Dou comigo a imaginar - porque
foi isso que me foi sugerido - o que pediria ao Pai Natal da política, nesta
época especial do ano, por forma a termos a esperança de que a Região e o seu
Povo - independentemente de factos a montante e a jusante que podem colocar em
causa esse desiderato – veriam garantida a estabilidade política essencial a
quem quer prosseguir o seu caminho.
Por isso não pediria um, mas
vários presentes ao Pai Natal da política, que nada tem a ver com o Pai Natal
dos nossos sonhos, desde a meninice, um Pai Natal que raramente nos deixava
frustrados perante pedidos não satisfeitos ou expectativas goradas.
Nesta lógica, o primeiro presente natalício que pediria para a política e para a nossa sociedade em geral, era um enorme saco de mais tolerância, para que não andemos a nos insultar e julgar uns aos outros na praça pública, incluindo nas redes sociais, muitas vezes cometendo com os outros as injustiças que não permitimos sejam cometidas conosco, apontando dedos acusadores ou até fomentando "julgamentos" de pessoas - sem que elas tenham sido acusadas, de facto e por quem de direito, seja do que for, muito menos tenham sido julgadas e condenadas por sentenças transitadas em julgado, no fundo, cumprindo os procedimentos que devem ser observados. Dei comigo a pensar que o Natal da política também tem muito de utopia, na certeza, porém, de que cada um acredita livremente naquilo que acha que deve acreditar.
O segundo presente natalício,
importante para termos a garantia de estabilidade de tranquilidade colectiva,
seria um potente motor para a justiça, para que ela seja mais célere, para que ande
mais rápido, sem colocar, contudo, em causa a sua obrigação de fazer justiça.
Mas trabalhando de forma mais célere, sem avarias e sem aselhices, para impedir
que as pessoas sejam julgadas na praça pública, de forma recorrente, sem
conhecerem acusações e muito menos sem terem sido ouvidas e sem serem julgadas
para que, em nome da verdade, se defendam e possam dar as explicações devidas,
com verdade, sem truques ou manipulações, quando confrontadas com os factos. No
fundo esperando que na política os procedimentos sejam os mesmos quando do
outro lado, dos alegados prevaricadores, se encontram, membros do próprio
aparelho judiciário onde tudo parece ser mais discreto...
O meu terceiro presente natalício, também importante para todos nós, tem a ver com
a mobilidade aérea e marítima, acabando com injustiças que se cruzam com alguns
mitos e manipulações políticas pouco sérias. Pediria que nos apresentassem um
estudo sério sobre a viabilidade económica do projecto de mobilidade marítima,
contra a qual nada tenho. No caso da mobilidade aérea, exigiria que as
promessas, que se arrastam há anos sem concretização, tivessem finalmente um
epílogo e que os madeirenses não sejam enganados de novo quanto ao valor a
pagar no momento de aquisição das viagens.
O meu quarto e último
presente a pedir ao Pai Natal da política, seria a garantia de ver os principais partidos da Região - despidos de
preconceitos e de radicalismos estéreis - capazes de dialogarem, de construírem
pontes entre si, de se entenderem em torno de questões fulcrais para o futuro
da Autonomia regional, promovendo um diálogo entre todos passível de gerar
consensos sobre temas decisivos para a vida dos Madeirenses e da Região, sonho
que transcende as guerras partidárias, os amuos e os egos de políticos. Uma
negociação séria e construtiva, assente na lealdade e no pragmatismo entre
protagonistas diferentes, e que em 1991, por exemplo, nos deu um estatuto
político importante, naquela altura, algo que, a repetir-se, seria um excelente
presente de Natal, porventura o melhor, sobretudo por tudo o que poderia
resultar de benefícios, desde a revisão da lei de finanças regionais, até um
novo estatuto político, sem esquecer uma eventual revisão constitucional
dedicada às autonomias regionais, etc.
Com estes presentes natalícios colocados pelo Pai
Natal da política sob a nossa árvore dos sonhos, o nosso Natal seria certamente
melhor e poderíamos pensar numa Região estável, virada para a frente e não uma
Região amarrada, que não quer ou não pode seguir em frente, por haver sempre
alguma coisa que procura travar essa caminhada.
E pronto, acho que no Pai Natal da política já não tolera que eu acrescente nada mais a esta lista, quiçá demasiado pesada e utópica para quem acha que Natal deve ser uma época especial, também na política e entre os políticos. Boas Festas a todos" (LFM) (Nota: O DN pediu-me um texto para a edição de Natal. Como é "habitual", no meu caso, o texto ultrapassou os caracteres que me são recomendados, pelo que publico na integra o referido texto enviado à redacção do DN, apenas para dar a conhecer todas as ideias ali construídas)

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