domingo, março 14, 2021
Clima: Aquecimento global empurra regiões tropicais para os «limites da habitabilidade humana»
A crise climática está a empurrar as regiões tropicais do planeta para os limites da habitabilidade humana. O aumento do calor e da humidade ameaçam colocar grande parte da população do mundo em condições potencialmente letais, de acordo com um novo estudo. Se os governos não conseguirem limitar o aquecimento global a 1,5ºC , as áreas na faixa tropical que se estendem em ambos os lados do equador correm o risco de se transformarem num novo ambiente que atingirá “os limite da habitabilidade humana”, adverte o estudo publicado na Nature Geoscience.
A capacidade de os seres humanos regularem o seu calor corporal depende da temperatura e humidade do ar à volta. Temos uma temperatura corporal que permanece relativamente estável a 37º C, enquanto a nossa pele é mais fria para permitir que o calor flua. Mas se a temperatura do bulbo húmido – uma medida da temperatura e humidade do ar – passar dos 35ºC, o corpo é incapaz de se arrefecer a si próprio, com consequências potencialmente mortais.
Clima: Subida do nível do mar vai afetar as cidades costeiras quatro vezes mais depressa
Os impactos da subida do nível do mar vão ser sentidos quatro vezes mais rápido pelas pessoas que vivem nas maiores cidades costeiras do mundo, de acordo com uma avaliação científica publicada na Nature Climate Change. É a segunda análise num mês a mostrar que as economias costeiras são mais vulneráveis do que se pensava anteriormente ao perigo da subida do nível médio das águas do mar. A extração de água e de outros recursos subterrâneos das cidades, incluindo Jacarta, Nova Orleães e Xangai, está a fazer com que se afundem lentamente. Trata-se de um fenómeno chamado subsidência e que resulta, por exemplo, em maiores riscos de cheias.
“Devido à coincidência com os grandes centros populacionais, a subsidência tem implicações sociais e económicas globais”, indica a investigação revista por cientistas da China, França, Alemanha e Reino Unido. Estes resultados indicam que os impactos e as necessidades de adaptação são muito mais elevados do que se pensava.
Conheça o Top 10 dos principais paraísos fiscais do mundo (dois pertencem à UE)
Três territórios ultramarinos do Reino Unido estão no pódio da lista dos
paraísos fiscais mais importantes do mundo, seguidos depois pela Suíça, Holanda
e Luxemburgo, de acordo com um relatório do Tax Justice Network, um grupo de
investigadores em matéria fiscal, citado pelo ‘The Guardian.
As Ilhas Virgens Britânicas foram classificadas como “o maior facilitador de abusos fiscais corporativos”, com as Ilhas Caimão em segundo lugar e as Bermudas em terceiro. Os Emirados Árabes Unidos foram uma estreia neste Top 10, na sequência de uma nova investigação ter descoberto que o país beneficiou de 250 mil milhões de dólares de fundos multinacionais encaminhados pela Holanda.
O relatório mostra ainda que os Emirados Árabes Unidos (EAU) surgiram como um novo destino para empresas multinacionais que operam em África e no Médio Oriente. A África do Sul foi destacada como um dos maiores perdedores com as empresas a transferir os seus lucros para os EAU. Um porta-voz do Tax Justice Network disse que os paraísos fiscais estão a prosperar e que os esforços para resolver o problema coordenados pela OCDE fracassaram.
Dereje Alemayehu, coordenador executivo da Aliança Global para Justiça Tributária indicada ao Prémio Nobel da Paz, disse que as conclusões do relatório mostram que as maiores economias do mundo estão a ajudar as empresas a evitar 245 mil milhões de dólares em impostos.
Sondagem: Quase metade dos europeus sem interesse em discutir futuro do bloco
Quase metade dos cidadãos da União Europeia (UE) não tem interesse em
participar num exercício de discussão em todo o continente sobre o futuro do
bloco, de acordo com uma nova sondagem, citada pelo ‘Euronews’.
A sondagem do Eurobarómetro revelou que 48% dos europeus são contra a ideia de participar na ‘Conferência sobre o Futuro da Europa’ – uma consulta pública em massa organizada pelas três instituições da UE para determinar o que os cidadãos querem do projeto europeu. A conferência, proposta pela primeira vez pelo presidente francês Emmanuel Macron antes das eleições europeias de 2019, estava prevista para começar em maio do ano passado, mas foi suspensa até este momento devido a lutas institucionais sobre quem deveria liderá-la. Os presidentes das três instituições europeias assinaram uma declaração conjunta esta quarta-feira no Parlamento Europeu, assinalando o início da consulta pública. Eric Mauric, da Fundação Robert Schuman, que se foca em questões do bloco, indica que a ideia do projeto é ouvir o mais amplo leque de opiniões possível.
“O desafio é ouvir toda a gente, ouvir o maior número possível de
europeus e tentar fazer um inventário comum dos desafios que a União Europeia
enfrenta, para tentar ter uma visão comum ou, pelo menos, uma visão homogénea
das expectativas, não apenas dos seus governos, mas também dos seus
representantes económicos ou políticos e dos próprios cidadãos”, explicou o
responsável citado pelo ‘Euronews’ (Executive Digest, texto da jornalista Simone
Silva)
Descodificador Expresso: Idade da reforma: desce ou sobe?
Aumento da mortalidade, por causa da pandemia de covid-19, vai levar a
um recuo na idade da reforma. Mas antes ainda subirá.
1 - O que muda na idade da reforma?
Em 2022 vai subir. Foi publicada a portaria do Ministério do Trabalho,
Solidariedade e Segurança Social (MTSSS), que confirma o aumento de um mês face
a 2021, para os 66 anos e sete meses. Uma subida que o Expresso já tinha
avançado, a partir dos dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística
(INE). Mas os dados definitivos do INE só serão divulgados em maio. Já em 2023,
os especialistas apontam para uma descida da idade da reforma. O jornal
“Público” noticiou que pode recuar para os 66 anos e cinco meses, citando Vítor
Junqueira, diretor do Centro Nacional de Pensões. Especialistas ouvidos pelo
Expresso apontam também para uma redução, pela primeira vez. É o caso de Maria
João Valente Rosa, demógrafa e professora da Universidade Nova de Lisboa, e
Filipe Ribeiro, sociólogo e professor da Universidade de Évora.
2 - Porque é que deve descer?
Por más razões. A explicação para a provável descida da idade da reforma está no aumento da mortalidade associada à pandemia, seja de forma direta — mortes por covid-19 —, seja de forma indireta — mortes por outras patologias, em virtude da redução de consultas e diagnósticos. Um incremento da mortalidade que afetou, sobretudo, os escalões etários mais avançados, devendo levar a uma redução da esperança de vida aos 65 anos. Ora, este é o fator que determina a evolução da idade legal para aceder à pensão de velhice. Essa idade passou dos 65 anos para os 66 anos em 2014, com o Governo de Pedro Passos Coelho, passando depois a ser atualizada anualmente, em linha com a evolução dessa esperança de vida. Por isso, tem vindo a subir sucessivamente, em regra, um mês por ano. Contudo, em 2020, pela primeira vez, manteve-se inalterada.
Descodificador Expresso: Quantos fundos têm as empresas?
Repartição dos fundos europeus do Plano
de Recuperação abre “guerra de números” entre o Governo, os empresários e a
oposição
1 - Quantos apoios tem o Plano de
Recuperação e Resiliência?
No Plano de Recuperação e Resiliência
(PRR) estão diretamente reservados às empresas €4,6 mil milhões até 2026, diz o
primeiro-ministro. António Costa destaca €1250 milhões para capitalização das
empresas, €1209 milhões para agendas de reindustrialização, €650 milhões para
digitalização, €370 milhões para a criação de emprego ou €715 milhões para a
descarbonização da indústria, a que se somam os apoios às energias renováveis e
à eficiência energética das empresas. Já o ministro do Planeamento, Nelson de
Souza, estima em “perto de €10 mil milhões” o estímulo que o PRR provocará na
procura interna dirigida às empresas, seja em obras públicas e aquisição de
serviços tecnológicos e equipamentos da mais diversa natureza.
2 - Qual a fatia do PRR que cabe afinal
aos empresários?
As contas não são fáceis de fazer, pois, entre os €13,9 mil milhões de subsídios e os €2,7 mil milhões de empréstimos do PRR, há várias componentes que se destinam tanto ao sector público como ao sector privado. Mas que as empresas perdem definitivamente para o Estado, disso não há dúvidas. Segundo a Confederação Empresarial de Portugal (CIP), às empresas caberá entre 28% a 35% do PRR, mesmo fazendo as contas por cima. Em causa estarão 30% dos subsídios à transição climática ou 26% dos subsídios ao digital. E só 16% dos subsídios à resiliência vão para investimento e inovação. Quanto à economia e sua competitividade, a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal alerta que as empresas só receberão 24% das verbas a fundo perdido.
Se o governo dos Açores tremer, PAN segura-o
Ventura pode retirar confiança política a deputados. PAN chumba eventual
moção de censura ao Governo, André Ventura rumou esta semana aos Açores e, pela
segunda vez em pouco mais de um mês, o governo regional fica sob ameaça. O
líder nacional do Chega já tinha esta deslocação ao arquipélago agendada para
falar das eleições autárquicas mas, de acordo com o “Observador”, pôs em cima
da mesa a retirada da confiança política a um dos dois deputados. Os
parlamentares açorianos, contactados pelo Expresso, classificam a notícia do
jornal online como “um disparate” e “uma novidade pura”.
Em causa estará um desentendimento relacionado com o Rendimento Social de Inserção (RSI). José Pacheco, um dos dois deputados, fez uma publicação na sua página pessoal e na página do partido no Facebook em que declarava que o Chega está “contra o aumento” do RSI na região autónoma. O parlamentar, que é secretário-geral do Chega-Açores, sinalizou o aumento de beneficiários “em mais de 200 no início deste ano”. A publicação seria retirada da página do partido por Carlos Augusto Furtado, o outro deputado na assembleia legislativa e presidente do Chega Açores, sublinhando que “o Chega tem a obrigação de contribuir para a resolução deste problema e não apenas criticar por criticar”. Posteriormente, José Pacheco retirou também a publicação do seu Facebook pessoal.
Governo reforça apoios, mas empresas asfixiam
Lay-off simplificado, programa Apoiar,
linhas de crédito com garantia pública, moratórias fiscais... É por aqui que
deve passar o guião do Governo para apoiar as empresas face ao prolongamento do
confinamento. Os patrões veem estas hipóteses com bons olhos, mas lembram que o
dinheiro tarda em chegar às empresas e que as medidas para reforçar a
capitalização continuam no papel. Aliás, o Fundo Monetário Internacional (FMI)
alerta que os apoios às empresas em Portugal e na Europa não evitam
insolvências, e os advogados avisam que pode aproximar-se uma onda de
falências.
Até ao fecho desta edição, o Governo
não apresentou oficialmente novas medidas, mas o Expresso sabe que o ministro
da Economia, Pedro Siza Vieira, reuniu-se na última semana com confederações patronais
e sinalizou o que está em cima da mesa. Sem detalhes nem compromissos fechados,
falou no alargamento do lay-off simplificado, recuperado em janeiro apenas para
empresas encerradas por imposição administrativa e que agora deverá
aproximar-se do modelo inicial — como pediam os patrões —, permitindo o acesso
a empresas por quebras de faturação. Outra possibilidade é prolongar os apoios
ao emprego, seja pelo lay-off ou pelo apoio à retoma, até setembro.
Apoios às empresas garantem liquidez,
mas não evitam falências, diz o Fundo Monetário Internacional
Acresce que esta semana, na concertação social, a ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, manifestou disponibilidade para recuperar o incentivo à normalização da atividade para as empresas que forem saindo destes dois mecanismos de apoio, apurou o Expresso junto de fonte do Governo. Em 2020, este incentivo permitiu às empresas receber um ou dois salários mínimos, consoante a modalidade, por cada trabalhador que tivesse estado em lay-off.
sábado, março 13, 2021
Dos cruzeiros às tintas se fazem os novos donos dos media
A 24 de novembro
os novos acionistas da Media Capital fizeram uma conferência de imprensa em que
contestaram decisões tomadas pelo regulador dos media, a ERC. À agricultura e
ao imobiliário, a família que detém o grupo Lusiaves juntou um novo
investimento, tal como fez o cantor Tony Carreira à música ou o empresário
Marco Galinha à distribuição e venda em máquinas de produtos como o tabaco. Aos
cruzeiros (e a todos os seus negócios), o empresário Mário Ferreira adicionou
um investimento num sector onde já tinha uma pequena experiência, como fez o
empresário João Serrenho às tintas e vernizes da marca CIN. Que sector? Os
media.
A Media Capital e
a Global Media são as protagonistas das recentes mudanças na comunicação
social, com os antigos ‘tubarões’ do programa de empreendedores “Shark Tank”,
da SIC, à cabeça.
Mário Ferreira tornou-se em 2020 o maior acionista da Media Capital, com 30,22%, e conseguiu levar para a proprietária da TVI uma série de investidores de diferentes áreas de negócio, nomeadamente de indústrias sedeadas no Norte. Substituíram a espanhola Prisa que ao fim de várias tentativas vendeu 94,69% da Media Capital e saiu de Portugal. O negócio do dono da Douro Azul com o grupo espanhol foi esta semana alvo de uma decisão da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que defende que foi feito sem a autorização prévia obrigatória, mas que, ainda assim, abre portas a que as irregularidades sejam sanadas. Já Marco Galinha tem neste momento 29,75% da Global Media e um acordo para chegar à maioria do capital da empresa que edita o “Diário de Notícias” e o “Jornal de Notícias”.
Inquérito ao Novo Banco: O “mistério” das dívidas ao BES que aumentaram 600 milhões em seis meses
Mariana Mortágua
lançou o "mistério" ao ex-vice-governador do Banco de Portugal: porque
é que a exposição do Novo Banco aumentou 600 milhões em seis meses, em 2014,
entre as avaliações da PwC e da EY?
Os termos foram
colocados desta forma pela deputada Mariana Mortágua. “Talvez me ajude a
desvendar um mistério”, disse a deputada do Bloco ao ex-vice-governador do
Banco de Portugal, Pedro Duarte Neves, em mais uma audição da comissão de
inquérito ao Novo Banco que está a ter a lugar na Assembleia da República.
“Temos o relatório da PwC que analisou as grandes exposições de crédito do BES
e do Novo Banco a 3 de agosto de 2014. E temos um relatório da EY que analisou
essas mesmas exposições a 31 de dezembro de 2014. Gostaria de saber, por
exemplo, porque é que no relatório da PwC a exposição da Martifer era de 281
milhões de euros, mas a EY, seis meses depois, diz que a exposição é de 556
milhões”, questionou Mariana Mortágua.
“O mesmo acontece
noutros casos: por exemplo, a exposição de José Berardo a 3 de agosto era de
282 milhões e 31 de dezembro era de 308 milhões, a exposição de José Guilherme
a 3 de agosto era de 137 milhões, a 31 de dezembro era 262 milhões. A exposição
da Promovalor, em agosto, era de 304 milhões, em dezembro era de 487 milhões”,
prosseguiu a deputada.
“Não sei”, respondeu Pedro Duarte Neves. “Por que é que há esse salto, não lhe sei responder“, acrescentou.
sexta-feira, março 12, 2021
Marte é o destino mais desejado neste momento. Mas porquê? Nós temos as pistas
É hora de ponta em Marte, depois de uma via verde ter
sido aberta para o Planeta Vermelho, o que fez com que três missões de outros
tantos países lá chegassem praticamente ao mesmo tempo. A corrida ao pequeno
mundo enferrujado está mais engrenada e competitiva do que nunca. Mas o que
leva a Humanidade, em tempos de confinamento, a viajar durante sete meses a uma
velocidade de 120 mil km/h para um destino desértico e gélido? Embarque numa
odisseia literalmente de outro mundo em mais um artigo de jornalismo de dados
com 2 minutos e 59 segundos (Expresso)
Queda da economia portuguesa agravou-se no início de março, indica o Banco de Portugal
Com o país em confinamento e à espera do plano
do Governo para começar a reabrir, tudo indica que o recuo da atividade
económica em Portugal se acentuou no início de março. É esse o sinal dado pelo
Indicador Diário de Atividade Económica (DEI), publicado pelo Banco de Portugal
(BdP), e cujos dados foram atualizados esta quinta-feira.
"Na primeira semana de março, o indicador
diário de atividade económica (DEI) apresentou uma queda homóloga mais
acentuada do que a observada na semana anterior", escreve o BdP, numa nota
publicada na sua página na Internet.
Segundo os dados do banco central, a média
móvel semanal deste indicador, na semana centrada em 4 de março, aponta para
uma contração homóloga de 10,2% da atividade económica. Isto quando a mesma
média móvel referente à semana centrada em 25 de fevereiro sinalizava um recuo
de 3,5% em termos homólogos. Mais ainda, é a primeira vez desde o início deste
segundo confinamento, em meados de janeiro, que a média semanal do DEI regista
uma queda a dois dígitos.
Mas, atenção. O Banco de Portugal revê, a cada semana, os valores passados da série do DEI, devido à inclusão de mais informação. Sinal disso, os valores deste indicador divulgados na última quinta-feira para a média móvel da semana centrada em 25 de fevereiro indicavam uma queda homóloga da atividade económica em Portugal de 6,3%. Contudo, nos novos valores, publicados esta quinta-feira, esse número foi revisto para uma contração de apenas 3,5%.
quinta-feira, março 11, 2021
Antecipando (ou tentando) a corrida eleitoral no Funchal: Miguel Gouveia emacipa-se politicamente e Pedro Calado tem riscos
A “jogada”
política de Miguel Silva - que mostra que não se trata de nenhum amador,
politicamente falando, como alguns erradamente ainda sustentam - e a aventura,
algo estranha, confesso, de Calado ao trocar o Governo Regional onde é um dos
membros mais influentes trocar CMF e pela incerteza de uma vitória eleitoral, mesmo
com coligação com um CDS em perda eleitoral tal como o PSD-M, são os dois apontamentos
em foco nesta corrida pela conquista da edilidade da capital madeirense.
Pedro
Calado - e justifico a minha estranheza pela decisão, caso ela seja política,
porque se for uma opção pessoal, tudo muda de figura e nada a dizer quanto a
isso - quando foi chamado ao GRM, ainda no primeiro mandato de Albuquerque (não
tendo feito parte desde início, como era ponto assente, ao que consta por não
ter concordado com algumas escolhas) era visto como uma espécie de salvador de
um GRM em queda, com uma imagem degradada, com falta de empatia popular, com um
discurso político fraco e por vezes patético, com um MA perfeitamente entalado
e sem soluções, e com alguma incompetência à mistura, há que reconhecê-lo em
áreas-chave da governação.
Por
isso, a minha estranheza tem a ver com isso, com o facto da Madeira estar à beira
de entrar naquele que será um dos piores ciclos dos últimos anos, na economia,
nas finanças e nas questões sociais, e que, neste quadro nada estimulante,
Pedro Calado opte por outras prioridades políticas e pessoais. Correndo o risco
da incerteza eleitoral e do impacto negativo - resultante em caso de um
eventual desaire da coligação PSD-CDS – em caso de contrariedade na capital,
nomeadamente das consequências a curto ou médio prazo de um desaire. O mesmo se
dirá de Miguel Gouveia se for derrotado no Funchal e da fragilidade para Cafofo
e a sua liderança em caso de uma derrota socialista na capital, um dos emblemas
dos socialistas, conquistados em 2013 graças a uma arriscada estratégia eleitoral
- onde Vítor Freitas foi peça essencial – que resultou ganhadora. Essa opção de
Calado, que não sei se é pessoal ou se é política, pode enfrentar outras potenciais
vulnerabilidades (e sobre isso o PS-M já deu alguns sinais...). Acresce que Calado
pode ser acusado pela oposição socialista – e mesmo pela restante oposição que
concorrerá no Funchal fora da coligação liderada por Gouveia - de fugir às
dificuldades da governação, o que pode ter algum impacto nas decisões do eleitorado.
A postura de Pedro Calado em vários debates parlamentares - e recordo o Plano e Orçamento para 2021 e outros debates sectoriais - acabou por "enterrá-lo", no bom sentido, mostrando que a sua saída do GRM fragilizará o executivo, a coligação e o PSD-M.
Mas julgo que os "pensadores" do PSD-M sabem o que estão a fazer, os riscos que correm e a inevitabilidade de assumirem as suas responsabilidades políticas, se saírem fragilizados deste processo eleitoral autárquico que eu acredito vai revelar surpresas, incluindo no Funchal.
terça-feira, março 09, 2021
Estranhas divergências...
Perante alguns comentários publicados nas redes sociais a propósito das divergências de dados entre a DGS e o GRM, resolvi fazer um levantamento comparativo e cheguei ao seguinte resumo com base nos dados que tenho arquivados. Considerei como datas 20 a 31 de Janeiro de 2021 (12 dias), Fevereiro de 2021 (28 dias) e 1 a 9 de Março de 2021 (9 dias), num total de 49 dias. O resultado é este (somatório do total diário naquelas datas e da média diária, com arredondamento) na RAM e na RAA (LFM)












