domingo, junho 08, 2025

Poesias: Já fiz as pazes com a morte

Já fiz as pazes com a morte,

Não por falta de vontade de viver,

Mas por saber que ela é sorte

De quem aprende a compreender.

 

Não a temo como outrora,

Nem a chamo de inimiga

Ela chega, vai embora,

E às vezes, só abriga.

 

Já chorei sua presença,

Já gritei, fiz negação,

Mas o tempo dá licença

Para a alma ver razão.


Ela dança onde há silêncio,

Senta à mesa sem aviso,

Mas não leva o que é imenso:

O amor, o riso, o sorriso.

 

Já fiz as pazes com o fim,

Que é só curva no caminho.

Se a estrada acabar em mim,

Que me leve de mansinho.

 

E se restar uma lembrança,

Que seja de alguém que sonhou,

Pois até a morte se cansa

De quem vive e sempre amou (fonte: Facebook, Literatura Digital, escrito por Basílio Adan)

Eleições: Deputados a mais?

Por vezes discute-se se o atual número de deputados eleitos para a Assembleia da República é adequado ao número de cidadãos que representa. Uma das bandeiras do Chega é a redução do número de deputados, sendo que o partido propôs no seu programa eleitoral a redução dos atuais 230 deputados para um número entre 100 e 180. Importa, portanto, analisar quantos deputados por habitante existem em Portugal e nos restantes países europeus. A análise a 31 países (27 Estados membros da UE + Islândia, Noruega, Reino Unido e Suíça), mostra que Portugal está entre os que têm menos deputados por habitante (10.º país com o menor rácio), comparando com países como o Reino Unido ou a Hungria.

No topo da lista destaca-se a Islândia, sendo que a Alemanha é o país com menos deputados por habitante. Importa realçar que alguns países têm Parlamentos regionais, que não foram considerados para esta análise. Apenas foram considerados os deputados eleitos para os Parlamentos nacionais, somando-se as duas Câmaras, nos casos em que isso se aplica. Se a proposta do Chega fosse implementada, e assumindo uma redução para 100 deputados, Portugal tornar-se ia o segundo país na Europa com menos deputados em proporção da população (cerca de 2 deputados por cada 250 mil habitantes) (Mais Liberdade, Maisfactos)

Canárias: viaduto de Guiniguada operacional



O viaduto sobre a ribanceira da Guiniguada, na Gran Canária, será reaberto este fim de semana após passar no teste de resistência há alguns dias, no qual foram utilizados 30 caminhões, pesando quase 1000 toneladas. As reparações na infraestrutura levaram três anos a ser concluídas e, a partir de agora, os camiões com mais de 3.500 quilos de peso poderão voltar a circular na estrada (fonte: Facebook, Canarias Ti Quiero)

Eleições: Os deputados únicos


O sistema eleitoral português é constituído por 22 círculos eleitorais e assente na aplicação do Método D'Hondt. A existência de vários círculos eleitorais pequenos favorece os partidos maiores, aquando da conversão dos votos em mandatos. O sistema eleitoral tende também a beneficiar os partidos que têm uma maior concentração de votos, especialmente em grandes círculos eleitorais onde o desperdício de votos (ou seja, votos que não permitem eleger qualquer deputado) é menor. Para a AD, Chega, PS e JPP, bastaram menos de 25 mil votos para eleger cada um dos seus deputados, nas eleições legislativas deste ano. O esforço foi muito superior nos partidos mais pequenos. O PAN conquistou um lugar no parlamento com 81 mil votos e o BE precisou de 119 mil votos para conquistar também um assento parlamentar.

A AD obteve 16 vezes mais votos (cerca de 2,0 milhões de eleitores) do que o BE, mas conquistou 89 vezes mais deputados. O ADN ficou de fora do Parlamento, apesar de ter obtido quase quatro vezes mais votos do que o JPP (79 mil vs. 20 mil). No entanto, a votação do ADN foi dispersa, ao contrário da votação do JPP que se concentrou quase totalmente na Madeira. Em 2024, 761 mil votos não foram convertidos em mandatos. Apesar de algumas discussões públicas em torno da importância de se rever o sistema eleitoral, tais esforços têm sido inconsequentes. Algumas das ideias habitualmente apresentadas consistem na revisão do tamanho dos círculos eleitorais (evitando a existência de círculos muito pequenos), adopção de círculos uninominais (aproximando o eleitor do eleito), ou a criação de círculos de compensação nacionais (Mais Liberdade, MaisFactos)

Eleições: Perfil dos deputados

Nas eleições legislativas deste ano, de que forma votaram os mais jovens e os mais velhos? E por nível de instrução, e por género? De acordo com uma sondagem à boca das urnas, da Pitagórica, e cálculos de Pedro Magalhães e João Cancela (https://www.pedro-magalhaes.org/as-bases-sociais-do-novo.../), nos votantes acima dos 55 anos de idade, a AD e o PS tiveram, cada um, mais de 35% dos votos, sendo que o Chega se ficou pelos 15%. Mas, a realidade na faixa etária entre os 18 e os 24 anos é bem diferente. AD continua a liderar (29%) mas o Chega está a apenas 2 pontos percentuais (27%). O PS obteve apenas 11% nesta faixa etária. Relativamente ao nível de instrução, entre os votantes com menos do que o ensino secundário, a vitória foi do PS (32%), seguindo-se a AD (29%) e o Chega (26%). Entre os votantes com ensino superior, a AD obteve 39% dos votos, seguindo-se o PS com 21% e o Chega não ultrapassou os 12%. Por último, relativamente ao género, entre os homens a vitória foi da AD (32%), seguindo-se o Chega (27%) e o PS (23%). Entre as mulheres, a AD obteve 34% dos votos, seguindo-se o PS com 26% e o Chega com 20% (Mais Liberdade, MaisFactos)


Recordando o drama de Anita Alvarez: ela estava-se afogando. Mas ninguém percebeu…ninguém além dela!

 

Era junho de 2022. Campeonato Mundial de Budapeste. Anita Alvarez, nadadora artística dos EUA, entregava uma apresentação perfeita. Corpo leve, movimentos precisos, uma dança silenciosa sob a água. Mas ao final… não voltou à superfície.

Desmaiou. O corpo flutuou por um breve instante…

Depois começou a afundar. Lento. Silencioso. Mortal.

Na bancada, o público aplaudia. Os juízes sorriam, encantados com a performance. Ninguém notou o desespero invisível. Excepto uma pessoa: Andrea Fuentes, a sua treinadora.

A única que a conhecia o bastante para sentir que algo estava errado. Ela sabia. Sabia que aquele atraso não era parte da coreografia. E sem pensar. Sem hesitar. Vestida, e com sapatos atirou-se à água.

Desceu. Desceu fundo. Agarrou Anita pelo corpo sem vida. E a trouxe de volta. Salvou-a. Não por ser  sua obrigação. Mas porque era a única que viu o que ninguém viu: O colapso por trás do espetáculo.

E essa história grita uma pergunta que talvez você esteja evitando:

Quem na sua vida te conhece o suficiente para perceber que você está se afundando, mesmo que continue sorrindo? Quem largaria tudo e mergulharia no seu caos sem ser chamado? (fonte. Facebook)

Caso BPN: nenhum condenado vai cumprir pena de prisão

 

O caso BPN está fechado e nenhum arguido cumpriu a pena de cadeia a que foi condenado. O Ministério Público não vai recorrer da decisão do tribunal que declarou a prescrição de todos os crimes. As condenações aos responsáveis pela ruína do BPN tornaram-se definitivas em fevereiro, mas a Justiça demorou tanto tempo que, quando chegou a hora de executar as penas, já os crimes estavam prescritos. A decisão da juíza de primeira instância foi anunciada no final de abril e o Ministério Público vem agora dizer que não há volta a dar. Ficam, assim, livres da cadeia os dois únicos arguidos vivos, que tinham penas efetivas de prisão para cumprir.

Os condenados

Francisco Sanches - condenado a seis anos e nove meses - e Luís Caprichoso - com um castigo de 10 anos, aguardam ainda a decisão final num outro processo a que foram também condenados a penas duras, juntamente com o antigo ministro Arlindo de Carvalho.

Oliveira e Costa, o antigo líder do Banco Português de Negócios morreu antes das condenações transitarem em julgado, tal como Vaz Mascarenhas.

O megaprocesso começou em 2008e a investigação até foi rápida, mas só o julgamento em primeira instância durou seis anos e meio e os recursos arrastaram-se quase outros oito anos nos tribunais superiores. Enquanto isso, o buraco no BPN custou aos contribuintes uma fatura superior a seis mil milhões de euros (SIC-Notícias, ver aqui)

quinta-feira, maio 29, 2025

A final da Taça e a economia

No dia em que Sporting e Benfica voltam a encontrar-se numa final da Taça de Portugal, 29 anos depois, vale a pena olhar para a evolução da economia portuguesa desde o último duelo entre os dois clubes na final desta competição. Em 1996, o PIB per capita português, em paridade de poderes de compra, representava 81% da média da União Europeia (atuais 27 Estados membros). Três anos depois, em 1999, atinge o pico relativo: 85% da média da UE. Desde então, a tendência foi de queda relativa ou estagnação.

No início da segunda década deste século, a crise da dívida pública obrigou à assistência financeira da Troika, e o PIB per capita viria a cair para 75% da média da UE, em 2012. A pandemia de Covid-19 viria a desencadear mais um mínimo histórico. O ponto mais baixo neste século foi em 2021: apenas 74%. Em 2025, com base em estimativas recentes da Comissão Europeia, o PIB per capita português valerá 82% da média da UE – o mesmo valor de 2010, mas ainda abaixo do que se verificou na viragem de século. A economia nacional cresceu em termos absolutos, mas de forma insuficiente para convergir com os países mais ricos da UE. Em quase 30 anos, Portugal mantém-se praticamente no ponto de partida (Mais Liberdade, Mais Factos)

quarta-feira, maio 28, 2025

O nosso sistema eleitoral

O sistema eleitoral português é constituído por 22 círculos eleitorais e assente na aplicação do Método D'Hondt. A existência de vários círculos eleitorais pequenos favorece os partidos maiores, aquando da conversão dos votos em mandatos. O sistema eleitoral tende também a beneficiar os partidos que têm uma maior concentração de votos, especialmente em grandes círculos eleitorais onde o desperdício de votos (ou seja, votos que não permitem eleger qualquer deputado) é menor.

Para a AD, Chega, PS e JPP, bastaram menos de 25 mil votos para eleger cada um dos seus deputados, nas eleições legislativas deste ano. O esforço foi muito superior nos partidos mais pequenos. O PAN conquistou um lugar no parlamento com 81 mil votos e o BE precisou de 119 mil votos para conquistar também um assento parlamentar. A AD obteve 16 vezes mais votos (cerca de 2,0 milhões de eleitores) do que o BE, mas conquistou 89 vezes mais deputados. O ADN ficou de fora do Parlamento, apesar de ter obtido quase quatro vezes mais votos do que o JPP (79 mil vs. 20 mil). No entanto, a votação do ADN foi dispersa, ao contrário da votação do JPP que se concentrou quase totalmente na Madeira.

Em 2024, 761 mil votos não foram convertidos em mandatos. Apesar de algumas discussões públicas em torno da importância de se rever o sistema eleitoral, tais esforços têm sido inconsequentes. Algumas das ideias habitualmente apresentadas consistem na revisão do tamanho dos círculos eleitorais (evitando a existência de círculos muito pequenos), adopção de círculos uninominais (aproximando o eleitor do eleito), ou a criação de círculos de compensação nacionais (Mais Liberdade, Mais Factos)

sábado, maio 24, 2025

O Complexo desportivo Foro Italico, Roma

Espetacular foto do complexo desportivo Foro Italico. Lá em cima, podemos ver o Estádio Olímpico de Roma em disputa da final da Taça de Itália entre o Milan e Bolonha. Em baixo, está o campo central do complexo de ténis onde se realiza o Masters de Roma  (fonte: Facebook, Bola na Trave)

Sporting: os cinco violinos...

Os "cinco violinos" linha avançada do Sporting Clube de Portugal, cuja denominação foi baptizada, pelo antigo jornalista e selecionador nacional, Tavares da Silva, era conbtituído por Albano Pereira, Fernando Peyroteo, Jesus Correia, José Travassos e Manuel Vasques. Juntos marcaram mais de 1.000 golos. Nas três temporadas em que consecutivamente jogaram juntos, de 1946/47 a 1948/49, sagraram-se 3 vezes Campeões Nacionais - 1946/47, 1947/48 e 1948/49, conquistaram 3 Taças de Honra da AF de Lisboa - 1946/47 a 1948/49 - 1 Taça de Portugal - 1947/48 - e 1 antigo Campeonato de Lisboa - 1946/47 (fonte: Facebook, Momentos de glória leonina)

Holanda: a bela Ultrecht




Com canais charmosos, ciclovias, arquitetura típica holandesa e um ritmo de vida mais tranquilo, Utrecht tem se destacado como destino alternativo para quem quer viver a essência dos Países Baixos sem a agitação da capital. Localizada a apenas 40 minutos de trem de Amsterdã, a cidade combina história, beleza e atmosfera acolhedora em qualquer estação do ano. Durante a primavera e o verão, parques e cafés ao ar livre se tornam ainda mais vibrantes. No outono, tons dourados colorem as ruas como um cenário de filme. E no inverno, Utrecht pode se transformar em um verdadeiro cartão-postal europeu coberto de neve. Menos turistas, custos mais atrativos e muita autenticidade: Utrecht é um convite ao encantamento (fonte: Facebook, Canal IN)

Eleições: e agora que solução?

Numa altura em que se discutem soluções governativas em Portugal, é importante olhar para o que se verifica na Europa. Quantos partidos estão incluídos nos Governos nacionais? São Governos maioritários ou minoritários? Quais são as famílias políticas europeias destes partidos? Dos 30 países analisados, no qual se inclui Portugal (assumindo Governo da AD sem outros partidos na coligação), apenas quatro não são governados por coligações (Grécia, Malta, Noruega e Reino Unido). Boa parte dos países tem vários partidos no Governo. Na Bélgica o governo integra 5 partidos. A maior parte dos Governos tem maioria no Parlamento, sendo que apenas dez não têm a maioria dos assentos.

Existe uma grande variedade de famílias políticas nos Governos nacionais, embora seja notória a maior presença de partidos de direita. Apenas seis países não têm qualquer partido de direita nas suas soluções governativas (Eslováquia, Espanha, Lituânia, Malta, Noruega e Reino Unido). Definiu-se a família política dos partidos consoante a sua filiação europeia ou presença nos grupos parlamentares do Parlamento Europeu. Por último, existem várias coligações entre partidos de esquerda e de direita. Mais de um terço dos Governos (11) apresentam uma solução governativa desta natureza (Mais Liberdade, Mais Factos)

Eleições: a derrota da esquerda mais radical

Os partidos da esquerda radical e/ou extrema-esquerda (BE, PCP, PEV e UDP) praticamente desapareceram da Assembleia da República nas últimas eleições legislativas, elegendo apenas 1,7% dos deputados (3 pelo PCP e 1 pelo BE). Em contraste, o Chega, à direita, alcançou 25,7% dos deputados, o maior resultado de sempre. Convém relembrar que até 2019, os partidos da direita radical e/ou extrema-direita não estavam representados no Parlamento português, e, portanto, esta ascensão tem sido meteórica.

Estamos a assistir a uma mudança profunda no panorama político português. A esquerda radical e extrema-esquerda, que em 1983 representava 17,6% dos deputados portugueses, veio em declínio até à viragem do século, mas voltou a crescer, sobretudo devido ao surgimento do BE. Em 2015, atingiram o seu pico de influência com 36 deputados eleitos (19 do BE + 15 do PCP + 2 do PEV) e contribuição para uma solução governativa pela primeira vez desde 1976. Desde então a queda tem sido vertiginosa, ao mesmo tempo que os partidos da direita radical e/ou extrema-direita vão crescendo muito rapidamente (Mais Liberdade, Mais Factos)

Um retiro acima das nuvens: as companhias aéreas que estão a manter viva a primeira classe

 



Uma viagem de longa distância em primeira classe com uma taça de champanhe na mão é o sonho de muitos viajantes, um sonho que está a morrer agora que companhias aéreas como a American Airlines, a Qatar Airways e a United Airlines estão a anunciar o fim das experiências internacionais de alto nível nos seus aviões. Sempre em busca de maximizar os lucros, estas companhias aéreas passaram a acreditar que assentos aprimorados na classe executiva são o caminho a seguir, tornando redundantes os luxuosos e privativos assentos na ponta do avião.

A primeira classe internacional "não existirá [...] na American Airlines pelo simples motivo de que os nossos clientes não a estão a comprá-la", disse Vasu Raja, ex-diretor de receitas da empresa, à CNN em 2022. Nem todos concordam. Algumas companhias aéreas, incluindo a Air France, a Emirates e a Lufthansa, estão a dobrar a aposta na primeira classe e a aprimorar as suas ofertas para os viajantes que estão dispostos a investir numa experiência verdadeiramente luxuosa e personalizada. Na primeira classe "continua a ser extremamente importante para nós", disse o presidente da Emirates, Tim Clark, ao site de viagens Skift em 2023.

Em março deste ano, a Air France e a Lufthansa revelaram as últimas versões de suas principais ofertas. A primeira está a inclinar-se para uma experiência de luxo com tudo incluído que o CEO da Air France-KLM, Ben Smith, descreve como "o mais próximo possível de uma experiência num jato privado". A nova La Première inclui uma experiência exclusiva em solo, no principal hub da companhia aérea em Paris, e o que a empresa descreve como um produto elegante e personalizado em voo. A nova suíte La Première estreia nos voos da Air France para Nova Iorque (JFK) nesta primavera. Eventualmente, 19 de seus Boeing 777-300ERs serão equipados com o luxuoso produto.

Mais de 60% das pensões de reforma estão abaixo dos 480 euros

Mais de 1,3 milhões de pensionistas portugueses vivem com pensões mensais que não ultrapassam os 480,43 euros, segundo revela o Relatório da Conta da Segurança Social de 2023, divulgado esta semana. O documento aponta que 1.359.573 reformados — cerca de 66% do total — estão enquadrados nos dois escalões mais baixos do sistema, com pensões até ao valor do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), fixado precisamente nos 480,43 euros no ano passado. Apesar de uma ligeira redução percentual face ao universo total de pensionistas — menos 0,7 pontos percentuais em comparação com 2022 —, o número absoluto de beneficiários nos escalões mais baixos aumentou em 7.958 pessoas. O relatório traça assim um retrato de persistente fragilidade económica entre a maioria dos reformados, ainda que alguns indicadores revelem uma tendência de progressiva renovação no sistema.

Em 2023, a pensão média de velhice aumentou para 544,88 euros, um acréscimo de 7,7% face ao ano anterior. Esta subida é explicada não só pela atualização anual do valor das pensões, mas também pela entrada de novos pensionistas com reformas ligeiramente mais elevadas. Ainda assim, o valor médio mantém-se significativamente abaixo do limiar de pobreza em Portugal. O número total de pensionistas por velhice subiu para 2.124.000 pessoas, representando 70,4% do total de pensionistas. Houve mais 35.300 pessoas (+1,7%) a entrarem no sistema por atingirem a idade legal de reforma. A idade média dos beneficiários no regime geral também aumentou, passando para 75 anos e 7 meses, mais três meses do que em 2022.

Eleições: 761 mil votos não elegeram deputados

Nas últimas legislativas, 761 mil votos não elegeram deputados desses partidos nos respetivos círculos eleitorais. Este número representa cerca de 12% do total de votos válidos, ou seja, mais de um em cada oito votos válidos foram desperdiçados. Este número de votos desperdiçados só não supera a votação de três partidos - a AD, o PS e o Chega, e é superior à votação conjunta do BE, da CDU e do Livre. Analisando cada um dos círculos eleitorais, há casos verdadeiramente impressionantes. Quanto menos deputados elege um círculo eleitoral, mais provável é haver uma elevada percentagem de votos desperdiçados, uma vez que a eleição de cada deputado exige uma enorme quantidade de votos, e os votos em partidos de menor dimensão, que não o PS, o PSD ou o Chega, são, quase sempre, votos desperdiçados. Nos círculos da Europa e Portalegre mais de 40% dos votos válidos foram desperdiçados, sendo que nos círculos de Fora da Europa, Bragança, Beja e Madeira, essa percentagem é superior a 25%. No fim da tabela surge Lisboa com apenas 3% de votos desperdiçados, seguindo-se Porto e Setúbal com 6%.

Existem cálculos que indicam um número ainda maior de votos desperdiçados. Isso deve-se ao uso de outra metodologia, onde, em cada círculo eleitoral, são considerados os votos a mais do que o necessário para eleger. Embora esses votos sejam "em excesso", os eleitores desses partidos acabaram por eleger representantes e, por isso, na nossa metodologia não os consideramos desperdiçados. Os votos verdadeiramente perdidos são os dos eleitores que votaram em partidos que não elegeram ninguém no seu círculo.

Nota: Em Portugal, os deputados são eleitos por círculo eleitoral e distribuídos, com base na percentagem de votos obtida por cada partido, segundo o método de Hondt. No entanto, quando há poucos deputados a eleger num determinado círculo, a distribuição torna-se pouco proporcional. Veja-se o caso de Portalegre, o círculo do território nacional com atribuição de menos mandatos: apenas 2 deputados em disputa. Nas últimas legislativas, o PS e o Chega elegeram um deputado cada, com 34,1% e 24,6% dos votos, respetivamente. Já a AD, com 23,3%, ficou sem representação — apesar de ter ficado a apenas 1,3 pontos percentuais do Chega. Ou seja, uma diferença pequena nos votos resultou numa diferença grande nos lugares no Parlamento. 40% dos votos válidos (a soma de todos os votos sem ser na AD e no Chega) não serviram para eleger qualquer deputado em Portalegre, uma percentagem superior à votação no partido que venceu neste círculo eleitoral (Mais Liberdade, Mais Factos)

Menos de 40% dos portugueses acima dos 50 anos recebem pensões

 


Menos de 40% dos portugueses com 50 a 74 anos recebem pensões, sejam elas de velhice ou invalidez. De acordo com os dados divulgados pelo Eurostat, esta é das menores fatias observadas na União Europeia, sendo que, por exemplo, na Polónia mais de 55% das pessoas nessa faixa etária recebam prestações deste tipo. Comecemos pelo retrato global do bloco comunitário. “Em 2023, 45,1% das pessoas com 50 a 74 anos receberam pensões na União Europeia. Neste grupo, 39,7% receberam pensões de velhice, 4,6% pensões de invalidez ou outro tipo de benefício por incapacidade, 0,8% receberam ambos estes tipos de pensões“, informa o gabinete de estatísticas, num destaque publicado esta manhã.

Entre os 50 e os 59 anos, detalha o Eurostat, as pensões de invalidez eram as predominantes. Mas nas idades mais avançadas, “as pensões de velhice rapidamente tomavam a dianteira”. Assim, entre os europeus com 70 a 74 anos, a maioria recebia pensões de velhice (97,2% dos homens e 89,5% das mulheres). Há, porém, diferenças consideráveis entre os países do bloco comunitário. Enquanto na Polónia, mais de 55% das pessoas com 50 a 74 anos recebem pensões (de velhice ou invalidez), em Espanha essa fatia pouco ultrapassa a fasquia dos 30%.

sexta-feira, maio 23, 2025

Lucros dos bancos resistem à descida dos juros

 

Margem financeira dos maiores bancos caiu 8% no arranque do ano, mas lucros dos bancos ainda resistem à baixa das taxas de juro. A redução das taxas de juro já está a afetar a margem financeira dos bancos, mas os lucros das cinco principais instituições financeiras em Portugal resistiram nos três primeiros meses do ano, estabilizando nos 1,22 mil milhões de euros em termos agregados. Ainda assim, nem todos os bancos tiveram o mesmo nível de resistência. Por exemplo, Santander e Novobanco viram os seus lucros baixarem para 268,8 milhões e 177,2 milhões, respetivamente.

A Caixa e BCP mostraram estabilidade nos resultados graças à reversão de imparidades. E o BPI registou um lucro mais elevado agora do que há um ano porque contabilizou os dividendos de Angola neste primeiro trimestre (em vez de no segundo, como em 2024) e sem isso também teria observado uma descida do resultado.

Os banqueiros estão a contar com “normalização” dos seus resultados devido à descida das taxas de juro. Desde o verão passado que o Banco Central Europeu (BCE) inverteu o rumo da política monetária e começou a baixar as taxas oficiais, condicionando a capacidade de os bancos obterem rendimentos mais elevados com empréstimos que concedem às famílias e empresas.

Eleições: a 9ª taxa de abstenção mais elevada da Europa

Portugal regista a nona taxa de abstenção mais elevada da Europa em eleições legislativas, entre os países analisados. Quase metade dos portugueses não votaram nas últimas três eleições legislativas (média de 47% de taxa de abstenção nas legislativas de 2019, 2022 e 2024), um nível de abstenção semelhante a vários países menos desenvolvidos do leste europeu. Na Europa Ocidental, apenas a Suíça regista uma taxa de abstenção superior a Portugal nas últimas três eleições parlamentares. No entanto, tem uma das democracias mais avançadas do mundo, na qual os suíços são chamados às urnas com regularidade, não só para eleições locais e nacionais, mas também para votarem frequentemente em referendos. Ainda assim, a tendência em Portugal tem sido positiva nos últimos atos eleitorais, com a taxa de abstenção a baixar de 51,4% em 2019, para 48,6% em 2022 e 40,2% em 2024. No dia em que se realizam novamente eleições legislativas em Portugal, achas que a taxa de abstenção irá reduzir-se ou irá manter-se em valores bastante elevados? (Mais Liberdade, Mais Factos)