fonte: Público
terça-feira, julho 08, 2025
quarta-feira, setembro 20, 2023
Portugal livra-se de uma “responsabilidade” de milhões de euros chamada Banif Brasil
Banif em Portugal está em liquidação, e os seus responsáveis tinham uma grande preocupação: desfazerem-se do banco no Brasil para que o Estado português não fosse chamado a pagar por passivos daquela entidade. A transação tem dois meses, mas só agora foram cumpridas todas as formalidades e passou tempo suficiente para garantir que não há volta atrás: Portugal livrou-se da possibilidade de ter de pagar eventuais responsabilidades “ilimitadas” com o Banif Brasil, instituição que o banco da Madeira tinha naquela região. Uma exposição herdada em 2015, de que a Comissão Liquidatária se tentava desfazer desde 2017.
Já tinha havido tentativas de venda, mas todas falharam, e mesmo a que agora foi bem-sucedida, iniciada em 2021, contou com vários contratempos. Foi preciso fazer quatro adendas ao contrato, houve exigências do supervisor, foi ordenada uma auditoria especial, e não bastou: ainda se juntaram os atrasos nas análises às contas, pedidos de empréstimos para assegurar a sua manutenção, isto tudo num caso em que até ao domingo foi preciso assinar documentação (foi num domingo que o Banif em Portugal caiu, a 20 de dezembro de 2015).
segunda-feira, julho 17, 2023
Comissão liquidatária do Banif recebeu 54 milhões de euros de crédito tributário das Finanças
A Autoridade Tributária pagou ao Banif quase 54 milhões de euros relativos a um crédito fiscal, segundo a informação que consta do relatório da Comissão Liquidatária do Banif a que a Lusa teve acesso. De acordo com o documento, que o Jornal Económico já noticiou, os 53,6 milhões de euros pagos em abril serão usados, “por iniciativa do Banif, para compensar dívidas relativas a impostos sobre o rendimento e sobre o património que constituam seu encargo e cujo facto gerador seja anterior à data da conversão”. Ou seja, parte é usada para pagar dívidas ao fisco. A Comissão Liquidatária do Banif diz ainda que o valor (que se deve a um crédito fiscal criado no âmbito do regime de ativos por impostos diferidos) servirá também para “liquidar o vultoso passivo de funcionamento entretanto acumulado”, incluindo gastos de funcionamento e consultoria (como com advogados), mas “também assegurar um melhor planeamento das operações da liquidação”.
Comissão Liquidatária vendeu Banif Brasil pelo preço simbólico de um real
A Comissão Liquidatária do Banif concluiu a venda do Banco Banif Brasil ao Banco Master pelo preço simbólico de um real (0,19 euros à taxa de câmbio atual), segundo o relatório de 2022 a que a Lusa teve acesso. “Ao longo de 2022 há que salientar o prosseguimento e finalmente a conclusão das negociações, conduzidas através dos nossos consultores em São Paulo (a MGC), com a instituição de crédito brasileira interessada na aquisição do Banco Banif Brasil”, o Banco Master, lê-se no Relatório de Atividades da Comissão Liquidatária do Banif em Liquidação, referente a 2022. Segundo o documento, este foi um “processo complexo” com “várias tentativas anteriores infrutíferas”.
quarta-feira, dezembro 21, 2022
Banif caiu há sete anos: sétimo maior banco em 2015 foi o quarto maior consumidor de recursos ao Estado
O Banif era o sétimo maior banco português quando, a 20 de dezembro de 2015, o Banco de Portugal ditou o seu fim. Sete anos depois, aquela intervenção da autoridade bancária acumula um prejuízo de praticamente 3 mil milhões de euros e é a quarta maior causadora de prejuízos desde, pelo menos, 2008. O banco - que em 2015 tinha o Estado como principal acionista e uma parcela mais limitada nas mãos da família do fundador Horácio Roque - consumiu 14% de todo o esforço financeiro que o Estado teve com os bancos entre 2008 e 2021, de acordo com os dados que o Tribunal de Contas publicou no seu Parecer da Conta Geral do Estado relativo ao ano passado. A intervenção no Banco Espírito Santo e a posterior operação de venda do Novo Banco são aquelas que mais custos tiveram para os contribuintes, num total de 8,3 mil milhões de euros, 37,6% do esforço total. Segue-se o BPN, responsável por 27,9% dos mais de 22 mil milhões de euros gastos líquidos dos contribuintes com a banca nacional. A Caixa Geral de Depósitos teve um encargo de 5,5 mil milhões de euros, que permitiu a sua limpeza, sendo que hoje em dia está a pagar dividendos para tentar compensar a ajuda estatal recebida – algo que o BPN, em liquidação, nunca conseguirá.
quinta-feira, dezembro 15, 2022
Perguntas sobre o Banif que Marques Mendes diz que devem ser feitas agora... já foram colocadas em 2016
O conselheiro de Estado Luís Marques Mendes considera que há perguntas sobre o Banif que devem ser feitas, e que devem ser respondidas. Porém, embora as respostas que já existem não tenham agradado a todos os partidos, essas questões já foram colocadas. Em 2016, houve uma comissão de inquérito com o Banif no centro, e as dúvidas que agora surgem já na altura existiam. E o relatório final dessa comissão de inquérito está nas mãos da Procuradoria-Geral da República desde essa altura. No seu comentário televisivo habitual, no último domingo, dia 20 de novembro, Marques Mendes – que apresentou a publicação do livro “O Governador”, em que constam as memórias de Carlos Costa, – levantou uma série de perguntas. “São as questões que acho que é legítimo perguntar e que é um dever responder. Não são de esquerda nem de direita, são de transparência ou de falta dela”, disse, na SIC. As dúvidas surgem por conta do lançamento do livro escrito pelo jornalista Luís Rosa, e publicado na semana passada. Na apresentação do livro Marques Mendes sugeriu haver motivos para investigação criminal por parte da Procuradoria-Geral da República.
PSD aponta para “informação coincidente” entre carta de António Costa e notícia que levou a fuga de depósitos do Banif
O PSD aponta para a existência de “informação coincidente” entre a carta que António Costa enviou à Comissão Europeia e ao Banco Central Europeu em que mencionava uma situação de “pré-resolução do Banif”, quando estava em curso o seu processo de venda, e a notícia da TVI que precipitou uma fuga de depósitos que contribuiu para ditar efetivamente a sua resolução, em dezembro de 2015. Esse é o tema de uma das 12 perguntas que o maior partido da oposição deixa a António Costa e que deu entrada no Parlamento esta quarta-feira, 23 de novembro, e que resultam do livro “O Governador”, onde Carlos Costa deixou as suas memórias dos tempos de líder do Banco de Portugal, entre 2010 e 2020. “Como explica que a TVI tenha noticiado, pelas 22h00 da noite anterior ao envio da carta, informação coincidente com o que nela se incluiu como conteúdo e que era, presume-se, apenas do seu conhecimento e do seu Governo?”, questiona o líder parlamentar Joaquim Miranda Sarmento nas questões que foram colocadas, sobre os acontecimentos do dia 13 de dezembro de 2015, o mês que se seguiu à entrada em funções do Governo de António Costa.
Marques Mendes pede que Ministério Público investigue resolução do Banif
Governo terá dito a Bruxelas que Banif ia ser alvo de resolução antes de BdP tomar decisão. A acusação é feita no livro “O Governador”, de Carlos Costa, apresentado por Marques Mendes. O Governo liderado por António Costa, então com Mário Centeno como ministro das Finanças, terá comunicado à Comissão Europeia que o Banif já estaria em processo de resolução, ainda antes de o Banco de Portugal (BdP) - a entidade responsável por decidir aplicar resoluções bancárias - ter tomado uma decisão relativamente a esse assunto. Esta é uma das revelações que constam do livro “O Governador”, sobre os dois mandatos de Carlos Costa à frente do BdP e escrito pelo jornalista Luís Rosa, que foi apresentado esta terça-feira, em Lisboa, por Luís Marques Mendes. Este foi, precisamente, um dos capítulos do livro destacado pelo comentador político, que apelida o processo de resolução e venda do Banif como “um caso típico de abuso de poder e de claro favorecimento a uma entidade”.
PS rejeita pressões de Costa ao Banco de Portugal e culpa Passos Coelho no Banif
O presidente do PS rejeitou pressões do primeiro-ministro ao Banco de Portugal, defendeu que foi António Costa quem “libertou” o BPI de Isabel dos Santos e culpou o executivo de Passos Coelho pelo processo no Banif. Estas posições foram transmitidas por Carlos César através de uma mensagem que publicou na sua conta na rede social Facebook, reagindo a acusações de que António Costa foi alvo por parte do ex-governador do Banco de Portugal (BdP) Carlos Costa – acusações essas que este reiterou. No texto, o antigo líder parlamentar do PS e atual membro do Conselho de Estado considera que o ex-governador do Banco de Portugal foi “desrespeitoso” e passou a ideia de que “há despeito a mais e sentido de Estado a menos” por ter saído do cargo “sem grandes elogios”.
Em relação à controvérsia em torno da presença em 2016 de Isabel dos Santos, filha do ex-presidente de Angola, no capital de instituições bancárias em Portugal, como o BPI e o BIC, Carlos César entende que se compreende o cuidado então que devia ser usado face à definição de prioridades, tendo em vista evitar precipitações. Ora, de acordo com o presidente do PS, a sugestão de tais cuidados por parte do primeiro-ministro, “se ocorreu, não seria, como é óbvio, nunca considerada como uma intromissão ou uma pressão ilegítima, mas, quando muito, a comunicação de uma perspetiva do Governo nos assuntos em causa”.









