sexta-feira, maio 16, 2008

Turismo: para quando a estabilidade na promoção?

Segundo o DN da Madeira, ficamos a saber hoje que “não se afigura pacífica a assembleia-geral da Associação de Promoção da Madeira, agendada para segunda-feira. Porque a alteração de estatutos promete acender a guerra entre os pequenos e grandes empresários, suscitando o debate, de novo, da ingerência do Governo Regional e da Associação do Comércio e Industria do Funchal (ACIF) na gestão da Associação de Promoção da Madeira”. Isto porque, diz o jornal, “depois de uma assembleia-geral polémica em Janeiro, onde a maioria dos associados recusou o aumento da sua quota, de modo a subscrever a comparticipação privada, obrigatória, do Fundo de Apoio às Rotas Aéreas, a verdade é que no ar ficou a ameaça de alteração dos estatutos, de modo a que os sócios fundadores - ACIF e Governo Regional -, bem como os grandes 'players' regionais (Grupo Pestana, Porto Bay, etc.), pudessem ter um peso preponderante na votação do Plano e Orçamento, não ficando reféns da conjugação dos interesses dos associados de mais pequena dimensão”. Ou seja, esclarece o DN madeirense, “segundo os elementos recolhidos, a proposta de alteração de estatutos vai garantir aos sócios fundadores, ou seja, à ACIF e ao Governo Regional, 40% dos votos, sendo esta a forma encontrada por Conceição Estudante e Francisco Santos para que o maior grupo hoteleiro português (Grupo Pestana) ou os grandes grupos e empresários do sector não estejam à mercê do voto do "Zé da Tasca da Esquina", expressão utilizada por Alberto João Jardim para contestar o que estava consagrado: um sócio, um voto”. Eu não vou comentar mais o tema porque não estou totalmente identificado com o que se passa. O que posso referir, a título meramente opinativo e pessoal, é que vai sendo tempo de se estabilizar, de uma vez por todas, as questões relacionadas com a promoção do turismo na Madeira, não só porque se trata da nossa principal actividade económica - e provavelmente aquela da qual a Madeira a curto prazo passará a depender - mas também porque o turismo tem que deixar de ser encarado como uma espécie de pequeno "quintal", constituído por pequenos "quintalinhos", todas à guerra uns com os outros. Ou a Madeira garante uma promoção eficaz, com todos a trabalhar sem egoísmos para um objectivo comum, ou a concorrência, cada vez mais forte, vai prejudicar-nos. E depois será tarde. Pessoalmente gostava de saber qual o valor da promoção turística da região este ano (2008) e qual o montante, desse total, que será da responsabilidade do sector público e qual a comparticipação dos privados. E, já agora, qual o volume do investimento promocional que as unidades hoteleiras, e operadores turísticos locais, por sua iniciativa própria, gastam todos os anos. Seria interessante ficarmos na posse destes indicadores para então podermos emitir uma opinião mais fundamentada. Quando falo em promoção falo apenas na externa, junto dos mercados geradores de turismo para a Região. Isto porque o jornalista Miguel Cunha do DN, autor da peça em questão, diz que "o orçamento da AP-Madeira ser reforçado, pois passa a ter de promover a Região em todos os mercados. De acordo com o Governo Regional, o turismo conta com 25 milhões de euros - 6 milhões na AP-Madeira e 19 milhões através do Orçamento Regional -, considerando os governantes que todos os investimentos feitos - festas, iluminações, apoios a eventos, etc. - são contributos para a promoção. Um olhar mais cuidado aos números permite ler outra realidade. A Associação de Promoção só conta com 3,8 milhões de euros para acções de promoção para um mercado de 16 países, que garante 70% dos turistas que nos visitam. O restante é para gastos de funcionamento e para o Fundo de Apoio às Rotas (um milhão de euros), que permitiu a contratualização da easyJet - com voos de três aeroportos do Reino Unido - e mais recentemente de Oslo e Paris".

Sem comentários: