quarta-feira, agosto 06, 2008

Afinal o que divulgou o INE? (III)

Os resultados obtidos revelam que, se por um lado, o fosso entre a região que gerou maior e a que gerou menor produto per capita é tendencialmente crescente no período de 1995 a 2006, por outro lado, as assimetrias regionais das regiões menos desenvolvidas diminuem ao longo do período em análise, conforme denota a aproximação do mínimo e do percentil 25 à mediana e ao percentil 75. Em 1995, a região mais desenvolvida (Grande Lisboa) situava-se 88% acima do PIB per capita mediano e a região menos desenvolvida (Serra da Estrela) 41% abaixo, regiões que correspondiam respectivamente ao máximo e mínimo observados. No final do período em análise, embora o PIB per capita mínimo se aproxime da Mediana, distando apenas 34%, a Grande Lisboa alcança um posicionamento 98% acima, aumentando o fosso entre o PIB per capita máximo e mínimo. Nos anos intermédios, registam-se dois picos de agravamento desse fosso: em 2000 e 2001, bem como em 2004 e 2005. O grau de coesão regional pode ainda ser avaliado através de outra medida de dispersão, habitualmente utilizada pelo Eurostat na divulgação dos resultados, que corresponde ao desvio absoluto médio ponderado pela população das regiões. Embora apresentando alguma irregularidade este indicador evidencia uma trajectória ligeiramente crescente. A figura 1.5 apresenta os índices de disparidade do PIB per capita de cada uma das regiões portuguesas face à média da União Europeia a 27 países (UE 27) e à média da União Europeia a 15 países (UE 15), anterior aos dois últimos processos de alargamento. O índice relativo a Portugal era de 75, em 1995, e 74, em 2006, por referência à UE 27 e de 69 e 70, respectivamente em 1995 e 2006, para a UE 15.
Em 1995 e 2006, apenas Lisboa superou, em 4%, a média europeia do PIB per capita, no caso da UE 27, ficando um pouco abaixo, 5%, em 1995, e 2%, em 2006, no que se refere à UE 15. Verificou-se uma evolução extremamente positiva do índice na RAM e negativa no Norte, tanto relativamente a UE 15 como para a UE 27, como mostra a figura. As restantes regiões registaram melhorias ligeiras a nível da UE 15, sendo que para a EU 27, a região de Lisboa manteve o índice nos dois anos, tendo aumentado ligeiramente no Alentejo e mais significativamente na RAA e diminuído um pouco no Centro e no Algarve.

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