A inteligência artificial (IA) tornou-se, em poucos anos, uma presença constante no quotidiano de milhões de pessoas, com aplicações que vão desde a automatização de tarefas até à resolução de problemas complexos. A inteligência artificial (IA) tornou-se, em poucos anos, uma presença constante no quotidiano de milhões de pessoas, com aplicações que vão desde a automatização de tarefas até à resolução de problemas complexos. No entanto, especialistas em cibersegurança alertam para os riscos de partilha de informação sensível com estas ferramentas, especialmente considerando que os dados podem ser armazenados e acedidos por pessoas, não apenas por máquinas.
Zöe Hitzig, investigadora principal da OpenAI, deixou recentemente a empresa responsável pelo ChatGPT, citando divergências sobre o rumo da companhia, nomeadamente sobre os potenciais usos comerciais do “arquivo mais vasto da história com pensamentos íntimos”, acumulado a partir das conversas dos utilizadores. A especialista destaca que muitos utilizadores partilham informações de forma inocente, sem perceber que estas poderão ser usadas para criar perfis pessoais com fins comerciais. A ciberespecialista María Aperador explicou que há conteúdos que nunca devem ser partilhados com sistemas de IA. “É fundamental não revelar problemas de saúde mental ou dados médicos, porque, embora a IA possa oferecer informação geral, apenas profissionais qualificados têm a competência e o segredo profissional para interpretar e aconselhar corretamente”, afirmou.
Além disso, Aperador alerta para a proteção de dados financeiros e credenciais de acesso. “Mesmo algo aparentemente simples, como enviar uma captura de ecrã para a IA, pode inadvertidamente expor números de conta, passwords e outras informações bancárias”, sublinhou. O mesmo aplica-se a documentos legais com nomes de pessoas, moradas, números de identificação ou qualquer outro dado pessoal relevante. Outro cuidado crítico é evitar o envio de fotografias ou capturas de ecrã. A IA tem capacidade para extrair informações completas dessas imagens, aumentando o risco de exposição de detalhes pessoais que poderiam ser usados de forma indevida.
O crescimento acelerado da IA nos últimos dois anos, passando de tecnologia desconhecida para ferramenta indispensável no dia a dia, tornou ainda mais urgente a consciencialização sobre estas vulnerabilidades. Embora ofereça vantagens significativas, a utilização responsável exige prudência e conhecimento dos limites da tecnologia, sobretudo no que toca à proteção da privacidade (Executive Digest, texto do jornalista Pedro Gonçalves)

Sem comentários:
Enviar um comentário