No segundo trimestre, o número de
funcionários subiu 1,5% em termos homólogos para 760.728, sobretudo à boleia do
aumento nas autarquias, SNS e escolas. Ganho médio mensal ultrapassa os 2.200
euros. O Estado empregava, no segundo trimestre do ano, mais de 760 mil
funcionários, um novo recorde. Trata-se de um aumento de 1,5% ou de 11.030
postos de trabalho face ao período homólogo do ano passado. O impulso resulta
sobretudo das contratações nas autarquias, Serviço Nacional de Saúde (SNS) e
escolas, segundo a síntese estatística da Direção-Geral da Administração e do
Emprego Público (DGAEP).
Esta evolução contraria a regra de uma entrada por cada saída, que tinha sido assumida pelo Governo em outubro, no relatório do Orçamento do Estado para 2025. “A 30 de junho de 2025, o emprego no setor das administrações públicas situou-se em 760.728 postos de trabalho, assinalando um aumento de 1,5% em termos homólogos e de 0,2% face ao trimestre anterior”, de acordo com o mesmo relatório.
Face ao trimestre anterior, o
aumento foi de 0,2% ou de mais 1.692 postos de trabalho. Já em relação a 31 de
dezembro de 2011, início da série estatística, o incremento foi de 33.027
trabalhadores, o que corresponde a uma subida de 4,5%.
Este novo recorde do emprego público resultou tanto no aumento dos postos de trabalho na Administração Central como nas autarquias. A nível central, criaram-se mais 7.483 postos de trabalho, uma subida de 1,3%, em termos homólogos, que teve origem sobretudo na área governativa da Saúde, onde se recrutaram mais 3.656 funcionários, 1.258 dos quais para a carreira de enfermeiro, 667 para a carreira de técnico de diagnóstico e terapêutica e 606 para a carreira de assistente técnico.
O setor da Educação, Ciência e Inovação também contribuiu para o aumento do emprego público, ao ter criado 3.019 postos de trabalho, dos quais 1.125 na carreira de educadores de infância e docentes do ensino básico e secundário, 829 na carreira de assistente operacional e 652 na carreira de técnico superior. Na administração local, empregaram-se, entre abril e junho, mais 4.705 funcionários, uma variação homóloga positiva de 3,4%, que “resultou principalmente do aumento de emprego público nos municípios e nas freguesias”, segundo a síntese estatística da DGAEP.
“Nos municípios, o acréscimo de 3.837 postos de trabalho resultou sobretudo de mais trabalhadores nas carreiras de técnico superior, assistente técnico e assistente operacional. Nas freguesias, o maior contributo para o aumento de 652 postos de trabalho foi dado pela carreira de assistente operacional”, lê-se no mesmo documento. De sinalizar que, em comparação com o segundo trimestre do ano anterior, verificou-se uma diminuição do número de postos de trabalho nas administrações regionais dos Açores e da Madeira e nos Fundos da Segurança Social.
Em comparação com o trimestre
anterior (de janeiro a março), criaram-se mais 1.692 postos de trabalho, o que
corresponde a uma variação de 0,2%, “sustentado pelo crescimento do emprego na
administração local”, com mais 1.278 postos de trabalho, o que se traduziu numa
variação de 0,9%, “e na administração central”, com mais 646 postos de
trabalho, correspondente a um aumento 0,1%, e “que mais do que compensou a
variação negativa ocorrida no mesmo período nos subsetores das Administrações
Regionais dos Açores e da Madeira e nos Fundos da Segurança Social”, conclui o
relatório.
“O aumento trimestral do emprego
na administração central decorreu, principalmente, da variação positiva nas
áreas governativas da Saúde e da Administração Interna, com mais 630 e 510
postos de trabalho, respetivamente, que mais do que compensaram a diminuição
registada na Educação, Ciência e Inovação, com menos 803 postos de trabalho,
decorrente do final do ano letivo com a cessação de contratos a termo de
docentes do ensino superior e de trabalhadores nos estabelecimentos de ensino
básico e secundário, em particular, técnicos superiores para atividades de
enriquecimento curricular (AEC) e assistentes operacionais”, salienta a DGAEP.
“Na Saúde, o aumento de emprego no trimestre deveu-se principalmente à variação positiva nas carreiras de assistente operacional”, onde se criaram 468 postos de trabalho, e de enfermeiro, com a contratação de 218 trabalhadores para essa categoria, o que “mais do que compensou a quebra na carreira médica”, com menos 472 postos de trabalho, padrão que se verifica habitualmente no 2.º trimestre de cada ano” e que coincide com o início do período de férias de verão, segundo a síntese estatística. Na Administração Interna, a variação positiva explica-se por fatores sazonais, uma vez que resulta do “recrutamento a termo de vigilantes da floresta na GNR para as operações de prevenção de incêndios durante o verão”, indica o mesmo relatório.
Ganho médio mensal ultrapassa os
2.200 euros
Pela primeira vez, o ganho médio mensal dos trabalhadores do Estado ultrapassou a fasquia dos 2.200 euros mensais brutos, dados de abril deste ano, de acordo com a DGAEP. Este valor inclui não apenas o salário base mas outras parcelas do rendimento como subsídios e prémios. Em concreto, “o ganho médio mensal nas administrações públicas é estimado, para abril de 2025, em 2.223,70 euros”, correspondendo a um aumento trimestral de 2,6% e a uma variação homóloga positiva de 6,9%.
“A variação homóloga resulta do aumento da remuneração base média mensal, bem como da maioria das restantes componentes do ganho (como suplementos regulares e pagamentos por horas suplementares ou extraordinárias)”, explica a DGAEP. Já a remuneração base média mensal dos trabalhadores a tempo completo no setor das administrações públicas “situava-se em 1.863,40 euros, correspondendo a uma variação global média de 3%, face a janeiro de 2025, e a uma variação homóloga de 6,4%”.
“Este crescimento é resultado da conjugação de vários fatores, tais como: a atualização do valor da retribuição mínima mensal garantida para 870 euros e do valor da base remuneratória da Administração Pública (BRAP)”, vulgo salário mínimo no Estado, “para 878,41 euros, a aplicação das medidas de valorização remuneratória aprovadas para os trabalhadores em funções públicas e a entrada e saída de trabalhadores com diferentes níveis remuneratórios”, esclarece a DGAEP (ECO online, texto da jornalista Salomé Pinto)
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