sexta-feira, outubro 30, 2026

Curiosidades: Soraya Manutchehri, a iraniana condenada à morte por apedrejamento

Uma mulher de 35 anos foi condenada à morte por apedrejamento depois que o próprio marido teria organizado uma falsa acusação de adultério para se livrar dela. O mais perturbador é que, segundo os relatos sobre o caso, dois de seus filhos participaram da decisão que levou à execução, e seu próprio pai esteve entre as pessoas que atiraram pedras. A vítima era Soraya Manutchehri, uma iraniana que vivia em uma pequena comunidade rural em 1986. Sua história se tornou conhecida internacionalmente depois que um jornalista investigou as circunstâncias de sua morte e revelou uma sequência de abusos, manipulações e acusações falsas.

Soraya era casada com Ghorban-Ali, um homem que desejava se casar com uma mulher mais jovem. Para isso, queria se separar sem assumir as responsabilidades financeiras que o divórcio poderia exigir. Soraya, que já enfrentava maus-tratos no casamento e tinha filhos para sustentar, não aceitava as condições impostas pelo marido.

Naquela época, ela trabalhava realizando tarefas domésticas na casa de um homem que havia ficado viúvo. Cozinhava, limpava e ajudava a manter a residência organizada, mas seu trabalho acabou sendo utilizado como pretexto para uma acusação de infidelidade.

Segundo a investigação realizada posteriormente pelo jornalista franco-iraniano Freidoune Sahebjam, o marido contou com a colaboração de outros homens da comunidade e de uma autoridade religiosa local para apresentar testemunhos falsos contra ela. A acusação foi levada a uma reunião formada por homens do vilarejo. Soraya praticamente não teve condições de se defender, e até seu silêncio diante das acusações foi interpretado como um indício de culpa. A decisão foi brutal: ela deveria morrer apedrejada. Um dos detalhes mais dolorosos registrados pelo jornalista é que dois dos filhos mais velhos de Soraya teriam participado da reunião que determinou sua condenação.

A execução aconteceu publicamente. De acordo com os testemunhos reunidos, a mulher foi enterrada até a altura dos ombros, deixando apenas a cabeça exposta, enquanto moradores eram convocados a lançar pedras contra ela. Entre os participantes estava seu próprio pai, apontado no relato como um dos primeiros a atirar uma pedra. Soraya morreu diante de pessoas com quem havia convivido durante anos, vítima de uma acusação que, segundo a investigação, havia sido construída para permitir que seu marido se livrasse do casamento.

A história poderia ter permanecido desconhecida fora daquela comunidade. Mas, aproximadamente duas semanas depois, o jornalista Freidoune Sahebjam passou pela região durante uma viagem pelo Irã. Ali, conheceu uma mulher chamada Zahra, apresentada como tia de Soraya, que decidiu contar o que havia acontecido. Seu testemunho levou o jornalista a investigar o caso mais profundamente.

Em março de 1987, Sahebjam retornou à comunidade para ouvir outras pessoas e reconstruir os acontecimentos. Por questões de segurança, decidiu não revelar a localização verdadeira do vilarejo, utilizando o nome fictício Kupayeh em sua obra. Em setembro de 1990, publicou na França o livro La femme lapidée, no qual apresentou a história baseada nos depoimentos que havia reunido.

Anos depois, o relato inspirou o filme O Apedrejamento de Soraya M., dirigido por Cyrus Nowrasteh, que levou a história ao conhecimento de um público muito maior. A produção dramatizou os acontecimentos descritos no livro, com algumas adaptações de personagens e detalhes. O caso se tornou um símbolo das consequências que acusações de adultério, desigualdades de poder e processos sem garantias adequadas de defesa podem ter sobre a vida de uma mulher.

O aspecto mais assustador da história de Soraya não foi apenas a violência da execução, mas o fato de que, segundo os testemunhos registrados, pessoas de sua própria família participaram dos acontecimentos que levaram à sua morte. Seu marido queria começar uma nova vida com outra mulher. Soraya acabou perdendo a própria vida depois de ser acusada de um crime que, conforme a investigação jornalística, não havia cometido (fonte: Facebook, Enfim, História)

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