
Do jornal "Publico" e da autoria da jornalista Sofia Branco, transcrevo um artigo que me parece importante e actual: "A viabilidade de um Kosovo independente não gera optimismo na comunidade internacional, estimando-se que o futuro Estado vá depender de ajuda externa por um longo período de tempo. Porém, há um grande consenso sobre a importância de determinar o estatuto final do território, pois só a estabilidade pode fomentar o investimento. Um dos maiores problemas que um eventual Kosovo independente terá de solucionar é o elevado índice de desemprego (segundo os dados oficiais, 57,1 por cento, mas algumas fontes elevam-no para 70/75).Metade da população kosovar tem menos de 24 anos, a mais jovem da Europa, mas a emigração desta faixa etária tem disparado – o que, tendo a vantagem de libertar o país de um excesso populacional (a taxa de natalidade é das mais elevadas da Europa), também o esvazia de competências.A diáspora kosovar conta actualmente com 550 mil pessoas, três quartos das quais vivem na Alemanha, Suíça e Sérvia, essencialmente a trabalharem na construção civil e nos serviços.A média salarial é de 200 euros (o Kosovo é o único território que não integra a União Europeia onde circula a moeda única), enquanto o custo de vida ronda os 350 mensais.Feitas as contas, 15 por cento da população vive em situação de extrema pobreza. A circulação de euros tem alguns benefícios (nomeadamente os relacionados com a concessão de empréstimos), mas também aumentou o custo de vida.A educação é outra grande preocupação. Há programas de ensino adequados a cada comunidade étnico-linguística. Nada impede um sérvio de frequentar a universidade em Pristina, mas as aulas são dadas em albanês. E Belgrado manda professores para o Kosovo para ensinarem em escolas sérvias, caminhando-se para um apartheid educativo.A população de Pristina mais do que duplicou desde 1999, muito devido ao regresso dos refugiados albaneses, que, tendo perdido as suas casas, se instalaram na capital da província. O número de deslocados internos ronda os 200 mil.A protecção das minorias tem sido um dos quebra-cabeças das instituições internacionais no terreno, levando a uma quase obsessão multiétnica que se tem manifestado na construção de guetos populacionais com fronteiras muito voláteis.Na assembleia provisória do Kosovo, 20 dos 120 lugares estão reservados a minorias étnicas e, destes, dez destinam-se aos sérvios, que também ocupam dois cargos ministeriais.O desejo de ver respeitados os direitos de todos e de não ferir a susceptibilidade de nenhuns é tal que se chegam a discutir “pormenores” como a toponímia das cidades, cujas denominações diferem em albanês e sérvio (a ONU tem adoptado uma nomenclatura própria ou a dupla toponímia)".
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