A ONG Oxfam Internacional estima em 3,55 mil milhões de dólares em 2024 os montantes que escaparam aos impostos, escondidos em paraísos fiscais e contas não declaradas – o que equivale a uma verba que excede o valor da produção em França durante um ano. Possuir ativos em territórios offshore — jurisdições que oferecem vantagens fiscais a não residentes — não é crime em si, desde que as obrigações fiscais, mais rigorosas, sejam cumpridas. O problema surge quando esses ativos desaparecem sem deixar rasto. “As consequências são tão previsíveis quanto devastadoras: vemos hospitais e escolas públicas com financiamento insuficiente, um tecido social dilacerado pela crescente desigualdade e pessoas comuns arcando com o ônus de financiar um sistema criado para enriquecer uma minoria privilegiada”, lamenta Christian Hallum, chefe de Justiça Tributária da Oxfam Internacional, em comunicado divulgado pela ONG.
A organização estima em 3,55 mil milhões de dólares em 2024 os montantes que escaparam aos impostos, escondidos em paraísos fiscais e contas não declaradas – o que equivale a uma verba que excede o valor da produção em França durante um ano. Aqueles 0,1% deteriam 80% daquele montante, isto é, 2,84 mil milhões de dólares. De forma mais refinada, identifica-se que metade do montante em causa – 1,77 mil milhões de dólares – estaria nas mãos de 0,01%.
A organização reconhece que o volume total de riqueza offshore diminuiu na última década, mas também enfatiza que o progresso é extremamente desigual, por exemplo, porque os países do Sul não fazem parte do mecanismo de troca automática de informações bancárias. Portanto, insta os governos a tomarem medidas, incluindo o fortalecimento das autoridades fiscais, o avanço dos trabalhos da Convenção das Nações Unidas sobre a Cooperação Tributária e a criação de impostos específicos para garantir a tributação da riqueza extrema (Jornal Económico, texto da jornalista Bianca Marques)

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