domingo, janeiro 12, 2014

Sabores da Madeira: a ilha atracou no continente



Escreve a jornalista do Jornal I, Carolina Pelicano Falcão que “não é nem restaurante nem bar, mas sim o sítio onde ir para degustar o que de melhor há na ilha da Madeira. "As únicas coisas que aqui temos que não vêm da Madeira são o café, as águas e os pastéis de nata." Triagem simples, directa e suficiente para saber ao que vai, como se o nome não fosse já claro, quando entrar nos "Sabores da Madeira", na Rua do Ouro, em Lisboa. "Isto não é um restaurante, nem um café, nem um bar, o que faz com que as pessoas não venham cá só almoçar ou jantar. Restaurantes, já há muitos", explica João Silva, um dos sócios desta casa que abriu em Setembro. Combinando, então, as duas sentenças, o resultado é bem simples: Sabores da Madeira oferece-lhe uma carta para degustar cozinhados e sabores típicos da Ilha da Madeira, da sopa, à carne, ao pão e às bebidas, sete dias por semana, a qualquer hora, tivessem o apetite e o palato uma hora só sua. E já que falamos em carta, que venha ela. Aqui poderá encontrar a típica e bem consistente sopa de trigo (2,50€); as lapas em azeite, alho e limão (7€); o milho frito (1,80€); as carnes de vinho e alhos (marinada típica madeirense, 4€), assim como os mais diversos pregos (a partir dos 4€), de carne, atum ou peixe espada, como se come na ilha. Claro que em bolo do caco, pão típico da madeira feito, entre outras coisas, com batata doce. E se é certo que o bolo do caco se tem vindo a popularizar, até mesmo no McDonald's o encontra, o que aqui poderá provar é feito em Lisboa por madeirenses, garante João Silva. E os números que falem por si. "Acho que devemos vender uma média de 900 bolos do caco por semana." Mesmo que não peça um prego, o bolo do caco está garantido como acompanhamento para outros pratos, sempre barrado em manteiga de alho (também caseira). Quando for escolher a bebida para acompanhar a sua refeição saiba que ela terá também sabor insular. E como tudo o que tem álcool na Madeira, tem muito álcool, escalemos as opções de maneira mais amena, começando pelos refrigerantes Brisa, de produção madeirense, praticamente inexistentes no continente. Maça, maracujá, limão e laranjada estão entre as opções. Depois, há a cerveja Coral, a Nikita (uma mistura de gelado de ananás ou baunilha com cerveja, vinho branco e pedacitos de ananás), a Poncha (de limão e laranja, se for a tradicional, ou de maracujá, ambas com água ardente de cana), os vinhos tintos, brancos e licorosos, tudo, absolutamente tudo "made in" Madeira. "Temos aqui vinhos que são absolutamente estrondosos, alguns deles são vinhos premiados", comenta João. A fechar a carta estão as sobremesas, entre pudim de maracujá, queijadas e bolos tradicionais. Enfim, um espectro de sabores madeirenses desde a primeira garfada ou gole, é o que aqui se promete. João diz mais: "A percepção que as pessoas têm da Madeira é que aquilo é uma ilha que tem duas ou três casas, que tem chuvas e um senhor chamado Alberto João. E eu era uma dessa pessoas, até lá ir. Só estando lá é que se percebe." A ideia surgiu por acaso. Depois de muitos anos a trabalhar no McDonald's, um dia, em conversa com um amigo madeirense, chegaram ao tema da crise e de como ajudar o país a "andar para a frente". Foi então que decidiram criar o Sabores da Madeira. Trata-se quase de uma homenagem à região e há até um ecrã onde só passam imagens da Madeira. "Às vezes ponho uns filmes um pouco turísticos, com o carnaval, o fogo de artifício. E também temos sempre música portuguesa a dar. Por exemplo, esta parede aqui serve de karaoke", graceja João apontando para a parede onde figura escrito o "Bailinho da Madeira", e onde podemos ler (em versão abreviada): "E a Madeira é um jardim/ No Mundo não há igual/ Seu encanto não tem fim/ a filha de Portugal". Directamente deste jardim, saiba que aqui poderá encontrar produtos para levar para casa como bolos de mel, rebuçados de funcho, mel de cana e até guias turísticos”