Segundo os jornalistas do Económico, MARTA MARQUES SILVA E TIAGO FREIRE, "a empresa sediada nos EUA declarou falência a 14 de Abril e enfrenta agora, entre outras, a acusação de fraude, através de um esquema piramidal que operava desde 2012. Na lista dos 30 maiores credores da Telexfree estão quatro "promotores" com morada em Portugal - três dos quais na ilha da Madeira. Em resposta ao Diário Económico, a Procuradoria-Geral da República informa que se "encontra a acompanhar as questões relacionadas com este fenómeno, procedendo à recolha de elementos para adoptar procedimentos adequados no âmbito das suas competências". Paola Zolla Alecci, líder da Telexfree em Portugal - e a única dos quatro domiciliados em Portugal mas com nacionalidade estrangeira - é a décima na lista dos maiores credores da empresa e, numa carta endereçada à administração da Telexfree, já terá prescindido dos valores inscritos nesta lista, que no seu caso, ascendem 456.342 dólares (cerca de 331.000 euros). Nesta carta, publicada ontem pela Associação Nacional dos Divulgadores em Empresas de Marketing Multi Nível, no Brasil, Paola Alecci diz que: "Deixo de livre vontade esse saldo para a recuperação da nossa empresa, empresa esta que mudou a vida de milhares de famílias na ilha da Madeira e não só". Adiantando que: "Quero sim, que a Telexfree continue para que as famílias que ainda não receberam nada, possam ter o privilégio de participar numa empresa como a nossa". Entre os outros três portugueses que integram esta lista dos maiores credores estão inscritos valores que superam um milhão de dólares. A empresa, fundada por um imigrante brasileiro nos EUA, apresentava-se como um operador de telecomunicações sobre internet (VoIP) e dirigia originalmente as suas operações, principalmente, às comunidades de emigrantes, nomeadamente brasileiros e dominicanos residentes nos EUA. Nos últimos anos os seus responsáveis negaram repetidas vezes o esquema piramidal, alegando que a empresa vendia um produto real. "Não é, nem nunca foi, um esquema ilegal devido às vendas do serviço VoIP", argumentava Carlos Costa, um dos responsáveis da empresa, num vídeo datado de 15 de Agosto de 2013. Adiantando que: "Não dependemos de novas entradas para pagar a quem já está dentro". Declarações como esta constam da acusação formulada pelo regulador norte-americano, no dia seguinte à declaração de falência da Telexfree. Neste documento, a SEC afirma que as vendas do serviço VoIP - cerca de 1,3 milhões de dólares - cobrem pouco mais de 1% das responsabilidades com os seus "promotores", quase 1,1 mil milhões de dólares. A SEC observa ainda que a empresa não fazia depender os pagamentos prometidos a estes "promotores" das vendas do serviço, mas apenas da colocação de anúncios na internet e da captação de novos "promotores". A empresa prometia ganhos superiores a 200%, que em alguns casos podiam chegar aos 39.600 dólares por mês. O número oficial de "promotores" portugueses não é conhecido. No entanto a página exclusiva de Facebook da Telexfree Portugal conta com 3.343 membros, além de existirem outros grupos locais. Um deles, com mais 40 membros, a TELEXTEAMPT, explica no seu site que a actual situação se prende apenas com a necessidade de "paralisar as actividades temporariamente, reestruturar a empresa, e voltar com mais produtos e serviços". E citam Carlos Costa, director da marketing da empresa, que "garantiu que todas as comissões atrasadas, (...) seriam pagas quando as actividades voltassem".