Mais quatro nomes na “lista negra”. Na semana passada, o Conselho Europeu acrescentou quatro países à lista de jurisdições que não colaboram com a União Europeia em assuntos fiscais: Ilhas Virgens Britânicas, Costa Rica, Ilhas Marshall e Rússia. A decisão foi tomada por Maria José Garde, economista espanhola que este mês assumiu a liderança do “grupo do Código de Conduta”, responsável pela elaboração da lista. A iniciativa não tem consequências práticas: o objetivo de Bruxelas, lê-se na página do Conselho Europeu, “não é envergonhar os países” visados, mas sim “encorajar melhorias nas suas legislações fiscais” através de cooperação com a UE. Antes de assumir o novo cargo, Maria José Garde foi diretora-geral dos Impostos em Espanha. Durante a sua alçada, em 2020, a transferência de dinheiro por parte de grandes empresas para paraísos fiscais disparou 131%. Mais de 40% dos lucros das principais companhias espanholas acabaram em contas abertas em territórios como as Bermudas e as Ilhas Virgem Britânicas, segundo o estudo “Missing Profits of Nations”, da Universidade de Berkeley e do National Bureau of Economic Research (NBER), publicado este ano. Os paraísos fiscais são associados a duas atividades: lavar dinheiro proveniente de crimes como o tráfico de armas ou de seres humanos; e evitar impostos. À partida, esta última finalidade não é ilegal: a arte de reduzir o esforço fiscal tem sido continuamente aperfeiçoada por milionários e empresas multinacionais nas últimas décadas, e investigações como os Panamá Papers (2016), Paradise Papers (2017) ou Pandora Papers (2021) mostraram como é uma arte obscura e complexa.
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sexta-feira, fevereiro 24, 2023
domingo, agosto 30, 2020
sexta-feira, janeiro 22, 2016
Nove em cada dez empresas estão nos paraísos fiscais
O dinheiro nos paraísos fiscais continua a aumentar e já ultrapassa a soma dos produtos internos brutos do Reino Unido e da Alemanha juntos. O valor já ultrapassa os 7,6 triliões de dólares, (cerca de 7 biliões de euros) que não são taxados nos diversos países, revelam os dados do último relatório da Oxfam. As empresas não ficam alheias a esta realidade. E os números revelados pela organização não governamental (ONG) falam por si: nove em cada dez das grandes empresas analisadas - foram mais de 200 - têm presença em pelo menos um paraíso fiscal. No entanto, através dos dados disponibilizados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a Oxfam garante que esta tendência não se aplica apenas aos países mais ricos, já que os mais pobres acabam também por enviar dinheiro para os paraísos fiscais, fugindo assim a determinadas responsabilidades para com o Estado. Feitas as contas, 34% do dinheiro desviado para paraísos fiscais vêm da Europa e 15,8 % vêm dos Estados Unidos da América. Perante estes números, a ONG pediu aos economistas reunidos no fórum de Davos para discutirem o assunto e “se comprometerem a desenvolver uma estratégia mais eficaz para acabar tanto com os paraísos fiscais como com outros regimes causadores de danos” (Sol)
Paraísos fiscais somam 7 biliões
O dinheiro nos paraísos fiscais continua a aumentar e já ultrapassa a soma dos produtos internos brutos do Reino Unido e da Alemanha juntos. O valor já ultrapassa os 7,6 triliões de dólares, (cerca de 7 biliões de euros) que não são taxados nos diversos países, revelam os dados do último relatório da Oxfam. As empresas não ficam alheias a esta realidade. E os números revelados pela organização não governamental (ONG) falam por si: nove em cada dez das grandes empresas analisadas - foram mais de 200 - têm presença em pelo menos um paraíso fiscal. No entanto, através dos dados disponibilizados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a Oxfam garante que esta tendência não se aplica apenas aos países mais ricos, já que os mais pobres acabam também por enviar dinheiro para os paraísos fiscais, fugindo assim a determinadas responsabilidades para com o Estado. Feitas as contas, 34% do dinheiro desviado para paraísos fiscais vêm da Europa e 15,8 % vêm dos Estados Unidos da América. Perante estes números, a ONG pediu aos economistas reunidos no fórum de Davos para discutirem o assunto e “se comprometerem a desenvolver uma estratégia mais eficaz para acabar tanto com os paraísos fiscais como com outros regimes causadores de danos” (Jornal I)
quarta-feira, junho 03, 2015
Bélgica considera o Luxemburgo um paraíso fiscal
A Bélgica vai incluir o Luxemburgo na lista de paraísos fiscais, obrigando os indivíduos ou empresas belgas a darem conta de todas transações com aquele país acima de 100 mil euros. A informação foi confirmada pelo Ministério das Finanças belga e a medida está diretamente relacionado com o facto de o Grão-Ducado estar na lista dos paraísos fiscais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). A Bélgica aprovou uma lei em 2010 segundo a qual os países que estejam há mais de um ano na lista dos paraísos fiscais da OCDE devem ser objeto de medidas especiais, sendo então esse o caso do Luxemburgo. O Luxemburgo está nessa lista desde novembro de 2013, ainda antes do escândalo 'Luxleaks', que revelou que centenas de multinacionais assinaram acordos secretos com as autoridades fiscais do pequeno país para diminuir significativamente o valor a pagar em impostos, privando outros Estados europeus de muitos milhões de euros em receitas fiscais. Desde então, o Luxemburgo aceitou um projeto da Comissão Europeia que prevê a troca de informações a cada três meses entre os Estados-membros sobre acordos fiscais prévios. O intercâmbio de informações permitirá aos 28 detetarem certas práticas fiscais abusivas de empresas e tomar as medidas necessárias para lhes dar resposta. A OCDE indicou em dezembro que houve progressos feitos pelo Luxemburgo e que a situação estava sob avaliação. Uma nova decisão pode ser tomada este verão" (aqui)
sexta-feira, abril 25, 2014
sábado, dezembro 14, 2013
Dinheiro português em paraísos fiscais está a regressar ao país
O dinheiro português em paraísos fiscais tem estado a regressar ao país. Segundo o Expresso, as aplicações portuguesas em offshores caíram 77% desde 2010.
segunda-feira, maio 27, 2013
Nomes mediáticos "apanhados" com empresas em paraísos fiscais
Desta
investigação saltam alguns nomes mediáticos como proprietários de offshores.
A Inglaterra tem um novo império: o das offshores e paraísos fiscais
Escreve a jornalista do Público, Cristina
Ferreira: "Uma investigação da Vanity Fair diz que “o Sol
nunca se deita para o império britânico de offshores e paraísos fiscais”."Só
as três dependências da coroa britânica [Caimão, as Ilhas Virgens Britânicas
[BVI] e as Bermudas] providenciaram $332,5 biliões de financiamento para a
City, a maioria não taxado". "É uma surpresa para a maioria das
pessoas que o mais importante player do sistema global de offshores
(livre de impostos e taxas) não seja a Suíça, nem as Ilhas Caimão, mas sim a
Grã-Bretanha, situada no centro de uma rede de paraísos fiscais britânicos
interligados entre si, a lembrar os últimos resquícios do império.” O parágrafo
consta de um trabalho da revista norte-americana Vanity Fair, publicado
na última edição de Abril, com o sugestivo título: A Tale of two Londons
[uma brincadeira à volta do conto (1859) de Charles Dickens, a Tale of Two
Cities].
Depois
de, na terça-feira, a organização internacional não-governamental (ONG) Oxfam
ter estimado em 14 biliões de euros (18,5 triliões de dólares) o dinheiro
ocultado em paraísos fiscais espalhados pelo mundo, ficou hoje a saber-se que
há 12 offshores, conectados com Portugal, associados a 22 proprietários ou
gestores (quatro portugueses) domiciliados em Lisboa, Porto, Estoril, Tavira e
Almancil. Ficou a saber-se que há 12 offshores, conectados com Portugal,
associados a 22 proprietários ou gestores (quatro portugueses) domiciliados em
Lisboa, Porto, Estoril, Tavira e Almancil. A informação é hoje revelada pelo
Expresso, em parceria com o Offshore Leaks, e consta de uma mega investigação
a paraísos fiscais. A Offshore Leaks analisou 2,5 milhões de documentos
secretos, relacionados com 120 mil companhias e 170 países.
As
notícias mais recentes ajudam a levantar a cortina opaca que protege as grandes
fortunas que “fogem” ao pagamento de impostos e surgem numa altura em que, em
Bruxelas, os chefes de Estado e de governo europeus reuniram para adoptarem
medidas de reforço da luta contra a evasão e a fraude fiscal.
A
Oxfam prevê que dois terços [9,5 biliões de euros] da verba “ocultada” em
paraísos fiscais (um total de 14 biliões de euros), estejam em “territórios”
offshore da União Europeia (UE). E que os Estados tenham perdido de receita
fiscal cerca de 120 mil milhões de euros: o que equivale “a duas vezes o
necessário para que cada pessoa no mundo em pobreza extrema viva acima do limiar
de 1,25 dólares por dia”. Apesar das expectativas abertas com o anúncio de que
os europeus iam reunir para discutir os temas offshore, os resultados do
encontro de quarta-feira, 22 de Maio, não foram animadores. Bruxelas atrasou
para Dezembro a decisão sobre a generalização da troca de dados financeiros no
espaço europeu.
Ao
contrário da França, que tem defendido medidas europeias contra a evasão
fiscal, a Áustria e o Luxemburgo (com fiscalidades e regras de reporte de
excepção) fazem depender o seu aval a uma maior transparência nas transacções
financeiras, ao reforço da legislação na Suíça, no Mónaco, em Andorra, em San
Marino e no Liechtenstein, territórios europeus, mas que não integram a UE.
A
Alemanha, sede do segundo maior centro financeiro da Europa, também olha para
as intenções de Holande com desconfiança.
Desta
vez, e apesar de Londres surgir, habitualmente, como a face visível da
resistência ao aumento da regulação financeira (bancos, operações financeiras e
offshores), as posições britânicas não apareceram destacadas na comunicação
social. Mas o trabalho da Vanity Fair, que se estende por sete páginas,
não deixa dúvidas de que qualquer mudança à actual “arquitectura” da city
londrina (uma metrópole offshore) tenderá sempre a ser vista como uma ameaça à
“competitividade” da sua indústria financeira.
O
título escolhido pela revista para ilustrar o mapa que acompanha o artigo de
Nicholas (Nick) Shaxson (autor de outra investigação sobre o tema: Where the
Money Lives) é elucidativo: “O Sol nunca se deita para o império britânico
de offshores e paraísos fiscais.”
"A
situação dúbia, meio dentro, meio fora (colónias sem o ser), assegura um fundo
de legalidade e de distância que permite à Grã-Bretanha dizer “que nada pode
fazer” quando um escândalo rebenta.” Esclarecedor, portanto.
“Um
círculo interior formado por dependências da coroa britânica – Jersey,
Guernsey, Ilhas de Man. Um pouco mais longe estão os 14 territórios espalhados
pelo mundo, metade são paraísos fiscais, incluindo, por exemplo, gigantes
offshores como as Ilhas Caimão, as Ilhas Virgens Britânicas (BVI) e as
Bermudas. Ainda mais longe numerosos países da Commonwealth britânica e antigas
colónias como Hong Kong, com fundas e antigas ligações a Londres, continuam a
alimentar grandes fluxos financeiros questionáveis e sujos para dentro da
City”, lê-se na Vanity Fair. "A situação dúbia, meio dentro, meio
fora (colónias sem o ser), assegura um fundo de legalidade e de distância que
permite à Grã-Bretanha dizer “que nada pode fazer” quando um escândalo rebenta.”
Esclarecedor, portanto. Ainda assim a revista norte-americana faz menção ao que
já se sabe: as enormes dificuldades em obter números sobre a circulação do
dinheiro pelos paraísos fiscais, o que justifica que os valores divulgados
pelas diferentes instituições nem sempre coincidam. Mas há pelo menos uma
certeza: uma parte significativa das grandes fortunas mundiais, das empresas e
dos fundos de investimento internacionais controlados a partir das metrópoles
financeiras acabam sediados em paraísos fiscais. Territórios opacos onde o
sigilo bancário e a complexidade das estruturas societárias dificultam a
identificação dos “offshore” e dos seus beneficiários efectivos, assim como das
verbas que por ali circulam. Depois de ressalvar que “a informação é pouca”,
Nick Shaxson garante que no fim do primeiro semestre de 2009, “só as três
dependências da coroa britânica [Caimão, as Ilhas Virgens Britânicas (BVI) e as
Bermudas] providenciaram $332,5 biliões de financiamento para a City, a maior
parte é dinheiro estrangeiro não taxado”.
“Quem
realmente vive no One Hyde Park [Londres], o edifício residencial mais caro do
mundo? A maior parte dos proprietários das habitações é gente que se esconde
atrás de offshores, de paraísos fiscais, o que nos dá o retrato dos novos
super-ricos.”
“Estas
questões estão de tal modo fora de controlo que, em 2001, até a Autoridade
Fiscal britânica vendeu 600 edifícios a uma companhia, a Mapeley Steps,
registada no paraíso fiscal das Bermudas para evitar o pagamento de taxas.” Nick
Shaxson "arranca" o artigo da Vanity Fair sem deixar dúvidas: “Quem
realmente vive no One Hyde Park [Londres], o edifício residencial mais caro do
mundo? A maior parte dos proprietários das habitações é gente que se esconde
atrás de offshores, de paraísos fiscais, o que nos dá o retrato dos novos
super-ricos.” O construtor do One Hyde Park, Nick Candy, explicou que Londres
“é a cidade no topo do mundo e o melhor paraíso fiscal para alguns”, enquanto
Mark Holling, co-autor do livro Londongrad, de 2009, que fala da invasão
russa, preferiu evidenciar: “ Eles [russos] vêem a capital/city como a mais
segura, justa e honesta para parquear o seu dinheiro e a justiça britânica
nunca os extradita”, nem “a polícia os investiga”, apesar de “se desconhecer a
origem do seu dinheiro”, resultante das “privatizações pós-soviéticas
corruptas” A grande dimensão dos negócios/transacções em paraísos fiscais sob
administração britânica tem gerado contestação e constitui uma dor de cabeça
para o governo de David Cameron. Recentemente, num contexto em que se pede
austeridade aos consumidores britânicos, o parceiro de coligação de Cameron,
Lord Oakeshott, do partido Liberal-Democrata, avisou: “[as triangulações entre
offshores] É uma mancha na face da Grã-Bretanha. Como pode Cameron pedir
seriamente ao G8 para reforçar as receitas fiscais se depois deixar as ilhas
[paraísos fiscais britânicos] usarem a lei para absorver milhões em dinheiro
sujo?”
A
acção da ex-primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, não foi esquecida
por Shaxson: “As reformas financeiras [de Thatcher], nomeadamente, o Big Bang
[desregulamentação], de 1986, fizeram disparar o número de banqueiros na city o
que expandiu as operações financeiras” e atraiu investimento estrangeiro. Mas
não só. A menor regulação e a maior competição, traços distintivos da city
londrina thatcherista, não resultaram em maior transparência e qualidade
nas operações financeiras e estiveram na origem da crise anglo-saxónica de
2007/2008. Hoje, sugerem-se grandes mudanças e prometem-se "grandes
batalhas" para meter a capital britânica na ordem. Mas será que a intenção
de Oakeshott de colocar um fim na circulação de dinheiro sujo na City acabará
algum um dia por sair da gaveta?"
sábado, maio 25, 2013
Expresso associa-se à maior investigação de sempre sobre paraísos fiscais
O Expresso dá conta hoje que se "juntou-se ao maior e mais complexo trabalho de colaboração planeado e montado até hoje entre jornalistas de todo o mundo, coordenado a partir de Washington pelo International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ). O Offshore Leaks envolve um enorme volume de informações entregues de forma anónima, num total de 2,5 milhões de documentos secretos oriundos das Ilhas Virgens Britânicas, das Ilhas Cook e de outros paraísos fiscais utilizados nas últimas décadas para esconder dinheiro e património. Os dados incluem fichas, contratos e trocas de emails entre donos e gestores relacionados com 120 mil offshores e 170 países. A investigação do ICIJ sobre pessoas com companhias criadas em paraísos fiscais, a decorrer em 47 países e com quase 90 jornalistas envolvidos, conta agora com a colaboração do Expresso, depois de o jornal ter assinado um acordo com aquela organização de Washington há duas semanas, que lhe permite aceder à base de dados do projeto e trabalhar em rede, cruzando métodos, pistas e informações. O Offshore Leaks tem a participação de alguns dos principais media do mundo, incluindo o "The Washington Post" nos Estados Unidos, o "The Guardian" e a BBC no Reino Unido, o "Le Monde" em França, o "Novaya Gazeta" na Rússia ou a "Folha de S. Paulo" no Brasil. O primeiro trabalho do Expresso sobre o Offshore Leaks é publicado hoje sábado, dia 25 de maio, na edição impressa do jornal"
sexta-feira, maio 24, 2013
Offshores mundiais escondem 14 biliões de euros
Segundo
os jornalistas do Público, Cristina Ferreira e Victor Ferreira, "dois
terços do dinheiro em paraísos fiscais - 9,5 biliões de euros -, tem origem na
União Europeia. Discutir o fim das offshores está a deixar de ser um tabu, mas
a solução está longe de ser alcançada. Depois de em Bruxelas altos responsáveis
terem aparecido a defender que o fim da fraude e da evasão fiscal é uma questão
fiscal e de sobrevivência das economias, ficou a saber-se que estes
"territórios" escondem 14 biliões de euros (18,5 triliões de
dólares). O que se traduzirá numa perda de receita fiscal para os governos em
torno dos 120 mil milhões de euros, segundo as contas da organização internacional
não-governamental Oxfam. No dia da reunião dos chefes de Estado e de governo
europeus agendada, hoje em Bruxelas, para tomar medidas de reforço na luta
contra a evasão e a fraude fiscal, a Oxfam revelou que dois terços do dinheiro
"ocultado" em paraísos fiscais estão relacionados com
"territórios" da União Europeia (UE). A ONG pediu aos responsáveis
europeus que actuem de modo articulado e urgente para pôr um fim à evasão
fiscal. Como é que se chegou àquelas contas? Um consultor e especialista da
Oxfam, Matti Kohonen, refaz o percurso ao PÚBLICO: a ONG teve em consideração
52 paraísos fiscais; usou como base a lista do US Government Accountability
Office, que lista 50, juntando-lhes depois mais dois territórios, a Holanda e o
estado norte-americano de Delaware; é um número menor de paraísos fiscais do
que aquele que se obtém (cerca de 60) seguindo os critérios da OCDE ou do FMI.
"Decidimos usar esta lista de 50 por nos parecer apropriado ao objectivo
de exigir a estas potências que ponham fim ao segredo que propicia a existência
destes paraísos fiscais", explica.
Desta
lista, da UE, estão o Luxemburgo, Holanda, Chipre, Malta, Irlanda e Letónia,
além de territórios ultramarinos, associados ou dependentes de países europeus
como Andorra (França), Gibraltar (Reino Unido), Aruba (Holanda). Portugal e a
Zona Franca da Madeira, por exemplo, não aparecem no grupo de territórios que
servem para esconder dinheiro que, em impostos, seria suficiente para
"acabar duas vezes com a pobreza extrema no mundo", diz a Oxfam. E
porque não está a Madeira? Porque uma zona franca tem "regras mais
relaxadas para atrair negócios", mas "é diferente de um paraíso
fiscal, que se rege pelo segredo extremo, onde os não residentes podem esconder
os seus bens financeiros das autoridades dos seus países de residência",
justifica Kohonen. Mas a Madeira "não deixa de preocupar a Oxfam",
porque mesmo assim "pode permitir a evasão fiscal".
Já
o advogado Gonçalo Martins, da SRS & Advogados, especialista em operações
financeiras, considera que, com o fim dos benefícios fiscais, uma imposição do
memorando assinado com a troika, a Madeira perdeu as suas características
offshores.
Num
contexto de maior pressão sobre os orçamentos europeus em que os contribuintes
são chamados a pagar décadas de desregulamentação financeira, os decisores, que
sempre olharam de lado para estas questões, surgem agora mais colaborantes. Há
dois dias o presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy chamou a atenção:
"Em tempos de severas restrições orçamentais e de cortes na despesa,
combater a evasão e a fraude fiscal é mais do que uma questão de justiça
fiscal. Tornou-se essencial para a aceitabilidade política e social da
consolidação orçamental." Já antes, o presidente da Comissão Europeia,
Durão Barroso, saíra em defesa de uma maior transparência dos circuitos
financeiros.
Catherine
Olier, conselheira da Oxfam para as questões europeias, considera legítimas as
preocupações dos responsáveis europeus: "Em tempos de austeridade e de
cortes orçamentais, a luta contra a evasão fiscal é uma maneira fácil de
conseguir reunir grandes quantidades de dinheiro como alternativa aos
cortes" que penalizam as populações, disse ontem ao PÚBLICO. "Em
qualquer parte do mundo, os impostos são fontes mais sustentáveis de obter recursos
para financiar serviços públicos como a Saúde e a Educação".
Afirmações
que surgem no quadro de movimentações que começaram a ganhar asas na Primavera
de 2009, quando se realizou a grande cimeira da globalização. Na altura, foi
num quadro de incerteza quanto à evolução económica que o G20 proclamou
"que a ausência de regulação estava na base da crise" financeira. Mas
não agiu em consonância. As 20 potências, entre as quais a UE, limitaram-se a
celebrar um compromisso genérico "para ampliar a supervisão e o registo
regulador das agências de rating". E sobre o combate à evasão e fraude
fiscal pouco adiantaram.
Gonçalo
Martins considera o relatório da Oxfam "bem estruturado", pois apela
à conciliação "da necessidade de obter receitas para combater a pobreza,
com a existência de quantias impensáveis que são detidas por empresas offshore,
muitas delas em países que têm índices de desenvolvimento humano baixo, algo
que é, no mínimo, paradoxal."
A
Oxfam chama a atenção para, em resultado da ocultação de 14 mil milhões de
euros em paraísos fiscais, se deixarem de cobrar 120 mil milhões de euros de
impostos: "Duas vezes o necessário para que cada pessoa no mundo em
pobreza extrema viva acima do limiar de 1,25 dólares por dia." Contas que
dão que pensar. Sobre Portugal, Gonçalo Martins diz que não existem números
certos, mas acredita "que seja uma parte ínfima dos 9,5 biliões de euros
[referentes aos dois terços do bolo total que está na esfera da UE], pois a
maior parte está associada aos grandes centros financeiros, como Londres,
Frankfurt e Paris."
Utilizar
a Holanda não é uma novidade para os portugueses. Um trabalho do PÚBLICO, de
Agosto de 2011, sobre o "trilho dos grupos do PSI 20 registados em regiões
com menor carga fiscal", concluiu que 19 das 20 maiores empresas cotadas
na bolsa lisboeta tinham, no total, 74 sociedades com sedes em países com
vantagens fiscais em relação a Portugal. A Holanda era a preferida. Mas a
Irlanda e o Luxemburgo também. Já os bancos optavam pelas ilhas Caimão.
Um
relatório feito a pedido do grupo socialista europeu, e disponível no site da
Comissão Europeia, dá uma indicação sobre Portugal: anualmente a fuga ao fisco
representa uma perda de 12 mil milhões de euros. O mesmo valor da linha pública
reservada à recapitalização da banca portuguesa e mais 1500 milhões do que o
valor do défice público português de 2012 (10,6 mil milhões de euros).
O
que deve Portugal fazer? "Tem de apostar numa posição europeia comum clara
relativamente à imposição de restrições, a nível global, de zonas de tributação
nula ou reduzida", diz o advogado especializado em operações financeiras
transnacionais. A existência "de zonas de tributação reduzida na UE
(Luxemburgo e Malta, por exemplo) é um factor de desigualdade entre países da
UE, mas reforça a competitividade financeira da própria UE, desde que as
instituições financeiras sejam supervisionadas. Este último aspecto é
fundamental, veja-se o caso de Chipre." Ontem, já terminada a cimeira, a
Oxfam comentou o resultado da reunião: "Os líderes da UE não conseguiram
pôr-se de acordo sobre uma lista negra de paraísos fiscais e a imposição de
sanções contra eles e quem os usa", disse Olier. "É positivo que
mostrem vontade, mas são os mais pobres dos pobres que mais são atingidos com
as más práticas fiscais e não há um sinal mínimo de que a UE queira envolver os
países em desenvolvimento neste esforço".
Offshores e Zonas Francas: Perguntas e respostas
O
que é um offshore?
É
uma sociedade ou conta bancária que está domiciliada num paraíso fiscal, ou
seja, uma jurisdição em que a fiscalidade é praticamente nula ou muito
reduzida.
O
que é uma zona franca?
O
conceito de zona é ligeiramente diferente do conceito de paraíso fiscal, embora
coincida no aspecto da tributação reduzida ou nula. Em regra, correspondem a
zonas delimitadas de um território, normalmente portos, sem tributação (tarifas
alfandegárias nas operações de comércio internacional) com o argumento de serem
um estímulo à actividade portuária. Na prática, o que acontece é que se permite
a instalação de empresas que beneficiam de tributação reduzida ou nula.
Exemplos: Zona Franca da Madeira, Vigo, Cádis, Barcelona ou mesmo a zona
portuária de Londres (London Docklands).
Que
vantagens oferece um offshore?
A
possibilidade de se constituir uma sociedade que beneficia de tributação
reduzida ou nula e, indirectamente através dessa sociedade, ou directamente
beneficia de um conjunto de serviços financeiros prestados por filiais de
bancos internacionais. O capital fica isento de tributação, ao mesmo tempo que
aufere de um regime de sigilo bancário rigoroso, dificultando o acesso a
informações ou registos bancários por parte das autoridades fiscais e de
investigação criminal dos outros países.
Transferir
dinheiro para paraísos fiscais é um crime?
Não.
Sendo legal, obriga o depositante/contribuinte a declarar que é beneficiário ou
tem poderes de movimentação de contas em offshores e a declarar os
rendimentos daí decorrentes. A não declaração e não pagamento de rendimentos aí
obtidos por pessoas singulares ou colectivas residentes em Portugal é que é
crime. A lei contém normas antiabuso, que consideram que uma pessoa colectiva
tem o seu domicílio no local da sua sede ou direcção efectiva, abrangendo assim
as situações em que uma sociedade sediada num paraíso fiscal é efectivamente
administrada ou controlada a partir de Portugal.
Qualquer
pessoa pode depositar dinheiro nos offshores?
Sim.
Mas está obrigada a declarar a existência de contas bancárias. Esta regra
aplica-se a qualquer conta bancária domiciliada fora do país.
Qualquer
Estado pode abrir um offshore?
Em
princípio sim. Mas a nível europeu não é possível, pois existem regras que
limitam a existência de offshores, embora haja muitas excepções. A Zona
Franca da Madeira beneficiava de um estatuto negociado pelo Estado português a
nível da União Europeia, e que, devido ao plano de assistência financeira, teve
um fim mais cedo do que o inicialmente previsto.
Será
possível acabar com os offshores?
Os
especialistas defendem que só um acordo a nível do G20 relativamente a taxas
sobre operações financeiras, incluindo transferências de capitais de e para offshores
(que deveriam ser taxas agravadas), poderia reduzir o problema.
O
que se passa em Portugal?
O Estado português dispõe, desde 2004, de uma lista
oficial das jurisdições de tributação privilegiada, os chamados "paraísos
fiscais". A lista não é completa. Não inclui, por exemplo, os estados
norte-americanos de Delaware e de Nova Iorque (sob algumas condicionantes). Mas
na União Europeia há regimes fiscais favoráveis, nomeadamente para as
sociedades gestoras de participações sociais (holdings) na Holanda,
Luxemburgo, Malta ou Chipre (fonte: jornalista
do Público, Cristina
Ferreira, com a devida vénia)
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