José Sócrates está agastado com as notícias sobre movimentações no seio do PS visando a sua substituição e já decidiu passar ao contra-ataque. Esta estratégia, delineada por um restrito núcleo duro do governo e do PS, passaria pela sua recandidatura à liderança do PS e pela realização de uma remodelação governamental que “terá que aparecer de surpresa, por iniciativa dele, e não pressionada de fora para dentro” segundo me informaram. De acordo com estas minhas fontes Sócrates já decidiu efectuar uma remodelação mas está apenas a decidir o “timing”. Entre os principais conselheiros do primeiro-ministro há a noção de que as eleições legislativas serão antecipadas, provavelmente para Maio de 2011 e que o PS precisa de recuperar a sua imagem, contrariando o ciclo de descrédito das sondagens. Embora não se saiba nada de concreto sobre estas movimentações parece que Sócrates está a tentar convencer “duas figuras de proa, ligadas ao PS” para que aceitem o desafio de uma estreia ou de um regresso ao governo, reforçando a componente política e libertando Sócrates para um combate que ele pretende fazer na comunicação social tem do em vista a recuperação da imagem do governo e do PS. O problema tem a ver com o facto desses contactos não estarem a surtir efeito exactamente porque as pessoas acreditam que o actual governo socialista já caiu e que apenas por “questões de pormenor” esse desfecho não foi ainda concretizado. Nestas circunstâncias ninguém estaria disposto a aceitar um desafio que não ultrapassaria uns poucos de meses. Por outro lado, sustenta o núcleo duro socialista, um governo reforçado e remodelado, com José Sócrates mais liberto para o combate político, poderia inverter essa tendência expressa pelas sondagens. António Vitorino como ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros - cargo que Freitas do Amaral exerceu no primeiro governo socialista - seria uma das hipóteses pretendidas por Sócrates. Francisco Assis, líder parlamentar, por exemplo, é apontado como potencial candidato à pasta dos assuntos parlamentares transitando Lacão para outra área política. O período decorrente entre a aprovação final do OE-2011 e Janeiro de 2011 será decisivo para todas estas movimentações. A ideia que existe nos corredores socialistas é que a exemplo de Zapatero, em Espanha, também Sócrates, a remodelar, apostará num governo politicamente forte e apostado em vencer eleições.
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