sexta-feira, maio 16, 2008

A propósito de uma visita (?) de José Sócrates à Madeira

Li hoje no DN local uma noticia curiosa – com o título “Ninguém desafiou Sócrates para visitar a Madeira” - mas intrigante. Escreve o jornalista Ricardo Oliveira: "Ao contrário. Ninguém me falou nisso". Esta foi a resposta fugidia de José Sócrates quando questionado ontem pelo DIÁRIO sobre a eventualidade de ter sido desafiado pelos madeirenses residentes na Venezuela a visitar brevemente a Região”. Depois de sublinhar que “também fica claro que por parte do primeiro-ministro a vontade de uma deslocação oficial à Madeira”, Oliveira, citando fontes governamentais garante que o gabinete de José Sócrates “trabalha para que a visita ocorra, mas de forma a que o poder regional não tenha interferências no programa, nem motivos para exibicionismos de Jardim e seus pares à custa do Chefe do Governo. "Deve ser um momento de Estado". Para que se evitem confusões quero desde já salientar que considero que seria importante para a Madeira e para o relacionamento institucional desta com o Governo da República, uma visita oficial do primeiro-ministro. Acho, seja-me permitido, que no actual quadro - e não consigo deixar de ser pragmático e realista - que existem "pontes" que terão que ser lançadas, dando continuidade ao trabalho já realizado, ou explorando novas potencialidades, para que uma proximidade seja possível. Eu sei que entre Alberto João Jardim e José Sócrates, provavelmente por uma questão de feitio, dirão alguns, mas sobretudo por razões de ordem política, dificilmente os veremos remar para o mesmo lado. Nem a isso são obrigados, como é normal. Ninguém obriga dois políticos de partidos diferentes que por razões que não vou agora recordar, cavaram entre si um fosso aparentemente intransponível, a terem que abdicar das suas diferenças e a optarem pela hipocrisia de mostrarem o que não são. Mas o respeito pela diferença, inclusivamente de pensamento, não pode, não deve, melhor dizendo, impedir que o relacionamento institucional entre a Região e a República se normalize. A Madeira sabe que nunca terá da parte de Lisboa - e no passado isso já aconteceu - o que pede, mesmo com governos do PSD na capital. Mas Lisboa também sabe, provavelmente pelo passado e pela "tradição", que as regiões Autónomas dificilmente deixarão de insistir em reivindicar sempre mais, em nome de uma insatisfação que acredito José Sócrates compreende seja perfeitamente admissível e lógica. Portanto, ressalvando esta questão preliminar, acho que José Sócrates deveria visitar a Madeira e fazendo-o com base num programa oficial que não fosse elaborado à margem do governo regional, mas procurando, tanto quanto possível, conciliar várias ideias, sem hostilizar órgãos de governo próprio que têm a legitimidade do voto popular A mesma legitimidade que o governo socialista, saído da actual maioria parlamentar do PS, tem por ter sido essa a vontade do eleitorado em Fevereiro de 2005. Transformar uma eventual visita num foco de conflitualidade ou hostilizar deliberadamente o Governo Regional, que certamente estaria indisponível para colaborar (e que recusa protagonismos ainda por cima quando precisa é de entendimentos e de reabrir portas de diálogo), em minha opinião, seria um erro. Salvo se o primeiro-ministro pretendesse visitar oficialmente a Madeira para deslocar-se aos serviços dependentes do Governo da República e a funcionarem entre nós. É por tudo isto que, respeitando as fontes do jornalista, recuso acreditar que exista alguma consistência nas declarações das tais "fontes governamentais". Mas não tenho a certeza.

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