quarta-feira, novembro 18, 2009

Ricardo Rodrigues (PS-Açores): a treta do costume

O Sr. Ricardo Rodrigues (PS): — … Gostaria de fazer um parêntesis — pois este debate e a «conjuntura» deste debate solicitam-no — para falar de regiões autónomas. Na verdade, há uma diferença evidente: falar dos Açores com nove ilhas é diferente do que falar da Madeira com duas ilhas. São realidades bem distintas, pelo que a Lei de Finanças das Regiões Autónomas repõe a justiça relativa entre as duas regiões, pondo cobro a essa injustiça que vigorava há décadas no nosso País. Recordo a todos que conhecem quer os Açores quer a Madeira que, na realidade açoriana, existem nove ilhas e por isso nove sistemas independentes de energia e por isso também pelo menos um centro de saúde em cada ilha e por isso também um aeroporto em cada ilha e por isso também muitos mais custos com a administração regional. Isto merece, e mereceu, naturalmente, a justiça deste Parlamento, ao reconhecer que se tratava de realidades diferentes. Nada temos contra a Madeira. E a diferença pode até ser a discriminação positiva para a Madeira, como já foi, Srs. Deputados. Recordo que, quanto à atribuição de créditos para pagamento de fornecedores, a Região Autónoma da Madeira, ainda recentemente, recebeu do continente 250 milhões de euros, enquanto a Região Autónoma dos Açores recebeu 50 milhões de euros.
Nada contra, Srs. Deputados! É justiça. Efectivamente, a Madeira deve muito mais do que os Açores — e deve porque a administração opera de forma desregrada, porque gasta o que não tem e porque ainda faz desse gasto uma forma orgulhosa de administrar os dinheiros públicos. Isso os Açores não fazem! Nos Açores administramos com parcimónia os dinheiros públicos; somos, e continuaremos a ser, uma região diferenciada da Madeira. (fonte: debate parlamentar de aprovação do programa do Governo socialista, 5 de Novembro de 2009)

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