Com o conflito na Ucrânia, as raízes mais profundas da globalização estão ser expostas, mostrando que esta pode ser usada como uma arma de guerra muito persuasiva na batalha por novas despensas globais, escreve hoje o jornal ‘ABC’. A somar-se a essa panóplia de interesses, está uma grave crise energética, uma pandemia ainda não ultrapassada, a falta de grãos e fertilizantes, a interrupção dos circuitos logísticos e um grave problema climático com cheias e secas crescentes. Todos eles, como um efeito dominó, põem em risco a segurança alimentar e destroem o conhecido status quo, uma vez que “definitivamente, a globalização da guerra será feita através dos sistemas agrícolas e alimentares”, sublinha José Matos, analista do Deciphering the War, citado pelo jornal. E o poder alimentar, que é a capacidade dos países ganharem influência através da alimentação, será determinante e mudará nos próximos anos. Por isso, “cada país, tanto exportador como importador líquido de alimentos, procura literalmente a vida”, acrescenta.
