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terça-feira, novembro 11, 2025

FMI aconselha Portugal a reduzir isenções fiscais e a gastar melhor em 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que Portugal deve optar por reduzir as isenções fiscais e melhorar a eficiência da despesa pública para manter o equilíbrio orçamental em 2026, devido ao impacto das descidas do IRS e IRC. “Manter o impulso orçamental para além de 2026 exigirá medidas para compensar os recentes cortes nos impostos sobre o rendimento das pessoas singulares [IRS] e das empresas [IRC], que terão um efeito duradouro no equilíbrio orçamental”, indica o FMI numa resposta enviada à agência Lusa.

De acordo com o organismo, “estas medidas devem incluir a redução das isenções fiscais, a melhoria da eficiência da despesa pública e a resposta às pressões orçamentais decorrentes do envelhecimento da população”. Num relatório divulgado em outubro, o FMI antecipou um excedente de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e um saldo nulo no próximo, mais pessimista do que o Governo.

Em previsões anteriores, o FMI chegou a prever um excedente orçamental de 0,1% em 2026. No entanto, é uma exceção, já que a maioria das instituições que segue a economia portuguesa aponta para um défice no próximo ano. Nas projeções divulgadas no mês passado, o FMI calculou também que a economia portuguesa cresça 1,9% este ano e 2,1% no próximo, mais pessimista do que o Governo, que no Orçamento do Estado aponta para crescimentos de 2% e 2,3%.

sábado, março 15, 2025

Estimativas do FMI para as Economias da UE, em 2029

De acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional, a economia portuguesa poderá perder mais quatro posições na UE até 2029, caindo para o 22.º lugar em 27 países. O PIB per capita representará cerca de 81% da média comunitária. É provável que se mantenha, portanto, a trajetória de perda de posições da economia portuguesa, algo que se verifica desde a viragem de século. Em 2000, Portugal registava o 15.º maior PIB per capita na UE (85% da média comunitária), tendo caído três posições até aos dados oficiais mais recentes (18.º posição e 83% da média comunitária). O Luxemburgo mantém-se no topo da tabela desde 2000 e é previsível que se mantenha nessa posição em 2029, mesmo que a métrica utilizada seja o RNB per capita para evitar distorções que inflacionam o PIB per capita (o mesmo procedimento foi utilizado para a Irlanda). O último lugar era ocupado pela Roménia em 2000 (PIB per capita representava apenas 26% da média comunitária), que tem tido um desempenho exemplar e em 2029 poderá já estar várias posições acima de Portugal. Nesse ano, estima-se que seja a Grécia a ocupar a última posição, um país que em 2000 estava na primeira metade da tabela (14.º) (fonte: Instituto +Liberdade, + Factos)

terça-feira, julho 26, 2022

Estagnação na zona euro e um dos piores crescimentos da economia mundial desde 1980: o cenário pessimista do FMI para 2023

No início deste ano, o FMI previa para 2023 um crescimento perto de 4% para a economia mundial e de 2,5% para a zona euro. Agora admite um cenário pessimista (batizado de 'alternativo') em que o mundo cresce 2% e o espaço da moeda única entra em estagnação. O Fundo Monetário Internacional (FMI) não fala de recessão na atualização das previsões macroeconómicas para 2022 e 2023 publicadas esta terça-feira em Washington. Mas o fantasma está presente nas entrelinhas, com os economistas do Fundo dirigidos pelo académico Pierre-Olivier Gourinchas, a avançarem com um "cenário alternativo" ao cenário-base, onde se admite para o próximo ano estagnação na zona euro (ou mesmo uma ligeira contração) e um crescimento da economia mundial em 2%, um dos seis ritmos mais baixos em 43 anos (incluindo as recessões de 2009 e 2020), desde que o Fundo iniciou a nova série em 1980.

No cenário-base, o FMI prevê, agora, um crescimento mundial de 3,2% em 2022 e 2,9% no ano seguinte. Muito longe das previsões otimistas avançadas em outubro do ano passado, quando apontava para quase 5% de crescimento este ano, e aquando da atualização feita em janeiro apresentando pela primeira vez uma previsão de crescimento de quase 4% para 2023.

quinta-feira, julho 28, 2016

Tarde demais: Relatório arrasa actuação do FMI em Portugal

Um relatório arrasador sobre a prestação do FMI no programa de assistência financeira a Portugal foi apresentado esta quinta-feira por um órgão independente e revela que os técnicos da troika fizeram mal as contas. Esse relatório admite que os técnicos foram demasiado optimistas nas previsões e que Portugal precisaria de mais dinheiro para sair da crise.

segunda-feira, outubro 12, 2015

As previsões do FMI para as contas públicas portuguesas em gráficos


Conheça as previsões do Fundo Monetário Internacional para o défice orçamental, receitas e despesa do Estado e dívida pública (Jornal de Negócios)

terça-feira, abril 21, 2015

Empréstimos do FMI ficaram 1500 milhões de euros mais caros desde a saída da troika



Li no Publico, num texto do jornalista Sérgio Aníbal que “quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) entregou em Abril do ano passado a 11ª tranche do empréstimo a Portugal, pouco antes da saída da troika do país, aquilo que Portugal ficou a dever à instituição sedeada em Washington correspondia a 26.670 milhões de euros. Esta semana, antes das primeiras amortizações antecipadas do empréstimo, o valor total estava próximo de 30.400 milhões de euros. O que explica esta diferença de mais de 3700 milhões de euros? A razão está na forte depreciação do euro face à maior parte das divisas internacionais, que tornou mais caro, em euros, o empréstimo que Portugal tem de pagar em SDR (a sigla em inglês para Direitos Especial de Saque, que é a moeda usada pelo FMI nos seus créditos).
Isto significa que, tendo em conta que cerca de 60% dos empréstimos cedidos pelo FMI a Portugal foram alvo de uma cobertura cambial (que protege o devedor do risco de variação do valor das moedas), o Estado português está, desde Abril até agora, a ter de registar um encargo adicional com dívida próximo dos 1500 milhões de euros, só por causa da perda do valor do euro nos mercados. No final de Abril de 2014, o mês em que o FMI entregou pela última vez uma tranche do empréstimo a Portugal, eram precisos 1,12 euros para pagar uma dívida de um euro em SDR. Agora, ao câmbio de 12 de Março, o dia anterior à amortização antecipada de parte do empréstimo, são necessários 1,29 euros.
Os SDR são a moeda usada pelo FMI nas suas operações e resultam de um cabaz de divisas internacionais e que inclui, por exemplo, o dólar e o euro. Como a moeda europeia tem vindo a depreciar-se de forma muito acentuada face a outras divisas, especialmente o dólar, os SDR apreciaram-se quando comparados com o euro. Para quem tem empréstimos em moedas estrangeiras, a depreciação do euro é um problema. É o caso do Estado com os empréstimos em SDR. Nos boletins publicados mensalmente pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP é possível verificar que, no decorrer de 2014, o valor dos empréstimos em euros aumentou em 1747 milhões por causa da desvalorização cambial. Em Janeiro, o último para o qual o IGCP publica estes dados, o agravamento do empréstimo foi de mais 1233 milhões de euros. Em Fevereiro e Março, a depreciação do euro continuou e até acentuou-se. Entre o final de Abril de 2014 e meados do presente mês de Março, a perda de valor euro face aos SDR foi de 14%, o que significa que o empréstimo ficou 3700 milhões de euros maior. As perdas são potenciais porque é sempre possível que, antes da dívida ser paga, o euro se volte a apreciar. No entanto, esta semana, já se registaram perdas efectivas. O Tesouro amortizou antecipadamente 5108 milhões de SDR da dívida do FMI entre 13 e 18 de Março. Ao câmbio actual, isto corresponde a 6600 milhões de euros, mas quando a troika saiu de Portugal valiam 5700 milhões de euros.
A situação não é tão penalizadora para as contas públicas porque o Estado português se precaveu parcialmente contra o risco de câmbio associado a estas operações. Em declarações ao PÚBLICO, a presidente do IGCP explicou que, relativamente aos dados de 2014, o acréscimo da dívida de 1747 milhões de euros, acabou por representar um custo de 700 milhões de euros, o que significa que cerca de 60% da dívida portuguesa ao FMI tinha contratos de cobertura do risco cambial. Este tipo de contratos é geralmente feito em todas as emissões de dívida em divisa estrangeira (foi o que aconteceu com a emissão em dólares feita em 2014), mas, no caso dos empréstimos do FMI, nem toda a dívida ficou protegida, porque o Estado não conseguiu contratar seguros em condições suficientemente favoráveis. Para os principais indicadores da dívida, este encarecimento dos empréstimos do FMI têm um impacto significativo. No caso da dívida pública (na óptica de Maastricht), o efeito negativo é minimizado parcialmente pela existência das coberturas cambiais. No caso do défice público, o valor contabilizado em contas nacionais, não leva em conta, no novo Sistema Europeu de Contas, os contratos de cobertura. Por isso, sempre que  Portugal paga juros ao FMI, o efeito da depreciação do euro reflecte-se integralmente na despesa”

quarta-feira, março 18, 2015

Portugal: Declaração final da missão de consulta do FMI ao abrigo do Artigo IV referente a 2015

As declarações finais descrevem as conclusões preliminares do corpo técnico do FMI ao término de uma visita oficial (ou ‘missão’), na maioria dos casos a um país membro. As missões são realizadas como parte de consultas regulares (em geral anuais) ao abrigo do Artigo IV do Convénio Constitutivo do FMI, no contexto de uma solicitação de uso dos recursos (empréstimo) do FMI, como parte das discussões de programas monitorizados pelo corpo técnico ou de outra forma de acompanhamento da evolução económica pelo corpo técnico. As autoridades consentiram com a publicação desta declaração. As opiniões expressas nesta declaração são as do corpo técnico do FMI e não representam necessariamente as opiniões do Conselho de Administração do FMI. Com base nas conclusões preliminares desta missão, o corpo técnico elaborará um relatório que, após aprovado pela Direção, será submetido à apreciação e decisão do Conselho de Administração do FMI. Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) esteve em Lisboa entre os dias 5 e 17 de março para conduzir as discussões de consulta ao abrigo do Artigo IV referentes a 2015, como parte da atividade normal de supervisão dos países membros. Ao final da visita, o chefe da missão do FMI, Subir Lall, expressou os seus agradecimentos às autoridades pelo diálogo franco e construtivo e fez a seguinte declaração:

Espera-se que a recuperação económica de Portugal se fortaleça este ano. No âmbito do programa de ajustamento económico, graves desequilíbrios foram corrigidos, o crescimento foi restaurado e o desemprego começou a declinar. Contudo, persistem alguns desafios que exigirão um esforço sustentado de reformas estruturais. Uma confluência de fatores externos positivos – uma taxa de câmbio mais favorável do euro, um ambiente de política monetária altamente acomodatício e a descida dos preços do petróleo – proporciona uma excelente janela de oportunidade para a realização de tais reformas.


O processo de ajustamento económico



1. O programa de ajustamento económico de Portugal estabilizou uma economia profundamente desequilibrada. Antes da eclosão da crise da dívida soberana no início de 2011, o modelo de crescimento de Portugal, assente no consumo, havia conduzido a grandes défices da balança de transações correntes. A competitividade externa declinou, a dívida subiu para níveis insustentáveis nos sectores público e privado e o crescimento caiu para um nível bastante inferior ao necessário para a convergência para o padrão de vida médio da União Europeia. Desde 2011, graças às políticas pautadas pelos princípios do programa de ajustamento, o défice da balança corrente transformou-se num excedente, a acumulação anterior de endividamento público e privado foi interrompida e o acesso pleno aos mercados de dívida soberana foi restaurado. O produto começou a expandir novamente em 2013, enquanto o desemprego começou a declinar a partir de níveis historicamente sem precedentes. Para sublinhar o êxito do processo de ajustamento, e em consequência do ambiente de taxas de juros extraordinariamente baixas na área do euro, Portugal deu início ao reembolso antecipado de parte do seu empréstimo com o FMI.



2. Mas os decisores políticos ainda precisam fazer face a diversos legados difíceis da crise e desequilíbrios de longa data. Em primeiro lugar, dadas as atuais políticas, a criação de postos de trabalho nos próximos anos seria insuficiente para reduzir os recursos ociosos para níveis aceitáveis, especialmente entre os trabalhadores menos qualificados. Um ritmo mais célere de criação de empregos é também necessário para reduzir a pobreza e a desigualdade de rendimentos. Em segundo lugar, dadas as atuais políticas, os níveis excessivos de endividamento de grande parte do sector empresarial privado continuarão a travar o investimento, perpetuando a má afetação de recursos a empresas improdutivas e gerando riscos para a estabilidade financeira. Em terceiro lugar, é preciso dar seguimento à consolidação orçamental a médio prazo, não só por causa do legado de dívida pública elevada, mas também para assinalar que os excessos do passado no domínio da política orçamental não serão repetidos uma vez que se dissipem as pressões imediatas da crise.



3. Os desenvolvimentos recentes fora de Portugal criam para os decisores políticos do país uma janela de oportunidade para fazer face a tais legados. Um euro muito mais fraco e taxas de rendibilidade excecionalmente baixas — um reflexo da política monetária altamente acomodatícia na área do euro — assim como a acentuada descida dos preços do petróleo, geraram um forte impulso favorável para a economia. Tal confluência de fatores proporciona uma oportunidade que deverá ser utilizada com sabedoria para manter o ímpeto das reformas. Isto significa prosseguir e completar a tarefa de construir uma economia mais virada para a exportação, que desta vez concretize as promessas originais da adoção do euro.



O contexto macroeconómico



4. A recuperação do produto tem sido tépida até à altura. Uma recuperação liderada pelo consumo privado elevou o crescimento para cerca de 1% em 2014, um resultado associado ao crescimento de 1,6% no emprego no ano transato. Espera-se que os resultados orçamentais de 2014 estejam em linha com a meta do governo; contudo, a dívida pública ascendeu a 128,7% do PIB em 2014, em parte em consequência de diversas transações pontuais de grande envergadura. Projeta-se que o crescimento acelere para cerca de 1,5% em 2015, beneficiado por uma conjuntura externa muito mais favorável. Nesse contexto, espera-se que a inflação média anual passe a ser positiva este ano. A expectativa para o défice orçamental global é que permaneça marginalmente acima da meta de 3% do PIB segundo o procedimento de défices excessivos, cifrando-se em 3,2% do PIB.



5. A médio prazo, o ritmo de atividade e criação de postos de trabalho deve ser vagaroso. Não obstante o forte impulso cíclico, espera-se que o investimento permaneça baixo demais para manter o stock de capital da economia, enquanto o envelhecimento da população provocará uma redução da população ativa. Embora a composição das qualificações da força de trabalho continuará a registar melhorias aceleradas, acompanhando as tendências recentes, espera-se que o crescimento do produto a médio prazo não ultrapasse cerca de 1,25%. A este ritmo moderado, uma parcela significativa dos atuais recursos ociosos não seria absorvida pela criação de postos de trabalho, especialmente no segmento dos trabalhadores menos qualificados. Em vez disso, os trabalhadores provavelmente perderiam o vínculo com o mercado laboral e desistiriam de procurar emprego, ou migrariam para tentar encontrar trabalho noutros países.



A criação de empregos



6. A única saída sustentável para a criação de postos de trabalho é um crescimento mais rápido do que o projetado nas exportações e no investimento. A absorção mais célere dos recursos ociosos através da criação de empregos será possível se as restrições mais graves às exportações (baixa competitividade externa) e ao investimento privado (excesso de alavancagem das empresas) forem enfrentadas com maior rigor pelos decisores políticos. O maior crescimento das exportações facilitaria um aumento sustentado das importações, sobretudo bens de investimento, criando um círculo virtuoso de crescimento e geração de empregos, sem abdicar do equilíbrio externo.



7. No caso de Portugal, compete às reformas estruturais proporcionar o maior impulso à elevação da competitividade. O programa de ajustamento lançou e executou um grande número de reformas estruturais. Tal processo de reformas, às vezes levado adiante a despeito da oposição de lobbies e interesses instalados, desempenhou também um papel significativo na restauração da credibilidade do país entre os participantes do mercado e investidores estrangeiros. O desafio para os decisores políticos será consolidar estas realizações. Para o efeito, será preciso rever as reformas que não produziram os resultados almejados, concluir a execução das reformas já iniciadas e abordar os constrangimentos remanescentes por meio de reformas complementares.



8. A qualidade das políticas e dos serviços públicos é um elemento crucial para a competitividade das empresas e o bem-estar dos cidadãos. Talvez seja preciso reexaminar algumas reformas do sector público. As reformas da administração fiscal e do sistema de saúde já produziram resultados concretos, mas aquelas destinadas a melhorar a capacidade de resposta da administração pública às necessidades das sociedades e a fortalecer a disciplina nos pagamentos às entidades do sector público foram muito menos bem sucedidas, sobretudo ao nível autárquico. Apenas uma reforma profunda do Estado poderá produzir resultados tangíveis no que respeita à melhoria do funcionamento da administração pública.



9. No que toca ao funcionamento do mercado de produtos, deve-se concluir a implementação das reformas que foram iniciadas. Algumas medidas centradas na redução dos custos da energia, uso da infraestrutura de transportes (em especial os custos para os utilizadores dos portos) e custos dos serviços profissionais, entre outros, ainda estão pendentes. A Autoridade da Concorrência precisa de contar com os recursos e o apoio necessários para combater mais energicamente práticas anticoncorrenciais nos sectores protegidos. Ademais, a maior integração ao mercado europeu aumentará a concorrência e melhorará a eficiência de mercado. Embora seja difícil reverter totalmente os custos legados de erros de políticas do passado em áreas como energia e infraestruturas rodoviárias, será especialmente importante evitar derrapagens nas reformas nessas áreas.



10. Deve-se considerar novas ideias e iniciativas na esfera laboral, evitando-se recorrer a políticas que prejudiquem a criação de empregos. Já foram envidados esforços significativos para utilizar políticas ativas de promoção do emprego para melhorar as qualificações e a permanência dos trabalhadores no mercado. Mas a produtividade dos trabalhadores, sobretudo os menos qualificados, depende também das qualificações dos gestores. Deve-se, portanto, rever a eficácia e amplitude dos programas para promover as competências de gestão em Portugal. Manter o vínculo dos trabalhadores desempregados a longo prazo com o mercado de trabalho continuará a ser um desafio. Considerando que uma parcela crescente dos trabalhadores são assalariados, aumentar prematuramente o salário mínimo poderia reduzir ainda mais as possibilidades de os trabalhadores pouco qualificados fazerem a transição de inativos ou desempregados para ativos. Embora os salários mínimos possam ser úteis para impedir abusos em detrimento dos trabalhadores e proporcionar um limite mínimo para o rendimento, conceder aumentos excessivos pode prejudicar as próprias pessoas que se tenciona amparar, e o governo dispõe de instrumentos de política mais eficientes para combater a pobreza. Os parceiros sociais têm também uma responsabilidade especial em promover a criação de postos de trabalho ao apoiar políticas que reforcem a competitividade do país. Um diálogo social mais inclusivo e transparente facilitaria a consecução de soluções de políticas cooperativas que beneficiem todas as partes interessadas.



O saneamento dos balanços das empresas e da banca



11. O excesso de alavancagem das empresas ainda é um sério entrave ao investimento privado. Os dados consolidados do sector indicam que o ritmo de desalavancagem das empresas acelerou em 2014, mas a dívida agregada continua excessiva. Ao mesmo tempo, não está claro se as empresas sobre alavancadas estão à frente do processo de desalavancagem. As autoridades implementaram a quase totalidade da sua estratégia de desalavancagem das sociedades, a qual abrange um tratamento fiscal menos favorável do financiamento através da emissão de dívida e a redução do limiar para aprovação dos credores em planos de reestruturação. No entanto, tais medidas talvez não abordem plenamente os incentivos que originalmente conduziram à contratação excessiva de créditos, como a distribuição elevada de lucros aos proprietários. Para além disso, é possível que os persistentes desincentivos que impedem que proprietários, credores e novos investidores em potencial cheguem a um acordo sobre a reestruturação da dívida das empresas ainda viáveis não tenham sido completamente eliminados. De referir, em especial, que alguns bancos talvez ainda precisem ser persuadidos a constituir provisões para possíveis imparidades.



12. Esforços mais ambiciosos por parte dos bancos mitigariam o risco de cair num ciclo de crescimento baixo e desalavancagem lenta. Num contexto em que o sistema bancário ainda enfrenta custos operacionais elevados, excesso de capacidade e baixa qualidade dos ativos, esperar que o crescimento económico aumente a lucratividade pode acabar por ser autoderrotista. Em vez disso, os bancos devem tirar proveito da atual conjuntura económica e financeira propícia para abordar com mais vigor a questão do sobre-endividamento das empresas. Devem mobilizar mais capital, reforçar as provisões e acelerar o ritmo de reconhecimento de perdas. Isso abriria espaço para a concessão de novos empréstimos de maior qualidade, que apoiem o crescimento económico, bem com contribuiria para reduzir os riscos para a estabilidade financeira ao melhorar a qualidade dos ativos da banca.



Uma âncora para as políticas orçamentais a médio prazo



13. O objetivo da política orçamental a médio prazo deve ser reduzir a dívida pública a um nível mais sustentável. A consolidação das finanças públicas durante o programa de ajustamento foi considerável, tendo-se obtido um ajustamento estrutural primário da ordem de 8% do PIB no período 2010-2014. Mas o esforço de consolidação esteve mais fortemente virado para as medidas do lado da receita do que se previa inicialmente. Para o futuro, a política orçamental deve ter como âncora um ajustamento estrutural primário de 0,5% do PIB, o qual deve ser atingido sobretudo através da racionalização das despesas no contexto da introdução de metas para as despesas em todas as esferas da administração pública. O cumprimento dessas metas exigirá a identificação e execução rigorosa de medidas de política específicas, permanentes e de alta qualidade. Enfrentar as pressões sobre as despesas públicas exigirá novos esforços assentes nas reformas estruturais nos regimes de salários e pensões. Por último, as alterações planeadas na Lei de Enquadramento Orçamental seriam um passo importante para imprimir uma orientação de médio prazo à gestão financeira pública.



Lisboa, 17 de março de 2015

Debate no Económico: "FMI avalia Portugal"

A análise de Miguel Gomes da Silva, director da sala de mercados do Montepio, e Jorge Landeiro Vaz, professor universitário, num debate conduzido por Alexandra Ferreira. "Em Foco" de 17 de Março de 2015.


FMI insiste na necessidade de Portugal continuar reformas no Estado

O Fundo Monetário Internacional reviu em alta a previsão de crescimento da economia portuguesa. No relatório preliminar da visita feita ao país no início de março, os técnicos do FMI incluem uma previsão de crescimento de 1,6 por cento, contra a anterior estimativa de 1,2 por cento. Apesar da revisão em alta, os técnicos insistem que Portugal não vai conseguir um défice inferior a três por cento. A organização estima que este fique nos 3,2 por cento.


FMI avisa que Portugal vai voltar a violar a meta do défice

O FMI volta a deixar recados a Portugal. No relatório preliminar da visita feita ao país no início deste mês, os técnicos do Fundo Monetário Internacional decidiram rever em alta a previsão de crescimento. Assim dizem que Portugal deverá crescer de 1,2 para 1,6 por cento. Apesar deste resultado insistem que Portugal vai violar novamente a meta dos 3 por cento, ao contrário do que prevê o governo e aponta para um défice de 3,2 por cento


sábado, março 07, 2015

Chefe de missão do FMI pediu revisão constitucional para estender ou renovar memorando



Segundo o Jornal I, “o último chefe de missão do Fundo Monetário Internacional para Portugal, Subir Lall, advertiu em abril de 2014 que a negociação de qualquer novo programa de ajustamento implicaria uma revisão constitucional, quando se falava de uma extensão do memorando. Esta é uma das revelações do livro "Segredos de Estado", assinado por Luís Reis Pires, jornalista do Diário Económico, em coautoria com Nuno Martins, do jornal ‘online' Observador, nas bancas desde quarta-feira e que será apresentado no próximo sábado. "Foi de tal modo difícil para a ‘troika' lidar com o Tribunal Constitucional (TC) e com os argumentos do Governo para não levar avante algumas ideias que, na hora de ir embora, Subir Lall avisou que, se algo corresse mal e Portugal voltasse a precisar do apoio do FMI, todo e qualquer novo programa seria dependente de uma revisão constitucional": "Se não conseguem trabalhar com esta [Constituição], têm de arranjar outra", afirmou o economista-chefe. Ao longo de mais de duzentas páginas, os dois autores relatam os "bastidores" das negociações entre o Governo português e os técnicos do FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu ao longo de três anos e doze avaliações à execução do memorando de entendimento, com reuniões em tom agressivo, "puxões de orelhas" do Presidente da República e uma crise política sem paralelo, em julho de 2013. Com base em mais de sessenta entrevistas ‘off the record', os dois autores convergem que houve uma "gestão muito mais política" da austeridade desde que Paulo Portas passou a liderar as negociações com a ‘troika’ com Maria Luís Albuquerque, após a sua demissão "irrevogável", em julho de 2013. No livro, fica patente a difícil relação de Portas com Vítor Gaspar, que como ministro das Finanças pediu a Passos Coelho mais autoridade no seio do Governo, e também com vários técnicos da ‘troika'. A relação do vice-primeiro-ministro era particularmente difícil com o último chefe de missão do FMI, Subir Lall, que acusou o português de não ter "respeito por ninguém". A 15 de dezembro de 2013, o livro relata que Paulo Portas invocou "um compromisso urgente" para se ausentar de uma reunião que tinha convocado com os três chefes de missão no Palácio das Laranjeiras para ir às Caldas da Rainha inaugurar um relógio de contagem decrescente para a saída da ‘troika', no encerramento do Congresso da Juventude Popular. Sem terem sido informados, os três representantes internacionais assistiram pela televisão, "perplexos, a olhar uns para os outros". No livro é ainda citada uma conversa em que Portas congratula o seu então secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Miguel Morais Leitão, por ter ocultado à ‘troika' um "buraco orçamental em torno de uma dedução de IVA", no âmbito da sétima avaliação, em março de 2013.
"Sabe que eles depois, na oitava avaliação, vão apanhar tudo. Nessa altura vai haver dados", avisou Morais Leitão. De acordo com o livro, Paulo Portas respondeu: Luís, a oitava avaliação é daqui a três meses, eu quero é fechar a sétima, pelo amor de Deus". Álvaro Santos Pereira, antigo ministro da Economia, é apontado como um dos governantes que, na fase final do seu mandato, entrou em "rota de colisão" com a ´troika' devido à tentativa de reduzir mais os salários no privado.
"Não somos ratos de laboratório! Não vamos aceitar isso! Façam as reuniões que quiserem, a resposta é não a tudo", afirmou Santos Pereira, poucas semanas antes de deixar o Governo. numa reunião da concertação social com a ‘troika', em 2013, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, chamou "criminoso de guerra" ao então chefe de missão do FMI, Abebe Selassie e "violador de direitos humanos" a John Berrigan, da Comissão Europeia, por quererem reduzir as indemnizações nos despedimentos sem justa causa. A obra revela ainda que o Presidente da República, Cavaco Silva, teve um papel fundamental na conclusão da sétima avaliação, que se arrastou por vários meses e "foi a mais longa e dura do programa", ao pressionar expressamente Passos e Portas - "Têm de fechar isto" - a entenderem-se sobre o pacote de medidas, que incluía a chamada "TSU dos pensionistas". em 2014, depois de várias "guerras" durante a execução do memorando, Subir Lall pediu ao Governo uma aula sobre o funcionamento do TC, que foi dada pelo ministro Miguel Poiares Maduro e pelos secretários de Estado Carlos Moedas e Morais Leitão. "Segredos de Estado" é publicado pela editora Matéria-Prima e apresentado no próximo sábado numa livraria na baixa de Lisboa pelo jornalista João Miguel Tavares e o humorista Ricardo Araújo Pereira