Escreve a jornalista do Jornal I, Carolina Pelicano Falcão que “não é
nem restaurante nem bar, mas sim o sítio onde ir para degustar o que de melhor
há na ilha da Madeira. "As únicas coisas que aqui temos que não vêm da Madeira são o café, as
águas e os pastéis de nata." Triagem simples, directa e suficiente para
saber ao que vai, como se o nome não fosse já claro, quando entrar nos
"Sabores da Madeira", na Rua do Ouro, em Lisboa. "Isto não é um
restaurante, nem um café, nem um bar, o que faz com que as pessoas não venham cá
só almoçar ou jantar. Restaurantes, já há muitos", explica João Silva, um
dos sócios desta casa que abriu em Setembro. Combinando, então, as duas
sentenças, o resultado é bem simples: Sabores da Madeira oferece-lhe uma carta
para degustar cozinhados e sabores típicos da Ilha da Madeira, da sopa, à
carne, ao pão e às bebidas, sete dias por semana, a qualquer hora, tivessem o
apetite e o palato uma hora só sua. E já que falamos em carta, que venha ela.
Aqui poderá encontrar a típica e bem consistente sopa de trigo (2,50€); as
lapas em azeite, alho e limão (7€); o milho frito (1,80€); as carnes de vinho e
alhos (marinada típica madeirense, 4€), assim como os mais diversos pregos (a
partir dos 4€), de carne, atum ou peixe espada, como se come na ilha. Claro que
em bolo do caco, pão típico da madeira feito, entre outras coisas, com batata
doce. E se é certo que o bolo do caco se tem vindo a popularizar, até mesmo no
McDonald's o encontra, o que aqui poderá provar é feito em Lisboa por
madeirenses, garante João Silva. E os números que falem por si. "Acho que
devemos vender uma média de 900 bolos do caco por semana." Mesmo que não
peça um prego, o bolo do caco está garantido como acompanhamento para outros
pratos, sempre barrado em manteiga de alho (também caseira). Quando for escolher a
bebida para acompanhar a sua refeição saiba que ela terá também sabor insular.
E como tudo o que tem álcool na Madeira, tem muito álcool, escalemos as opções
de maneira mais amena, começando pelos refrigerantes Brisa, de produção madeirense,
praticamente inexistentes no continente. Maça, maracujá, limão e laranjada
estão entre as opções. Depois, há a cerveja Coral, a Nikita (uma mistura de
gelado de ananás ou baunilha com cerveja, vinho branco e pedacitos de ananás),
a Poncha (de limão e laranja, se for a tradicional, ou de maracujá, ambas com
água ardente de cana), os vinhos tintos, brancos e licorosos, tudo,
absolutamente tudo "made in" Madeira. "Temos aqui vinhos que são
absolutamente estrondosos, alguns deles são vinhos premiados", comenta
João. A fechar a carta estão as sobremesas, entre pudim de maracujá, queijadas
e bolos tradicionais. Enfim, um espectro de sabores madeirenses desde a
primeira garfada ou gole, é o que aqui se promete. João diz mais: "A
percepção que as pessoas têm da Madeira é que aquilo é uma ilha que tem duas ou
três casas, que tem chuvas e um senhor chamado Alberto João. E eu era uma dessa
pessoas, até lá ir. Só estando lá é que se percebe." A ideia surgiu por
acaso. Depois de muitos anos a trabalhar no McDonald's, um dia, em conversa com
um amigo madeirense, chegaram ao tema da crise e de como ajudar o país a
"andar para a frente". Foi então que decidiram criar o Sabores da
Madeira. Trata-se quase de uma homenagem à região e há até um ecrã onde só passam
imagens da Madeira. "Às vezes ponho uns filmes um pouco turísticos, com o
carnaval, o fogo de artifício. E também temos sempre música portuguesa a dar.
Por exemplo, esta parede aqui serve de karaoke", graceja João apontando
para a parede onde figura escrito o "Bailinho da Madeira", e onde
podemos ler (em versão abreviada): "E a Madeira é um jardim/ No Mundo não
há igual/ Seu encanto não tem fim/ a filha de Portugal". Directamente deste
jardim, saiba que aqui poderá encontrar produtos para levar para casa como bolos
de mel, rebuçados de funcho, mel de cana e até guias turísticos”
