quinta-feira, outubro 22, 2026

“A geografia não nos torna imunes”: NATO avisa Portugal que distância da Rússia não protege contra ameaças à segurança

A vice-secretária-geral da NATO, Radmila Shekerinska, defendeu que Portugal deve continuar a reforçar o investimento em Defesa, alertando que a distância geográfica em relação à Rússia não protege o país de diferentes riscos para a segurança. “A geografia não nos torna imunes a muitas ameaças”, afirmou a responsável durante a CNN Portugal Summit Strategic Transformation Lab, sublinhando que a prevenção e o reforço das capacidades militares são essenciais num contexto internacional cada vez mais complexo.

Shekerinska destacou a cibersegurança como um exemplo de uma vulnerabilidade que não depende de fronteiras físicas nem da localização dos países. Para a responsável, a melhor forma de evitar um conflito passa por garantir capacidade de defesa e demonstrar determinação. “A melhor forma de evitar um conflito é sendo forte”, declarou, defendendo que a NATO precisa de consensos alargados e de uma resposta coordenada para reforçar a resiliência da Aliança Atlântica.

A antiga ministra da Defesa da Macedónia do Norte considerou que a unidade entre os aliados é indispensável para responder à Rússia e a outros adversários. “Podemos travar a Rússia, podemos travar todos os nossos adversários, apenas se nos apresentarmos numa frente unificada. É o que a Aliança está a fazer”, afirmou. Shekerinska acrescentou que o investimento em Defesa deve funcionar como instrumento de dissuasão, evitando custos superiores no futuro: “Os nossos adversários não nos devem testar. E a melhor forma de fazer chegar esta mensagem não é através de discursos, é investindo em capacidade e mostrando tanto a unidade como a prontidão”.

A responsável elogiou também o compromisso de Portugal com a NATO e salientou o conhecimento nacional na área marítima como um contributo importante para a Aliança. Questionada sobre o risco de o aumento da despesa militar alimentar populismos, recordou as dificuldades que enfrentou, enquanto ministra, para convencer a população da Macedónia do Norte a investir mais na Defesa. Explicou que preferiu argumentar com a importância fundamental da segurança, em vez de usar a NATO como principal justificação: “Se não tivermos segurança, não temos nada”. Shekerinska evocou ainda a experiência histórica dos países bálticos e lembrou que a Europa conheceu guerras devastadoras ao longo dos séculos.

Sobre os sinais de uma eventual redução do apoio dos Estados Unidos à Ucrânia, a vice-secretária-geral sublinhou que a NATO reúne 32 aliados e que estes estão coordenados no objetivo de garantir que Kiev dispõe dos meios necessários para se defender e, quando chegar o momento de negociar, o possa fazer a partir de uma posição de força. “Continuamos a mandar equipamento militar para a Ucrânia porque sabemos que a nossa segurança depende do que acontecer na Ucrânia”, afirmou, recordando também o material militar norte-americano enviado para território ucraniano (Executive Digest)

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