Li no Dinheiro Vivo que "a agência de notação financeira Fitch considerou hoje que se Banif não tivesse sido apoiado pelo Estado Português em mais de mil milhões de euros teria entrado em incumprimento e reafirmou a nota de crédito do banco em 'BB'. A reafirmação pela Fitch do 'rating' [avaliação] do Banif acontece depois de, a 31 de dezembro, o Governo ter anunciado que o Estado português vai injetar mais de mil milhões de euros no banco. A nota do Banif continua, assim, um nível abaixo do 'BB+' atribuído à República portuguesa, com perspetiva negativa. "Portugal tem apoiado os seus bancos, injetando se necessário capital dos 12 mil milhões de euros disponíveis para a recapitalização do setor bancário no âmbito do programa de apoio do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia", lê-se no comunicado. Já o 'rating' de viabilidade (uma das componentes da avaliação de risco) do Banif foi revisto em baixa de 'c' para 'f'. "De acordo com as definições e critérios de 'rating' da Fitch, o Banif falhou e teria entrado em incumprimento se não recebesse apoio extraordinário", considera a empresa de notação de créditFitch diz ainda que vai voltar a avaliar o 'rating' de viabilidade do Banif depois de o Estado injetar o capital na instituição madeirense, alterando-o para um "nível compatível com o seu perfil de crédito", que a Fitch acredita que poderá ser um 'b'. Já a dívida subordinada do Banif e as ações preferenciais foram reafirmadas como 'C', tendo em conta segundo a Fitch que, com o "fraco perfil financeiro" do Banif, há um "elevado risco de incumprimento associado a estes instrumentos de dívida". O Governo anunciou, a 31 de dezembro, a injeção de 1.100 milhões de euros no Banif com vista a recapitalizar o banco, sendo 700 milhões de euros através da subscrição de ações especiais e 400 milhões de euros em instrumentos de dívida convertíveis em ações (as chamadas 'CoCo' bonds). Com esta operação, que será concretizada depois da assembleia-geral do banco, marcada para 16 de janeiro, o Estado ficará então dono de 99,2% das ações do Banif e de 98,7% dos direitos de voto. Depois deste passo, de acordo com o plano de recapitalização acordado com as Finanças e o Banco de Portugal, o Banif terá de levar a cabo, até final de junho, um aumento de capital direcionado a acionistas privados com o objetivo de atingir pelo menos 450 milhões de euros. Se essa meta for cumprida, o Estado reduz a sua participação para 60,6% das ações e 49,4% dos direitos de voto, regressando então o controlo do Banif para mãos privadas. No entanto, para já, apenas há o compromisso de subscrição de 100 milhões de euros por parte dos principais acionistas do Banif -- a Rentipar Financeira e o grupo Auto-Industrial -- e a garantia de tomada firme de 50 milhões por parte do BES. O plano de investimento público no Banif permite que este fique com um rácio 'core tier 1' (a medida mais eficaz de avaliar a solvabilidade de um banco) de cerca de 12%, superior aos 10% exigidos pelo Banco de Portugal"