sexta-feira, julho 05, 2013

Quase 300 médicos receberam em média 13 mil euros por mês em hospitais do SNS



Segundo o Público, "uma auditoria do Tribunal de Contas detecta pagamentos extraordinários feitos a médicos que estavam no seu horário normal de trabalho. Apesar das tabelas salariais, as irregularidades na remuneração dos médicos persistem e muitas das consultas e cirurgias feitas durante o horário normal são pagas como se os clínicos as tivessem realizado em horas extraordinárias. Aliás, há casos de hospitais que a meio do ano já atingiram o número de cirurgias programadas para determinada área e que a partir daí fazem os restantes seis meses com pagamentos suplementares e mais onerosos, mas dentro do horário do clínico. As informações fazem parte da “Auditoria às remunerações mais elevadas pagas pelas unidades hospitalares que integram o Serviço Nacional de Saúde”, elaborada pelo Tribunal de Contas, e a que o PÚBLICO teve acesso. De acordo com o mesmo documento, numa análise aos 295 médicos com ordenados mais elevados em todo o país constatou-se que em 2009 e em 2010 receberam em média 13 mil euros por mês – o que significa que em cada ano custaram ao todo 46 milhões de euros. Em 2011 e em 2012 o Ministério da Saúde conseguiu regularizar, em parte, muitas das situações. O problema é que isso teve um preço: os médicos começaram a produzir menos e isso traduziu-se no aumento de listas de espera de algumas áreas que tinham conseguido reduções na ordem dos 40% entre 2008 e 2010.  “O agravamento dos tempos de espera que ocorreram entre 2011 e 2012 coincidiu com a redução das remunerações destes mesmos médicos”, diz o tribunal, mas que reforça que muita da produção podia ter continuado a ser feita no horário normal. Por seu lado, os conselhos de administração garantiram a este organismo que a carência de recursos humanos fez com que a única forma de garantir o acesso fosse por pagamentos extra, mas comprometeram-se a analisar melhor as sobreposições. Já no final de Março o PÚBLICO tinha avançado em primeira mão um relatório da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) sobre as irregularidades nos pagamentos a médicos. No caso mais flagrante, o de um oftalmologista no Algarve, foram pagos mais de 1,3 milhões de euros no âmbito do SIGIC, sendo que 1,2 milhões diziam respeito a intervenções feitas durante o horário do médico. As informações apuradas pela IGAS resultaram em vários processos disciplinares que vão permitir que o Estado recupere mais de 1,3 milhões de euros. O ministro Paulo Macedo também se comprometeu a responsabilizar os conselhos de administração dos hospitais"