadas de capital

2.3. O BdP instruirá todos os grupos bancários supervisionados pelo BdP para que cheguem a um rácio de capital Tier 1 de 9% pelo fim de 2011 e de 10 por cento o mais tardar pelo fim de 2012, sendo estes rácios mantidos a partir dai. Se necessário, usando os poderes previstos no segundo pilar dos acordos de Basileia II, o BdP vai também exigir a alguns bancos, baseando-se no respectivo perfil de risco, que cheguem as estes níveis de capital mais elevado num plano mais acelerado, tendo em conta as indicações de solvência do quadro de avaliação de solvência descrito mais abaixo. Aos bancos será exigido que apresentem os planos que mostrem como tencionam cumprir as novas exigências de capital através de soluções de mercado, ao BdP, pelo fim de Junho de 2011.
2.4. Na eventualidade dos bancos não conseguirem atingir os seus objectivos dentro dos prazos, ou assegurar as exigências mais elevadas de capital poderá requerer temporariamente o aprovisionamento de capital público para os bancos privados. Para o efeito, as autoridades aumentarão o mecanismo de suporte à solvência bancária, em linha com as regras de Ajudas de Estado da UE, com recursos de até 12.000ME fornecidos ao abrigo do programa, que tem em conta a importância das novas exigências de capital e que será planeado de tal forma que preserve o controlo do banco pelos seus donos não públicos numa fase inicial ficando também aberta a opção de compra do capital do estado. Os bancos que beneficiem de injecções de capital serão sujeitos a regras de gestão específicas e a restrições, também serão sujeitos a um processo de reestruturação em linha com as exigências de concorrência e ajuda da UE, isto servirá de incentivo à procura de soluções baseadas nos mercados.

Caixa Geral de Depósitos (CGD)

2.5. O Grupo estatal CGD será optimizado de forma a aumentar o seu capital de base do seu núcleo duro bancário como for necessário. Espera-se que o Grupo CGD aumente o seu capital para o novo nível exigido recorrendo a fontes internas e melhore a sua própria governação. Isto incluirá um plano temporal mais ambicioso para a já anunciada venda do sector de seguros do grupo, seguir um programa para se desembaraçar das subsidiárias que não façam parte do seu núcleo e, se necessário, a redução das actividades no estrangeiro.

Monitorização da liquidez e solvência bancária

2.6. O BdP está a melhorar os seus mecanismos de avaliação da solvência e desalavancagem para o sistema como um todo e para cada um dos oito maiores bancos pedirá uma avaliação destes mecanismos à equipa de especialistas do CE, BCE e FMI até ao fim de Setembro de 2011.

2.7. Pelo fim de Junho de 2011, o BdP também terá desenvolvido um programa de inspecções especiais no local para validar a informação sobre os activos que os bancos fornecem como parâmetros de entrada para os mecanismos de avaliação de solvência. Este programa será parte de um projecto de criação de cooperação técnica montado com o suporte da CE, do BCE e do FMI que porá os supervisores portugueses em contacto com os bancos centrais cooperantes e/ou as agências de supervisão, auditores externos e outros especialistas de acordo com o que for necessário.

2.8. O BdP fornecerá aos bancos actualizações trimestrais das necessidades potenciais de capital no futuro e verificará se o processo de desalavancagem permanece no rumo certo e equilibrado da forma correcta. Sempre que a avaliação mostre que o capital de Tier 1 de um banco possa cair abaixo dos 6% num cenário de stress durante o curso do programa, o BdP, usando os seus poderes conferidos pelo Pilar 2, irá pedir que sejam tomadas medidas para reforçar o capital de base.

Regulação bancária e supervisão

2.9. O BdP assegurará que, pelo fim de Setembro de 2011, o método de reporte de empréstimos em incumprimento será melhorado através da inclusão de um novo rácio em linha com as práticas internacionais em adição ao rácio corrente que cobre apenas pagamentos feitos para além dos prazos. O BdP intensificará as inspecções no local e verificará a precisão dos dados com a assistência técnica do FMI, no contexto do exercício de verificação de informação do novo quadro de avaliação de insolvência. O BdP atribuirá novos recursos ao recrutamento de especialistas supervisores bancários. Uma estreita colaboração será mantida entre os supervisores dos países da EU para se exercer a supervisão bancária através das fronteiras.

Banco Português de Negócios

2.10. As autoridades estão a lançar um processo de venda do Banco Português de Negócios (BPN) num calendário acelerado sem um preço mínimo. Para este fim, um novo plano será submetido à CE para aprovação tendo em conta as regras da concorrência. O objectivo é encontrar um comprador pelo fim de Julho de 2011, o mais tardar.

2.11. Para facilitar a venda, os três meios especialmente criados que detêm os seus activos sem performance e os seus activos fora do núcleo duro foram separados do BPN, mais activos poderão ser transferidos para estes meios como resultado das negociações com os compradores em perspectiva. O BPN também vai lançar um programa mais ambicioso de corte de custos de modo a tornar a sua compra mais atraente para os investidores.

2.12. Quando uma solução for encontrada, os créditos da CGD garantidos pelo Estado e todos os meios especiais serão tomados pelo Estado de acordo com uma calendarização a ser definida na altura.

Quadro de resolução da banca

2.13. As autoridades farão emendas à legislação referente a instituições de crédito em consulta com a CE, BCE e FMI até ao fim de Novembro de 2011 para, inter alia, impor obrigações de reporte baseadas num conjunto claro de imposições e penalidades. O BdP será autorizado a impor medidas de melhoria e a promover a implementação de um plano de recuperação. As instituições de crédito com riscos sistémicos serão obrigadas a preparar planos de resolução de contingências, sujeitas a revisões regulares.

2.14. As alterações [à legislação] introduzirão um regime para a resolução de dificuldades de instituições de crédito em stress com uma preocupação continuada para promover a estabilidade financeira e proteger os depositantes. O regime definirá imposições claras para a sua aplicação e as ferramentas de reestruturação para as autoridades incluirão a recapitalização sem os direitos de opção dos accionistas, a transferência de activos e passivos para outras instituições de crédito e um banco intermediário.

Fundo de garantia de depósitos

2.15. As autoridades reforçarão a legislação sobre o Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) e sobre o Fundo de Garantia para Instituições de Crédito Agrícola Mútuo (FGICAM), sob consulta da CE, BCE e FMI até ao fim de 2011. As funções destes fundos serão reexaminadas para fortalecer as protecções de depósitos garantidos. Estes fundos devem, no entanto, reter a capacidade de financiar a resolução de instituições de crédito em dificuldades e em particular transferir os depósitos garantidos para outra instituição de crédito, mas não recapitalizá-las. Esta assistência financeira será limitada ao valor dos depósitos garantidos que teriam de ser pagos em caso de liquidação. Esta situação só é admissível apenas se não prejudicar a sua capacidade de executar a sua função primária.

2.16. A lei da Insolvência será modificada até ao fim de Novembro de 2011 para garantir que aos depositantes garantidos e/ou aos fundos (tanto directamente como por sub-rogação) será atribuída uma maior prioridade sobre os credores não garantidos no estado insolvente de uma instituição de crédito.

Quadro de reestruturação da dívida empresarial e doméstica

2.17. Para melhor facilitar a efectiva recuperação de empresas viáveis, a lei de insolvência será emendada até ao fim de Novembro de 2011 com a assistência técnica do FMI, tendo em vista o principio da não descriminação , introduzindo procedimentos de aprovação rápida em tribunal dos planos de reestruturação.

2.18. Princípios gerais para as reestruturações fora de tribunal em linha com as melhores práticas internacionais serão emitidos até ao fim de Setembro de 2011.

2.19. As autoridades vão também tomar as medidas necessárias para autorizar as administrações fiscais e sociais a utilizarem um leque mais vasto de ferramentas de reestruturação baseadas em critérios claramente definidos nos casos em que dois outros credores também concordem em reestruturar os respectivos créditos. As autoridades vão rever a legislação fiscal com vista a remover os impedimentos às reestruturações voluntárias da dívida.

2.20. Os procedimentos de insolvência pessoal serão emendados para melhor suportar a reabilitação de indivíduos financeiramente responsáveis, o que equilibrará os interesses dos credores e devedores.

2.21. As autoridades lançarão uma campanha para estimular o conhecimento do público e dos interessados sobre as ferramentas de reestruturação disponíveis para a recuperação atempada de empresas viáveis, e.g., formação e novos meios de informação.

Monitorização do endividamento empresarial e das famílias

2.22. As autoridades prepararão relatórios trimestrais sobre os sectores empresariais e das famílias incluindo avaliações da pressão de financiamento e das actividades de refinanciamento de dívida. As autoridades avaliarão os programas de garantia agora em actividade e avaliarão alternativas de financiamento com base nos mercados. Será constituída uma equipa para preparar planos de contingência para lidar de uma forma eficiente com o alto nível de endividamento do sector empresarial e das famílias. Estas acções de monitorização melhoradas serão postas em prática até ao fim de Setembro de 2011 sob consulta da CE, do FMI e do BCE.

3. As medidas fiscais estruturais

Objectivos

Melhorar a eficiência da administração pública, eliminar redundâncias, simplificar os procedimentos e reorganizar os serviços, regular a criação e funcionamento de todas as entidades públicas (por exemplo, empresas, fundações, associações); agilizar o processo orçamental, através do quadro legal recentemente aprovado, inclusive, adaptando-o em conformidade com os quadros financeiros legais locais e regionais; fortalecer a gestão de riscos, responsabilidade, comunicação e monitorização.

Quadro de gestão das finanças públicas

Para reforçar o quadro de gestão das finanças públicas, o Governo tomará as seguintes medidas:

Reporte

3.1. Aprovar uma definição padrão de dívidas e compromissos. [Q2-2011]

3.2. Produzir e publicar um levantamento exaustivo dos juros de mora que abranjam todas as categorias de despesas, como contas a pagar até ao final de Março de 2011. Todas as entidades das administrações públicas e empresas públicas classificadas fora do governo central serão abrangidos por este levantamento. [Q3-2011]

3.3. Melhorar a comunicação da informação, numa base consolidada, sobre a execução orçamental mensal do governo central. O perímetro de relatório mensal inclui actualmente o Estado, outras entidades e órgãos públicos, a Segurança Social, os governos regionais e locais e irá ser progressivamente alargada de modo a incluir todas as empresas públicas e PPPs reclassificadas dentro do governo central e das autarquias locais. [Q3-2011]

3.4. O relatório anual existente sobre incentivos fiscais será melhorado, a partir do orçamento de 2012, em linha com as melhores práticas internacionais. O relatório abrange as administrações central, regional e local. A assistência técnica pode ser prestada, se necessário. [Q3-2011]
3.5. Desenvolver metas intra-anuais, e medidas correctivas em caso de desvios das metas, até [Q3-2011]:
 Balanço interno mensal de caixa, despesas, metas de receita para o governo central, tal como definido nas contas nacionais;
 Publicar trimestralmente o balanço das metas do governo central, tal como definido nas contas nacionais.

3.6. Implementar todas as alterações às regras de execução orçamental e procedimentos necessários a alinhar com a definição padrão de dívidas e compromissos. Enquanto isso, o procedimento de controlo dos compromissos existentes será aplicado a todos os tipos de despesas em toda a administração pública. A assistência técnica pode ser prestada, se necessário. [Q4-2011]

3.7. Na sequência do inquérito, preparar um relatório mensal consolidado das dívidas do sector público administrativo. O perímetro do governo central será definido como nas contas nacionais. [Q3-2011]

3.8. Publicar as contas trimestrais das empresas do Estado, o mais tardar 45 dias após o final do trimestre. Deve começar com as 30 maiores empresas do Estado que estão consolidadas no “Governo Central”, mas como regra geral, todas as empresas públicas devem seguir as mesmas normas de informação. [Q4-2011]

3.9. Publicar informações sobre: número de funcionários públicos numa base trimestral (o mais tardar 30 dias após o final do trimestre); recursos e fluxos no período em questão, por Ministério ou por entidade empregadora (ou seja, novas contratações, os fluxos de reforma e saída para outros serviços governamentais, do sector privado ou para o desemprego); salário médio, subsídios e gratificações. [Q1-2012]
Monitorização

3.10. Aprovar uma definição-standard de obrigações imediatas. [Q2-2011]

3.11. Publicar um relatório global sobre os riscos fiscais em cada ano, como parte do orçamento, a partir do Orçamento de 2012. O relatório deve salientar os riscos fiscais gerais e obrigações imediatas a que o Governo pode ser exposto, inclusive aquelas decorrentes de Parcerias Público-Privadas (PPP), empresas públicas e às garantias explícitas para os bancos. [Q3-2011]

Quadro orçamental

3.12. Publicar um documento de estratégia fiscal para o “Governo Central” até Julho de 2011 e depois, anualmente, em Abril, para o Programa de Estabilidade. O documento vai especificar as previsões económicas e fiscais, para um médio prazo de 4 anos, e os custos, a 4 anos, de novas decisões políticas. Os orçamentos incluem uma conciliação de revisões para as previsões fiscais de 4 anos, imputáveis às decisões políticas e uma parametrização das revisões, por exemplo, decisões políticas e mudanças no ambiente macroeconómico.

3.13. Garantir a aplicação integral da Lei de Enquadramento Orçamental, aprovando as mudanças legais necessárias, inclusive para as leis de finanças regionais e locais [Q3-2011]:
 A delimitação do que seja “Governo Central” compreende o perímetro o Estado, outras entidades e organismos públicos, a Segurança Social, das empresas públicas e PPPs que sejam reclassificadas dentro do “Central” e as administrações regional e local.
 Definir em pormenor as características propostas do quadro orçamental a médio prazo, incluindo a estratégia fiscal no médio prazo, de decisão e processo de priorização, reporte de regras, controles de compromisso e reserva de contingência adequados e regras de acesso com eles relacionados. [Q3-2011]

 3.14. A proposta de revisão da lei de finanças locais e regionais, será apresentada ao Parlamento, a fim de adaptar totalmente o quadro de financiamento local e regional com os princípios e as normas aprovadas pela recente revisão da Lei de Enquadramento Orçamental, nomeadamente no que diz respeito a:
 inclusão de todas as entidades públicas relevantes, no perímetro das administrações locais e regionais,
 enquadramento plurianual da despesa de equilíbrio orçamental, e regras de endividamento e de orçamentação por programas, e
 interacção com a função do Conselho Fiscal [Q4- 2011].

3.15. A previsão subjacente à elaboração do orçamento e do documento de estratégia fiscal devem ser publicadas, incluindo uma análise de suporte e os pressupostos subjacentes. [Q3-2011]

3.16. Adoptar o Estatuto do Conselho Fiscal, com base no relatório do grupo de trabalho de 06 de Abril de 2011. O Conselho estará operacional a tempo do Orçamento de 2012. [Q3-2011]"
(continua)

BREVE COMPARAÇÃO ENTRE O PEC IV E O MEMORANDO DE ENTENDIMENTO

"O memorando de entendimento relativo ao programa de ajuda a Portugal veio comprovar o falhanço do PEC IV.
O PEC IV mantinha um objectivo de 4,6% do PIB para o défice público em 2011. O memorando de entendimento estabelece um défice de 5,9% para o corrente ano, alargando o período de consolidação em mais um ano (défice de 3% do PIB apenas em 2013). Esta medida atenua os efeitos negativos no crescimento económico. Esta proposta tinha sido apresentada pelo Presidente do PSD em Outubro passado, sendo à época acusado pelo PS de imaturidade. Afinal, tinha razão e mostrou estar melhor preparado que o Eng. Sócrates!
O Governo foi incapaz de demonstrar aos representantes da Comissão Europeia, do BCE e do FMI que as políticas inscritas no PEC IV eram suficientes para atingir um défice de 4,6% em 2011, tornando necessária a revisão das metas do défice.
Por outro lado, o PEC IV assentava em pressupostos errados, como ficou demonstrado pelas duas actualizações do défice de 2010 feitas pelo INE em menos de um mês (a primeira decorrente, em grande medida, dos resultados de empresas públicas de transportes e a segunda de Parcerias Público-Privadas). De facto, apenas dez dias após a entrega do PEC IV as metas estabelecidas pelo Governo já eram irrealistas, ficando claro que seriam necessárias novas medidas - um PEC V.
Este facto comprova que era impossível fazer um acordo sobre o PEC IV e que o PSD actuou de forma responsável.
O documento pressupõe uma revisão em baixa do PIB de 2011 e de 2012, na ordem dos dois pontos percentuais, significando que Portugal será o único país do mundo em recessão no final deste ano e durante o próximo ano.
Em matéria fiscal, o documento recupera algumas medidas incluídas no PEC IV, como as restrições aos benefícios e deduções fiscais em sede de IRS, embora de forma mais atenuada.
Para a redução do défice, o PEC IV privilegiava o aumento da receita fiscal, em detrimento de uma diminuição acentuada da despesa pública. O memorando vem estabelecer uma actuação reforçada ao nível da despesa, a qual passa a ter um papel primordial no processo de consolidação orçamental, contrariamente ao PEC IV, que colocava o ónus dessa consolidação sobre os contribuintes.
Ao nível da despesa, o memorando actua sobre áreas problemáticas, que o PEC IV ignorava: Parcerias Público-Privadas, administração local e regional, entre outras.
No âmbito do mercado de trabalho, o memorando apresenta uma reforma mais detalhada que a inscrita no PEC IV, protegendo os contratos de trabalho existentes.
Conforme defendido pelo PSD, este memorando prevê, para as pensões mais baixas, uma excepção à regra do congelamento. À semelhança do PEC IV, o documento estabelece a aplicação de cortes para pensões superiores a 1.500 euros.
Também conforme sustentado pelo PSD desde há vários anos, o memorando contempla, como meio para promover a competitividade das empresas, uma redução da Taxa Social Única, que deverá ser compensada por diminuições na despesa pública.
Globalmente, as medidas incluídas no memorando são mais profundas que as previstas no PEC IV, quer do ponto de vista estrutural, quer dos objectivos a atingir
”(fonte: PSD)

Banca portuguesa ganha mais de 500 milhões de euros esta semana

A banca portuguesa ganhou mais de 500 milhões de euros ao longo desta semana. O acordo com a troika deu alento à banca nacional, com as ações do BCP, BES e BPI a ganharem todas mais de 5%.


Jornalista americana conta ataque que sofreu no Cairo

Uma jornalista americana atacada por manifestantes na Praça Tahrir no Cairo decidiu contar na televisão o horror que sofreu no Egito. Lara Logan foi brutalmente agredida e violada por uma multidão que comemorava o fim do regime de Mubarak.


Sondagem: José Sócrates é considerado líder mais forte do que Pedro Passos Coelho...

Os inquiridos pela Universidade Católica destacaram do atual primeiro-ministro a força de liderança, as qualidades para governar, as soluções para problemas do país e a capacidade de resistência às pressões. De Passos Coelho destacam a honestidade e a simpatia.


Sondagem: chumbo do PEC IV marcou inflexão nas intenções de voto

Em maio, depois do PSD ter viabilizado o PEC II, os social-democratas tinham uma vantagem clara sobre o PS. As intenções de voto no PSD subiram na altura das negociações para o Orçamento do Estado mas começaram a descer após o chumbo do PEC IV e da demissão de José Sócrates.


Sondagem RTP: PS supera PSD nas intenções de voto a um mês das eleições legislativas!!!

A menos de um mês das legislativas, o PS está na frente das intenções de voto dos portugueses. Se as eleições fossem agora, José Sócrates venceria com 36 por cento. Na avaliação aos políticos, o primeiro-ministro subiu do sexto para quarto lugar.


Teixeira dos Santos diz não ter o direito de intervir na gestão autárquica e regional....

O ministro das Finanças admite que o PEC IV não previa ainda as reformas estruturais que a troika acredita serem necessárias para recuperar Portugal. Em entrevista a RTP, Teixeira dos Santos admitiu também que é difícil ao governo ter controlo sobre todas as despesas do setor público.


Coelho à cabeça: manifestantes invadem RTP em protesto

Li na TVI que "grupo de pequenos partidos liderado por José Manuel Coelho, ex-candidato à Presidência da República, critica opção das televisões em não os incluir na calendarização dos debates televisivos. Um grupo de manifestantes, em representação dos partidos PCTP/MRPP, Partido Trabalhista Português e Partido Nova Democracia, invadiu as instalações da RTP, em Lisboa, obrigando à intervenção do corpo da intervenção, esta sexta-feira à noite a poucos minutos do primeiro debate para eleições legislativas, com os candidatos Paulo Portas e Jerónimo de Sousa.O protesto foi liderado por José Manuel Coelho, ex-candidato à Presidência da República, e pretendia demonstrar o desagrado do madeirense em não ter sido incluído no calendário de debates televisivos. A RTP mostrou esta noite imagens dos manifestantes que impunhavam cartazes de protesto e só depois da intervenção da polícia foi possível dispersar os indivíduos que se encaminharam para a porta de entrada do canal de televisão público, tendo depois entrado nas instalações na Avenida Marechal Gomes da Costa.
Querem «igualdade»
Os representantes destes pequenos partidos estavam concentrados frente às instalações da televisão pública, em Lisboa, em protesto contra a ausência dos pequenos partidos nos debates que juntam os líderes dos cinco principais partidos com representação parlamentar. Alguns dos manifestantes conseguiram aceder às instalações da RTP. José Manuel Coelho, ex-candidato presidencial independente, foi uma das pessoas que conseguiram entrar. Momentos antes, José Manuel Coelho, tinha explicado à Lusa que os pequenos partidos querem «igualdade», com debates entre todos os partidos «e sem discriminação». Os manifestantes estão a circular à volta dos edifícios, gritando «abaixo a censura». A polícia já chegou ao local. O líder do PCTP/MRPP, Garcia Pereira, explicou também à Lusa que a entrada dos manifestantes nas instalações se deve às dificuldades em serem recebidos pela direcção de informação da estação pública. «Estivemos a ser toureados durante 35 minutos, a dizerem-nos que não estava cá ninguém da direcção de informação. Ou fazíamos sinais de fumo ou vínhamos cá falar», explicou. O candidato adiantou ainda que as duas dezenas de pessoas que entraram na RTP, vão ficar dentro das instalações o tempo que for necessário".

***


Auto-estradas: Tribunal de Contas enganado!!!

Noticia a TVI que "os juízes do Tribunal de Contas queixam-se de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros. A denúncia consta de um relatório de auditoria às parcerias público-privadas rodoviárias, que vai ser aprovado na próxima semana. Um documento que a TVI revela em primeira mão. As auto-estradas lançadas pelo governo só passaram no tribunal de contas porque foi sonegada informação aos juízes. Em causa estão cinco subconcessões feitas pela Estradas de Portugal, em representação do Estado, no valor de 10 mil milhões de euros. A auto-estrada transmontana, no valor global de 1692 milhões euros. A sub-concessão douro interior, de 2846 milhões euros. Baixo alentejo com 1996 milhões euros. Algarve litoral, com 1634 milhões euros. E litoral oeste, com um custo global de 1847 milhões. O Tribunal de Contas começou por recusar o visto a todos estes contratos, porque as propostas finais das empresas eram mais caras do que as levadas a concurso. A Estradas de Portugal voltou à carga com segundos pedidos de visto, após renegociação dos contratos, mas sonegou informação aos juízes, relativa a significativas compensações financeiras aos bancos e às construtoras privadas. Essa informação só agora foi detectada, em sede de auditoria às parcerias público-privadas reguladas pelo instituto de infra-estruturas rodoviárias: «Estes acordos financeiros com as concessionárias não integraram os documentos que instruíam os processos de visto». O juiz relator da auditoria, que deverá ser aprovada na próxima quinta-feira, escreve que os protocolos com a banca e com as construtoras que foram sonegados ao tribunal são ilegais: «Estas compensações não resultam de qualquer clausulado contratual ou disposição legal, pelo que carecem de fundamentação jurídica».
Traduzindo: sendo tais compensações ilegais teriam forçosamente levado o tribunal de contas a um segundo chumbo das concessões rodoviárias. Ou seja, o Estado assumiu compromissos de dez mil milhões de euros passando por cima do tribunal de contas. Avelino de Jesus, o membro da comissão de avaliação das parecerias público-privadas que se demitiu acusando o governo de esconder informação, espanta-se pela mesma ser negada aos próprios juízes das contas públicas. No entanto, o presidente cessante das Estradas de Portugal, Almerindo Marques, rejeita que alguma vez tenha escondido documentos. O mesmo acontece com o Ministério das Obras Públicas. A informação sonegada ao tribunal deverá agora ser comunicada ao Ministério Público, para instauração de inquérito criminal, e poderá dar lugar a multas avultadas aos responsáveis, como de resto os juízes que concederam os vistos avisaram em devido tempo".

Portugalnomics...

Crise: Grécia ameaça abandonar euro?

Diz a TVi que "uma revista alemã noticiou que Grécia está a ponderar sair da Zona Euro. Alarmada com a situação, Bruxelas já terá convocado uma reunião de emergência. Os porta-vozes dos governos alemão e grego e o porta-voz do presidente do Eurogrupo desmentiram esta tarde que a Grécia esteja a ponderar sair da Zona Euro, conforme foi avançado esta sexta-feira pelo site do «Der Spiegel». Alarmada com a situação, Bruxelas terá já convocado uma reunião de emergência ainda para esta noite, com a possível saída da Grécia e a reestruturação da dívida na agenda, disse fonte europeia à Reuters. Face à delicadeza da situação, este encontro foi considerado altamente confidencial e contará apenas com as presenças dos ministros das finanças da zona euro e dos elementos mais experientes dos respectivos gabinetes. Contactado, o Ministério das Finanças respondeu que Teixeira dos Santos irá permanecer em Portugal, não tendo explicado se o titular da pasta foi convocado para este encontro.
Notícia avançada por revista alemã

A edição electrónica do «Der Spiegel», que cita fontes do governo alemão, adiantou esta manhã que a Grécia admite retirar-se da Zona Euro. O Der Spiegel sublinha que os protestos contra o governo grego devido aos problemas económicos são quase diários e que o primeiro-ministro George Papandreou, sente que não tem outra opção a não ser abandonar o euro e reintroduzir a moeda nacional. O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, e Jörg Asmussen, um influente secretário de Estado vão representar a Alemanha. Segundo as fontes do jornal alemão, Schäuble vai tentar evitar que a Grécia abandone o euro e leva um dossier preparado pelos seus assessores avisando para as terríveis consequências destas decisão, entre as quais uma desvalorização da moeda doméstica de até 50 por cento face ao euro que implicaria um drástico aumento da dívida grega. Em reacção a estas notícias, a moeda única está a desvalorizar mais de 1%".

Jardim vai elaborar plano para aplicar medidas da troika

Li no site da TVI que "o presidente do Governo da Madeira anunciou esta sexta-feira ter dado instruções aos secretários regionais para fazerem um inventário, com vista à elaboração de um plano para a aplicação das medidas acordadas entre a troika e o Executivo da República. Alberto João Jardim falava aos jornalistas na inauguração das obras de remodelação de uma unidade hoteleira no concelho de Santana, na costa norte da ilha da Madeira. «O que eu disse aos meus colegas de Governo é que façam agora um inventário sobre o texto português das incidências do acordo em cada secretaria regional para termos um plano depois para ver como podemos enfrentar aquilo (acordo)», declarou. Admitiu que, caso seja necessário, a região recorrerá à «contratação de grandes especialistas para assessorar na adaptação (ao acordo)». O governante falou sobre o encontro mantido entre o primeiro-ministro e os representantes do executivo madeirense, solicitado por José Sócrates, para «explicar» os termos do acordo que permite a ajuda financeira externa a Portugal, ao qual compareceram o secretário regional das Finanças, Ventura Garcês, e o vice-presidente do Executivo insular, João Cunha e Silva. «O que o primeiro-ministro disse foi o seguinte: o apoio a Portugal é para todos beneficiarem, inclusive as regiões autónomas», adiantou".

Sondagem: PS e PSD separados por 2,2 pontos

Segundo a TVI, "PS e PSD estão praticamente empatados na sondagem da Intercampus para a TVI e Jornal «Público», mas os social-democratas levam uma ligeira vantagem sobre os socialistas. A projecção de resultados da indica que a diferença entre os dois principais partidos está situada agora em apenas 2,2 pontos percentuais. O PSD tem 37% das intenções de voto, o PS 34,8%, o CDS regista 10,5 %, a CDU 7,9% e o Bloco de Esquerda 7%, enquanto que os restantes partidos recebem 2,8% das intenções. Mas há ainda um grande número de pessoas que não decidiu o sentido de voto: 46,2% dos inquiridos não sabe em quem vai votar ou não responde. O que aumenta ainda mais a expectativa sobre o resultado eleitoral. Esta é a primeira de uma série de sondagens que a TVI vai divulgar duas vezes por semana até às eleições, para avaliar o comportamento dos eleitores, numa das legislativas mais disputadas de sempre. De acordo com os dados obtidos neste primeiro estudo, será difícil construir uma coligação que garanta, sem margem de dúvidas, a maioria dos deputados. A única garantia de maioria absoluta é dada por uma coligação entre o PS e o PSD, neste momento. A questão da estabilidade política é considerada como decisiva nestas eleições, por isso perguntámos a opinião dos inquiridos. Quem é que deve formar o próximo governo? 29% dizem que deve ser o partido vencedor das eleições, mas 56,9% entendem que deve ser uma coligação.E qual coligação? A que reúne mais preferências é uma aliança PSD/CDS, mas outras opções obtêm resultados próximos: são as coligações PSD/PS e mesmo a coligação PSD/PS/CDS-PP. Opções muito divididas, portanto. Na próxima segunda-feira, no Jornal das 8 será apresentada uma nova sondagem. Serão duas por semana, à segunda e à sexta-feira.
A FICHA TÉCNICA DA SONDAGEM

Esta Projecção foi baseada numa Sondagem da INTERCAMPUS, efectuada entre 2 e 5 de Maio, com o objectivo de conhecer a intenção de voto dos portugueses, entre outros temas.Universo constituído pela população com mais de 18 anos, residente em Portugal Continental. Recolha através de entrevista telefónica num total de 1009 entrevistas: 52.1% dos entrevistados do sexo Feminino, 47.9%do sexo Masculino, com a distribuição etária e por regiões presente no quadro: 32% dos entrevistados com idades entre os 18 e os 34 anos, 33.4% entre os 35 e os 54 anos e 34.6% dos indivíduos com mais de 55 anos. Por regiões 17.9% dos entrevistados residem no Norte Litoral, 13.3% no Grande Porto, 19.5% no Interior, 18% no Centro Litoral, 21.1% na Grande Lisboa e10.1% no Sul. O erro de amostragem, para um intervalo de confiança de 95%, é de mais ou menos 3.08%. A taxa de resposta obtida foi de 47.7%. Nesta sondagem 46.2% dos entrevistados não manifestou a sua opinião".

Cavaco Silva: comunicação ao País sobre a assistência financeira a Portugal

"Como é do conhecimento público, o Governo português estabeleceu com três instituições internacionais um entendimento de assistência financeira nos termos do qual Portugal irá receber, a título de empréstimo, 78 mil milhões de euros, o que permitirá atenuar as dificuldades imediatas de financiamento do Estado e da nossa economia.
As condições do programa de ajustamento foram ontem conhecidas.
Tais condições traduzem, no essencial, o diagnóstico e a avaliação da situação económica e financeira nacional que foram realizados pela missão tripartida, integrada por membros da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional.
Nos últimos anos, o endividamento da economia portuguesa aumentou de forma persistente e a um ritmo incomportável.
O Estado e o sistema bancário ficaram mais expostos face ao estrangeiro, tornando o funcionamento da nossa economia excessivamente dependente do exterior.
As taxas de juro suportadas pelo Estado nos últimos meses, para assegurar o seu financiamento, tornaram-se insustentáveis e o sistema bancário passou a depender quase exclusivamente do Banco Central Europeu para satisfazer as suas necessidades de liquidez.
Os riscos de um colapso do financiamento da economia portuguesa tornaram inadiável o pedido de ajuda externa, que o Governo formalizou no passado dia 7 de Abril.
Neste período, em que a nossa economia viveu em situação de emergência financeira, desenvolvi uma acção permanente de informação e contacto com os agentes políticos, económicos e sociais, e com as instâncias internacionais.
A gravidade da situação exigiu sentido de responsabilidade e discrição, numa atitude ponderada e reservada, colocando sempre em primeiro lugar os interesses dos Portugueses e das suas famílias.
Não compete ao Presidente da República, nas presentes circunstâncias, pronunciar-se publicamente sobre os aspectos específicos do acordo.
Cabe-me antes salientar que a trajectória da nossa economia, para a qual fui fazendo sucessivos alertas, de há muito demonstrava a insustentabilidade do desequilíbrio das nossas contas externas e do aumento do endividamento do País relativamente ao estrangeiro, como as conclusões da missão tripartida vieram confirmar sem margem para dúvida.
A partir de agora, é essencial perceber que este acordo não é o fim de um processo, mas o início de um longo caminho que os Portugueses terão de percorrer, num espírito patriótico de coesão e de unidade.
Importa que os cidadãos compreendam que o acordo corresponde a um compromisso necessário para que Portugal obtenha um empréstimo, e não uma dádiva que estejamos desonerados de pagar no futuro.
O programa de ajustamento estabelecido é vasto e muito exigente e a sua execução irá ser acompanhada de forma rigorosa. Daí dependerá o acesso aos recursos financeiros de que Portugal necessita, bem como a credibilidade junto dos nossos parceiros europeus e dos mercados externos.
Cabe-nos demonstrar que somos capazes de aproveitar este tempo difícil e fazer dos compromissos agora assumidos uma oportunidade para mudar de vida e construir uma economia saudável.
O acordo é o sinal mais evidente da necessidade de alterarmos o rumo das políticas e de mudarmos de atitudes e de comportamentos.
Não podemos continuar a viver acima das nossas possibilidades, a gastar mais do que aquilo que produzimos e a endividar-nos permanentemente perante o estrangeiro.
Este acordo tem um horizonte temporal limitado, não representa um cheque em branco que os países europeus e as instituições internacionais nos concedem para que tudo permaneça na mesma.
Insisto, o compromisso assumido constitui uma oportunidade que não é gratuita, é temporária e não se irá repetir nos próximos anos.
É essencial que na execução do acordo alcançado seja encontrado espaço para duas preocupações cruciais para o nosso futuro: a justiça social e o crescimento da economia.
Há que minimizar o impacto negativo dos sacrifícios exigidos ao comum dos Portugueses. Muitos cidadãos já ultrapassaram a sua capacidade de contribuir para o todo nacional.
Em nome de um imperativo de justiça social e de equidade é fundamental canalizar os recursos que são escassos para os que verdadeiramente precisam de apoio.
Por outro lado, é fundamental criar condições para alcançarmos uma trajectória de crescimento económico sustentado a médio e a longo prazo e para defendermos o emprego.
Limitar a nossa dependência face ao exterior é uma condição essencial para que este programa de ajuda não seja um exercício em vão ou uma oportunidade perdida.
De uma forma muito clara, quero dizer aos Portugueses que, se não mudarmos, estaremos, daqui a três anos, ou até antes disso, pior do que nos encontramos hoje.
Existem três objectivos que não podem falhar. Caso contrário, voltaremos a ter problemas graves de financiamento.
Em primeiro lugar, tem de ocorrer um aumento significativo da poupança interna. Sei bem que numa altura de sacrifícios pouco sobra a muitas famílias para conseguirem poupar.
Mas sei também que muitos Portugueses terão de alterar os seus padrões de consumo, adiando despesas, evitando gastos supérfluos e desnecessários, preferindo produtos nacionais, reduzindo o endividamento.
Além da poupança das famílias, que deve ser uma medida de precaução para acautelar o futuro, é decisivo que o Estado dê o exemplo de contenção dos gastos e de combate ao desperdício dos dinheiros públicos.
Em segundo lugar, é imprescindível que se verifique um aumento substancial da produção de bens que concorram com a produção externa.
Há que reforçar o potencial de exportação da nossa economia, do mesmo modo que temos de investir seriamente na inovação e na produção de bens que até agora têm sido importados e que podemos produzir em condições competitivas.
Em terceiro lugar, temos de reconquistar a confiança dos mercados financeiros internacionais.
Já houve um tempo em que Portugal projectava no exterior uma imagem prestigiada de Estado cumpridor e rigoroso, em quem os investidores acreditavam e confiavam.
Restaurar essa confiança é essencial para podermos beneficiar do crédito do exterior em condições de normalidade, num horizonte temporal de dois a três anos.
Nessa altura, os mercados têm de olhar para Portugal como um País credível, que fez um esforço consistente para corrigir os seus erros e desequilíbrios, e para aproveitar as suas múltiplas potencialidades.
Insisto:
- se não aumentar a poupança interna;
- se não aumentarem as exportações e diminuírem as importações;
- se não reconquistarmos a confiança dos investidores internacionais,
Portugal voltará a enfrentar graves problemas de financiamento.
Portugueses,
Os tempos de crise são momentos de oportunidade. Portugal dispõe de uma possibilidade única para construir uma economia saudável, que não podemos desaproveitar.
Está nas mãos dos agentes políticos e dos cidadãos agarrar esta oportunidade de mudança.
Se nada fizermos, não iremos ficar na mesma, iremos ficar pior do que hoje estamos.
Estou confiante que os Portugueses compreendem o desafio que têm pela frente.
Não será fácil mudarmos hábitos instalados, acabarmos com vícios que afectam o funcionamento do Estado, das empresas e dos mercados. No entanto, não temos outra opção.
Só há um caminho: trabalhar melhor e poupar mais.
É isso que se pede aos Portugueses e é isso que os Portugueses têm o direito de exigir do Estado.
Também o Estado, sobretudo o Estado, tem de trabalhar melhor, funcionar com maior eficiência e gastar com mais critério.
O presente irá exigir muito de nós.
Mas é do sentido de responsabilidade dos Portugueses que se faz a esperança de um futuro melhor
".

***

quarta-feira, maio 04, 2011

Rádios de quem?

Afinal o que são as “rádios do Jaime Ramos”? Existem “rádios do Jaime Ramos” ou existem rádios propriedade de uma empresa (ou de duas, porque) das quais Jaime Ramos é associado, em 50%, juntamente com outros empresários? Alguém diz que a SIC é Pinto Balsemão ou que a RTP é o ministro Jorge Lacão ou o seu comparsa Silva Pereira ou que a TVI é do Pais do Amaral? Vamos a factos. Julgo que a “Ramos, Marques e Vasconcelos Lda” é uma empresa detida hoje pela ComunicaMadeira, da qual faz parte, além de Jaime Ramos, o empresário Joaquim Oliveira, regra geral representado no seu conselho de administração pelo seu filho e empresário Rolando Oliveira. Não sei se este esquema se alterou. A manter-se, como me parece que sim, este esquema temos que Joaquim Oliveira, é o patrão da Controlinveste que é proprietária, entre outras do DN de Lisboa e da TSF e tem participação no DN do Funchal.

Intratável, incurável

Sócrates insiste em duas teclas: o governo socialista fez um bom acordo. A segunda ideia é a de que este acordo é no fundo, mais coisa menos coisa, o que estava no PEC IV. Ora aos poucos percebemos que são duas descaradas mentiras de um mentiroso crónico. A ser assim, se o governo socialista fez um bom acordo como ele diz, então a sua actuação foi criminosa e irresponsável, porque prejudicou Portugal e penalizou os portugueses. A ser assim, porque não fez ele o pedido de ajuda mais cedo para que conseguisse este acordo tão “bom” que provavelmente teria sido ainda “melhor”, porque o país teria ganho tempo e não tinha sido lançado às feras, vítima da manipulação do capitalismo selvagem e dos mercados e agências de “rating” endividando-se, como andou a fazer, à custa de juros absolutamente absurdos e criminosos. Amanhã, quando a “troika” der a conferência de imprensa e fizer o enquadramento deste acordo, quando desenvolver as questões macro e micro-económicas subjacentes ao acordo, quando o documento for divulgação devidamente traduzido em português, então veremos o que os portugueses decidirão. Isto se os jornalistas assumirem as suas responsabilidades deontológicas e clarificarem o impacto real de cada uma das medidas dele constantes.

O vestido e a modelo...

Há coisas que começam a meter nojo. Pela falta de seriedade, pela manipulação, pelo descaramento, pela mentira e pela idiotice. Imaginem que conseguem encontrar a mulher mais feia do mundo, em que basta olhar para ela e a sua cara, coitada, causa-nos repugnância. Estamos a vaguear no mundo do imaginário, recordo. Mas imaginem o mais caro e mais belo vestido de noiva do mundo, que essa mulher usa numa sessão fotográfica promocional. O vestido de noiva é cobiçado por todos, naturalmente, ao ponto de ofuscar a falta de beleza da modelo que o exibe. Todas as mulheres, particularmente as que pensam casar, certamente desejariam aquele vestido mágico. Esqueceram-se da falta de beleza da modelo, aliás uma questão que naquele contexto provavelmente nem é importante. O problema é que, tirando o vestido, ele continua a ser o mais caro e mais belo de todos, mas a modelo volta a ser a mais feia mulher do mundo. Ou seja, cada coisa é o que é, cale o que vale. Uma não esconde a outra, mesmo que, juntas, confundam. Estamos entendidos?

Habilidades ou coincidências?

O PSD tem muito que aprender em termos de comunicação, propaganda e marketing político. Passos Coelho é assessorado por um ex-jornalista da Lusa, de onde saiu há relativamente pouco tempo da agência. Mas a máquina governativa socialista e o PS, ambos há seis anos no poder, é avassaladora neste domínio. Foi já mais eficaz do que é agora, reconheço. A realidade não é disfarçável. O trabalho é difícil por muito grande que seja a imaginação. Mesmo assim há situações, aparentemente inocentes, melhor dizendo, aparentemente pura coincidência, que em meu entender revelam a dimensão do braço controleiro do governo socialista. Hoje a RTP entrevistou Passos Coelho. Anunciou-o diversas vezes. Não é que, antes da entrevista, a RTP consegue entrevistar em pleno telejornal o ministro Silva Pereira, numa clara tentativa de desvalorizar ou esvaziar o impacto da entrevista de Passos Coelho. Claro que tudo isto é pura coincidência…

Acordo fala nas regiões autónomas...

Recomendo a leitura do documento em pdf (e em inglês) que consta da ligação posta num comentário anterior: "proposing amendments to the regional finance law to limit the reduction of VAT in the autonomous regions to a maximum of 20% vis-à-vis the rates applicable in the mainland".

O outro lado: empresas do Estado têm que poupar 515 milhões de euros

Li aqui que "a obrigatoriedade das empresas do sector empresarial do Estado (SEE) cortarem 15% dos custos operacionais já em 2011 é para manter nos próximos anos. As poupanças, diz o memorando de entendimento entre aos partidos, devem chegar aos 515 milhões de euros já no próximo ano. Uma verba que será alcançada com a conjugação da redução das remunerações e dos benefícios concedidos aos trabalhadores. Além disso, as empresas do SEE devem racionalizar os planos de investimento a médio prazo, com a revisão dos limites ao endividamento, e aumentar as receitas que resultem de actividades de mercado. Relativamente aos cortes na despesa em 2011, o memorando prevê que seja revelado em Julho um plano completo para chegar aos cortes de 15% face aos custos operacionais de 2009. O documento prevê que a partir de Julho seja estudada uma nova estrutura tarifária das empresas públicas com vista a reduzir o nível de subsidiação. Esta medida estava já prevista no PEC IV e o primeiro passo nesse sentido foi dado com a contratualização do serviço público com empresas de transportes como a CP, a Refer e o Metropolitano de Lisboa, no início de Abril. Já em 2013, as poupanças, a contabilizar em conjunto com outros organismos públicos, do sector empresarial do estado deverá ser na ordem dos 175 milhões de euros.
Maior controlo nas contas
Já no final de 2011, as empresas do SEE estão obrigadas a divulgar trimestralmente os seus resultados, tendo 45 dias depois para o fazer. O memorando prevê que a medida comece por abranger as 30 maiores empresas, mas deve ser generalizado a todo o universo do SEE".

O outro lado: subsídio de desemprego passa a pagar IRS

Garante o Económico que "quem recebe apoios sociais como o subsídio de desemprego ou o rendimento social de inserção vai passar a ter de declarar estes rendimentos para efeitos e IRS e vai passar a ser tributado. Desta forma, haverá um corte, por via indirecta, nas prestações sociais. De acordo com uma versão mais detalhada do memorando de entendimento da ‘troika', as prestações sociais vão passar a ser tributados em sede de IRS. Assim, quem recebe subsídio de desemprego, abono de família, subsídio de maternidade e paternidade e rendimento social de inserção vai passar a ter de declarar aqueles rendimentos".

Consulte aqui o programa da ‘troika’ para Portugal

Leia aqui, no Económico, o programa desenhado pela ‘troika’, que inclui várias medidas de austeridade, para Portugal.

O outro lado: conheça as principais medidas previstas no acordo

"Depois de Sócrates ter revelado que o Governo português chegou a um acordo com a troika formada pela Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu para uma ajuda financeira a Portugal de 78 mil milhões de euros a três anos (que inclui a recapitalização da banca), algumas das principais medidas do documento vão sendo conhecidas. A agência Lusa, que afirma ter tido acesso ao memorando, revela algumas delas.

Emprego

Os trabalhadores independentes vão passar a receber subsídio de desemprego. O Governo invoca uma necessidade de “aumentar as redes de protecção social” para justificar esta medida.O documento prevê ainda a redução, de 15 meses para 12 meses, do período contributivo para os trabalhadores terem acesso ao subsídio de desemprego, mas reduz o subsídio para um máximo de 18 meses.O memorando reduz ainda o máximo mensal do subsídio para os 1.048,05 euros.O documento deixa ainda claras as novas limitações para o aumento do salário mínimo. “Qualquer aumento do salário mínimo só terá lugar se justificado pelas condições económicas e terá de ser acordado no contexto das revisões regulares do programa” de auxílio. “As reformas vão focar-se na criação de novos empregos”, refere o documento, destacando a criação de postos de trabalho para os mais jovens, e sublinha a necessidade de resolver os problemas “fundamentais que impedem a transição eficiente de trabalhadores entre ocupações, empresas e sectores e que criam privilégios socialmente injustos” e promete a adoção das novas medidas em consulta com os parceiros sociais. Para os novos contratos, o documento promete ainda alinhar as indemnizações compensatórias dos contratos a termo certo aos dos contratos sem termo, reduzir estas indemnizações, para dez dias por ano de trabalho, pagas pela empresa, ao qual se junta um valor igual, pago pelo trabalhador.

Política fiscal

As empresas portuguesas vão passar a pagar menos taxa social única. Para compensar os efeitos orçamentais da redução da taxa social única, o memorando prevê diversas medidas, como a alteração da estrutura e das taxas do IVA, novos cortes permanentes na despesa e o aumento de outros impostos, desde que não tenham efeitos nocivos sobre a competitividade. O documento promete medidas para mitigar “o impacto social do aumento das taxas sobre o consumo”, para assegurar que as alterações nas contribuições para a segurança social serão compensadas com a relocação de recursos suficientes para não por em causa a sustentabilidade do sistema de pensões e, por último, medidas que garantem que as alterações nos impostos se traduzem em preços mais baixos.O memorando estabelece ainda que os aumentos do IVA, IRS e IRC já em vigor se mantenham até 2013, mas será realizada uma revisão das listas de bens e produtos sujeitos à taxa reduzida e intermédia.O IMI sofrerá um aumento para compensar uma redução do IMT, aumentando no entanto os impostos específicos sobre os veículos (ISV) e tabaco. A ‘troika’ irá ainda introduzir um valor global de limite que os contribuintes poderão deduzir em despesas de saúde, educação e prestação da casa, variando consoante o escalão de rendimento. Os benefícios e incentivos fiscais serão congelados, estando ainda previsto que algumas deles desapareçam, sendo que no caso das empresas serão eliminadas várias isenções, será imposto um limite à dedução de perdas. No que toca à fraude e evasão fiscal, as partes assumem que até final de Outubro vão preparar um novo plano estratégico para 2012-2014 para a administração fiscal, que inclui “medidas concretas para combater a fraude e evasão fiscais” que não especifica. Por outro lado, até final de 2011 será apresentada ao parlamento uma nova proposta de lei para reforçar a auditoria fiscal e a capacidade de aplicação da lei por parte da estrutural central de impostos, por forma a que esta possa “exercer controlo sobre todo o território nacional, incluindo as atuais zonas isentas”. A nova lei, especifica o documento, dará à administração fiscal central “o poder exclusivo de emitir decisões interpretativas sobre impostos de aplicação nacional, para assegurar uma aplicação uniforme” dos mesmos. Já no campo da justiça, será criada até ao final de 2012 uma “task force de juízes para despachar processos [fiscais] acima de 1 milhão de euros”.

Obras públicas

O próximo Governo terá de suspender a concretização de novas Parceria Público.Privadas (PPP). O novo aeroporto de Lisboa não contará com fundos públicos e a linha de alta velocidade ferroviária Lisboa-Porto será suspensa enquanto durar o programa de ajuda a Portugal. A construção desta linha já tinha sido adiada para 2017 pelo Governo agora demissionário. Ainda no âmbito das PPP, o Governo vai pedir assistência técnica à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) “para avaliar, pelo menos, as 20 PPP mais significativas, incluindo as principais PPP da Estradas de Portugal”. Esta avaliação terá de estar concluída até Agosto. O Governo terá também de “melhorar substancialmente os relatórios sobre as PPP para reforçar os mecanismos de monitorização” e, a partir de 2012, os relatórios anuais sobre as PPP terão de especificar todos os cash flows futuros e as obrigações do Governo nestes projectos.

Banca

Os bancos portugueses poderão vir a receber 12 mil milhões de euros de ajuda externa, incluídos no pacote de 78 mil mil milhões de euros que vai ser entregue a Portugal. A atribuição dos 12 mil milhões de euros será efectuada de forma a garantir que a gestão dos bancos continue a ser controlada pelos accionistas privados durante uma primeira fase e a permitir-lhes a recompra da posição do Estado. “O Banco de Portugal vai agora exigir aos bancos, sujeitos a supervisão em Portugal, que atinjam um rácio ‘core tier I’ [nível de solvabilidade mínimo para exercer a sua actividade] de 9 por cento no final de 2011 e de 10 por cento no máximo até ao final de 2012 e mantê-lo a partir daí”, sublinha o memorando.O rácio de ‘core tier 1’ é apurado através do quociente entre o conjunto de fundos próprios designado de ‘core’ e as posições ponderadas em função do seu risco. “Caso os bancos não consigam atingir os seus objectivos dentro do prazo, poderá ser necessário o financiamento público temporário para assegurar o reforço dos rácios de capital”, explica. Contudo, acrescenta, os bancos que beneficiarem de fundos públicos “estarão sujeitos a regras e restrições e a um processo de reestruturação em linha com as regras comunitárias da concorrência e com as exigências para a ajuda estatal, o que constituirá um incentivo para que seja dada prioridade às soluções baseadas no mercado”. O memorando prevê ainda a criação de um programa de garantias à emissão de obrigações dos bancos no valor de 35 mil milhões de euros, incluindo o pacote de incentivos actuais, frisando que “os bancos serão encorajados para tomar acções que fortaleçam as margens de segurança”.O Estado português vai ainda acelerar os prazos para vender o BPN, sem um preço mínimo, esperando encontrar um comprador até ao final de Julho, indica o memorando. Já sobre a Caixa Geral de Depósitos, banco público sobre o qual o primeiro-ministro adiantou terça-feira que não seria privatizado no âmbito deste acordo, o texto refere que “o grupo CGD será simplificado para aumentar a base de capital do seu ramo bancário”.

PIB

O memorando de entendimento prevê, para este ano e para 2012, uma quebra no produto interno bruto (PIB) de dois por cento. Está cintemplado um ajustamento de 3,4 por cento do PIB na despesa e 1,7 por cento na receita.Do lado da despesa, as principais medidas de contenção referem-se ao congelamento dos salários e das pensões até 2013, com excepção das pensões mais reduzidas, para além da introdução de um imposto nas pensões acima de 1500 euros.

Administração pública

A ‘troika’ pretende reduzir o número de pessoal na administração central em um por cento por ano, recorrendo para isso à regra de 2 por 1 reforçada já iniciada pelo Governo (uma entrada por duas saídas), aplicando ainda uma racionalização da administração pública a nível regional e local, de modo a permitir reduzir o número de trabalhadores em 2 por cento por ano. A estas, juntar-se-ão maiores limites nas transferências para os governos regionais e locais, outras entidades públicas e empresas do Estado.Nas empresas públicas, para além da implementação efectiva dos cortes nos custos operacionais em 15 por cento face aos valores de 2009, já previstos, a ‘troika’ pretende reduzir os benefícios variáveis (como o cartão de crédito, por exemplo) em pelo menos 5 por cento por ano até 2014 e alinhar as práticas salariais com a função pública. O acordo entre o Governo e a ‘troika’ prevê ainda o fecho de uma em cada cinco repartições locais de finanças e que a administração fiscal será constituída por 30 por cento de auditores até ao final de 2012.“A força laboral de auditores [fiscais] será aumentada para 30 por cento do total de trabalhadores da administração fiscal até 2012, na sua maioria através da recolocação de pessoal do sector público e na administração fiscal”, indica o memorando de acordo entre o Governo e a equipa tripartida da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. O texto também indica que “será fortalecida a informação de terceiros para apoiar as auditorias” aos contribuintes. Na vertente organizacional, o acordo prevê a modernização da administração fiscal, com a unificação dos vários serviços de impostos (Direção Geral de Contribuições e Impostos), alfândegas (Direção Geral de Alfândegas) e serviços informáticos (Direcção Geral de Informática e Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiro). Até ao final de Setembro deste ano, as duas partes prevêm ter concluído um estudo sobre se a nova estrutura - cujo formato estará decidido até ao final de 2011 - pode ou não acumular a coleta da segurança social. Esta nova estrutura, adianta o memorando, vai simplificar as repartições locais de finanças, fechando pelo menos 20 por cento (uma em cada cinco) em 2011 e em 2012.Na administração local, o acordo entre o Governo e a ‘troika’ refere que Portugal terá de reduzir a partir de Julho de 2012 o número de câmaras e juntas de freguesias, actualmente 308 e 4259 respectivamente, reduções que terão de estar concretizadas nas próximas eleições autárquicas que decorrerão em 2013.O memorando diz também que, até Dezembro deste ano, terá que ser publicado um levantamento de todas as entidades públicas, incluindo associações, fundações e outros organismos em todos os níveis da administração pública, que permitirá ao Governo decidir quais deverá encerrar ou manter. Deverão ser igualmente criadas até Julho de 2012 novas leis da administração pública que regulamentem aquelas entidades.

Educação

Será aplicada uma “racionalização” do currículo escolar e da criação de centros escolares de forma a reduzir os custos para o Estado.

Saúde

Na saúde, as taxas moderadoras deverão ainda sofrer aumentos e eliminadas isenções, sendo também aqui protegidas as pessoas com menores rendimentos.

Justiça

A ‘troika’ e o Governo pretendem resolver o problema da pendência processual em 24 meses, o que começará com uma auditoria, a concluir em Junho, sobre todos os casos das acções de execução, insolvências, dívidas fiscais e processo laborais. Com base nessa auditoria serão tomadas medidas adicionais, até Setembro, para melhorar a resolução do número de processos pendentes nos tribunais, que todos os anos aumentam. Está ainda prevista uma reestruturação dos tribunais para melhorar a sua eficácia e a implementação das 39 comarcas do novo mapa judiciário até ao final de 2012, quando o Governo a tinha previsto para 2014. Até Setembro será definido um roteiro para esta reforma que será financiada através do que se vai poupar em gastos e ganhos de eficiência, conseguidos pela racionalização de custos e por uma melhor gestão dos serviços públicos. A ‘troika’ do FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu definiu ainda um novo sistema de gestão para dois tribunais, entre os quais se inclui um da região de Lisboa, que será implementada até ao final do ano. Será ainda implementada uma nova gestão de pessoal de apoio, estando prevista a mobilidade especial dos oficiais de justiça. O memorando indica ainda que vai ser feita uma fusão de pequenas execuções de dívidas que sejam semelhantes e que serão cobrados custos adicionais aos devedores que não cooperem com a justiça. O número de agentes de execução irá também ser reforçado para permitir a libertação dos juízes para outros casos. O documento refere ainda que será alargada e melhorada a resolução alternativa de litígios para permitir que mais casos sejam retirados dos tribunais" (fonte: Publico, com a devida vénia)

O outro lado: redução de serviços do Estado e salários congelados até 2013

Escreve o jornalista do Publico Paulo Miguel Madeira que, "o Estado terá de “reduzir o número de serviços” no próximo ano e congelar salários até 2013, de acordo com o memorando de entendimento entre o Governo e a troika Comissão-BCE-FMI. Estas são duas uma das medidas previstas no capítulo das medidas orçamentais para 2012, no âmbito da redução de despesa, mas cuja poupança específica não está quantificada.Para o conjunto da administração central, prevê-se medidas com um impacto de poupança anual de 500 milhões de euros, que o próximo Governo deverá ainda decidir, e que será avaliadas pela EU-FMI já no início do próximo ano.Um dos sectores afectados será o da educação, com uma redução de custos de 195 milhões de euros no próximo ano (face a um orçamento de 6377 milhões este ano), o que deverá conseguido através da “racionalização da rede escolar com a criação de agrupamentos de escolas, abaixamento das necessidades de pessoal, centralização das compras; e redução e racionalização das transferências para as escolas privadas com acordos de associação”.Ficou decidida também a criação de uma administração fiscal única e a promoção dos serviços partilhados entre as diferentes estruturas do Governo.Serão reduzidas as transferências do Estado para os organismos públicos e outras entidades e reorganizado o fornecimento de serviços ao nível local, quer os das câmaras quer os da administração central. O acordo estipula também que o conjunto dos salários do sector público, em percentagem do PIB, diminuirá em 2012 e 2013, apesar de se preverem duas recessões consecutivas de dois por cento.Este objectivo será conseguido com a limitação das admissões na administração pública, com o objectivo de obter diminuições anuais de pessoal de um por cento ao não até 2014, e de dois por cento nas autarquias, além do acima referido com congelamento salarial em 2012 e 2013, a par da redução dos benefícios de saúde da ADSE, ADM SAD".

O outro lado: acordo facilita despedimento individual por inadaptação

Diz o Publico que "o memorando de entendimento que o Governo assinou com a troika prevê que o despedimento de um trabalhador por inadaptação deixe de estar dependente da introdução de novas tecnologias ou alterações no posto de trabalho. No documento o Governo que sair das próximas eleições compromete-se a preparar até ao final de 2011 uma reforma do Código do Trabalho que introduza “ajustamentos” às situações em que pode ocorrer despedimento individual com justa causa e à utilização de contratos a termo.A ideia é que o despedimento por inadaptação seja possível mesmo que não haja a introdução de novas tecnologias ou outras mudanças no posto de trabalho.A troika propõe ainda que se acrescente uma nova razão que justifique o despedimento e que se dirige às situações em que o trabalhador acordo como empregador objectivos específicos e não os consegue alcançar por razões da exclusiva responsabilidade do trabalhador.O memorando prevê ainda que o despedimento por inadaptação deixe de estar sujeito à obrigação de se transferir o trabalhador para um outro posto de trabalho compatível. A lei em vigor coloca como um dos requisitos do despedimento por inadaptação que Não exista na empresa outro posto de trabalho disponível e compatível com a qualificação do trabalhador. Agora, diz-se que isso deixa de ser um dos requisitos embora se refira que “como regra sempre que houver um posto de trabalho disponível que se adeque às qualificações do trabalhador, o despedimento deve ser evitado”.O objectivo é que as alterações aos artigos 373º a 385 do código laboral sejam apresentadas à Assembleia da República no primeiro trimestre de 2012"

O outro lado: "Golden shares" do Estado são para eliminar até Julho

Diz o Económico que "eliminar as ‘golden shares’ e as acções com direitos especiais que o Estado mantém em empresas cotadas é outra meta imposta pelo plano de ajuda externa a Portugal. Entra nesta lista o caso da Portugal Telecom (PT), onde o Estado tem 500 acções de categoria A, que lhe conferem o estatuto de ‘golden share' e, inclusive, poder de veto em assembleia geral. O fim destas regalias estava já em marcha, na sequência da decisão do Tribunal Europeu de sancionar o Estado português. Na mesma linha está a EDP, na qual o accionista estatal tem um conjunto de direitos especiais que o privilegiam face aos restantes accionistas. Tal como na PT, Bruxelas já tinha dado fortes sinais de que esta situação teria de ser eliminada. Por clarificar fica a situação da Galp. Aqui não é o Estado, mas sim a Caixa Geral de Depósitos, controlada pelo accionista público, que tem um conjunto de direitos especiais, vinculados por um acordo parassocial. O documento fixa como meta o mês de Julho de 2011".

O outro lado: conheça todas as medidas da 'troika' que vão mudar a sua vida

O Económico teve acesso ao memorando de entendimento fechado entre o Governo e a 'troika' com todas as medidas de austeridade.
Subsídio de desemprego passa a pagar IRS
‘Troika' exige cortes na ADSE
Despedimento individual por justa causa vai ser ajustado
‘Golden shares' do Estado são para eliminar até Julho
Taxas moderadoras aumentam e atingem mais portugueses
‘Troika' quer incentivar arrendamento
Portugal tem mais tempo para cortar défice mas não evita dois anos de recessão
Novo aeroporto sem fundos públicos e TGV Lisboa-Porto suspenso
‘Troika' quer aumentar IVA na factura da electricidade
Menos oito mil funcionários públicos por ano
Patrões descontam menos para a segurança social
Proprietários de casa serão penalizados com mais IMI
Mais cortes na Transtejo e no Metro de Lisboa colocam serviços em risco
O que a imprensa internacional diz sobre o acordo com a ‘troika'
BPN será vendido até Julho e não tem preço mínimo
Governo tem 12 mil milhões para injectar nos bancos
Desempregados só vão ter subsídio durante 18 meses
TAP, EDP e REN para privatizar na totalidade este ano
Redução de pessoal no Estado é para continuar
Sócrates anuncia resgate de 78 mil milhões
Pensões acima de 1.500 euros vão ser cortadas
Acordo não prevê redução de salários nem corte nos subsídios de férias e Natal
Troika cobre 100% das necessidades de financiamento em 2011
Objectivo do défice para 2011 fixado em 5,9%
CGD deve aumentar capital com recursos próprios
‘Troika' quer definir critérios específicos para extensão de portarias

O outro lado: "Troika" exige cortes na ADSE

Diz o Económico que "o programa para Portugal prevê cortes nas comparticipações do sistema da ADSE, que tem cerca de dois milhões de beneficiários. Num dos pontos do memorando exige-se a redução dos encargos orçamentais com os sistemas de saúde da ADSE, ADM e SAD e um ajustamento das comparticipações previstas nesses sistemas. Prevê-se que estas alterações gerem uma poupança de 100 milhões de euros só em 2012. Segundo o mesmo documento, a que o Económico teve acesso, o conjunto de medidas que serão impostas para controlar custos na saúde visam uma poupança de 550 milhões de euros".

O outro lado: "Troika" exige simplificação e rapidez na cobrança de dívida

Diz o Publico num texto das jornalistas Mariana Oliveira e Raquel Almeida Correia, que "simplificar e acelerar a cobrança de dívidas, agilizar o processo de insolvência e continuar com o alargamento do mapa judiciário. Estas serão em linhas gerais as exigências de reforma da troika para o sector da Justiça.O acordo com os responsáveis das delegações do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Central Europeu (BCE) e da Comissão Europeia não deve concretizar a forma como as reformas serão levadas a cabo, mas deve antes conter os objectivos pretendidos, deixando margem ao próximo Governo para adoptar as medidas que entender adequadas.A reforma da acção executiva, a maioria processos de cobrança de dívidas, que em Agosto passado contabilizava 1,1 milhões de acções pendentes nos tribunais (cerca de 70 por cento do total das pendências) já estava em marcha, tendo, contudo, sido interrompida com a demissão do ex-secretário de Estado da Justiça, João Correia, que presidia à Comissão para a Revisão do Processo Civil, que entregou um projecto de agilização da acção executiva em Outubro passado.Também em marcha estava o alargamento do mapa judiciário, que arrancou em Abril de 2009, ainda com a antiga equipa do Ministério da Justiça, em três comarcas-piloto (Grande Lisboa Noroeste, Baixo Vouga e Alentejo Litoral). A reorganização geográfica dos tribunais que aposta na especialização e numa estrutura própria de gestão foi condicionada pelos problemas financeiros, o que compromete o seu alargamento a todo o território nacional até 2014, como inicialmente previsto. Mas, em Fevereiro passado, o Conselho de Ministros aprovou o arranque, já em Julho, de mais duas comarcas no novo modelo: Lisboa e Cova da Beira. O projecto caiu com a dissolução da Assembleia da República, mas a troika vai insistir agora que seja retomado, pelo menos nesta última versão. A troika também vai intervir na área das insolvências, que continuam a disparar em Portugal. Perante este cenário, os representantes de BCE, FMI e Comissão Europeia reuniram-se com a Associação Portuguesa dos Administradores Judiciais e com o Ministério das Finanças. O objectivo é agilizar estes processos, antes de mais, através da resolução de um conflito entre o fisco e os administradores de insolvências, que têm vindo a ser responsabilizados pelas dívidas das empresas em dificuldades. Mas há outros problemas a sanar, como o facto de o sistema informático de nomeação destes gestores, que garantiria mais transparência, ainda não estar a funcionar e ser reconhecida a necessidade de reforçar os deveres de informação dos administradores perante os credores".

E que tal transformar Sines numa zona franca?

"As obras na zona industrial servida pelo porto alentejano levaram a economia local ao pleno emprego. A AICEP diz que Sines deveria ter um enquadramento fiscal próprio. Sines “é um oásis na economia portuguesa”. O autarca da cidade alentejana, Manuel Coelho Carvalho, demonstra assim o seu entusiasmo, explicando que lidera uma câmara municipal onde se “vive uma situação de pleno emprego”. A presidente da Administração do Porto de Sines (APS), Lídia Sequeira, confirma. Também diz que “os investimentos na zona são elevados e estão todos a avançar”, acrescentando que “é por essa razão que conseguimos fazer as obras de prolongamento do molhe do porto com autofinanciamento”. O presidente da AICEP, Basílio Horta, considera que Sines “atingiu um nível de actividade que deveria ser consolidado pela atribuição do estatuto de porto franco”, com uma fiscalidade mais atractiva. Entre todas as obras em curso, o presidente da câmara sublinha a importância do alargamento do Terminal XXI, que opera os contentores no porto de Sines. Jorge de Almeida, responsável pela concessionária do Terminal XXI — a PSA Sines —, explica que a empresa está a expandir a área destinada ao cais, bem como a capacidade das suas gruas. “Até ao final de 2011, o Terminal XXI terá três gruas a funcionar e vai dispor de espaço para operar um milhão de TEUS (unidade correspondente a um contentor de 20 pés)”, garante Jorge de Almeida. “Inicialmente esta fase apontava para 800 mil TEUS, mas tivemos de aumentar a capacidade para fazer face ao crescimento da actividade”, refere. A nova grua recentemente instalada no terminal carrega e descarrega ao mesmo tempo (dispõe de sistema twin lift). O Terminal XXI terá a funcionar três gruas deste tipo, destinadas a operar navios porta-contentores da classe post-panamax, com capacidade para 14 mil.
TEUS
Entre 2011 e 2012 o Terminal XXI vai ter um cais com 730 metros e terá instaladas seis gruas super post-panamax. Depois de 2012 avança a última fase de expansão do cais, que será aumentado para 940 metros e deverá dispor de 10 gruas super post-panamax. Nessa última fase terá uma capacidade que inicialmente foi prevista para 1,4 milhões de TEUS mas que na realidade vai conseguir operar entre 1,6 ou 1,7 milhões de TEUS devido ao aumento da capacidade das gruas. A PSA Sines está a investir €65 milhões nesta fase de alargamento do cais. Mas o mais curioso na atividade de Sines é que começa a ser reconhecida a nível ibérico como competitiva para desalfandegar mercadorias. Isso deve-se à empresa Sitank, que recebe carga espanhola oriunda do porto de Valência (onde os navios descarregam os contentores porque têm mais espaço), para depois ser desalfandegada em Sines. No entanto, esta carga segue depois para a região de Madrid. Os operadores espanhóis transportam os contentores pelo modo rodoviário e pagam cerca de €1600 pelo seu transporte de Valência a Sines e depois até Madrid. O desalfandegamento em Sines tem custos mais baixos porque o IVA não é todo pago à cabeça, como acontece nos terminais portuários espanhóis. Além das obras de expansão do molhe, a APS está a fazer dragagens para aumentar a profundidade do canal de acesso ao cais de contentores para 17,5 metros e facilitar a entrada de grandes navios
" (texto publicado no Expresso, com a devida vénia)

Isabel dos Santos entre as nove mulheres mais ricas de África

Diz a jornalista do Jornal de Negócios, Sara Antunes, que “Isabel dos Santos está entre as nove mulheres africanas mais ricas, de acordo com a Forbes, numa lista onde as restantes oito fortunas pertencem a sul-africanas. As fortunas estão avaliadas em, pelo menos, 50 milhões de dólares. A revista Forbes publicou uma lista das nove africanas com maior fortuna. Apesar de não revelar o ranking por ordem, nem revelar os valores das fortunas, a revista salienta que as nove personalidades terão fortunas de “pelo menos 50 milhões de dólares”. Isabel dos Santos consta na lista, com a Forbes a sublinhar que a empresária “começou a trabalhar aos 24 anos, usando a influência do seu pai.” A publicação realça a “ligação próxima” que a empresária tem com Portugal, onde detém participações em empresas, nomeadamente na Zon Multimédia (10%), no BES, no BPI e na EDP. Isabel dos Santos é assim a única que é de Angola. Aliás, é a única que não é da África do Sul. Bridgette Radebe, filha do milionário sul-africano Patrice Motsepe ligado á indústria mineira. A empresária é casa com o actual ministro da Justiça da África do Sul. Irene Charnley, ligada à área de telecomunicações. Foi executiva na MTN, o maior grupo de telecomunicações de África, tendo conseguido expandir a empresa para vários países africanos. A responsável saiu da MTN em 2007, estando actualmente como presidente executiva da Smile Telecoms, uma operadora de telecomunicações “low cost” sedeada nas Maurícias. Pam Golding enriqueceu através de negócios na área imobiliária, depois de ter fundado a Pam Golding Properties, em 1976. Actualmente a empresária está retirada da vida profissional activa. Wendy Appelbaum, única filha do milionário sul-africano Donald Gordon. A responsável assumiu a liderança da Liberty Investors, antiga holding cotada do grupo segurador Liberty, fundado pelo seu pai. Entretanto Wendy Appelbaum vendeu a sua participação na empresa, tornando-se rica. Elisabeth Bradley enriqueceu através de vários investimentos realizados, tendo a fortuna sido iniciada pelo pai, nomeadamente através da venda de 25% da Toyota South-Africa à japonesa Toyota Motor Corp. por 320 milhões de dólares. Mamphela Ramphele, média e ex-activista anti-apartheid, é uma das africanas mais ricas, encontrando-se actualmente à frente da Circle Capital Ventures. Sharon Wapnick é accionista da Octodec Investments e da Premium Properties, empresas fundadas pelo seu pai, Alec Wapnick. Por último, surge Wendy Ackerman que, em conjunto cm o marido, controla a Ackerman Family Trust, que por sua vez detém a Pick ‘n’ Pay, um das maiores retalhistas de África do Sul”.

Reunião das ilhas com a "troika": o embuste informativo (II)

Sucede que estou em condições de garantir que tudo o que foi veiculado sobre essa reunião, de uma maneira geral não é mais que uma torpe desvirtuação de tudo o que lá se passou, até porque a reunião foi algo insípida e quase sem qualquer detalhe. Um caso concreto: a reunião foi totalmente conjunta (ao contrário do que diz os Açores) – Madeira e Açores – em momento algum alguém falou em separado. Não se falou de cortes, de hospitais nem de coisa nenhuma em detalhe – conforme também avançava a tal notícia a que fiz alusão. Aliás o “vuvuzela” socialista local, o frustrado do costume, veio a correr para um jornal local – que publica tudo, sem questionar ou confirmar nada do que lhe “vendem” – de uma forma, uma vez mais, mentirosa, garantiu que a troika manifestou preocupação pelas parcerias quando esse assunto nem foi falaram. Provavelmente os clientes nos Açores e pagadores de serviços (não) prestados enganaram-se, foram enganados ou falaram do que não sabiam. Mas vai mais longe e no seu estilo nojentamente canino, garantiu (vejam bem) que a Madeira não escondeu e que estava preparada. Mas preparada para quê? Para ouvir as desgraças que o resgate financeiro de Portugal, graças à gestão corrupta, incompetente e desleixada dos socialistas, originou? Por acaso é preciso alguma preparação para isso ou para ser informado do que estava a ser preparado? Por acaso acham, que a “troika” não sabe mais da realidade financeira e económica de Portugal que os socialistas todos juntos? A “troika” deveria ter chamado esse “vuvuzela” idiota para assessorar as negociações e não fez. Meteu água! Como é pos´sivel que esses técnicos do FMI, do BCE e da Comissão Europeia tenham igniorado pois neste país só há uma inteligência (mas fiquemos por aqui quanto a isso…)?! Será que o ministério das finanças não sabe da existência de semelhante ente que até foi candidato – lembram-se dessa história hilariante e absolutamente idiota – a “secretário de estado”, quando nunca semelhante coisa passou pela cabeça de Sócrates ou de qualquer ministro?! Madeira apresentou-se na reunião preparada para responder a qualquer questão que lhe fosse colocada pela “troika”, dotada de todos os elementos necessários. Sei que no sábado, véspera da audiência em Lisboa, o Secretário do Plano e Finanças esteve reunido todo o dia com os seus colaboradores a delinear o plano de acção e estratégico, admitindo todos os diversos cenários da reunião inclusive, aquele que se verificou, o de uma mera formalidade e cortesia e de uma auscultação generalista (outros andariam a pastar em luxuosas piscinas, a jogar golfe ou a andar a cavalo…). Por acaso alguém acredita que uma comissão ou “troika” daquele nível e experiência vai em “cantigas” ou está para aturar idiotices?

Reunião das ilhas com a "troika": o embuste informativo (I)

Do site da RTP-Açores, retirei esta notícia publicada a propósito do encontro entre os membros da "troika" e os representantes das regiões autónomas:


"A Troika quer reduzir a despesa pública das duas regiões autónomas, no caso dos Açores, a redução pode chegar a 10 por cento


Uma delegação do Governo Regional esteve ontem sentada à mesa, em Lisboa, com os representantes do Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. A reunião decorreu a pedido da Troika, que também reuniu com representantes do Governo Regional da Madeira. A Troika já tinha reunido com o Governo da República, com partidos políticos, sindicatos, patrões e outras entidades nacionais.Ontem à tarde, chegou a vez dos governos regionais.Os representantes dos Açores e da Madeira estiveram sentados à mesa das negociações, em separado, com os elementos do FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. As reuniões decorreram no Ministério das Finanças, em Lisboa.No caso da Madeira, a delegação foi chefiada pelo secretário-geral do Plano e Finanças, José Manuel Ventura Garçês, mas no caso dos Açores, o executivo pouco ou nada disse.Uma nota do seu gabinete de imprensa limitou-se a adiantar que o encontro decorreu no âmbito do processo de assistência financeira a Portugal, durante o qual foram prestados esclarecimentos técnicos complementares sobre indicadores considerados úteis para o relatório que está a ser concluído, e que a reunião aconteceu a pedido dos elementos da Troika, ou seja ninguém quis confirmar os nomes dos elementos da representação açoriana. Sabe-se, no entanto, que a ajuda externa quer conhecer ao pormenor o valor da dívida da Região, direta e indireta, incluindo os valores das empresas públicas e das parcerias público-privadas.Obras como as Scuts, o Hospital de Angra ou o Centro de Radioterapia, em Ponta Delgada, podem ter sido alvo de exame neste encontro. As reuniões técnicas da Troika visam reduzir despesa publica em todo o país, mas só os relatórios finais dirão em que valores. A Antena 1 apurou que, no caso dos Açores, essa redução pode chegar aos 10 por cento, ou seja, muito mais do que os 20 milhões de euros que a Região teria perdido, caso o PEC 4 tivesse sido aprovado. Perante tudo isto, o Governo Regional mantêm o silêncio. Sexta feira passada, Carlos César deu a entender que para a Troika, o dossier regiões autónomas seria negociado pelo executivo de José Sócrates, mas menos de 48 horas depois, ficou a saber-se que à mesa das negociações estava também uma representação açoriana".

Bancos ganham 2,8 milhões por dia

Li no Correio da Manhã, num texto da jornalista Diana Ramos, que "num período em que o País atravessa uma grave crise económica e financeira, os quatro principais bancos privados ganharam 2,8 milhões de euros por dia. No total, BES, BCP, BPI e Santander Totta obtiveram lucros de 252,5 milhões de euros nos primeiros três meses do ano. O BCP foi o que registou um resultado líquido mais alto no primeiro trimestre, de 77,7 milhões, ainda que o lucro tenha caído 20% face ao mesmo período de 2010. Seguiu-se-lhe o Santander Totta, que registou um ganho de 68,6 milhões – pouco mais de metade do valor de há um ano. O BPI foi o banco com o resultado mais estável: 45,3 milhões, mais 0,3% do que há um ano. O BES, que ontem apresentou resultados, viu o lucro cair para praticamente metade – 60,9 milhões – penalizado pelo pior desempenho da actividade bancária em Portugal. Segundo Ricardo Salgado, presidente do BES, o processo de desalavancagem – que se traduziu numa maior contenção na concessão de empréstimos e na venda de créditos internacionais no valor de 1,1 mil milhões – e o novo imposto sobre os lucros da Banca (7,6 milhões) "foram os dois factores extraordinários que provocaram uma baixa significativa" nos resultados. Salgado admitiu ainda que o BES poderá ser obrigado a fazer um aumento de capital em função das medidas que a troika venha a apresentar para o sistema financeiro. A subida do rácio de capital – indicador da sustentação financeira de um banco – para 10% tem sido a meta apontada. O presidente do BES revelou que preferiu manter as posições na PT e na EDP e vender a participação no Bradesco. "Temos resistido à venda da PT e da EDP porque são empresas nacionais e considerámos que é mais benéfico para o País", afirmou Ricardo Espírito Santo Salgado.
RONALDO É DINHEIRO EM CAIXA
O BES viu os depósitos de clientes subirem quatro mil milhões de euros entre Março do ano passado e o mesmo mês deste ano para um total de 30,545 mil milhões de euros. Segundo o presidente executivo do BES, Ricardo Salgado, a contribuir para esta evolução têm estado "o mercado doméstico, o mercado espanhol e o angolano". E o facto de Cristiano Ronaldo, jogador do Real Madrid, ser o rosto do banco numa campanha publicitária sobre um depósito a prazo não é alheio à subida das poupanças das famílias em Portugal e no país vizinho. "Tem contribuído para a captação de depósitos em Espanha de uma forma significativa", reconheceu o banqueiro. Aliás, os depósitos de clientes têm subido em quase todos os bancos privados em Portugal, graças aos juros mais altos que as instituições têm estado a oferecer aos clientes".

Milhares de famílias caíram numa espiral de dívidas