Li no Dinheiro Vivo que “os nossos resultados não implicam que o sector público tenha de encolher para que o crescimento aumente. Existe potencial de aumento do crescimento reestruturando os impostos e a despesa de tal forma que os efeitos negativos no crescimento para uma dada dimensão do sector público são minimizados”. Esta é uma das frases que surge nas conclusões de um estudo que o FMI citou, na semana passada, para defender que é preciso cortar na despesa pública em Portugal para aumentar o crescimento da economia. “Governos [sectores públicos] grandes têm sido normalmente ligados a crescimento baixo” é a posição defendida pelo o Fundo no relatório que resultou da colaboração com o Governo. O trabalho dos economistas suecos Andreas Bergh e Magnus Henrekson, intitulado “Dimensão do governo e crescimento: pesquisa e interpretação da evidência”, que pode ser descarregado aqui, reconhece que há estudos que “tendem a encontrar uma relação negativa entre a dimensão do governo e o crescimento económico nos países ricos”, mas deixa bem claro que também há outros (cita os economistas "Lindert e Madrick") que concluem justamente o contrário. Os suecos reparam ainda que nem toda a despesa pública é má, dando o exemplo do investimento público, sobretudo nas pessoas (é o caso da educação e da formação). Aliás, o anterior governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, alertou em 2008 que “há vários proponentes de ideias que apontam para a redução do peso do Estado, normalmente medido pelo peso das despesas públicas no PIB, no pressuposto de que tal geraria um efeito de “crowding-out” onde a redução do peso do Estado libertaria recursos para outras áreas da economia mais produtivas. Este pressuposto tem grandes limitações”.