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domingo, agosto 25, 2024

Artigo 13 rouba voz às mulheres afegãs. Estão proibidas de cantar, ler ou falar em público, segundo nova lei dos talibãs

O regime talibã no Afeganistão aprovou uma nova lei moral que reforça a repressão sobre as mulheres, impondo restrições ainda mais severas no país. O “Artigo 13”, promulgado recentemente pelo Ministério para a Propagação da Virtude e Prevenção do Vício, proíbe as mulheres de cantar, ler ou falar em voz alta em público. Esta legislação, ratificada na quarta-feira, representa mais uma investida do regime para controlar rigorosamente a vida das mulheres no país. Três anos após a retirada das forças ocidentais do Afeganistão e a consolidação do regime talibã no poder, as autoridades islâmicas introduziram um novo e severo conjunto de leis que regulam a conduta social, com um foco especial em restringir as liberdades das mulheres.

Artigo 13 e Restrições Rigorosas

As novas regras, aprovadas pelo líder supremo Hibatullah Akhundzada, foram anunciadas por um porta-voz do governo talibã. O documento detalha 35 artigos distribuídos por mais de 100 páginas, e o Artigo 13 destaca-se ao determinar que as mulheres devem cobrir todo o corpo em público, incluindo o rosto, para evitar “causar tentação” ou atrair olhares indesejados. O regime talibã insiste que o rosto das mulheres deve permanecer sempre coberto, uma medida considerada essencial para evitar tentação e preservar a moralidade pública. Além disso, as roupas femininas não podem ser finas, justas ou curtas, de modo a não revelar as formas do corpo. As mulheres também são proibidas de olhar para homens com os quais não tenham laços de sangue ou casamento, e vice-versa.

quinta-feira, novembro 10, 2022

Mulheres afegãs banidas de jardins e parques de diversões em Cabul

 

Os talibãs baniram as mulheres afegãs de entrar nos jardins públicos e parques de diversões da capital, alguns meses depois de ordenar que o acesso fosse segregado por género.  nova regra, introduzida esta semana, tira ainda mais as mulheres de um espaço público cada vez menor. As afegãs estão também proibidas de viajar sem escolta masculina e são forçadas a usar um hijab ou burca sempre que estiverem fora de casa. As escolas para adolescentes também foram fechadas durante mais de um ano na maior parte do país. "Nos últimos 15 meses, tentámos o nosso melhor para organizar e resolver - e até especificámos os dias", disse Mohammad Akif Sadeq Mohajir, porta-voz do Ministério para a Prevenção do Vício e Promoção da Virtude, em declarações à AFP. "Mas ainda assim, em alguns lugares - na verdade, devemos dizer em muitos lugares - as regras foram violadas. Houve mistura [de homens e mulheres], o hijab não foi usado, por isso a decisão foi tomada por enquanto".

sábado, agosto 20, 2022

Há bebés afegãos a morrer “porque os pais não têm um dólar para os levar ao médico”


Os pais no Afeganistão enfrentam escolhas impossíveis, como tirar as filhas ou filhos da escola para poder alimentá-los ou pior – vender um filho ou casar uma filha de 12 anos para impedir os irmãos de morrerem de fome. Quando os taliban voltaram ao poder, 43% do PIB do Afeganistão era garantido por assistência externa. Ao mesmo tempo, de acordo com o Banco Mundial, 2,5 milhões de pessoas (o correspondente a 77% dos empregos nos centros urbanos) trabalhavam na área dos serviços e da construção, ambas arrasadas pelo colapso da despesa pública. Segundo um perito das Nações Unidas, citado num relatório do think tank International Crisis Group, nunca uma economia moderna passou por um choque comparável.

Em Dezembro, alguns economistas estimavam que em menos de um ano quase todos os afegãos enfrentariam algum tipo de necessidade. Não foi preciso esperar: segundo dados da organização não-governamental Save The Children, 97% das famílias enfrentam dificuldades para dar aos filhos comida suficiente e quase 80% das crianças dizem ter ido deitar-se com fome nos 30 dias anteriores (as meninas têm quase o dobro das probabilidades de irem frequentemente para a cama com fome).

quarta-feira, dezembro 29, 2021

RTP elegeu regresso dos talibãs ao poder como Acontecimento Internacional do Ano

 


A redação da RTP escolheu para Acontecimento Internacional do Ano o regresso dos talibãs ao poder no Afeganistão. Quatro meses depois, as Nações Unidas falam de execuções sumárias, da perseguição de afegãos pró-ocidentais e do fim dos direitos das mulheres naquele país

As novas regras dos talibãs que vão tornar as "mulheres afegãs prisioneiras"


No Afeganistão, as mulheres estão proibidas de fazer viagens de longas distâncias sem a companhia de um homem. Os talibã determinaram ainda que os motoristas devem aceitar apenas passageiras com véu islâmico. A recomendação, feita pelo Ministério para Promoção da Virtude e da Prevenção do Vício, estabelece que as mulheres que viajem mais de 72 quilómetros não devem deslocar-se sem a companhia de um homem. Sugere ainda que os condutores não ouçam musica no interior. A Human Rights Watch garante que as novas orientações dos talibã vão tornar as mulheres prisioneiras. As diretrizes foram divulgadas semanas depois de os fundamentalistas terem pedido o afastamento de atrizes de filmes e telenovelas e terem exigido o uso de véu a todas as apresentadoras (SIC-Notícias)

segunda-feira, novembro 29, 2021

No Afeganistão, há pais a venderem filhas para terem dinheiro para comer



Prática ressurgiu em força com a tomada do poder por parte dos Talibãs. “Tenho de a vender para manter o resto da família vivo”, disse um pai. Abdul Malik perdeu o emprego há quatro anos. Ele e a sua família vivem num campo de refugiados na província da Baghdis, no noroeste do Afeganistão. Perante a falta de rendimentos, e o longo inverno que se avizinha, Malik teve de tomar a decisão que nenhum pai quer ter de tomar: vender a sua filha, Parwana, de 9 anos. Somos uma família de oito pessoas. Tenho de a vender para manter os outros vivos”, diz Malik à equipa da CNN. O comprador, de nome Qorban, um homem que diz ter 55 anos, prometeu “não bater” na menina e trata-la como um membro da sua família. Mas Malik, que se confessa “devastado” com a sua decisão, não alimenta muitas esperanças.

sexta-feira, outubro 15, 2021

Os talibãs tomaram o poder no Afeganistão pela segunda vez em 25 anos. Como foi possível?



A geografia, os interesses geopolíticos e as características socioculturais fazem do Afeganistão um país único no mundo. O regresso dos talibãs ao poder deve ser interpretado à luz de todas essas especificidades. Análise a um dos grandes problemas do nosso tempo em 2 minutos e 59 segundos (Expresso)

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Família afegã atacada com ácido por recusar dar a filha em casamento


Li no Público que "uma família afegã foi atacada por um grupo armado que deitou ácido sobre os pais e três filhas, alegadamente por se ter recusado a dar uma das filhas em casamento. O ataque ocorreu na cidade de Kunduz, o pai e a filha mais velha ficaram em estado crítico, segundo médicos do hospital local. O grupo de atacantes invadiu a casa da família e despejou ácido no rosto de todos os seus membros. A filha mais velha, Mumtaz, de 18 anos, tinha sido perseguida por um homem que a família considerava conflituoso e irresponsável. Apesar de pressionada para casar, Mumtaz recusou e acabou por tornar-se noiva de um parente, com o apoio da família. Algumas semanas depois, um grupo de seis ou sete homens armados entrou em casa da família e atacou todos os seus membros. “Primeiro bateram no pai e depois atacaram com ácido”, contou a mãe de Mumtaz, citada pela Reuters, que pediu para não ser identificada. Todos estão a receber tratamento, adiantou à agência britânica Abdul Shokor Rahimi, médico do hospital local. “O pai e a filha mais velha estão em estado crítico, foram atacados em todo o corpo”, contou Rahimi. “A mãe e outras duas filhas de 13 e 14 anos têm ferimentos nas mãos e no rosto”. Um responsável da polícia local, Ghulam Mohammad Farhad, prometeu perseguir os autores deste ataque “imoral e irresponsável”. E adiantou: “Começámos uma investigação, os que fizeram isto serão responsabilizados por isso”. O ácido é muitas vezes usado como arma no Afeganistão, sobretudo contra as mulheres. Durante o regime taliban estas eram agredidas com ácido por frequentar a escola ou por alegadas “questões de honra”, como o envolvimento com rapazes sem consentimento da família ou o adultério. Mas estes crimes não pararam com a queda dos taliban. Em Janeiro, o jornalista afegão Abdul Razaq Mamon foi atacado com ácido em Cabul e ficou com queimaduras nas mãos e no rosto”.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Afegã violada tem de casar-se com o agressor para sair da prisão

"Uma afegã de nome Gulnaz, de 21 anos, enfrenta um terrível dilema: ou permanece na prisão com uma filha pequena, cumprindo pena por ter sido violada por um homem casado, ou contrai matrimónio com o agressor para poder sair da prisão. Quando Gulnaz tinha 19 anos foi violada pelo marido de uma das primas. Dois anos depois, a jovem ainda se recorda dos pormenores do episódio: “Ele tinha as roupas nojentas, porque trabalha na construção. Quando a minha mãe saiu, ele veio até minha casa e fechou as portas e as janelas. Eu comecei a gritar mas ele calou-me, tapando-me a boca com as mãos”, descreveu Gulnaz à CNN. Depois da violação não contou a ninguém o que se tinha passado – sabendo que não seria ajudada – mas depressa a verdade veio à tona: estava grávida. Acabou por ser julgada por adultério e condenada a 12 anos de prisão. É lá que está actualmente, com a sua filha. Cumprem pena em conjunto. Para sair da prisão, só tem uma solução: casar-se com o seu agressor. A única forma de uma mulher afegã ultrapassar a desonra de ter sido violada, ou de ter incorrido em adultério, é casar-se com o seu atacante. E é precisamente isto que Gulnaz está disposta a fazer. “Perguntaram-me se eu estava disposta a começar uma nova vida de liberdade casando-me com este homem”, disse a jovem à CNN. “A minha resposta foi que há um homem que me desonrou e que eu quero ficar com esse homem”. A jovem diz que na sua decisão pesa o futuro da filha. Só assim poderão permanecer juntas e em liberdade. Mas - adianta a CNN - a escolha de Gulnaz não a livra de perigo. A família do atacante ou mesmo a sua própria família poderão querer matar a jovem por ter desonrado o nome familiar. É muito provável que, mal ponha pé fora da prisão, Gulnaz corra perigo de vida. Casos como o de Gulnaz são comuns no Afeganistão mas este tornou-se notícia após uma disputa entre a UE e uma equipa de realizadores contratados pela própria União Europeia para levarem a cabo uma série de documentários sobre os direitos das mulheres no Afeganistão. Os realizadores fizeram uma extensa reportagem sobre Gulnaz e sobre histórias de outras mulheres que falaram abertamente para as câmaras, sem lenços a cobrirem-lhes os rostos, sobre as suas vidas. Depois de mostrarem as filmagens aos responsáveis da UE, estes decidiram cancelar o projecto afirmando que essas mulheres poderiam ser identificadas e sofrer represálias. Mas os realizadores - citando um e-mail da UE cujo conteúdo foi parar aos media – afirmam que o problema está nas relações delicadas entre a UE e o Afeganistão, que é apresentado de forma muito pouco favorável (especialmente o seu sistema judicial). Pode ler-se no e-mail, segundo a CNN: “A delegação tem de considerar as suas relações com as instituições de Justiça afegãs”. O embaixador da UE para o Afeganistão, Vygaudas Usackas, rejeitou, porém, qualquer motivação política para a suspensão do projecto documental. “Eu estou realmente preocupado é com a situação das mulheres. Com a segurança e o bem-estar destas mulheres (...) esse é o critério de acordo com o qual eu - como representante da UE - irei julgar este caso”, disse o embaixador, citado pela CNN”. (texto publicado no Público, com a devida vénia)

segunda-feira, maio 23, 2011

Talibães negam morte do Mulah Omar

Li no ABC que "según una televisión privada, el cadáver del líder insrugente fue localizado en Pakistán. La noticia, aún por confirmar, salta cuando se cumplen tres semanas de la muerte de Bin Laden. Una televisión privada afgana anunció hoy que el líder de los talibanes de Afganistán, el mula Omar, fue localizado muerto en el vecino Pakistán, algo que han desmentido poco después portavoces del movimiento insurgente. Según la cadena televisiva TOLO, que cita fuentes de la inteligencia afgana sin identificar, el mula Omar resultó muerto hace dos días cuando se desplazaba entre la localidad de Quetta y la provincia de Waziristán el Norte, en territorio paquistaní fronterizo con Afganistán. Contactado por Efe, el portavoz talibán Zabiullah Mujahid desmintió poco después el anuncio. "Lo desmentimos rotundamente. Solo es propaganda del enemigo, que quiere desmoralizar a nuestros 'muyahidines' (combatientes radicales islámicos). Proseguiremos nuestra lucha contra los invasores extranjeros y sus aliados", aseguró el portavoz talibán. Un portavoz oficial del Ejército de Pakistán, Athar Abbas, dijo por su parte a Efe en Islamabad desconocer la posibilidad de que el mula Omar fuera abatido en territorio paquistaní. "No tengo conocimiento de eso", comentó Abbas. La información sobre el presunto fallecimiento del mula Omar se ha divulgado cuando se cumplen tres semanas de la muerte del líder de Al Qaeda, Osama bin Laden, en una operación ejecutada por un comando de las fuerzas de elite norteamericanas el pasado día 2 en la ciudad de Abbottabad, cercana a Islamabad. La desaparición de Bin Laden ha dado prioridad a la localización del mula Omar y ha disparado la tensión entre Washington, que mantiene que Bin Laden debía contar con apoyo en suelo paquistaní, e Islamabad, que acusa a EEUU de haber violado la soberanía de Pakistán”.

sexta-feira, novembro 19, 2010

A SIC na "Green Zone em Cabul"

Li no site da SIC que "o coração da NATO parece um forte medieval no centro de Cabul. À semelhança de Bagdade, deram-lhe o nome de Green Zone. Aqui não há os palácios de Saddam, mas quando se deixa a rotunda Massoud para entrar na zona ocidental ultra-protegida é necessária passar 10 (DEZ!) barreiras de controlo ou portões antes de atingir o quartel-general da ISAF, a Força Internacional de Assistência à Segurança. Ao longo do trajecto, faz-se gincana entre blocos de cimento, blocos de pedra, muros altos de betão, lombas pronunciadas. Em cada barreira há sempre alguém a confirmar a identificação. É dentro da Green Zone que fica a enorme embaixada dos EUA. Junto ao edifício da ISAF, com as bandeiras da NATO, há um formigar de militares e civis de um lado para o outro. Frente ao edifício, num jardim convidativo aos drinks, um enorme gato amarelo espreguiça-se na relva...! A Green Zone também tem um mercado de souvenirs, com tapetes, lenços, trajes tradicionais, peças em azul-cobalto, réplicas em metal de antigos jarrões. Os preços seguem os preceitos ocidentais. O parque de estacionamento já deixou de abrigar Humvees, fora de moda. Os carros militares estão cada vez mais a ser substituídos por jeeps Land Cruiser brancos, pretos, beijes. Nenhum tem matrícula. É a forma menos ostensiva que a Nato encontrou para deslocar-se em Cabul, é a tentativa para iludir os que preparam atentados, é a fase de transição em marcha. Os rumores de alerta circulam a baixa voz, são os ecos da Cimeira da NATO em Lisboa, são os receios de que se queira marcar aqui o avesso das palavras mansas do Parque das Nações".
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quarta-feira, novembro 17, 2010

SIC: "Welcome to Cabul"

Segundo a SIC, num texto da jornalista Cândida Pinto, "um colete à prova de bala, um capacete e um lugar no Humvee. Os cintos de segurança apertados, a porta blindada trancada. Entre os lugares, águas e caixas de munições. Chegamos a Cabul.Antes de aterrarmos nos aviões da Safi Airways, passamos o início da madrugada no aeroporto do Dubai. O contraste não pode ser maior. O aeroporto do Emirato tem movimento constante, com gente de todas as raças, todas as culturas, mulheres tapadas, mulheres destapadas, homens de longas túnicas brancas, homens de jeans Dolce e Gabanna super apertados, um Ferrari antes da Avenida das Palmeiras, as lojas de jóias, os Ipads, sim tudo isto... dentro de um aeroporto. A porta 49 está reservada ao embarque para Cabul às 3h30 da madrugada. A fauna que chega ao embarque causa imediatamente alguma estranheza, silêncio pesado, quase arrepio. Apesar de ser um voo civil, sem qualquer restrição, perfeitamente normal, percebe-se que o destino é especial. Noventa por cento dos passageiros são homens, a maioria militares norte-americanos (ou contratados por empresas americanas para ganhar muito dinheiro no Afeganistão), ou australianos ou de outros países ocidentais que tem tropas ou negócios no terreno. Sim, há meia dúzia de afegãos, entre eles aquela família que veio do Canadá para ver de perto a casa onde vivia e que deixou há 15 anos. Junto à placa do aeroporto há um enorme movimento de helicopteros, aviões militares, civis da ONU. No aeroporto de Cabul, tudo decorre sem problemas, a bagagem chega completa e já nos aguarda depois de mostrarmos os passaportes na alfândega. Está frio, muito frio. A temperatura vai dos 2 graus, à noite, aos 20 a meio do dia. Os militares portugueses recebem-nos com muito agrado, e um briefing de segurança. As ruas a vermelho, as outras, os cruzamentos, as ruas vazias a evitar sempre, o aconchego de ver crianças na rua. As regras que aplicam à sobrevivência. Oferecem-nos suculentas romãs e quartos-contentor aquecidos. Welcome to Camp Warehouse!". (Cândida Pinto e Jorge Pelicano são enviados especiais da SIC ao Afeganistão durante o período em que decorre, em Lisboa, a Cimeira da NATO)
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sábado, agosto 07, 2010

Opinião: "O rosto mutilado de uma mulher afegã vale por uma guerra?"

"Uma adolescente cruelmente desfigurada pelos taliban encheu a capa da Time, algo entendido como um apelo à continuação da guerra. Bibi Aisha é uma adolescente bonita, com o cabelo escuro a cobrir-lhe um dos lados da cara, pesado. Olhos escuros que nos interpelam a partir da capa da revista Time desta semana, é uma bela rapariga afegã - mas a estranheza atinge-nos como um soco: onde devia estar o seu nariz está um buraco. "O que acontece se deixarmos o Afeganistão", diz o título ao lado do rosto de Aisha, sem ponto de interrogação nem dúvidas. A polémica estalou com esta capa, em que a história dramática de uma jovem mulher é usada como cartaz de uma mensagem política. Aisha tem 18 anos e foi o seu marido, taliban, que lhe cortou o nariz e as orelhas. O pai entregou-a a esse homem quando ela tinha dez anos, juntamente com a sua irmã mais nova, para pagar uma dívida de sangue do tio dela. Era obrigada a dormir no curral, com o gado, espancada constantemente e usada como escrava. Um dia fugiu, foi apanhada e mandada para a prisão em Kandahar, porque na província de Oruzgan, no Sul do país, não havia cadeia para mulheres. Quando foi libertada e entregue ao marido, este cortou-lhe o nariz e as orelhas. Na cultura pashtun, diz-se de um marido que foi envergonhado pela sua mulher que perdeu o nariz, explicou ao The New York Times Manizha Naderi, que lidera o grupo Mulheres pelas Mulheres Afegãs, que gere o abrigo que acolheu Bibi Aisha. Por isso, do seu ponto de vista, estaria apenas a fazer uma espécie de "olho por olho, dente por dente..."
Aisha (bibi é um tratamento honorífico) foi tratada numa base militar americana. Despertou o interesse de Ching Eikenberry, mulher do embaixador dos EUA em Cabul, e também da Grossman Burn Foundation, na Califórnia, que lhe vai pagar a cirurgia reconstrutiva nos Estados Unidos. Na verdade, Aisha viajou para a Califórnia na quarta-feira, quando o seu caso fazia furor, escândalo, ou simplesmente causava indignação nos Estados Unidos Desde que a capa da Time foi conhecida, com uma foto da fotógrafa sul-africana Jodi Bieber, ninguém ficou indiferente. Mas os opositores da guerra no Afeganistão foram os críticos mais ferozes: tomaram-na como um apelo à presença militar no Afeganistão. A Time defende-se: "Não mostramos esta imagem para apoiar o esforço de guerra dos EUA ou em oposição a ele", garante o director, Richard Stengel
A jornalista Christiane Amanpour mostrou-a na televisão ABC à speaker do Congresso Nancy Pelosi, e interrogou-a sobre quão empenhada estava a América em continuar a apoiar as mulheres afegãs. Pelosi não conseguiu evitar afastar os olhos, antes de dar uma resposta de circunstância. Tom Scocca, colunista da Slate, sublinhou a semelhança - uma "paródia grotesca", na sua opinião - com uma capa da National Geographic de 1985 que mostrava uma refugiada afegã com uns olhos impossivelmente azuis/verdes. "A mensagem, então, era que a guerra - a invasão soviética - estava a ter um terrível custo humano. A mensagem da Time é que os afegãos não estão a ter guerra suficiente", diz. E Aisha, o que pensa? Bem, ela nem sabe ler, mas quer aprender. Mas quando um repórter do New York Times lhe perguntou o que pensava da controvérsia em torno da sua fotografia, e se isso poderia ajudar outras afegãs, ela não estava muito certa. "Não sei se vai ajudar outras mulheres ou não. Só quero ter um nariz outra vez", disse, tapando a cara com o lenço da cabeça, como faz sempre
(pela jornalista do Publico, Clara Barata, com a devida vénia)

quinta-feira, setembro 03, 2009

Escândalo sexual na embaixada dos EUA em Cabul

Li no Correio da Manhã que "um novo escândalo sexual está a assolar o meio diplomático dos EUA. Desta vez, trata-se de agentes da segurança da embaixada norte-americana em Cabul, no Afeganistão, que alegadamente ridicularizam indivíduos afegãos empregados nesse edifício, obrigando-os a práticas sexuais e actividades humilhantes. O caso foi denunciado pela ONG 'POGO', Projecto Para a Supervisão do Governo, que iniciou uma investigação após várias queixas anónimas vindas do interior da embaixada. Com uma carta formal dirigida à Secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton seguiam ainda fotos explícitas que comprovam as humilhações a que são sujeitos os empregados. Os agentes envolvidos nessas actividades fazem parte da empresa de segurança privada ‘ArmorGroup’, contratada em 2007 para proteger o edifício. Marthena Cowart, directora de Comunicações da POGO, afirma que este comportamento “é completamente inaceitável e só vem piorar a imagem que os afegãos têm das tropas norte-americanas no país. De acordo com a directora, uma das denúncias afirmava que os agentes “obrigam os empregados a urinar sobre outros e a comer batatas fritas ou beber shots de vodka por entre as nádegas dos agentes”. Marthena acrescentou ainda que dentro da embaixada existe “um ambiente de medo e que os empregos estão divididos entre aqueles que consentem as actividades e os que recusam participar e que, por isso, são humilhados ou ainda despedidos”. Segundo as queixas apresentadas, os empregados eram ainda obrigados a participar nas festas privadas da embaixada, que “incluíam álcool, sexo e prostitutas.” Um tema que pode ler no El Mundo, num texto do jornalista Aitor Hernández-Morales. Leia igualmente no El Mundo um texto intituado “Ocio en la capital afgana” da autoria da correspondente naquela cidade.
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segunda-feira, agosto 24, 2009

Talibã cortaram dedos dos eleitores?

Diz o Jornal I, num texto de Tiago Guerreiro da Silva, que "os talibã cortaram os dedos a dois afegãos que votaram nas eleições presidenciais da passada quinta-feira, informou o líder da Fundação para Eleições Livres e Justas, Nader Nadery. Segundo Nader, os dois homens estavam com tinta roxa nos dedos e foram atacados na província de Kandahar, logo após terem exercido o seu direito de voto. Durante a semana passada, antes das eleições, já havia rumores de que os militantes talibã poderiam cortar os dedos aos votantes. Apesar das ameaças e ataques realizados no dia das eleições, a afluência às urnas foi significativa. O presidente Hamid Karzai concorre pela reeleição e é favorito, segundo as últimas notícias. O seu principal adversário é Abdullah Abdullah. Um dos candidatos precisa ter mais de 50% dos votos para ser eleito, ou será feita uma segunda votação. Segundo a BBC, observadores europeus presentes no país reconheceram que houve "violência generalizada e intimidação", mas qualificaram o processo eleitoral de "bom e justo" e deram os parabéns os afegãos pelas eleições".

sábado, agosto 22, 2009

Afeganistão: Ocidente contra vergonhosa lei de Karzai?

Os países ocidentais deverão pedir a Harmid Karzai para anular uma lei aprovada esta semana e considerada digna dos próprios taliban. A nova legislação assinada por Karzai permite aos maridos afegãos recusar comida ou até abrigo às suas mulheres, se não os satisfizerem sexualmente.
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Afganistani Women Are Voting

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Fotos do Afeganistão

quinta-feira, agosto 20, 2009

A comunidade internacional fecha os olhos a isto...

Ficamos hoje a saber que uma Lei de Karzai promove a submissão das mulheres afegãs. Quando estamos em dia de eleições presidenciais no Afeganistão, nada melhor que recordar que foi aprovada uma lei que está a ser vista como um atentado aos Direitos Humanos. A lei aceita que os maridos condenem as mulheres à fome se se sentirem sexualmente insatisfeitos. O documento foi aprovado pelo Governo do presidente Karzai apoiado e financiado pela comunidade internacional.