Os dados e as perceções estão alinhados quando o tema é o preço da habitação. Com Portugal a ter a maior subida do preço das casas na União Europeia no segundo trimestre deste ano, há 97% das pessoas a considerar que o custo da habitação “piorou” ou “piorou muito”, de acordo com a sondagem GfK/ICS/ISCTE para o Expresso/SIC. Em seis meses, há uma subida de 15 pontos percentuais de pessoas a considerar que a situação “piorou” ou “piorou muito”(97% em 2026 face aos 82% da sondagem de abril de 2025). Esta avaliação é feita, de forma mais acentuada ainda, pelas pessoas entre os 25 e os 44 anos e que veem como “difícil ou muito difícil” viver com o rendimento do seu agregado familiar. Neste saco cabem simpatizantes de todos os partidos, incluindo do PSD (62%). Ainda que com propensão maior para os simpatizantes do Chega (71%) e do PS (70%).
Evolução percebida do custo da habitação no último ano
Percentagem em relação ao total da amostra
É este aumento do preço da habitação num ritmo muito superior ao dos salários que tem levado milhares para as ruas de Lisboa e do Porto. Apesar da maioria dos cartazes e das palavras de ordem serem contra Luís Montenegro, o Governo tem tentado passar as culpas para o PS. “Como podem culpar pela crise estrutural o atual Governo quando foi essa crise que nos legaram há dois anos e meio?”, lançou o primeiro-ministro, no debate do OE, após 10 dias de silêncio. Hugo Soares chegou mesmo a sugerir, na RTP, que os protestos têm antes como alvo o PS, já que a lei do arrendamento em vigor recua até aos governos socialistas — a proposta do atual Executivo ainda está em discussão na especialidade. Em sentido contrário, os socialistas acusam o Executivo de “desproteger” ainda mais os inquilinos com esta proposta, que contou com o Chega para dar o primeiro passo em frente, e esperam que os protestos sirvam de pressão para um recuo (Expresso, texto da jornalista Margarida Coutinho)


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