Segundo a RTP, num texto do jornalista Paulo Alexandre Amaral, “a meio ano de terminar o
programa de assistência financeira externa, os portugueses avaliam de forma
negativa o modelo imposto ao país pelos credores internacionais, assinalando
que os resultados de dois anos e meio de austeridade deixaram Portugal em pior
estado do que aquele em que se encontrava na assinatura do memorando de
entendimento, revela uma sondagem da Universidade Católica para a RTP e Antena
1. Apesar
desta avaliação negativa, os inquiridos não deixaram de considerar que a
ausência de um programa de ajuda teria conduzido o país a uma situação mais
difícil no futuro próximo, pelo que não é de estranhar que os mesmos inquéritos
revelem uma abertura quanto à necessidade de nova intervenção financeira
externa, de preferência sob a a forma de um programa cautelar. O estudo da
Católica para a RTP e Antena 1 revela um sentimento negativo da população
portuguesa relativamente ao momento que o país está a atravessar, em particular
no que diz respeito às suas condições de vida, passados que estão mais de dois
terços da duração do programa negociado por PS e PSD com a troika de credores
internacionais (FMI – Fundo Monetário Internacional, CE – Comissão Europeia e
BCE – Banco Central Europeu). Assinalando maioritariamente uma situação pessoal
minada pelo impasse e pela deterioração, os resultados do inquérito espelham
também assim sentimentos contraditórios da amostra, que revela quase em igual
medida a descrença no actual resgate em simultâneo com o desejo de ajuda
exterior para ultrapassar a actual conjuntura.
Ajuda externa sim... mas não
nestes termos
As respostas ao inquérito
realizado entre 13 e 23 de Dezembro último revelam que, para uma grande parte
da amostra, sem o programa da troika o país estaria pior dentro de cinco anos.
Foram 41% os que consideraram que o programa de ajuda externa permitirá, após
essa meia década, que o país esteja melhor; 30% acreditam que Portugal estará
pior e 18% na mesma. São respostas que remetem para a complexidade de
sentimentos gerados pela intervenção externa, se considerarmos que no arranque
do inquérito, quando interrogados sobre os resultados do programa para o
“presente e futuro de Portugal”, a avaliação é claramente negativa por parte de
57% dos inquiridos (29% dizem ‘mau’ e 28% ‘muito mau’). Neste ponto apenas 1%
afirmam que o resultado da intervenção é “muito bom” e 13% “bom”. “Nem bom nem
mau” foi a resposta de 25% da amostra. Na questão seguinte, colocados perante duas
afirmações, 81% favoreceram aquela que diz que “a intervenção da troika
contribuiu para um maior empobrecimento do país”, contra apenas 14% que
apontaram a frase “a intervenção da troika contribuiu para um maior crescimento
económico do país”. Nesta linha, são logo após 69% aqueles que afirmam que o
país está agora pior do que antes da intervenção. No seguimento destas
respostas, 47% dos inquiridos consideraram necessária uma nova intervenção - de
preferência sob a forma de um programa cautelar (55%) mais do que um novo
resgate (33%) - contra os 42% que não vêem necessidade da continuidade da ajuda
externa.
Nada
de retoma, pior no país e pior no próprio bolso
No que respeita à vida
económica do país são uma minoria aqueles que sentem um ambiente de
recuperação, seja no país, seja na sua vida pessoal: 42% assinalam sinais de
recuperação económica (contra 55% que dizem que não). E, no que respeita às
perspectivas para 2014, apenas 33% dos inquiridos consideram que este será um
ano de recuperação. Em sentido contrário, 22% pensam que vai recessão é a
palavra de ordem e 41% assinalam a estagnação. Mas o sentimento negativo começa
dentro do próprio lar, com apenas 4% dos inquiridos a sentirem uma melhoria na sua
vida e da sua família, quando 45% diz que, no geral, tem piorado nos últimos
meses. É um pressentimento transportado para 2014, com 26% a perspectivarem um
ano pior em termos económicos, contra os 17% que esperam que seja melhor. A
maioria (54%) diz que deverá ficar tudo na mesma.
PS a governar
sem maioria absoluta
No que diz respeito às questões
da governação, os inquiridos afastam por larga maioria (68%) a hipótese de
virmos a assistir ainda em 2014 a uma dissolução da Assembleia da República e
convocação de eleições legislativas antecipadas: 40% vêem este cenário como
“pouco provável” e 28% “nada provável”. Quando ocorrer esse escrutínio,
obrigatoriamente em 2014 ou 2015, os inquiridos apontam para uma vitória do PS
(67%), mas sem maioria absoluta (assim o dizem 78%). Nesse sentido, as
preferências dividem-se quanto a uma futura composição do elenco governativo;
27% gostariam de ver um novo Bloco Central entre PS e PSD, mas são também 27%
os que manifestam preferência por uma formação à esquerda com o PS coligado a
BE ou CDU. A actual fórmula PSD/CDS-PP apenas colhe em 8% dos inquéritos.
Ficha técnica
Esta sondagem foi realizada
pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica
Portuguesa (CESOP) para a Antena 1 e RTP entre os dias 13 e 23 de dezembro de
2013. O Universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos
recenseados eleitoralmente residentes em Portugal Continental em lares com
telefones fixos. Foram obtidos 942 inquéritos válidos, sendo que 60% dos
inquiridos eram do sexo feminino, 35% da região Norte, 20% do Centro, 27% de
Lisboa, 9% do Alentejo e 9% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram
depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no
Continente por sexo, escalões etários e região na base dos dados do
recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 39%*. A
margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 942 inquiridos é de
3,2%, com um nível de confiança de 95%"