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quinta-feira, abril 11, 2013

As curiosas opiniões do novo ministro Maduro...

"Ao responder ao Paulo Dá Mesquita sobre as oscilações que ele identifica na jurisprudência constitucional acabei por escrever quase um post sobre aquela que considero a questão de base subjacente ao acórdão do TC e que explica, para mim, alguns problemas da nossa (mas também de outros) jurisprudência constitucional: a não articulação de uma teoria de justiça constitucional que auto-vincule os juízes a uma certa compreensão da sua função judicial, em particular num domínio como o da interpretação constitucional em que a fronteira entre o poder judicial e o poder político é ela mesmo um dos aspectos fundamentais dessa interpretação.
Por exemplo, sendo a concretização do princípio da igualdade (como reconhece o próprio TC) difícil e indeterminada (ainda mais nas condições deste caso) será que uma questão prévia fundamental a decidir não seria o quando e em que condições é que o tribunal deve sobrepor o seu juízo ao do processo político? Não basta dizer que apenas o deve fazer em certas circunstâncias, é necessário articular quais são essas e porquê. Ora isto está totalmente ausente deste acórdão, como em geral da nossa jurisprudência constitucional (não sendo, diga-se, apenas um problema do nosso TC).
Quero ser claro: isto não é um argumento a favor de uma deferência geral dos tribunais face ao processo político. Aqueles que conhecem o meu trabalho academico (e, durante algum tempo, judicial) sabem bem que não é essa a minha opinião. A minha opinião é que não existe precisamente uma presunção de supremacia do sistema judicial (como dizem alguns) ou do sistema político (como dizem outros) na concretização da constituição. A interpretação da constituição é produto de um processo simultaneamente concorrencial e cooperativo entre diferentes actores, em particular os tribunais e o sistema político. É precisamente por esta razão que qualquer interpretação da constituição (eu digo mesmo do direito em geral) inclui sempre uma escolha institucional (para usar a expressão do meu amigo Neil Komesar!), neste caso entre o sistema judicial e o processo político. Esta escolha tem de ser justificada e deve ser o produto de uma análise institucional comparada. O facto de o TC, como diz o Paulo Dá Mesquita, demonstrar uma grande oscilação na sua jurisprudência, frequentemente correspondendo a diferentes graus de escrutínio judicial, apenas demonstra que o TC está constantemente a fazer escolhas destas: na aplicação do mesmo princípio (como a igualdade) por vezes é muito deferente para com o processo político, outras vezes nada. Tratando-se da mesma norma ou princípio é obvio que essa variação do escrutínio empregue não é produto da norma em causa mas de outra coisa: variações na sua intervenção judicial face ao sistema político. O que devia acontecer e não é o caso é que elas deviam ser justificadas... No caso presente, uma das minhas críticas é que a natureza dos interesses afectados (predominantemente maioritários) justificariam mais, e não menos, deferência em relação ao sistema político (que se pode presumir, neste caso, oferecer a esses interesses uma representação adequada). Na mesma linha, a complexidade de articulação de um principio da igualdade, com inúmeras consequências difíceis de prever e gerir, aconselharia cautela a uma intervenção judicial deste tipo. Se levássemos a sério os pressupostos desta decisão o potencial de contencioso que poderia agora chegar ao TC é enorme: será, por ex., que não há uma violação do princípio da igualdade nos diferentes regimes laborais e de despedimento que o Estado impõe ou autoriza nos regimes públicos e privados?....
Claro que tudo isto está ausente quando a narrativa assume que a constituição tem um qualquer significado historicamente determinado que o TC se limita a revelar... Mas não deixa de ser irônico que os "progressistas" portugueses partilhem da mesma filosofia constitucional que os conservadores americanos..." (pagina pessoal do Facebook, 6 de Abril) 
***
"Primeira reacção à decisão do TC, sem conhecer os detalhes da sua fundamentação e como tal sem entrar nos detalhes jurídicos da questão: ao declarar inconstitucional a eliminação do subsidio de férias por violação do principio da igualdade e da justa distribuição dos encargos o TC vem, no fundo, afirmar que os encargos do ajustamento apenas podem ser constitucionalmente distribuídos, respeitando o principio da igualdade, por via dos impostos. Atendendo a que os encargos com as pensões e salários são mais de 70% do OE a consequência é que o ajustamento tem de ser feito pelo lado da receita e não pelo lado da despesa.
Parece-me que resultam daqui as seguintes alternativas:
1 - o Governo aceita (e o país também?), e a Troika também, um ainda maior esforço fiscal... O ajustamento é feito por via de um enorme esforço de receita fiscal.
2 - o programa de ajustamento é renegociado de forma a reduzir o esforço de ajustamento. Isto será bastante complicado de negociar com os nosso parceiros e terá duas dificuldades adicionais. Este governo, por ter cumprido até agora, tem um maior capital para esta negociação perante a troika mas se for bem sucedido estará, ironicamente, a dar razão aos que diziam que já devia ter renegociado... Se não for este governo mas formos para eleições e for um outro governo socialista que o espirito dominante na Europa será o de não premiar o não cumprimento e de punição da "rebelião" e acabaremos com um programa ainda mais duro...
3 - um governo técnico de iniciativa presidencial com credibilidade quer interna quer externa. Penso que a renegociação internacional feita por um tal governo não será necessariamente mais favorável mas teria a vantagem de confrontar o país com as escolhas difíceis que terá de fazer (pelo menos até a UE mudar a sua abordagem geral da crise o que não é muito provável antes de Setembro na melhor das hipóteses).
4 - uma dessa escolhas pode envolver rever a constituição atendendo à interpretação que dela faz o TC (de que eu discordo mas sendo a do TC é aquela que conta!). Mas não me parece muito provável nem efectivo uma vez que os problemas mais importantes resultam da interpelação que o TC faz do princípio da igualdade.
5 - se a renegociação não for viável nos termos que o TC impõe e não se revendo a constituição nem tolerando o país um maior esforço fiscal só resta uma alternativa: incumprimento do memorando o que levaria em pouco tempo à saída do Euro com todas as consequências (temo que ainda mais desastrosas que a austeridade a que já estamos sujeitos).
Não é muito optimista mas a certa altura teremos de fazer as nossas escolhas em vez de pensar que podemos contar em impor aos outros (a UE) as escolhas que gostaríamos que fizessem (e que até seriam, em boa parte, justificadas, só que não dependem de nós...)" (pagina pessoal do Facebook, 9 de Abril)

terça-feira, dezembro 16, 2008

TAP: Mário Lino contra greve

Diz o Jornal de Negócios num texto da jornalista Isabel Cristina Costa, que "o ministro dos Transportes e Comunicações apelou a que haja bom senso na resolução dos problemas da TAP e disse que “não é o momento oportuno para a greve”. Os tripulantes de cabine da TAP têm um pré-aviso de greve para o próximo dia 20 de Dezembro, vésperas de Natal. O ministro Mário Lino apelou hoje a que “haja boa vontade das partes” acrescentando que “a situação do país não se compadece com situações complicadas”.Apesar de considerar que “estamos muito longe de uma situação de conflito insanável”, Mário Lino disse que “não é momento oportuno para a greve não só pelas dificuldades com que se debate a TAP mas também por causa da crise económica e da quadra em que estamos”.O presidente da TAP, Fernando Pinto, confessou ontem que “infelizmente este ano está perdido e não há recuperação”, adiantando que os prejuízos ultrapassarão os 170 milhões, valor alcançado até Outubro".

segunda-feira, novembro 10, 2008

Ministro avisa maus gestores do Ensino Superior

Fiquei hoje a saber que "Mariano Gago, ministro da Inovação e do Ensino Superior, admitiu existirem maus gestores nas Universidades públicas e admite poder vir a ter de substitui-los, embora de momento mantenha a confiança na gestão autónoma destas instituições do ensino superior. A afirmação surge alguns dias depois de 13 ex-reitores de universidades portuguesas enviaram uma carta a Cavaco Silva e a José Sócrates, pedindo a intervenção urgente do presidente e do primeiro-ministro. Dizem estes reitores que o normal funcionamento das universidades está em perigo devido à falta de verbas. Júlio Pedrosa, ministro do Governo de António Guterres, Rui Alarcão, que foi mandatário de Mário Soares na sua candidatura presidencial e Adriano Pintão, ex-dirigente do Partido Socialista são alguns dos subscritores dos apelos ao Presidente da República e ao primeiro-ministro para a revisão da política governamental de financiamento do ensino superior para assegurar a autonomia e o regular funcionamento das universidades. Esta intervenção dos antigos reitores visa dar força aos sucessivos avisos dos actuais órgãos de gestão das Universidades públicas que repetidamente têm alertado para a falta de verbas e para as dificuldades de tesouraria. Apesar de no Orçamento de Estado para 2009 estar previsto um reforço de 90 milhões de euros para as verbas destinadas ao financiamento do ensino superior, os actuais reitores chamam a atenção para o facto de as despesas irem aumentar exponencialmente razão que os leva a não acreditar que essa verba agora prevista seja suficiente". Quanto a isto há quem não fale... (veja aqui a notícia da RTP)

domingo, outubro 26, 2008

Irão: ministro com falso diploma de Oxford...

Segundo o El Mundo, "los congresistas iraníes han dado un un paso el domingo para iniciar un juicio político contra el ministro del Interior, Ali Kordan, al que acusan de "falta de honestidad" sobre su preparación educativa, según la radio estatal. El ministro del Interior, considerado cercano al presidente Mahmud Ahmadineyad, está siendo cuestionado últimamente por sus políticas económicas y por la elevada inflación que sufre el país. Kordan, en una carta publicada en la prensa iraní esta semana, admitió que un título de la Universidad de Oxford que dijo tener era falso. "Según las leyes internas del majlis (parlamento), Kordan tendría 10 días a partir de hoy para participar de las audiencias por el juicio político y responder las preguntas de los diputados", dijo la radio, agregando que 28 legisladores de los 290 escaños que posee el parlamento han suscrito la propuesta. El juicio se enfocaría en la "falta de honestidad a la hora de presentar sus credenciales educativas" y en "haber recibido un salario del Gobierno basado en un título inválido". El parlamento, elegido el pasado marzo, está dominado por los conservadores moderados, entre ellos alguno rivales del presidente. Los legisladores han criticado al Gobierno, sobre todo por la economía y la elevada inflación, que ronda el 29% y es la principal preocupación de los iran!es.Ahmadinejad, elegido en el 2005 con la promesa de distribuir mejor la riqueza petrolera, no ha dicho oficialmente que vaya a presentarse a la reelección en 2009, aunque se espera que lo haga".

sábado, setembro 27, 2008

O ministro e as praxes

O Ministro que tutela o ensino superior anda preocupado com as praxes. No passado dia 10 de Setembro enviou a todos os os reitores uma circular que, logo no primeiro parágrafo não deixa dúvcda quanto as suas causas: “As praxes académicas aos estudantes que ingressam nas instituições de ensino superior tendem a ganhar um relevo social e académico cada vez mais preocupante atendendo à recorrente inclusão de actos que, num ambiente de praxe violenta e não controlada e para lá do seu significado académico ou sócio-cultural, originam acidentes graves, configurando verdadeiros actos ilícitos de natureza civil, criminal e disciplinar”.