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domingo, agosto 16, 2015

Sol: "Rui Salvador, o português que burlou 1,8 milhões de pessoas"

Telexfree, Wings Network, Geteasy,  Wenyard, Dollars Flow System: todos colapsaram, mas outros surgiram entretanto no mercado. São esquemas que utilizam o chamado marketing multinível associado à venda de um produto ou serviço e ao recrutamento de novos membros, que investem as suas poupanças na expectativa de remunerações altíssimas. Rui Salvador é suspeito de ter desviado mil milhões de euros e burlado 1,8 milhões de pessoas de 26 países num esquema piramidal. O mais recente esquema em pirâmide, a LibertaGia, também já rebentou e tem como protagonista um português de 36 anos, que está na mira das autoridades. Depois das notícias de uma investigação em curso há vários meses em Espanha, a Polícia Judiciária e o Ministério Público fizeram saber esta semana que também já abriram um inquérito para investigar Rui Miguel Pires Salvador – presidente da LibertaGia, criada em Outubro de 2013 e formalmente sediada no Parque das Nações, em Lisboa, como empresa especializada na área das novas tecnologias de informação. Sob esta fachada, a empresa, registada em Portugal como Joiadmirada, Unipessoal Lda, foi ganhando filiados em todo o mundo que investiram o seu dinheiro até que deixaram de receber os rendimentos prometidos.
Alertas da Deco há mais de um ano...
O ex-motorista de autocarros e empregado de hotelaria, que vivia com a família numa luxuosa casa no Montijo, e os outros três membros da direcção da LibertaGia (dois brasileiros e uma portuguesa), são suspeitos de terem arrecadado cerca de mil milhões de euros através da LibertaGia, que tem afinal domicílio fiscal nas Bahamas. Segundo o diário espanhol El Pais, cerca de 1,8 milhões de pessoas em 26 países terão sido lesadas por este esquema em pirâmide. Em Portugal, a Associação de Defesa do Consumidor (Deco) começou a receber queixas de lesados logo no início de 2014, e sobretudo no Verão, altura em que começou a haver atrasos nos pagamentos. A Deco fez de imediato um alerta sobre a empresa, lembrando que é preciso desconfiar de qualquer entidade que exija um pagamento para aderir. “Para recuperar o investimento inicial, terá que efectuar um volume significativo de vendas e angariações” e “não existe qualquer garantia de que a empresa cumpra os compromissos assumidos, uma vez que os produtos comercializados não são financeiros e a LibertaGia não é supervisionada pelos reguladores” – alertava em Fevereiro de 2014 a Deco, que já tinha detectado, dois anos antes, ligações de Rui Salvador ao esquema piramidal da Banners Broker. “A Liberta Gia era uma estrutura relativamente complexa, o que tem sido comum a todos os esquemas em pirâmide, em que as modalidades de participação vão sendo alteradas. Prometem sempre imenso, mas criam dificuldades no levantamento dos rendimentos. O que lhes interessa é o dinheiro que entra”, explicou ao SOL André Gouveia, analista financeiro da associação de defesa do consumidor.  A LibertaGia prometia a quem aderisse receber até cerca de 300% de dividendos ao ano. Em troca, era preciso fazer uma série de tarefas diárias como, por exemplo, clicar em anúncios e visitar sites – o que dava direito a cerca de 60 euros no final do mês. A entrada podia ser gratuita, embora fosse sempre cobrado a todos os investidores uma comissão mensal (a que chamavam “comissão de activação”). Ao mesmo tempo, havia níveis de filiação que implicavam o pagamento de determinadas quantias à cabeça (900 e 1.500 euros). Estas pessoas eram aliciadas com produtos de luxo (como carros topo de gama) e receberiam tanto mais quanto mais membros pagantes conseguissem recrutar para a empresa. Foi esta lógica que verdadeiramente sustentou o esquema durante algum tempo até que a bolha rebentou.
“Trabalhei dois anos, todos os dias. Investi $1.600 dólares e nunca retirei qualquer centavo. Após atingir $6.000, a conta foi bloqueada e o ‘dinheiro do backoffice’ é falso. Foi embolsado pela LibertaGia. Cuidado com esse sistema. Ele é conduzido por trambiqueiros”, queixou-se um cidadão brasileiro na página de Facebook da empresa – de onde entretanto já foram eliminados os comentários negativos dos lesados.
... e do Banco de Portugal
Recorde-se que já em 9 de Janeiro deste ano o Banco de Portugal fez um aviso sobre os esquemas em pirâmide. Mais recentemente, em Maio, o relatório de estabilidade financeira do supervisor alertou para o facto de um contexto de baixas taxas de juro poder levar a uma alteração do perfil de risco dos particulares: “Não é possível excluir um eventual aumento da procura por produtos com rendimentos mais elevados e com um maior nível de risco (…) Em situações mais extremas, este fenómeno pode vir a suscitar um desvio de recursos para esquemas de pirâmide financeira ou outros esquemas de burla”.
‘Sessões de esclarecimento’ continuam na Madeira
Na Madeira, muitos ainda fazem contas aos prejuízos que tiveram com a Telexfree – nome de fachada de uma empresa brasileira com sede fictícia nos EUA em que investiram milhões de pessoas, incluindo portugueses (e sobretudo madeirenses). Permitia ganhar dinheiro de forma rápida, pela colocação de anúncios na internet e angariação de novos investidores, mas abriu falência em Abril do ano passado. A ex-líder da Telexfree na Madeira, Graça Luísa, foi uma das vítimas do esquema e está no top 30 mundial dos credores, reclamando cerca de 300 mil dólares no âmbito do processo de insolvência que decorre nos Estados Unidos. A 27 de Fevereiro deste ano foi divulgada uma lista de credores, em que constam cerca de 600 nomes portugueses. Entretanto, na Madeira, continuam as ‘sessões de esclarecimento’ como a que aconteceu a 17 de Abril último, num hotel no Funchal. E não raras vezes, disseminado pela internet ou pelas redes sociais, aparecem anúncios que, aproveitando-se de dissabores alheios, prometem reaver os montantes perdidos noutras redes. Também no Funchal, recentemente, foi organizado um grande evento corporativo por uma empresa líder na venda directa mas que tem, também, associado um plano de marketing multinível (texto dos jornalistas Emanuel Silva e Sónia Graça do Sol, com a devida vénia)

sábado, agosto 15, 2015

Empresa terá enganado milhares de pessoas na Internet em dois anos

Uma empresa portuguesa, a Libertágia, convenceu milhares de pessoas em Portugal e pelo Mundo a investir num negócio que prometia dinheiro fácil visionando anúncios na internet. Mas o que para alguns parecia um negócio simples e fácil transformou-se numa enorme burla de dimensões ainda por calcular. A SIC falou, em exclusivo, com a responsável da Libertágia em Portugal. Cristina Vieira apresenta-se como a responsável mundial da marca mas garante que nada sabia e que não recebeu um tostão desde que o negócio surgiu em Portugal. Quem com ela trabalhou desmente e garante que a empresária que a SIC encontrou em Lisboa era a cabeça de um polvo que levou muitos a perderam milhares de euros.


quarta-feira, agosto 12, 2015

Espanha e Portugal investigam esquema que terá burlado milhares de pessoas

Os tribunais espanhóis e a Polícia Judiciária em Portugal estão a investigar um esquema que terá burlado milhares de pessoas em varias países. Em causa está a empresa Libertágiá, que prometia lucros avultados para quem visionasse anúncios na internet. Os lucros eram tanto maiores para quem investisse dinheiro na empresa e trouxesse novos afiliados. Um esquema em pirâmide que agora rebentou.


terça-feira, agosto 11, 2015

Quem é Rui Salvador, o português que enganou cerca de três milhões de pessoas?

Rui Pires Salvador é presidente da empresa LibertaGia, acusada de desviar mais de mil milhões de euros através do esquema da pirâmide. Agora está a ser investigado pelas autoridades espanholas. Rui Pires Salvador antigo condutor de autocarros dizia querer acabar com a pobreza, mas o que aconteceu não foi bem assim. Levou cerca de 3 milhões de pessoas de 26 países a entrarem no esquema piramidal e com isso conseguiu desviar mais de mil milhões de euros. A LibertaGia, empresa de que Rui Salvador é presidente, que opera um alegado esquema fraudulento em pirâmide e que está sediada nas Bahamas, está agora sob investigação das autoridades espanholas. Tudo começou em Outubro de 2013, no Parque das Nações, em Lisboa, quando Rui Salvador dava uma palestra para uma centena de pessoas, acompanhado de um advogado que certificava a veracidade do projecto. 
A adesão à plataforma implica o pagamento de 51 euros, para supostamente cobrir os gastos da representação legal, a cargo do escritório de advogados Lemat. No entanto, os dados na posse deste escritório de advogados baseado em Granada, indicam dois tipos de verbas em falta – entre 27,3 e 45,5 milhões de euros em dinheiro pago pelas pessoas à LibertaGia para poderem entrar no serviço.  Em declarações à Lusa, o responsável jurídico do escritório, José García Cabrera, adiantou que representa, até ao momento, cerca de 500 pessoas, em Espanha, estimando que existam entre 1,8 e 3 milhões de pessoas afectadas em todo o Mundo, as quais cerca de 250 mil espanhóis. A remuneração prometida era de 350% ao ano e era supostamente contabilizada online. "As pessoas tinham um balanço online, como se fosse uma conta bancária, e, por cada acesso que faziam, em teoria receberiam uma remuneração", explicou o advogado.
Polícia Judiciária confirmou esta terça-feira que “deu entrada recentemente um processo que se encontra em investigação sobre o qual não é possível prestar esclarecimentos”.
Quanto à LibertaGia e a Rui Pires Salvador nada se sabe. "A empresa está desaparecida. Não responde às chamadas telefónicas e não está ninguém nos escritórios em Lisboa. É impossível contactar com eles", lamentou García Cabrera. Também a associação de defesa de consumidores Deco adiantou ter recebido dezenas de queixas de pessoas que se sentiram lesadas pela empresa, que promete um retorno de 350% por ano. Em Espanha já foi criada a Plataforma de Afectados de LibertàGià que reúne um conjunto de afiliados da empresa com o objectivo de recuperar o seu dinheiro. A notícia de que a justiça espanhola está a investigar o português Rui Pires Salvador por burla foi divulgada no fim-de-semana pelo jornal El Pais. Em causa está um esquema piramidal que ascende a mais de mil milhões de euros. O processo em investigação na 5.ª Vara do Tribunal de Granada, foi aberto em Março, na sequência de uma queixa da Lemat em Fevereiro (Jornal I)

Aldrabice piramidal (mais uma) em Espanha: "El día que Rui se embolsó 1.079 millones de euros"

El portugués Rui Pires se presentaba como un visionario. “¡Quiero acabar con la pobreza!”, proclamaba. No hay constancia de que este antiguo camarero y conductor de autobús haya erradicado la miseria del planeta. Más bien todo lo contrario. El Juzgado número 5 de Granada investiga si el presunto filántropo ideó un timo que esfumó los ahorros de 1,8 millones de inversores de 26 países. Su empresa se presentaba como una ecuación de éxito denominada LibertaGia que recaudó en menos de dos años 1.079 millones de euros, según la documentación a la que ha tenido acceso EL PAÍS. Su señuelo era una rentabilidad anual de hasta el 350%. El espejismo del dinero fácil se quebró en agosto de 2014, cuando cerró el grifo de los pagos esta compañía definida por la Guardia Civil en un informe como “piramidal”.
La fórmula del éxito de LibertaGia sedujo a 250.000 españoles
Rocío M. confió en LibertaGia los 8.300 euros de su indemnización por despido. Hoy, sufre una crisis de ansiedad. “Ha sido muy duro”, admite esta desempleada de 53 años. Como ella, 250.000 españoles compraron el mensaje de la fortuna exprés de Rui Pires, según la investigación judicial. Nestor Cabrera, un cubano de 51 años residente en Angola, concibió la inversión como una alternativa a la crisis. “Simbolizaba la empresa perfecta”, argumenta este experto en contabilidad. “Me llegué a enamorar [de la compañía]”, añade la jubilada rusa Liubov Yurgens, que confió al sistema 8.300 euros.
Para desgranar el ADN de la presunta estafa hay que desplazarse al Parque de las Naciones de Lisboa. Octubre de 2013. Rui Miguel Pires Salvador, un portugués con dotes de telepredicador, presenta en sociedad a LibertaGia. Un centenar de invitados asisten al acto, donde un abogado reitera la solidez de la empresa. Se anuncia una inversión millonaria para pagar a los ahorradores y la inminente salida a bolsa. La firma se desmarca de las estructuras piramidales tipo Ponzi, como la que levantó hasta 2008 en Wall Street el financiero Bernard Madoff. La sociedad para cobrar a los inversores se constituye un mes antes con un capital de 5.000 euros bajo el nombre de Joiadmirada Unipessoal Lda. España encarna desde la génesis un destino clave en la expansión internacional, según un exdirectivo. El primer viaje de Rui Pires Salvador es a Valencia. El periplo incluye la Ciudad de las Artes y las Ciencias y recauda cinco millones de euros, según la misma fuente. El presunto estafador desembarca después en A Coruña. La firma abre una oficina en la calle Emilio González López de la ciudad gallega a través del empresario hostelero Javier Figueiras. Hoy, este último, que metió a 150 personas, se presenta como una víctima más con cinco millones retenidos en la pirámide. Figueiras asegura que sospechó de las promesas de dinero fácil tras una reunión celebrada en febrero de 2015 en Lisboa, donde la directora de la compañía LibertaGia Mondial, Cristina Vieira, le confesó que la firma estaba siendo investigada por Interpol. Vieira niega esto último y declina detallar la identidad de los accionistas de su sociedad, que está domiciliada en el número 6 de la calle Cumberland de Nassau, en el antiguo paraíso fiscal de Bahamas. La Guardia Civil, sin embargo, sitúa a Vieira como directora de operaciones y apunta a Bahamas como centro neurálgico de la trama. EL PAÍS ha intentado sin éxito contactar con Rui Pires. Un exdirectivo de la empresa asegura que el ideólogo de LibertaGia reside con sus tres hijos en un lujoso chalé a las afueras de Lisboa. Esta fuente reconoce que el hombre que presumía de haber inventado la fórmula de la fortuna le confesó que, tras la compañía, se encontraba un grupo de inversores brasileño denominado G12. Se trataría de faraones —inventores de estafas piramidales— que huyeron de Brasil tras el endurecimiento de las leyes en este país por el caso TelexFree, un fraude planetario que atrapó en 2014 a más de un millón de ahorradores. El propio Rui Pires Salvador perteneció a Bbom, una empresa denunciada por la Fiscalía de Sao Paulo por operar como una pirámide financiera.
La Guardia Civil cree que la firma funciona como una pirámide financiera
La decena de afectados consultados se siente impotente. Los presuntos delincuentes han desaparecido. Nadie descuelga el teléfono en las oficinas lisboetas. Y el paradero de los 1.079 millones de euros es una incógnita. “Vamos a intentar recuperar el dinero”, confía Antonio José García Cabrera, de Lemat Abogados. Más de 500 afectados de España, Colombia, Rusia, Nicaragua, Perú y Chile se han sumado a la acusación particular que ejerce este letrado. Cabrera trabaja para que la Audiencia Nacional investigue la causa. La Guardia Civil reconoce que carece de medios para indagar este alambicado fraude. Entretanto, LibertaGia sigue reclutando hoy a nuevos aspirantes a millonario.
70 euros diarios por ver anuncios durante cinco minutos

LibertaGia ofrecía a sus inversores una rentabilidad anual de hasta el 350% a cambio de ver anuncios en Internet. Una labor de cinco minutos diarios que no requería pericia informática. Y permitía —en teoría— ganar 70 euros diarios a sus socios. Los anunciantes —también en teoría— pagaban a LibertaGia porque con los clicks mejoraba la posición de sus marcas en los buscadores. Y Rui decía que con este dinero retribuía a sus inversores. El sistema se extendió como la pólvora por la red como si de un virus se tratase. La firma se presentaba como una compañía del denominado sector multinivel. Los investigadores, sin embargo, creen que operaba bajo un esquema de pirámide financiera, cuya subsistencia depende de la constante entrada de nuevos miembros. De lo contrario, la arquitectura se desploma. Cuando arreciaron los primeros rumores de estafa, la empresa ofreció a sus inversores cobrar mediante una tarjeta de crédito. La mayoría de los afiliados pagó 53 euros por recibirla pero no pudo sacar el dinero. La deuda pendiente de la firma engorda en 134 millones cada mes, según la documentación que maneja el Juzgado número 5 de Granada (texto do jornalista do El Pais, JOAQUÍN GIL, com a devida vénia)

Aldrabice piramidal em Espanha: Polícia Judiciária confirma investigação à empresa LibertaGia

A Polícia Judiciária está a investigar a LibertaGia, uma empresa que opera um alegado esquema fraudulento em pirâmide e cujo presidente, Rui Pires Salvador, está já sob a mira das autoridades espanholas.
"Deu entrada recentemente um processo que se encontra em investigação sobre o qual não é possível prestar esclarecimentos", disse hoje a Polícia Judiciária em resposta à Agência Lusa. Também a associação de defesa de consumidores Deco adiantou à Lusa ter recebido dezenas de queixas de pessoas que se sentiram lesadas pela empresa, que promete um serviço remunerado a 350% por ano. Em Espanha foi já criada a Plataforma de Afectados de LibertàGià (www.afectadoslibertagia.com) que reúne um conjunto de afiliados da empresa com o objetivo de recuperar o seu dinheiro. A adesão à plataforma implica o pagamento de 51 euros para cobrir os gastos da representação legal, a cargo do escritório Lemat Abogados.
Em declarações à Lusa, o responsável jurídico do escritório, José García Cabrera, adiantou que representa, até ao momento, cerca de 500 pessoas, em Espanha, estimando que existam entre 1,8 e 3 milhões de pessoas afetadas em todo o Mundo, as quais cerca de 250 mil espanhóis. A notícia de que a justiça espanhola está a investigar o português Rui Pires Salvador por burla foi divulgada no fim de semana pelo jornal El Pais.
Em causa está um esquema piramidal que ascende a mais de mil milhões de euros. Um esquema com ramificações e grupos na Madeira (Lusa)

A nova aldrabice piramidal em Espanha com ramificações em Portugal e na Madeira. Deco recebeu cerca de duas dezenas de queixas relacionadas com LibertaGia

A Deco confirmou hoje ter recebido queixas de pessoas que se sentiram lesadas pela empresa LibertaGia, cujo mentor, Rui Pires Salvador, está a ser investigado em Espanha e alertou novamente para as potenciais perdas dos esquemas em pirâmide.
"Tivemos alguns contactos, num volume não muito elevado, o que não é surpreendente nos esquemas em pirâmide", disse à Lusa o analista financeiro da Deco PROTESTE, André Gouveia, explicando que muitas pessoas acabam por não denunciar a situação "por vergonha ou porque têm esperança de recuperar o seu dinheiro".
André Gouveia estima que tenham chegado à associação de consumidores entre uma a duas dezenas de reclamações escritas, tendo as queixas começado no ano passado, devido a atrasos nos pagamentos.
"Nós apenas pudemos reforçar os avisos que já temos feito. Tal como [a empresa] era apresentada, era um negócio que nos levantava bastantes dúvidas e o que nos aconselhámos foi tentar levantar o dinheiro e, se possível, fazer uma queixa às autoridades", afirmou o mesmo responsável.
Os pagamentos terão sido feitos "sem grandes problemas" até ao verão passado, altura em que começaram a surgir dificuldades, o que não é surpreende André Gouveia.
"Nesta fase inicial, as empresas pagam sempre e, por isso, não há reclamações sobre estes esquemas, porque enquanto estão a pagar ninguém tem razão para se queixar", adiantou.
Um dos lesados, que pediu para não ser identificado, contou à Lusa que foi recrutado por amigos com a promessa de receber "320% sobre o valor das operações" que teria de fazer para a empresa e que passavam essencialmente por recrutar pessoas, assistir a vídeos e clicar em anúncios.
"Perdi 800 euros", desabafou, queixando-se que deveria ter começado a ser remunerado ao fim de três meses, mas nunca chegou a receber o dinheiro.
Segundo as suas contas, deveria ter recebido 420 euros no primeiro mês, "porque já tinha recrutado 10 pessoas", 1.244 euros no segundo mês e 2.580 no terceiro, valores que dependiam das "operações" realizadas e que não ultrapassavam as 30 por dia, uma tarefa à qual dedicava cerca de duas horas diárias.
Quando descobriu que tinha caído "numa alhada tremenda", cobrou explicações a Rui Pires Salvador mas este deixou de atender os telefonemas.
"Ligava de telefones públicos e aí já atendia e inventava desculpas, dizia que a empresa estava a passar por uma reestruturação", relatou.
Confessou ter recorrido ao aconselhamento da Deco, no final de junho, mas não apresentou queixa na polícia porque "não vale a pena".
A notícia de que a justiça espanhola está a investigar o português Rui Pires Salvador por alegadamente ter burlado centenas de milhares de pessoas num esquema piramidal que ascende a mais de mil milhões de euros, foi divulgada no fim de semana pelo jornal El Pais.
José García Cabrera, responsável jurídico do escritório Lemat Advogados, que representa até ao momento 500 pessoas, em Espanha, disse à Agência Lusa que poderão existir entre 1,8 e 3 milhões de pessoas afetadas em todo o Mundo, as quais cerca de 250 mil espanhóis.
Estas pessoas alegam que puseram dinheiro na empresa de Rui Pires Salvador, a LibertaGia, para poderem aceder a um serviço remunerado a 350% por ano. Segundo a empresa, apenas tinham de aceder a determinadas páginas e ver anúncios na Internet. Teoricamente, a remuneração seria contabilizada "online". "As pessoas tinham um balanço online, como se fosse uma conta bancária, e, por cada acesso que faziam, em teoria receberiam uma remuneração", explicou o advogado García Cabrera O português Rui Pires Salvador dizia aos "investidores" que o dinheiro que iriam receber por esse serviço provinha dos anunciantes. Mas a LibertaGia, alegam os queixosos, nunca pagou qualquer verba à maioria destes "investidores".
"Quando começaram a não receber, a empresa LibertaGia começou a compensá-los com a possibilidade de trazerem novos associados. Ou seja, a empresa dizia que as pessoas receberiam o que tinham em dívida cobrando aos novos associados que trouxessem. Era uma estrutura piramidal", salientou o advogado. Os dados na posse da Lemat Advogados, escritório baseado em Granada, indicam dois tipos de verbas em falta: entre 27,3 e 45,5 milhões de euros em dinheiro pago pelas pessoas à LibertaGia para poderem entrar no serviço.
"E depois há cerca de 1.079 milhões de euros em dívida da empresa às pessoas. Este valor não é o do investimento que as pessoas fizeram, mas sim o trabalho, a remuneração que deveriam ter recebido e não foi paga", explicou García Cabrera. O processo em investigação na 5.ª Vara do Tribunal de Granada (Andaluzia, Sul de Espanha) foi aberto em março, na sequência de uma queixa da Lemat em fevereiro. A Agência Lusa contactou a Polícia Judiciária e o Ministério Público em Portugal para saber se o caso está a ser investigado em Portugal, sem obter resposta até ao momento (Lusa)

Mais uma aldrabice ao estilo do telexfrdee: Justiça espanhola investiga português que terá burlado milhões de pessoas pela Internet

A justiça espanhola está a investigar o português Rui Pires Salvador por alegadamente ter burlado centenas de milhares de pessoas num esquema piramidal que ascende a mais de mil milhões de euros, disse à Lusa um representante dos lesados.
"Temos dados provisionais que nos indicam que existem entre 1,8 e 3 milhões de pessoas afectadas em todo o Mundo. Só em Espanha serão cerca de 250 mil pessoas", disse à agência Lusa Antonio José García Cabrera, responsável jurídico do escritório Lemat Advogados, que representa até ao momento 500 pessoas.
Estas pessoas alegam que puseram dinheiro na empresa de Rui Pires Salvador, a LibertaGia, para poderem aceder a um serviço remunerado a 350% por ano. Segundo a empresa, apenas tinham de aceder a determinadas páginas e ver anúncios na Internet.
"A empresa atribuía determinadas tarefas às pessoas: aceder a determinadas páginas para que as marcas melhorassem o seu posicionamento nos motores de busca [Google, Bing, Yahoo] e a sua imagem na Internet, através do grande aumento do número de visitas. Em troca desse acesso recebiam uma contrapartida", explicou o advogado García Cabrera.
Teoricamente, a remuneração seria contabilizada online. "As pessoas tinham um balanço online, como se fosse uma conta bancária, e, por cada acesso que faziam, em teoria receberiam uma remuneração", acrescentou.
O português Rui Pires Salvador dizia aos "investidores" que o dinheiro que iriam receber por esse serviço provinha dos anunciantes.
Mas a LibertaGia, alegam os queixosos, nunca pagou qualquer verba à maioria destes "investidores".
"Quando começaram a não receber, a empresa LibertaGia começou a compensá-los com a possibilidade de trazerem novos associados. Ou seja, a empresa dizia que as pessoas receberiam o que tinham em dívida cobrando aos novos associados que trouxessem. Era uma estrutura piramidal", salientou o advogado.
Os dados na posse da Lemat Advogados, escritório baseado em Granada, indicam dois tipos de verbas em falta: entre 27,3 e 45,5 milhões de euros em dinheiro pago pelas pessoas à LibertaGia para poderem entrar no serviço.
"E depois há cerca de 1.079 milhões de euros em dívida da empresa às pessoas. Este valor não é o do investimento que as pessoas fizeram, mas sim o trabalho, a remuneração que deveriam ter recebido e não foi paga", explicou García Cabrera.
Este caso foi avançado no fim de semana pelo jornal El País, que dá conta que a empresa de Rui Pires Salvador está sediada no paraíso fiscal das Bahamas.
O advogado contou à Lusa que a plataforma de 500 lesados é composta, na sua maioria, por espanhóis, mas que também agrega pessoas de países como Rússia, Colômbia, Estados Unidos, Peru, Chipre, Alemanha, Itália, Argentina, Bolívia, Angola, Nicarágua, China, Lituânia, Canadá, México, Ucrânia e Panamá.
"Pelo menos até aos últimos dias não havia portugueses", completou.
O processo em investigação na 5.ª Vara do Tribunal de Granada (Andaluzia, Sul de Espanha), foi aberto em março, na sequência de uma queixa da Lemat em fevereiro.
"Provavelmente - dado o número de afetados de várias províncias de Espanha - a competência terá de passar para a Audiência Nacional. Não tenho dúvidas que terá de terminar ali", disse García Cabrera, referindo-se à instância espanhola para crimes complexos, terrorismo e grandes crimes económicos. A Audiência Nacional tem jurisdição sobre todo o território espanhol.
Quanto à LibertaGia e a Rui Pires Salvador estão em silêncio.
"A empresa está desaparecida. Não responde às chamadas telefónicas e não está ninguém nos escritórios em Lisboa. É impossível contactar com eles", lamentou García Cabrera.
Quanto aos queixosos, pede justiça: "Se há responsabilidade, que sejam castigados por alegada burla. E se for possível que recuperem o dinheiro investido e o dinheiro em dívida", sintetizou.

A agência Lusa está a tentar contatar com a empresa e com o português referido pelo advogado García Cabrera e pelo jornal El País, bem como com a Polícia Judiciária e o Ministério Público em Portugal para saber se houve algum pedido de colaboração da justiça espanhola ou alguma queixa de lesados portugueses (Economico)

quarta-feira, outubro 12, 2011

Mais um barrete de Sócrates: de 17 500 empregos, apenas uma trabalhadora…

Segundo o Jornal I, "num texto da jornalista Márcia Oliveira, “em 2008, José Sócrates, lançou um projecto que prometia investimento e emprego. Em 2011 continua deserto. Três anos e meio após o lançamento da plataforma logística Lisboa-Norte, para a qual estava previsto um investimento de 265 milhões de euros e a criação de 17 500 empregos, ainda não foi construído um único pavilhão e as obras estão paradas há meses. O empreendimento está sedeado na freguesia de Castanheira do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira, e foi apresentado no dia 11 de Março de 2008, com a presença do então primeiro-ministro, José Sócrates. António Ventura Reis é o presidente da Junta de Freguesia de Castanheira do Ribatejo e ao i recorda que mal teve conhecimento do projecto foi contra a sua concretização, devido ao impacte ambiental que previa. Segundo o autarca, o terreno escolhido para o projecto continha uma reserva agrícola e ecológica importante: “Incluía um lençol de água doce que era um dos maiores da Europa”, sublinha António Reis. “Precisamos de investimento, de empresas para substituir aquelas que têm fechado, mas também não nos vendemos por qualquer preço”, acrescenta. Só que, segundo o autarca, “a maioria das forças foi quem decidiu, neste caso, foi o governo”. Para além do impacte ambiental, António Reis, diz que próprio terreno onde está instalada esta plataforma logística tem outro grande problema: Castanheira do Ribatejo é uma zona baixa e aquele terreno é na sua maioria feito de tijolo, como tal, foi necessário deslocar vários aterros de terra de quase cinco metros: “Como eu costumo dizer, deslocou-se a Serra de Alenquer para a Castanheira” diz o presidente da Junta. “Chamo-lhe um elefante muito grande, um elefante branco. Fez-se um investimento, promessas de 15 mil postos de trabalho directos e mais cinco ou 7 mil indirectos. E quantos é que existem? Zero. Só houve postos de trabalhos na altura para o aterro e por causa do saneamento. A partir daí, nada. Não há ninguém que trabalhe ali”, lamenta António Reis. No entanto existe pelo menos uma funcionária que trabalha na plataforma. A Abertis Logística, empresa promotora espanhola, que anunciou um investimento de 265 milhões de euros e a criação de milhares de postos de trabalho tem um stand de vendas no local. Há uma pequena loja no meio do nada, que está rodeada de redes metálicas e tem um grande portão à entrada. Lá dentro tem uma única funcionária com quem o i tentou falar, mas só conseguiu obter uma breve resposta e pelo intercomunicador:_“Não vou prestar declarações, tem que pedir autorização por e-mail”, disse. O i tentou contactar o responsável pela empresa em Portugal, mas surpreendentemente foi novamente a funcionária da loja que se encontra na plataforma que atendeu e disse que tínhamos de enviar um e-mail para que pudesse, por sua vez, reencaminhar aos responsáveis. Sendo assim, o i tentou falar directamente com a empresa espanhola mas até ao fecho do edição não foi possível. Em declarações à Lusa, Josep Canós, director-geral da Abertis Logística chegou a afirmar que a plataforma ia oferecer “armazéns modernos e versáteis numa área de construção de 500 mil metros quadrados (quase 50 campos de futebol). Segundo o director, era intenção da empresa “começar a comercializar os primeiros armazéns durante 2011”. Mas a realidade no local é bem diferente e nenhum armazém foi construído ainda. Aliás, segundo trabalhadores naquela área, não se vê ali ninguém há meses. Joaquim Silva diz ao i que existiram muitas promessas de postos de trabalho para a população da região, muitas ideias para indústrias, mas que ninguém aparece no local há meses. “É que para além de isto não dar lucro, é triste ver este terreno todo iluminado à noite. Mas para que é que isto tem tanta luz?
“Aquele buraco é maior do que o da Madeira parece-me”
Não percebo. Tanto prejuízo de electricidade para nada”, lamenta o ferroviário de 53 anos. Eusébio Mota quando questionado sobre o assunto, responde sem rodeios:“Aquele buraco é maior do que o da Madeira parece-me”. As únicas obras visíveis, e que a população nota que existem e que ainda decorrem, prendem-se com os acessos à Auto-Estrada 1 e à Estrada Nacional 1, estando os cerca de 100 hectares daquele espaço delimitados pela central termoeléctrica do Carregado e pela nova estação de caminho de ferro de Castanheira do Ribatejo, vedados com arame e blocos de cimento. “Centenas de viaturas pesadas passaram nas vias municipais para fazerem esses acessos directos para a plataforma e nenhuma delas está preparada para um tráfego de camiões com tanta intensidade. Portanto, não só destruíram as estradas todas como não as reparam e estava acordado que o deviam fazer”, lamenta António Reis. “Nem respeito pela população tiveram”, desafiava o autarca. A Junta de Freguesia não se conforma e afirma que embora tenham a noção que “têm de esperar, não vão estar quietos nem calados”. Continuar a protestar e a chamar a atenção é o objectivo de António Reis que critica também a câmara, dizendo que já deviam ter dado um “basta” a toda esta situação. “Ninguém sabe o que se passa, o que se vai fazer, nem o que está previsto. Nem sequer a Câmara Municipal tem tido capacidade de dizer basta. Não podemos esperar mais”, continua o autarca. Quando questionado sobre o futuro do empreendimento, o presidente da Junta não tem dúvidas e diz que não vê futuro para o espaço que devia receber novas empresas e criar milhares de postos de trabalho: “Gostava muito de estar enganado mas não me parece”, conclui António Reis”.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Vergonhosa aldrabice: nos contratos públicos, as empresas com dívidas ao fisco contornam Lei

Garante o jornalista do Jornal I, Filipe Paiva Cardoso que “subsidiárias de devedores concorrem a contratos públicos e ganham. Ministério das Finanças fala em falta de "fundamento legal" para recusar Primeiro: a teoria. O código dos contratos públicos, no seu artigo 55º, que trata da "idoneidade dos concorrentes" a adjudicações públicas, sublinha que "são excluídos dos procedimentos" quem "não tenha a situação [fiscal] regularizada". Contudo, e para o governo, passar da teoria à prática, tem sido difícil. Basta ter uma subsidiária a entrar no concurso público que a Lei fica contornada. Vejamos então a prática. O Bloco de Esquerda (BE) nomeou um caso específico numa pergunta enviada às Finanças, em Dezembro último. Diz o Bloco que apesar da Brandia - dedicada a publicidade e consultoria de marcas - deter uma empresa presente na lista oficial de devedores ao fisco - a Brandia Marketing Logistics, que deve entre 500 mil e um milhão em impostos -, a Brandia Central tem celebrado dezenas de ajustes directos com entidades públicas, isto apesar das empresas terem até "o mesmo domicílio fiscal", diz o BE. "Repare-se que não estamos a falar de pequenos contratos, mas de avultados trabalhos de comunicação para o ministério das Obras Públicas ou para promoção do Magalhães", detalha ainda a deputada Catarina Martins, autora da pergunta, que rotula o caso exposto como "uma forma expedita de contornar o espírito da Lei e cujo resultado prático acaba por ser o esvaziamento das normas".
Finanças e "base legal"
Na passada quarta-feira, 9 de Fevereiro, o ministério de Teixeira dos Santos respondeu à pergunta do Bloco, assumindo no mínimo a existência de uma zona cinzenta. "Ainda que determinada pessoa detenha uma participação no capital de uma outra pessoa colectiva e esta última não possua a situação regularizada, não existirá fundamento legal para a administração fiscal recusar" a participação do primeiro em contratos públicos, aponta a resposta do ministério, consultada pelo i. Porém, continua o ministério já sobre o caso relatado pelo Bloco, e "não obstante a autonomia jurídica e a distinta personalidade e capacidade tributária dos agentes em causa, as circunstancias descritas [caso da Brandia] são, naturalmente merecedoras de atenção e preocupação pela Administração Fiscal, no sentido de obstar à verificação de práticas fraudulentas, exercendo esta a acção fiscalizadora e de justiça tributária e procurando recuperar, com a maior eficácia possível, os créditos de natureza tributária, designadamente, os que integram as listas de devedores fiscais". Sobre medidas concretas, isso já nada é dito.
Mais de 40 ajustes
Numa pesquisa rápida ao site onde são divulgados os contratos públicos, o i encontrou 43 contratos de ajuste directo entre empresas públicas, reguladores ou autarquias e empresas da Brandia. No total, estes contratos valem 1,4 milhões de euros, treze deles foram celebrados com a RTP e 20 com a Anacom. O ajuste directo mais elevado, contudo, foi celebrado com o Turismo de Portugal, de 203 mil euros”.