Segundo o Jornalista do Correio da Manhã, Miguel Alexandre Ganhão, "passados quatro anos após a nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), iniciou-se o processo que vai permitir saber quanto é que efetivamente o banco de Oliveira e Costa custou aos contribuintes portugueses. O Estado anunciou ontem as condições para venda dos ativos tóxicos do BPN, que somam mais de quatro mil milhões de euros. A sociedade pública Parvalorem dividiu a carteira de créditos em quatro lotes: créditos de empresas onde existam garantias (hipotecas), créditos de empresas sem qualquer garantia, créditos de particulares ou de empresários em nome individual com garantia (hipoteca) e créditos de particulares e empresários sem qualquer garantia. O Estado dá três anos às entidades vencedoras para vender os bens e os selecionados serão os que oferecerem a proposta financeira mais vantajosa. Falamos de centenas de carteiras de crédito que têm prédios, terrenos urbanizados, recheios de empresas, maquinaria e milhares de veículos automóveis, que com a crise económica registaram desvalorizações de 30, 40 e 50%. A avaliação de quatro mil milhões de euros poderá ficar reduzida a metade com a venda efetiva dos créditos, sobrecarregando ainda mais os contribuintes.
JOÃO TALONE E ANTÓNIO DE SOUSA NA CORRIDA
A carteira de créditos do BPN está a chamar a atenção de vários fundos de investimento e sociedades de recuperação de créditos. Entre as mais importantes encontram-se a Magnum Capital, de João Talone (ex-presidente da EDP), e a ECS Capital, fundada pelo ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) António de Sousa.Os próprios titulares dos créditos apostam na recompra do seu património por um preço mais barato"