sexta-feira, agosto 26, 2011
Santos Pereira: "Governo fará "corte histórico" na despesa"
Li no Correio da Manhã que "o ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, prometeu nesta sexta-feira um "corte histórico" no Estado da parte da despesa, assegurando que é intenção do Governo "dar o exemplo" aos portugueses. "Todo o Governo quer dar o exemplo. A austeridade tem de ser feita no Estado. Não podemos pedir grandes sacrifícios aos portugueses se o Estado não der o exemplo", disse aos jornalistas à margem de uma visita à Autoeuropa e ao parque industrial envolvente. Álvaro Santos Pereira anunciou ainda para a próxima semana medidas para "relançar os centros de emprego", remetendo para "o seu tempo próprio" comentários sobre um eventual imposto especial sobre os mais ricos. O governante visitou de manhã a parte da montagem final da Autoeuropa, ao passo que de tarde marcou presença junto da Faurecia, empresa fornecedora presente no parque industrial de Palmela, e junto da ATEC, uma academia de formação para jovens. No que ao ministério que tutela diz respeito, Álvaro Santos Pereira diz que a percentagem do corte na despesa ainda não está fechada, comentando a notícia do jornal ‘Sol’ que, citando uma circular interna, indica que o Governo quer cortar em 36 por cento a despesa dos organismos do Ministério da Economia."Os cortes vão ser feitos, independentemente da magnitude. Os números ainda não estão fechados. Este Governo vai fazer um corte de despesa histórica, de uma maneira que não foi feita desde 1950. Entendemos que não podemos pedir sacrifícios às famílias e empresas portuguesas se o Estado não der o exemplo", sustentou. Recordando que "os cortes para serem bem feitos têm de ser estudados", Álvaro Santos Pereira reforçou todavia que estes "têm de ser feitos a todos os níveis". O ministro deu como exemplo "pequenas coisas que fazem a diferença", como o desligar a electricidade e ares condicionados de noite ou a renegociação de 'leasings' de automóveis. A fusão e extinção de entidades e organismos e a redução dos gastos desses mesmos organismos foram cenários também apontados pelo ministro da Economia e do Emprego".
Alteração ao regime do sector empresarial municipal
Segundo o Portal do Governo, "o Conselho de Ministros de 25 de Agosto aprovou uma proposta de lei para alteração ao regime jurídico do sector empresarial local. A proposta visa não só o regime de criação de empresas municipais, intermunicipais e metropolitanas, mas também o reforço dos poderes de monitorização da administração central sobre o sector público empresarial local". Leia aqui o comunicado.
Carlos Abreu Amorim: "Jardim é o político mais injustiçado de Portugal"
Segundo o Sol, "conhecido como comentador televisivo, o professor na Universidade do Minho, especialista em direito constitucional, tornou-se aos 47 anos um dos rostos da abertura do ‘passismo’ à chamada sociedade civil. O facto de ser agora vice-presidente da bancada do PSD, diz, não lhe tira «a liberdade de opinião», que exerceu atacando o ministro da Economia, quando este deixou dúvidas sobre o fim do TGV.
Criticou Álvaro Santos Pereira, no seu Facebook. Desconfia que o Governo vai recuar na promessa de cancelar o TGV?
Julguei ver uma hesitação e quis preservar o sentido da promessa do Governo. Mas o ministro já esclareceu e estou descansado. O Governo vai suspender a obra. Ainda bem que me enganei.
Suspender? Mas a promessa eleitoral não é de pôr fim ao TGV?
A minha opinião é que se deve terminar com o TGV. Mas as coisas não são assim tão fáceis. É uma decisão que tem componentes comunitárias e um jogo diplomático que exigem ponderação. Mas para já a suspensão está decretada e nos próximos dois anos não haverá condições. Os portugueses não entenderiam que enquanto lhes é pedida austeridade se continuasse com uma obra que é sintoma da tradicional elefantíase do Estado.
O TGV é, sobretudo, financiado pela União Europeia...
Sim, mas a componente nacional de investimento é ainda tão grande que ‘secaria’ o crédito bancário para os pequenos empresários, que dele precisam desesperadamente. O dinheiro iria todo para o TGV.
Houve reacções no PSD ao que escreveu no Facebook?
Não estou à espera de repreensão. Nem estou arrependido do que escrevi, tenho liberdade de opinião como deputado. Mas não estava à espera de tanta repercussão mediática e política. Acho que foi por ser Agosto. Agora tenho um incómodo pessoal: sou um venerando admirador de Álvaro Santos Pereira (o que ele escreveu sobre economia ajudou-me imenso como comentador) e custa-me ter sido eu a deixá-lo numa posição pouco símpática.
Concorda com a redução de câmaras municipais?
Sim. Temos um modelo que é único e absurdo: em mais lado nenhum do mundo existem freguesias. Nós temos 4259 e mais 308 municípios.
Mas a troika obriga a cortar câmaras municipais além de freguesias
O que diz o memorando, ipsis verbis, é que tem de haver redução significativa das autarquias locais. Não se sabe se a redução significativa será nas freguesias ou nos municípios.
O seu entendimento é que o acordo da troika não obriga a cortar câmaras municipais?
Não obriga. Porque não faz a distinção entre freguesias e municípios. Eu não gosto da palavra corte, nem eliminar em matérias que têm a ver com comunidades locais. O Governo está a trabalhar, e também o está a fazer com o Parlamento, no sentido de fazer a agregação de entidades do poder local, sejam freguesias sejam municípios. Mas terá sempre em conta os destinatários dessas decisões, que serão ouvidos. Não fazemos como o anterior governo que quereria cortar às cegas 1000 freguesias. O poder local não funciona assim, com decisões de cima para baixo.
Que comentário lhe merece, como constitucionalista, a proposta de colocar um travão à dívida na Constituição?
Como jurista, acho que a visão da Constituição não se coaduna com uma norma dessas. Agora, ela desvirtua a Constituição? Não me parece. Politicamente, é absolutamente indiferente o limite estar na Constituição. Será mais uma norma vazia, como a da regionalização. O que interessa é a vontade política, e este Governo tem vontade de pôr ordem nas contas públicas e está a fazê-lo.
Faz sentido fazer um acordo com Alberto João Jardim para cobrir o buraco de 227 milhões na Madeira?
Há problemas que vieram de trás e não podemos virar as costas à Madeira. Vai ter de haver uma solução. A Madeira também tem razões de queixa do poder central e Alberto João Jardim, que continua a ter o apoio dos madeirenses e é responsável por uma obra extraordinária, é muito injustiçado. Jardim é a personagem política contra quem se fizeram as campanhas mais ferozes em Portugal"
Criticou Álvaro Santos Pereira, no seu Facebook. Desconfia que o Governo vai recuar na promessa de cancelar o TGV?
Julguei ver uma hesitação e quis preservar o sentido da promessa do Governo. Mas o ministro já esclareceu e estou descansado. O Governo vai suspender a obra. Ainda bem que me enganei.
Suspender? Mas a promessa eleitoral não é de pôr fim ao TGV?
A minha opinião é que se deve terminar com o TGV. Mas as coisas não são assim tão fáceis. É uma decisão que tem componentes comunitárias e um jogo diplomático que exigem ponderação. Mas para já a suspensão está decretada e nos próximos dois anos não haverá condições. Os portugueses não entenderiam que enquanto lhes é pedida austeridade se continuasse com uma obra que é sintoma da tradicional elefantíase do Estado.
O TGV é, sobretudo, financiado pela União Europeia...
Sim, mas a componente nacional de investimento é ainda tão grande que ‘secaria’ o crédito bancário para os pequenos empresários, que dele precisam desesperadamente. O dinheiro iria todo para o TGV.
Houve reacções no PSD ao que escreveu no Facebook?
Não estou à espera de repreensão. Nem estou arrependido do que escrevi, tenho liberdade de opinião como deputado. Mas não estava à espera de tanta repercussão mediática e política. Acho que foi por ser Agosto. Agora tenho um incómodo pessoal: sou um venerando admirador de Álvaro Santos Pereira (o que ele escreveu sobre economia ajudou-me imenso como comentador) e custa-me ter sido eu a deixá-lo numa posição pouco símpática.
Concorda com a redução de câmaras municipais?
Sim. Temos um modelo que é único e absurdo: em mais lado nenhum do mundo existem freguesias. Nós temos 4259 e mais 308 municípios.
Mas a troika obriga a cortar câmaras municipais além de freguesias
O que diz o memorando, ipsis verbis, é que tem de haver redução significativa das autarquias locais. Não se sabe se a redução significativa será nas freguesias ou nos municípios.
O seu entendimento é que o acordo da troika não obriga a cortar câmaras municipais?
Não obriga. Porque não faz a distinção entre freguesias e municípios. Eu não gosto da palavra corte, nem eliminar em matérias que têm a ver com comunidades locais. O Governo está a trabalhar, e também o está a fazer com o Parlamento, no sentido de fazer a agregação de entidades do poder local, sejam freguesias sejam municípios. Mas terá sempre em conta os destinatários dessas decisões, que serão ouvidos. Não fazemos como o anterior governo que quereria cortar às cegas 1000 freguesias. O poder local não funciona assim, com decisões de cima para baixo.
Que comentário lhe merece, como constitucionalista, a proposta de colocar um travão à dívida na Constituição?
Como jurista, acho que a visão da Constituição não se coaduna com uma norma dessas. Agora, ela desvirtua a Constituição? Não me parece. Politicamente, é absolutamente indiferente o limite estar na Constituição. Será mais uma norma vazia, como a da regionalização. O que interessa é a vontade política, e este Governo tem vontade de pôr ordem nas contas públicas e está a fazê-lo.
Faz sentido fazer um acordo com Alberto João Jardim para cobrir o buraco de 227 milhões na Madeira?
Há problemas que vieram de trás e não podemos virar as costas à Madeira. Vai ter de haver uma solução. A Madeira também tem razões de queixa do poder central e Alberto João Jardim, que continua a ter o apoio dos madeirenses e é responsável por uma obra extraordinária, é muito injustiçado. Jardim é a personagem política contra quem se fizeram as campanhas mais ferozes em Portugal"
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O homem das pernas de carbono
Oscar Pistorius lutou, lutou e finalmente conseguiu. O sul-africano vai participar nos Mundiais de atletismo, que se iniciam sábado, em Daegu, na Coreia do Sul. Aqui vêem-se as suas pernas (próteses em fibra de carbono) num momento de treino, ao lado de outro atleta (foto de Max Rossi/Reuters, publicada pelo jornal Publico, com a devida vénia)Açores: polémica no grupo parlamentar do PS
Segundo o Diário dos Açores, "o deputado socialista, Comandante da Marinha Mercante, Lizuarte Machado, eleito pelo círculo da ilha do Pico, poderá estar de saída do Parlamento açoriano, mas em Setembro vai realizar o plenário agendado. Em declarações ao “Diário dos Açores” o deputado do PS referiu que pediu um requerimento do ofício de renúncia ao mandato, mas que não foi entregue, manifestando alguma incompreensão por estas notícias terem chegado à comunicação social alegadamente por fontes ligadas ao próprio partido do governo. Confirmando, de facto, que mandou esvaziar o cacifo que possui na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, ALRA, Lizuarte Machado só depois do plenário de Setembro vai ponderar a sua saída do grupo parlamentar do PS. Mas estranha que sejam os próprios funcionários ou dirigentes do partido em que foi eleito que ponham a público estas notícias. Ao que tudo indica, os últimos desenlaces deste caso sucederam-se no Nordeste quando os deputados e órgãos do partido liderado por Carlos César estiveram reunidos, e no qual terá havido alguns desentendimentos, mas que Lizuarte Machado considera “normais”. Segundo notícia avançada pela RTP-Açores, as divergências com Berto Messias, líder da Bancada Socialista na ALRA estão na origem destes desentendimentos"
quinta-feira, agosto 25, 2011
Motins na Inglaterra: Mensagens do Twitter não originaram onda de violência
Li hoje aqui, um texto da Lusa, segundo o qual "um estudo divulgado pelo jornal britânico The Guardian descarta a hipótese de a onda de violência, que assolou várias cidades britânicas no início do mês, ter tido origem em mensagens da rede social Twitter. A partir da análise de “tweets” [mensagens] colocadas naquela rede social durante os distúrbios, o jornal britânico The Guardian, responsável pelo estudo, concluiu que o Twitter foi utilizado para trocar informação sobre o que ocorria nas cidades inglesas, mas não para fomentar a violência. A análise feita à atividade da rede social entre 06 e 09 de agosto demonstra que a troca de mensagens em que são referidos os distúrbios só aumenta depois de os meios de comunicação social confirmarem o local onde ocorriam. Apesar disso, o estudo adverte que “não se pode assegurar que [o Twitter] não tenha desempenhado qualquer papel” no sentido de fomentar a violência. O estudo destaca que mais de 206 mil “tweets”, cerca de oito por cento do total de mensagens analisadas, são dedicados a organizar equipas de limpeza das ruas. As conclusões do estudo de The Guardian foram tornadas públicas no dia quem os responsáveis das redes sociais Facebook, Twitter e da Research Motion (fabricante dos telemóveis BlackBerry) se reuniram com a ministra britânica do Interior para debaterem as medidas que estão a ser preparadas pelo executivo a fim de evitar novos distúrbios. De acordo com várias notícias veiculadas um pouco por todo o mundo, o Facebook, o Twitter e o serviço de ‘chat’ gratuito Blackberry Messenger (um dos serviços de telemóvel mais utilizado pelos jovens no Reino Unido exatamente pela sua privacidade) foram os meios utilizados para se organizarem os motins, continuando a servir a propagação rápida da informação para encorajar e alastrar a onda de violência por todo o país. O primeiro-ministro britânico revelou recentemente a sua intenção de trabalhar com a polícia, os serviços e a indústria para analisar a possibilidade de “cortar as comunicações” através das redes sociais “quando alguém planeia atos desordeiros e criminais”. Na altura em que ocorreram os motins, um porta-voz da polícia admitiu que as autoridades ponderaram a hipótese de proibir o acesso a sites como o Twitter e o Facebook, mas que decidiram não o fazerem por desconhecerem se teriam capacidade legal para tomarem uma medida desse género. O Reino Unido viveu no início deste mês os piores motins desde há 30 anos. Centenas de lojas foram atacadas e destruídas e vários edifícios foram incendiados. A polícia britânica fez mais de 3.000 detenções na sequência dos tumultos que começaram a 06 de agosto no bairro de Tottenham e depois se espalharam a mais zonas de Londres e a outras cidades inglesas. Durante a onda de violência urbana morreram cinco pessoas, três em Birmingham e duas em Londres”.Açores: Ponta Delgada é o quinto concelho do país onde mais casas são entregues à banca
Segundo o Correio dos Açores, num texto da jonalista Nélia Câmara, "a situação no mercado imobiliário é crítica em todo o país, com os Açores a sofrerem do mesmo mal. O Gabinete de Estudos da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) fez a análise semestral do mercado imobiliário, tendo por base o incumprimento do imobiliário de Portugal e chegou à conclusão que nos primeiros seis meses deste ano foram 3.060 os imóveis entregues em dação em pagamento [quando o credor aceita que o devedor dê fim à relação de obrigação existente entre eles pela substituição do objecto da prestação, ou seja, o devedor realiza o pagamento na forma de algo que não estava originalmente na obrigação estabelecida, mas que extingue-a da mesma forma, neste caso entrega o imóvel]. De acordo com os dados divulgados pela APEMIP, em cujo documento o Correio dos Açores teve acesso, só em Junho foram entregues cerca de 600 imóveis, o que fez do primeiro mês do Verão o mais negativo desde o início do ano. Mas esta situação não diz respeito apenas a uma região, é geral, pois de acordo com a APEMIP, é transversal a todo o território nacional, afectando não só as famílias que não conseguem pagar a prestação mensal do crédito à habitação, mas até os próprios empresários do sector imobiliário, que se financiaram na banca, e que não conseguem vender os imóveis que construíram. O arrefecimento do mercado imobiliário afectou de forma bastante significativa todos os que investiram na promoção imobiliária e no desenvolvimento de novos projectos empreendimentos, pelo que parte significativa dos imóveis entregues em dação em pagamento provêem destes actores, em particular, em municípios, como os de Alcochete, vila Nova de Gaia, Ponta Delgada, Vila do Conde, Portimão, Loulé, Braga, em que esta realidade representa, pelo menos, mais de metade da totalidade dos imóveis em causa.De acordo com os números apresentados pelo APEMIP, Ponta Delgada surge no quinto lugar nos primeiros dez concelhos do país onde houve um maior número de casas entregues à banca, com 5,4%. Em primeiro lugar está Alcochete com 6,2% e no décimo lugar com 1,8% da entrega de imóveis às instituições de crédito está Gondomar com 1,8%. Também de acordo com estimativas da APEMIP, é possível inferir que as Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto concentram 50% das ocorrências relativas a imóveis entregues em dação em pagamento em Portugal este ano (34,1% em Junho), sendo que dos 10 municípios mais relevantes em termos nacionais (que representam no seu conjunto 38,9% das observações registadas desde o início do ano 2,4% das apuradas em Junho), apenas 4 (Ponta Delgada, Portimão, Loulé e Braga) não pertencem a estas duas unidades territoriais.
Transacção imobiliária baixa
De acordo com as estimativas da associação, ao longo dos seis primeiros meses deste ano foram transaccionados cerca de 98.000 imóveis (urbanos, rústicos e mistos), sendo que Junho último se situou entre os 15.200 e os 15.800 negócios concretizados. Os valores representam uma contracção mensal de 11% face a Maio, o segundo pior resultado obtido este ano (7,7% acima do mínimo registado em Abril) e um dos piores resultados dos últimos 20 anos, revela a APEMIP. Na dinâmica das transacções mobiliárias, a Região Autónoma dos Açores apresenta-se, apesar de alguma contracção com uma dinâmica relevante, cujo intervalo varia entre 3,06% e os 3,14% nos primeiros seis meses do ano, superior em quase um ponto percentual à Madeira, mas a dois pontos, por exemplo, de Viseu, três pontos de Setúbal e a quatro pontos de Aveiro e a dez do Porto. No quadro de imóveis entregues em dação Lisboa surge como a área mais penalizada com 17,78% dos casos, enquanto que os Açores estão a meio da tabela com 4,64%, com 134 casas entregues, enquanto que a madeira é menos penalizada com 2,71%. Porto, Setúbal e Braga estão acima destes valores”.
Transacção imobiliária baixa
De acordo com as estimativas da associação, ao longo dos seis primeiros meses deste ano foram transaccionados cerca de 98.000 imóveis (urbanos, rústicos e mistos), sendo que Junho último se situou entre os 15.200 e os 15.800 negócios concretizados. Os valores representam uma contracção mensal de 11% face a Maio, o segundo pior resultado obtido este ano (7,7% acima do mínimo registado em Abril) e um dos piores resultados dos últimos 20 anos, revela a APEMIP. Na dinâmica das transacções mobiliárias, a Região Autónoma dos Açores apresenta-se, apesar de alguma contracção com uma dinâmica relevante, cujo intervalo varia entre 3,06% e os 3,14% nos primeiros seis meses do ano, superior em quase um ponto percentual à Madeira, mas a dois pontos, por exemplo, de Viseu, três pontos de Setúbal e a quatro pontos de Aveiro e a dez do Porto. No quadro de imóveis entregues em dação Lisboa surge como a área mais penalizada com 17,78% dos casos, enquanto que os Açores estão a meio da tabela com 4,64%, com 134 casas entregues, enquanto que a madeira é menos penalizada com 2,71%. Porto, Setúbal e Braga estão acima destes valores”.
Reportagem: “Casillas en la encrucijada"...
"Los entrenamientos del Madrid en Valdebebas, la temporada pasada, solían acabar cuando José Mourinho, el técnico, señalaba el final y Jorge Mendes, su agente, salía al campo a esperar a sus amigos frente al vestuario. Ahí se reunían Pepe, Cristiano, Marcelo, Di María y a veces Carvalho. Formaban un corrillo ameno. Eran el poder emergente y la mayoría de los jugadores les saludaban al pasar. Todos hacían algún gesto a Mendes y Mourinho, aunque fuese por cortesía. Todos menos Iker Casillas, el capitán, que, según los empleados del club, daba un rodeo largo y evidente. Un rodeo de silencio que era en sí mismo un mensaje de distanciamiento. Una manera de no mezclarse en el programa de un entrenador por cuyos métodos no sentía una afinidad espontánea. Casillas se mantuvo al margen de la estrategia de comunicación de Mourinho hasta los clásicos de abril. Entonces comenzó a implicarse. Lo hizo hasta secundar el discurso de su entrenador por completo. Hasta que entró en conflicto con su amigo, el capitán azulgrana Xavi Hernández. Hasta que negó la realidad. Hasta que dijo que Cesc se había tirado tras una entrada violenta de Marcelo, lo que equivalía a denunciar a un compañero de selección por mala fe. Casillas fue tan lejos que tras la Supercopa -tras repasar las imágenes que certificaban su error- se vio obligado a tomar la iniciativa en un gesto valiente. Un gesto que le honra: rectificar. Según informó Al Primer Toque , el programa de Onda Cero, tras la Supercopa, Casillas hizo algo imprescindible para reconstruir la armonía en el fútbol español: llamó por teléfono a Xavi y a Puyol. Lo hizo asumiendo su responsabilidad como capitán del Madrid y de España, pero sobre todo en un intento por restituir su credibilidad personal. Puyol y Xavi son los dos chicos con los que Casillas trabó amistad hace diez años. Sus cómplices en la capitanía de la selección. Los ideólogos de una epopeya que llevó a España a conseguir los mayores logros futbolísticos de su historia. Una empresa inacabada que, sin embargo, peligraba tras las peleas entre jugadores y técnicos -a puñetazos- de los clásicos de la Champions,y después de los estrepitosos partidos de la Supercopa en los que Karanka, el vicario de Mourinho, insistió públicamente en una conspiración arbitral antimadridista. Casillas nunca fue un líder de discursos. Ante las crisis, su carácter, un poco tímido, un poco tozudo, le impidió comunicarse con el grupo y con el entrenador desde la ortodoxia de los oradores. En el vestuario del Madrid se mostró indiferente ante el técnico y aglutinó a los españoles. Así se mantuvo hasta febrero, cuando el presidente, Florentino Pérez, le llamó para pedirle que hiciera demostraciones públicas de lealtad a Mourinho. Según fuentes del vestuario, se lo pidió por el bien del club, para conseguir la estabilidad necesaria para afrontar el final de temporada con opciones de ganar títulos. Desde entonces Casillas repitió todo lo que pidió Mourinho que se dijese: que el equipo había hecho una buena temporada, que los jugadores del Barça fingían sufrir faltas y que los árbitros dañaban al Madrid. En la selección pensaron que Casillas abrazaba por completo la causa de Mourinho. "Más no se puede hacer", decían. Casillas cumplió con su entrenador, según sus compañeros de club, porque se lo pidió el presidente, porque es un madridista dolido y el discurso victimista le proporcionó una coartada cómoda ante la superioridad del Barça, y porque Mourinho se mostró muy crítico con Cristiano en el vestuario. Que desde abril Cristiano recibiese un trato áspero por parte del técnico pareció satisfacer a Casillas en su afán por no conceder privilegios al Balón de Oro portugués. Ahora Casillas vuelve a moverse. Ha llamado a Xavi y a Puyol. Su condición de símbolo del fútbol español le exige dar el paso” (texto do jornalista do El Pais, Diego Torres, com a devida vénia)Reportagem: "Coentrão y el vértigo"
"La gran mayoría de los futbolistas del Madrid anteponen la obediencia a su entrenador, José Mourinho, al cuidado de su prestigio profesional particular. De puertas para adentro, sin embargo, no comparten todas las decisiones del técnico en los partidos de la Supercopa. Por un lado, celebran que, por fin, se atreviera a plantear un partido valiente en defensa, ahogando al rival en su propio terreno. Por otra parte, tras la derrota (3-2) en el Camp Nou, en las reuniones que mantuvieron los jugadores criticaron la orden expresa de acabar las jugadas lo más rápido posible para evitar las pérdidas y los sucesivos contragolpes de Messi. También lamentaron la ubicación de Coentrão en el medio centro, en la segunda parte. La primera decisión, según los jugadores, les restó claridad para rematar a un Barça más fatigado que nunca. La segunda medida facilitó el gol de Messi porque Coentrão no tiene oficio de volante defensivo. "El cambio de Coentrão como medio centro, en lugar de Khedira, fue un regalo al Barcelona", comentaba ayer un miembro de la expedición al Camp Nou. "En el medio del campo Coentrão se pierde, tanto en ataque como en defensa", dijo un compañero. "Ponerle a jugar ahí es ponerle en un compromiso porque no es su sitio". Un tercer miembro del equipo apuntó lo que opina media plantilla: "En el tercer gol, Coentrão, que piensa como un extremo, se queda mirando a Messi cuando lo que tiene que hacer un medio centro es encimarlo y, si no resulta, acudir a cortar la línea de pase. No es su culpa. Pero no maneja los conceptos del puesto". Según los jugadores consultados, en el vestuario crece la sospecha de que Mourinho necesitaba demostrar que los 30 millones invertidos en el lateral zurdo han estado bien empleados. Esto motivó que, primero, Coentrão ocupara el puesto de Marcelo en el lateral y que, en el segundo tiempo, se juntara a Alonso para ejercer de volante central, una especialidad en la que él mismo admitió ser un neófito este verano. Mourinho le hizo jugar como medio centro en varios de los amistosos de preparación. Hasta la vuelta de la Supercopa nunca ocupó su posición natural en el lateral. Ante el Barça, su rendimiento en defensa quedó reflejado en la estadística de robos de balón: en la primera parte, como lateral, quitó cinco balones; en la segunda, como centrocampista, uno. La pobreza defensiva de Coentrão como medio centro es consecuencia de su falta de experiencia en esa zona del campo. Khedira, en la primera parte, robó seis balones. Alonso robó nueve balones en la primera parte y seis en la segunda. Marcelo, en el lateral, también superó ampliamente a su competidor interno con 11 robos en la segunda parte. Desde que reclamó su fichaje, Mourinho insistió en que Coentrão es polivalente. "Puede jugar en varias posiciones", advirtió. Los jugadores observan que eso es verdad hasta cierto punto: le ven apto para ser lateral y extremo por la izquierda. Nada más. El entrenador creyó que podía jugar de volante central y ahora sus compañeros lo señalan como causa de una derrota que ha provocado una gran decepción en el vestuario. El Madrid inició su pretemporada el 11 de julio. El Barça se concentró el 20. "Estuvimos todo el verano preparándonos para la Supercopa", cuenta un empleado madridista. "Queríamos dar un golpe de efecto. Ser los que empezábamos ganando títulos. Tener un trofeo más que el Barça esta temporada". Antes del partido de ida, Mourinho tenía dudas sobre el estado físico del Barça. Al comprobar que su rival no aguantaría el ritmo, el técnico ordenó a sus jugadores que en el Camp Nou hicieran la presión más arriba que nunca. Hasta ahí, el plan salió perfecto. Los problemas del equipo comenzaron cuando el Madrid recuperaba la pelota. "En ataque estuvimos muy espesos", comentó un futbolista, "el míster nos pidió que elaborásemos las jugadas lo menos posible. Pero deberíamos haber tocado más, buscando el pase interior y corriendo menos por las bandas. En la ida todas nuestras ocasiones vinieron de centros. De los cuatro goles que le hicimos al Barça el único que no vino a la salida de un córner fue el de Özil en el Bernabéu. Eso es porque nos precipitamos, no porque nos falte calidad". Mourinho ha exigido a su equipo acabar las jugadas cuanto antes desde que llegó al Madrid, hace un año. Contra el Barça, esta consigna se extrema porque el equipo de Guardiola es especialmente peligroso por su capacidad de trabajo en defensa y por la velocidad de sus combinaciones. Con los balones largos, divididos, empezando por los saques de puerta de Casillas, y con las jugadas de menos de cuatro pases, Mourinho pretende evitar pérdidas que comprometan la organización defensiva y faciliten los contragolpes al Barça. Con el balón, Mourinho les pidió a sus jugadores ser verticales, sintéticos. Sin el balón, les ordenó ser "duros". Igual que en la Copa del Rey, en la Supercopa les recordó que los árbitros españoles se arrugan. Que, tratándose del Madrid, tardan en mostrar la primera amarilla. Y que, difícilmente, expulsan” (texto do jornalista do El Pais, DIEGO TORRES, com a devida vénia)Valência vende "campeones para pagar la deuda"
Segundo o jornalista CAYETANO ROS do El Pais, “la herencia recibida fue una deuda de 550 millones. Y el desafío del nuevo presidente, en julio de 2009, era evitar la quiebra económica sin perder presencia deportiva. En dos años, el Valencia ha repetido el tercer puesto en la Liga pese a que su presidente, Manuel Llorente, haya ido vendiendo a sus cuatro campeones del mundo con España: Villa al Barça por 40 millones; Silva al Manchester City por 33; Marchena al Villarreal por dos; y a punto está ahora de enviar a Mata al Chelsea por 27. Es decir, 102 millones a cambio de las joyas de la corona. A eso se unió una ampliación de capital social de 90 millones y una política de austeridad que ha reducido la deuda en más de 200 millones. A Llorente le gusta marcar los tiempos. Y en su primer verano como presidente se negó a traspasar a Villa a pesar de las presiones del principal acreedor del club, la entidad financiera Bancaixa, fundida ahora con Caja Madrid en Bankia, a la que el Valencia debe 240 millones. Y a pesar de que Bancaixa lo situó a él en la poltrona de la sociedad deportiva más representativa de la Comunidad Valenciana. Pero Llorente entendió que el club era demasiado frágil en ese momento y quiso esperar al verano siguiente para, recuperada la estabilidad, traspasar de una tacada a Villa, a Silva y a Marchena. Sin ellos, el equipo de Unai Emery volvió a ser tercero en mayo pasado. La fórmula había funcionado. Y se potenció este verano con los fichajes de jóvenes -Piatti, Rami, Parejo y Canales, cedido dos años por el Madrid con una opción de compra de 12 millones- a fin de que crecieran en Mestalla para dejarlos volar dentro de unos años. "Cuando exploten, ya no estarán aquí", reconocen en la secretaría técnica. Dentro de esa planificación, la idea era vender a Mata la próxima temporada. Prorrogado un año más el préstamo de 240 millones con Bankia, no había urgencias económicas. Pero sí la voluntad del jugador de una aventura en Inglaterra y el interés del Valencia de atrapar ahora 27 millones porque, según una cláusula en el contrato del interior zurdo, en julio del próximo año podría haberse marchado por 22. "Es fácil reducir la deuda vendiendo a los mejores", le repiten los críticos a Llorente, a quien también reprochan su sueldo, de "unos 300.000 euros anuales", según uno de sus colaboradores. Lo mismo que ganaba al frente del Pamesa Valencia, de baloncesto, cuando lo llamaron para gestionar la enorme deuda de sus antecesores en Mestalla: Vicente Soriano, que empeoró en un año, con falsas promesas de la venta de las parcelas del viejo Mestalla ya recalificadas por el Ayuntamiento, la delirante gestión de Juan Soler en cuatro años anteriores de despilfarro y castillos en el aire. Entre ellos, un estadio nuevo en otra de las salidas de la ciudad, en la Avenida de las Cortes Valencianas, a medio construir, paralizadas las obras hace dos años porque, invertidos ya 150 millones, no había de dónde sacar los 150 restantes para finalizarlo. Llorente confía en reemprender las obras el año que viene. Del Valencia que ganó su último título, la Copa del Rey de 2008 ante el Getafe en el Manzanares, solo quedan cuatro jugadores: Albelda, apartado ese día del grupo por su enfrentamiento con Soler, Miguel, Ever Banega y Maduro. Para Mata, aquella fue su confirmación en la élite, dando lustre a la confianza del entrenador, Ronald Koeman, el mejor regalo del técnico holandés, acusado, por otra parte, de colaborar con los desvaríos de Soler al apartar a tres de sus futbolistas más importantes: Albelda, Cañizares y Angulo. Recién llegado de la cantera del Madrid, Mata había contado poco para el técnico que empezó ese curso, Quique Flores, despedido por Soler en la cuarta jornada. Y, de la mano de Koeman y en un periodo muy envenenado, se fraguó un número 10 que, a los 23 años, disfruta ya de una madurez de 30 y promedia 10 goles y 10 asistencias por temporada. Llorente, por cierto, ya tenía experiencia en reconstruir equipos de élite. Lo hizo en los 10 años previos en el Valencia, cuando ejerció de consejero delegado, y fue vendiendo sin despeinarse a Mendieta (Lazio), Piojo López (Lazio), Gerard (Barcelona), Farinós (Inter) y Kily González (Inter). Y aquel conjunto que venía de ser dos veces subcampeón de la Champions, llegó a ser, con Rafa Benítez en el banquillo, dos veces campeón de Liga, en 2002 y 2004, y ese mismo año campeón de la UEFA”.Governo vai reavaliar parcerias público-privadas na Saúde
O Governo não vai avançar com novas parcerias público-privadas na Saúde. O ministro Paulo Macedo quer também reavaliar as parcerias público-privadas hospitalares já existentes. Numa visita ao primeiro Hospital resultante de uma parceira público-privada, o Amadora-Sintra, Macedo declarou ainda que o seu ministério está empenhado em aumentar a eficiência do Serviço Nacional de Saúde, reduzindo custos mas mantendo a capacidade de prestação de cuidados de saúde.
Frases obscenas, injúrias e vizinhas cuscas: a triste história de amor que acabou em tribunal
"Esta é a história de um 3.º andar direito. Ela de 20 anos, ele de 40, ciúmes, brigas, amor desordeiro. Quando os agentes chegaram não ouviram só insultos. Encontraram um cenário "pavoroso": frases obscenas escritas por ele, a criticar alegados comportamentos dela Ao fundo da Rua dos Fanqueiros, plena baixa lisboeta, uma conspiração de vizinhas quadrilheiras amontoa-se à volta do prédio decrépito. Uns vêm cá fora espreitar só para ver se ninguém morreu e recolhem aos seus lares, enrolados nos seus roupões. Outros - ou melhor, outras - estão tão embrenhadas na tarefa de descobrir os segredos dos lençóis alheios que esticam as orelhas, e ainda mais as línguas. São três da madrugada mas nenhuma se retira sem conhecer na íntegra os pormenores da revolução que varreu o 3.º andar direito. Na verdade, estão estas vizinhas fartas de saber. A Amélia, a Judite, a Esmeralda não vão à sala de audiências, mas está na cara que foi uma delas quem chamou a polícia. E quem não chamou fez questão de dotar os agentes de informações úteis: coisas da cama alheia e intrigas comoventes. Conta o agente Maximiliano ter sido chamado ao local por excesso de ruído naquele andar tarde e a más horas. Conta também que quando a denunciante ligou para a esquadra foi instada a ir ela própria bater à porta do vizinho, denunciar o incómodo. Mas ela nem pensar, "eu cá não me meto lá dentro, ainda acabo feita em postas". Até porque, diz-se, era o pão nosso de cada noite. Berros para aqui, empurrões para acolá, choro, gritaria. Bum. Tanto que o prédio, ansioso por obras, todo ele tremia. E dessa vez parece que o episódio azedou à séria. Quando o agente Maximiano e o colega de serviço bateram à porta do 3.º direito tiveram logo uma recepção à bruta: injúrias, ultrajes, insolências, empurrões. É por isso que o Zé, o inquilino do 3.º andar, está a responder em tribunal pelos crimes de injúria agravada, resistência e coacção sobre funcionário, e não por ter violado a lei do ruído ou por violência doméstica. O pior era lá dentro, no apartamento desarrumado. "O cenário era pavoroso, assustador. Parecia coisa de filme", conta o agente à juíza. As paredes estavam riscadas, as portas eram enormes blocos de notas, o frigorífico estava cheio de post-it. Por todo o lado frases lascivas, obscenidades. "Dizia coisas como ''sou uma porca'', ou ''uma galdéria'' ou ''a minha mãe fez--me rameira''" [tudo formas ligeiras que o agente encontrou para ocultar palavrões como "puta", apesar de a juíza ter pedido para se deixar de pruridos, que não havia ali criancinhas]. O Zé, homem na casa dos 40, vive agora com esta mulher, de 25. Alta e magra, pés e pescoço de bailarina, diz--se que é de um homem ficar vidrado no movimento ondulante das suas pernas e no sacudir dos seus ombros. E consta que, quando trocou a ex-mulher por ela, Zé se transformou numa espécie de adolescente, sempre todo assarapantado. "Que paixões assolapadas", mordiam as vizinhas, que certamente terão contribuído com os pormenores mais deliciosos do folhetim contado pelos agentes em tribunal.
Mas, de há uns meses para cá, "tudo se tornou muito esquisito". A conversa - que as vizinhas terão jurado ouvir por acaso, que ouvidos de tísica elas têm - deixou de ser uma coisa melosa, os ruídos deixaram de ser só os de cama, e o prédio inteiro não sabe se era mais incómodo este barulho dos amantes, os ditos carnavais a desoras; se este que agora ouvem de objectos partidos, ofensas, palavrões, choro e cama a ranger de vez em quando. Que Deus lhes parta uma perna se elas colaram o ouvido à porta, era perceptível no prédio inteiro que o Zé tinha enlouquecido de ciúmes. Gritava coisas como: "Eu não sou corno, sua porca", "tu é que te abres para os homens todos". "Sua puta, foi assim que a tua mãe te fez, uma rameira, sua vadia." E a mulher chorava, dizia que o Zé estava louco, que lhe era fiel, que só tinha olhos para ele, que era só dele. Mas o Zé não acreditava. Terá sido essa desconfiança que o levou a espalhar berros pela casa. Frases, escritas com a letra dele mas na primeira pessoa, como se tivessem sido escritas por ela. Espalhadas por sítios estratégicos, como o frigorífico ou a prateleira dos cremes, para que a cada hora ela tivesse de conviver com o pecado que sempre negou.
Em tribunal, Zé tem pouco a acrescentar sobre este amor desordeiro.
"Peço desculpa aos senhores agentes, precipitei-me, mas a culpa foi dela, ela põe-me fora de mim."
"Agora a culpa é dela? Nem sabemos se não se esticou na briga mas como não é disso que é acusado..."
"Sôtora, o que está a insinuar? Nunca lhe bati. Posso dizer disparates e, pronto, perder a cabeça, mas isso não."
A juíza condena-o a 600 euros de multa pelas injúrias e a mais 600 pela resistência e coacção. Antes de sair, Zé declara em nome da sua honra:
"Mas eu amo muito a minha mulher, sôtora juíza, amo-a muito."
Silêncio na sala. Os poetas é que sabiam como o amor desarruma os sentimentos” (texto da jornalista do Jornal I, Sílvia Caneco, com a devida vénia)
Mas, de há uns meses para cá, "tudo se tornou muito esquisito". A conversa - que as vizinhas terão jurado ouvir por acaso, que ouvidos de tísica elas têm - deixou de ser uma coisa melosa, os ruídos deixaram de ser só os de cama, e o prédio inteiro não sabe se era mais incómodo este barulho dos amantes, os ditos carnavais a desoras; se este que agora ouvem de objectos partidos, ofensas, palavrões, choro e cama a ranger de vez em quando. Que Deus lhes parta uma perna se elas colaram o ouvido à porta, era perceptível no prédio inteiro que o Zé tinha enlouquecido de ciúmes. Gritava coisas como: "Eu não sou corno, sua porca", "tu é que te abres para os homens todos". "Sua puta, foi assim que a tua mãe te fez, uma rameira, sua vadia." E a mulher chorava, dizia que o Zé estava louco, que lhe era fiel, que só tinha olhos para ele, que era só dele. Mas o Zé não acreditava. Terá sido essa desconfiança que o levou a espalhar berros pela casa. Frases, escritas com a letra dele mas na primeira pessoa, como se tivessem sido escritas por ela. Espalhadas por sítios estratégicos, como o frigorífico ou a prateleira dos cremes, para que a cada hora ela tivesse de conviver com o pecado que sempre negou.
Em tribunal, Zé tem pouco a acrescentar sobre este amor desordeiro.
"Peço desculpa aos senhores agentes, precipitei-me, mas a culpa foi dela, ela põe-me fora de mim."
"Agora a culpa é dela? Nem sabemos se não se esticou na briga mas como não é disso que é acusado..."
"Sôtora, o que está a insinuar? Nunca lhe bati. Posso dizer disparates e, pronto, perder a cabeça, mas isso não."
A juíza condena-o a 600 euros de multa pelas injúrias e a mais 600 pela resistência e coacção. Antes de sair, Zé declara em nome da sua honra:
"Mas eu amo muito a minha mulher, sôtora juíza, amo-a muito."
Silêncio na sala. Os poetas é que sabiam como o amor desarruma os sentimentos” (texto da jornalista do Jornal I, Sílvia Caneco, com a devida vénia)
Lista negra" do Banco de Portugal já inclui 660 mil famílias
Quase 32 mil famílias portuguesas deixaram de conseguir pagar os créditos este ano. Este número faz subir para mais de 660 mil as famílias na lista negra do Banco de Portugal. O incumprimento atinge assim mais de 14 por cento dos portugueses com empréstimos bancários. A nível empresarial, o aumento do incumprimento é ainda mais elevado. Uma em cada cinco empresas falha os pagamentos ao banco. Cada empresa na lista negra deve quase 500 mil euros à banca.
Governo italiano aprova imposto sobre rendimentos mais altos
O governo italiano acaba de anunciar a adoção de novas medidas de austeridade. Silvio Berlusconi aceitou implementar um imposto extraordinário sobre os rendimentos mais elevados a que chamou "taxa de solidariedade". Também a idade de reforma das mulheres passará para os 65 anos de idade. O novo plano de ajuste para equilibrar as contas da Itália planeia recuperar 45 mil milhões de euros em 2012 e 2013, com o objetivo de conseguir o equilíbrio fiscal em 2013.
ONU considera clima uma ameaça à paz mundial
"As alterações climáticas são uma ameaça real à paz mundial, reconheceu ontem, pela primeira vez, o Conselho de Segurança da ONU, referindo-se, por exemplo, à perda de território por alguns países devido à subida do nível do mar. Há já quatro anos que o Conselho de Segurança da ONU não falava de Ambiente. "Fenómenos extremos são cada vez mais frequentes e intensos, tanto em países ricos como em países pobres. Devastam vidas mas também infra-estruturas, instituições e orçamentos financeiros", disse Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU. Achim Steiner, director-executivo do Pnua (Programa das Nações Unidas para o Ambiente), comentou não existirem dúvidas hoje de que "as alterações climáticas têm implicações para a estabilidade e segurança globais aos níveis económico, social e ambiental. Esses efeitos transcendem a capacidade das nações, isoladas, para gerir os problemas". A declaração oficial aprovada ontem pelo Conselho de Segurança da ONU expressa preocupação com os "efeitos adversos que as alterações climáticas poderão ter no agravamento das actuais ameaças à paz e segurança internacionais". Um dos exemplos referidos é a perda de território em alguns Estados, causada pela subida do nível do mar, segundo a declaração lida pelo embaixador Peter Wittig, da Alemanha, que este mês assegura a presidência rotativa do organismo. Como resposta a esta ameaça, Ban Ki-moon pediu mais protecção das florestas, tecnologias e medidas de adaptação às alterações climáticas. "Temos de reconhecer que não existem espectadores quando se trata de garantir o futuro do nosso planeta", declarou o secretário-geral da ONU. Ban Ki-moon pediu ainda uma fórmula política que garanta a continuidade da adesão dos países aos compromissos no âmbito do Protocolo de Quioto (que expira a 31 de Dezembro de 2012).
Oposição da Rússia
Segundo noticiou a BBC, a Rússia rejeitou a declaração que admite a ligação entre clima e paz mundial, mas acabou por aceitar um texto mais leve. Fontes diplomáticas ouvidas pela BBC deram conta de intensas negociações entre a Alemanha e a Rússia antes da aprovação da declaração. O enviado russo, Alexandre Pankin, alegou que esta declaração era desnecessária. "Acreditamos que envolver o Conselho de Segurança numa análise sobre as alterações climáticas não trará nenhuma mais-valia e apenas vai gerar uma maior politização da questão e um aumento dos desacordos entre países", disse Pankin, citado pela BBC. Opinião oposta teve a embaixadora norte-americana, Susan Rice, segundo a qual este organismo tem "uma responsabilidade essencial na resposta às implicações das alterações climáticas na paz e segurança". Além disso, considerou que todos os países devem pedir medidas”. (texto do Publico da autoria da jornalista Helena Geraldes, com a devida vénia)
Oposição da Rússia
Segundo noticiou a BBC, a Rússia rejeitou a declaração que admite a ligação entre clima e paz mundial, mas acabou por aceitar um texto mais leve. Fontes diplomáticas ouvidas pela BBC deram conta de intensas negociações entre a Alemanha e a Rússia antes da aprovação da declaração. O enviado russo, Alexandre Pankin, alegou que esta declaração era desnecessária. "Acreditamos que envolver o Conselho de Segurança numa análise sobre as alterações climáticas não trará nenhuma mais-valia e apenas vai gerar uma maior politização da questão e um aumento dos desacordos entre países", disse Pankin, citado pela BBC. Opinião oposta teve a embaixadora norte-americana, Susan Rice, segundo a qual este organismo tem "uma responsabilidade essencial na resposta às implicações das alterações climáticas na paz e segurança". Além disso, considerou que todos os países devem pedir medidas”. (texto do Publico da autoria da jornalista Helena Geraldes, com a devida vénia)
Cuba: Raul Castro critica inércia dos cubanos!
Segundo o Sol, "o presidente de Cuba, Raul Castro, criticou a «inércia» e «indiferença» dos cubanos na aplicação das reformas, propostas em Abril, para evitar o colapso da economia da ilha, advertindo que uma resistência às mudanças será inútil. «O maior obstáculo que enfrentamos no cumprimento dos acordos do VI Congresso (do Partido Comunista de Cuba) é a barreira psicológica formada pela inércia, o imobilismo, a simulação ou dupla moral, a indiferença e insensibilidade, que estamos obrigados a ultrapassar com firmeza», disse na segunda-feira. Raul Castro falava durante a sessão de encerramento do plenário da Assembleia Nacional (parlamento) que teve lugar em Havana, em que foi analisado o avanço da aplicação das 300 reformas propostas pelo Chefe de Estado, em Abril, durante o VI Congresso do Partido Comunista cubano. «Seremos pacientes e perseverantes perante as resistências à mudança, sejam estas conscientes ou inconscientes. Alerto que toda a resistência burocrática ao estrito cumprimento dos acordos do Congresso, apoiados massivamente pelo povo, será inútil», disse. Castro explicou que nunca foi «partidário de mudanças bruscas», preferindo «mil vezes raciocinar, convencer, educar e somar que sancionar», mas que «perante as violações da Constituição e da legalidade estabelecida não resta outra alternativa» que recorrer ao Ministério Público e aos tribunais «para exigir responsabilidades aos infractores, seja quem forem».«Sem mudar a mentalidade não seremos capazes de cumprir as mudanças necessárias para garantir suster-nos, o que é o mesmo (que) a irrevocabilidade do carácter socialista e do sistema político (…), limpemos da cabeça as tontices de todo o tipo, não esqueçam que já concluiu a primeira década do século XXI e é hora», frisou. Raul Castro iniciou a sua intervenção explicando que a economia cubana cresceu 1,9 por cento no primeiro semestre de 2011 em relação a igual período do ano anterior e que as previsões apontam para um crescimento de 2,9 por cento do PIB até finais de ano. «Apesar de os resultados em geral serem positivos, persistem incumprimentos na agricultura, indústrias alimentares, metalomecânica e materiais para a construção devido a erros no planeamento e falta de integridade na direcção destes sectores da economia», alertou. No seu entender, «apesar das insuficiências todavia existentes», melhorou «a eficiência energética da economia nacional, cresceu a produção de petróleo, apesar de ter diminuído ligeiramente a produção de gás». Por outro lado, foi possível deter a deterioração da produção de açúcar, aumentaram as exportações, decresceram as importações e houve um «crescimento significativo na chegada de turistas», observou. «Perdura uma tensa situação nas finanças externas, ainda que aliviadas parcialmente pelos processos de reestruturação de dívidas com os nossos principais credores, o que contribuiu para continuar a reduzir as retenções de transferências para o estrangeiro e nos coloca em condições de ratificar que as mesmas vão ser suprimidas definitivamente antes do fim do ano», afirmou o presidente cubano. Segundo Raul Castro, os efeitos da crise económica global e o aumento dos preços dos alimentos «tornam imprescindível re-instaurar a disciplina financeira na economia e terminar com a superficialidade e negligência que caracterizam as relações da cobranças e pagamentos no país». Frisou ainda que o governo cubano tem flexibilizado o trabalho por conta própria e o seu regime tributário, simplificando os trâmites para a transferência da propriedade de casas e automóveis, a política bancária e de créditos a pessoas naturais, a redução de sub-ministros para produtores agro-pecuários e a comercialização e diversos equipamentos”.
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