O caminho de Mário Centeno até ao Banco de Portugal (BdP) está cheio de obstáculos, tanto políticos como de calendário. Saindo ou não para governador, há uma promessa de anos que o ministro das Finanças não vai cumprir nesta sessão legislativa: fazer a reforma da supervisão financeira, que continua sem sair do papel. Uma reforma que, na versão que Mário Centeno apresentou em 2019, retira privilégios ao governador. O dilema é duplo: Centeno não se pode nomear a si próprio e também não fará uma reforma que o poderá condicionar. Será um mês e meio agitado para os lados do Terreiro do Paço e nem todos os astros se alinham para cumprir a vontade de Mário Centeno no sentido de mudar de cadeira, de ministro das Finanças para governador do BdP. Por enquanto, o ministro prepara o Orçamento suplementar, e essa poderá ser a sua última tarefa a nível nacional, deixando para o seu sucessor a preparação do Orçamento do Estado para 2021, que normalmente começa ainda no verão. A data marcada para que tudo se decida, a primeira quinzena de julho, marca também o fim da sessão legislativa, e assim não será apresentada pelo Ministério das Finanças a reforma da supervisão financeira, confirmou o Expresso.