Escreve o Dinheiro Vivo que “Portugal vai receber dez
milhões de euros por dia até 2020 em fundos comunitários, de acordo com o
quadro financeiro plurianual para os próximos sete anos hoje aprovado pelo Parlamento
Europeu, em Estrasburgo. Mas de acordo com as novas regras, estes fundos podem
ser suspensos pela Comissão Europeia sempre que os países violarem o Pacto de
Estabilidade e Crescimento, não cumprindo os critérios do défice ou da dívida,
por exemplo, a menos que se mantenha um elevado nível de desemprego. O
presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, considerou que
hoje, com a aprovação final do orçamento comunitário para 2014-2020, com um
envelope de 908 mil milhões de euros para pagamentos efetivos e outros 960 mil
milhões para autorizações, foi “um grande dia para a Europa”, após “longas
negociações”, que se prolongaram durante meses. “A União Europeia vai investir
um bilião de euros em crescimento e empregos entre 2014 e 2020. O orçamento da
UE é modesto em dimensão quando comparado com a riqueza nacional. Mas um só ano
do orçamento representa mais dinheiro - a preços de hoje - do que todo o plano
Marshall na sua época”, lembrou Durão Barroso. A contrastar com o entusiasmo da
maioria, os eurodeputados da esquerda mostraram-se preocupados com a introdução
da condicionalidade macroeconómica para que os países mantenham os fundos
comunitários. Para Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, citada pela Lusa, este
é o orçamento que faltava para “acabar com o projeto europeu”, que já “não
estava de boa saúde”. E a respeito das novas regras questiona: “Então mantém-se
o desemprego alto para manter os fundos estruturais?” Também Elisa Ferreira, do
PS, se mostrou “muito apreensiva” com as condicionantes macroeconómicas. “Penso
que isto é uma inovação completamente ilegítima, que penaliza mais os países
que mais dependem dos fundos”, afirmou a eurodeputada socialista. Enquanto João
Ferreira, do PCP, criticou a redução nominal do valor do orçamento “numa altura
em que se acentuam as desigualdades entre Estados”. “Na melhor das hipóteses,
se não for apanhado nas malhas da condicionalidade macroeconómica que agora é
reconhecida, Portugal receberá qualquer coisa como 27 mil milhões de euros.
Isto representa uma diminuição de 10% face ao anterior quadro. Só em juros
pagaremos à troika muito mais do que isso: 34 mil milhões de euros”, lembrou o
eurodeputado comunista”.
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quinta-feira, dezembro 19, 2013
Alentejo vai ter mais 42% de fundos europeus entre 2014 e 2020
Li no Dinheiro Vivo que “um total de 93% das verbas do
próximo período de fundos comunitários 2014-2020 para Portugal, atribuídas aos
programas regionais, destina-se às regiões "mais pobres", com
destaque para o Alentejo, que vai dispor de mais 42% de apoios. Esta
distribuição dos fundos europeus foi divulgada em Évora, pelo secretário de
Estado do Desenvolvimento Regional, Manuel Castro Almeida. "Há muito a
tendência de pensar que os investimentos públicos estão muito centrados em
Lisboa", mas, com os fundos europeus, "não é isso que se passa, nem
se vai passar", afiançou. Segundo o governante, no próximo quadro de
apoios comunitários (2014 a 2020), "93% dos fundos europeus vão ser gastos
nas regiões mais pobres do país", ou seja, "no norte, centro,
Alentejo e Açores". "As regiões de Lisboa, do Algarve e da Madeira
vão ter apenas 7%" dos fundos atribuídos aos programas operacionais
regionais, disse. Manuel Castro Almeida frisou que, assim sendo, vai haver
"uma clara concentração do investimento nas regiões mais pobres, porque os
fundos europeus estão, em grande medida, ao serviço da coesão territorial"
e é necessário "que o país seja mais homogéneo". O secretário de
Estado falava à agência Lusa na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento
Regional (CCDR) do Alentejo, onde foi hoje feito o balanço do atual programa
operacional da região, o InAlentejo, e foram traçadas perspetivas sobre os
próximos fundos comunitários. Os vários programas operacionais regionais vão
contar com um reforço de verbas, prometeu, realçando que o Alentejo vai ter o
maior aumento percentual de fundos, muito graças ao empreendimento do Alqueva. "No
caso do Alentejo, o reforço de verbas vai ser muito significativo",
atingindo os "42% de aumento", o que significa que vai passar
"de 850 milhões de euros para cerca de 1.200 milhões de euros", disse
Manuel Castro Almeida. Neste "bolo", precisou, inclui-se uma parcela
de "cerca de 150 milhões de euros" destinada especificamente "ao
desenvolvimento da segunda fase do Alqueva", no âmbito da rede secundária
de rega. "Estamos a falar, portanto, de um reforço em cima de um reforço
que há para as regiões mais pobres do país", afirmou, explicando que, por
exemplo, o norte e centro têm subidas na ordem dos "25%", cabendo ao
Alentejo este aumento maior de 42% devido, precisamente, aos apoios para o
Alqueva. Quanto ao InAlentejo, o governante admitiu que, "há algum tempo
atrás", estava "bastante atrasado", em comparação com os demais
programas do país, mas, agora, "já está muito próximo da média
nacional". "Houve um esforço muito forte de recuperação, nos últimos
dois anos", e, neste momento, o programa, cuja execução deverá cifrar-se
nos 60% no final do ano, "já atingiu os mínimos necessários" para
evitar a "devolução de verbas a Bruxelas", congratulou-se. Depois de as prioridades terem sido as infraestruturas
e equipamentos, acentuou ainda, os fundos comunitários previstos para 2014-2020
deverão ser usados em prol da "competitividade da economia", focando
"a criação de riqueza e emprego".
quinta-feira, setembro 19, 2013
Madeira fora das regiões prioritárias: Fundos que chegam a partir de 2014 voltam-se das escolas e estradas para o emprego
Li no Publico que “os cerca de 21 mil milhões
de euros de fundos comunitários que estão destinados a Portugal e que vão
chegar ao país entre 2014 e 2020 já têm um destino: a aposta do Governo passa
por investir o dinheiro da União Europeia na criação de emprego e no estímulo da
economia — numa inversão da tendência de aplicar as verbas em infra-estruturas
como estradas e escolas. O ciclo do actual QREN (Quadro de Referência
Estratégica Nacional) termina em 2013 e, com a entrada em 2014, o executivo
adopta também uma nova designação para marcar a mudança de rumo. “Portugal
2020” foi o nome escolhido para o plano preliminar de aplicação dos fundos,
segundo avança a TSF. Já o Correio da Manhã escreve que o Governo entregou o
plano na quarta-feira em Bruxelas. Ao jornal o ministro adjunto e do
Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, disse que “uma das linhas
estratégicas e fundamentais é o reforço do Fundo Social Europeu, que sobe de
36,5% para 41% do total”, a que corresponde uma descida do Fundo Europeu de
Desenvolvimento Regional de 63,5% para 59%, o que, insistiu, “representa uma
aposta clara nas pessoas, na sua valorização, e uma descida dos investimentos
em infra-estruturas e equipamentos”. Em declarações à TSF, o secretário de
Estado do Desenvolvimento Regional explicou da mesma forma que o Governo vai
alterar as prioridades. Manuel Castro Almeida defendeu que passou o tempo de
investir em escolas, em infra-estruturas e vias públicas, e que agora é o tempo
de estimular a economia, apostando nas empresas e no emprego.
Quatro regiões prioritárias
Além disso, para evitar alguns atrasos que
havia com o QREN, com muitas das verbas a nunca chegarem a ser utilizadas,
desta vez será possível antecipar a aplicação de alguns fundos. O dinheiro será
distribuído quase na totalidade em quatro das sete regiões do país. Norte,
Centro, Alentejo e Açores vão receber 93% da totalidade do dinheiro europeu,
nos próximos sete anos, por serem as zonas mais pobres. Apesar de oficialmente
o plano preliminar só agora ser apresentado, o executivo de Pedro Passos Coelho
já tinha dado sinais de que os planos passavam por mudar de rumo e que numa
economia em recessão a prioridade seria dada às pequenas e médias empresas e ao
combate ao desemprego. “Pela primeira vez na história dos fundos comunitários,
a prioridade será dada às empresas, principalmente PME. Por outras palavras, o
novo QREN será dedicado à criação de riqueza e de emprego sustentável”, afirmou
Passos Coelho numa conferência realizada em Agosto. Também o ministro da
Solidariedade, do Emprego e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, tinha
insistido, dois meses antes, numa nova tónica da aplicação dos fundos no
combate ao desemprego. “A médio prazo iremos alocar fundos comunitários para,
em parceria com as instituições sociais, promover o combate ao desemprego, a
criação de emprego sustentável e de qualidade”, afirmou então Mota Soares. Mota
Soares anunciou na última segunda-feira que o incentivo à contratação que o
Governo vai disponibilizar às empresas a partir de 1 de Outubro deverá abranger
110 mil novos contratados ao longo do próximo ano e que o programa contará com
um financiamento de via comunitária de cerca de 25 milhões de euros”.
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