"1.As perspetivas para a economia portuguesa em 2013 e 2014 continuam a ser marcadas pelo processo de ajustamento dos desequilíbrios macroeconómicos estruturais, nomeadamente pelo impacto imediato das medidas de consolidação orçamental, assim como de condições de financiamento restritivas, no quadro do processo de desalavancagem ordenada e gradual do sector bancário e de persistência de tensões associadas à crise da dívida soberana na área do euro.
2.As projeções apontam para uma contração de 1.9 por cento do PIB em 2013 (queda de 3.0 por cento em 2012, ver Quadro). Para 2014 projeta-se um aumento da atividade económica de 1.3 por cento, num contexto em que não foram consideradas medidas de consolidação orçamental para além das incluídas no OE2013. Os riscos da projeção da atividade económica são descendentes, com especial incidência em 2014 e decorrem, nomeadamente, do facto de apenas se considerarem medidas orçamentais já aprovadas ou anunciadas e suficientemente detalhadas.
3.Em 2013, a implementação das medidas de consolidação orçamental incluídas no OE2013 contribuirá para uma queda significativa do rendimento e da procura interna. A contração da atividade económica é mitigada pela evolução relativamente favorável das exportações, num contexto de crescimento virtualmente nulo da procura externa (à semelhança do observado em 2012).
4.O crescimento económico projetado para 2014 assenta numa recuperação moderada da procura interna, sustentada pelo aumento do rendimento disponível e por uma melhoria das perspetivas da procura. Esta evolução será acompanhada por um aumento das exportações, assente na recuperação da atividade económica mundial.
5.A alteração da composição da despesa agregada tem-se traduzido num ajustamento rápido das necessidades de financiamento externo da economia portuguesa. O saldo da balança corrente e de capital passou de um défice de 9.4 por cento do PIB em 2010 para uma situação próxima do equilíbrio em 2012. A atual projeção aponta para a continuação da melhoria da balança de bens e serviços, para a qual se projetam excedentes de 3.1 e 4.1 por cento do PIB em 2013 e 2014, respectivamente.
6.A inflação deverá estabilizar em torno de 1 por cento ao longo de 2013-2014 (reduzindo-se face a 2.8 por cento em 2012). Este abrandamento dos preços iniciar-se-á já no início de 2013, à medida que se dissipam os efeitos do aumento da tributação indireta e dos preços de bens administrados registados no início de 2012. A avaliação de riscos aponta para a possibilidade de um nível de inflação superior ao projetado, em particular para 2014, sobretudo se forem adotadas medidas de consolidação com impacto sobre os preços no consumidor.
7.Estas projeções implicam uma revisão em baixa das perspetivas de crescimento do PIB em 2013 face ao Boletim Económico de Outono, que reflete, essencialmente, a materialização do risco então identificado de um crescimento económico mundial menos favorável. A materialização deste risco teve um impacto negativo sobre o crescimento projetado das exportações e, consequentemente, da atividade económica.
8.O grande desafio com que Portugal está confrontado é o de promover o desenvolvimento económico num novo quadro institucional. A implementação coerente de reformas e a redefinição do papel do Estado são fundamentais para estimular o investimento, a inovação e o progresso técnico, sem os quais não existirá desenvolvimento económico. O desafio do desenvolvimento económico passa pela mobilização dos agentes para a necessidade e benefícios de reformas que assegurem níveis de bem-estar compatíveis com a manutenção do consenso institucional e da coesão social
Banco de Portugal, 15 de janeiro de 2013"
