O
PSD da Madeira em que encarar as eleições autárquicas com toda a naturalidade,
sem medos, sem receios que possam instalar uma espécie de caos interno ou uma
aflição permanente susceptível de mergulhar o partido numa angústia desnecessária.
Se isso não acontecer, as dificuldades serão maiores, pelo que as polémicas, a
mês e meio das eleições, são o pior que pode acontecer. É incontornável que o
PSD da Madeira sabe, e não vale a pena cuspir para o lado, que estas eleições,
as primeiras depois das regionais de Outubro de 2011, serão um teste eleitoral
difícil e exigente, porventura o mais difícil e exigente de todos os realizados
até hoje, por razões que as pessoas facilmente entendem. Não me parece
recomendável que se ande a importar mais problemas, quando ao PSD regional
basta ter que enfrentar, quer a conjuntura extraordinariamente difícil que
atravessamos, quer as pressões, sobretudo externas, claramente apostadas num
ajuste de contas que em situações normais nunca aconteceu. Porque o eleitorado da
Madeira mostrou sempre que sabia como votar e em quem votar.
Tenho
para mim que estas eleições autárquicas, no caso do PSD nacional e da Madeira -
nos Açores houve um teste em Outubro de 2012 cujo desfecho todos conhecemos...
- marcarão um novo ciclo eleitoral que pouco ou nada terá a ver com o passado.
Admito, já o escrevi, que os que vaticinam colapsos eleitorais da maioria
social-democrata rapidamente verão frustradas as suas expectativas, na medida
em que estas eleições se caracterizam pela presença de uma forte componente
pessoal relacionada com a capacidade de persuasão dos candidatos e com o grau
de confiança que eles transmitem às pessoas. Estamos a falar da gestão racional
das freguesias e dos municípios numa conjuntura de privações sociais graves e
onde as apostas sociais devem ser a prioridade das prioridades. As pessoas
precisam hoje mais do que nunca dos seus eleitos, da sua compreensão, da sua
solidariedade e da sua competência e determinação. É nisso que as pessoas
votarão a 29 de Setembro, e disso não duvidem.
Lembro
que entre 2005 e 2011, os socialistas locais, completamente coniventes e
cúmplices, regra geral irritante e freneticamente cúmplices de tudo o quer o
anterior governo socialista de Sócrates fez contra a Madeira - governo
socialistas de Sócrates que serão sempre a grande imagem da corrupção política
mais vergonhosa de que há memória, do primado da mentira, do embuste, da
manipulação e da propaganda sem limites, do despesismo, da incompetência
governativa, do descalabro ético e da falência do país, porque no fundo estamos
hoje a pagar por isso - e acabaram pior pagar bem caro essa leviandade. O PSD
da Madeira que se demarca politicamente de todas as medidas de austeridade
criminosa impostas pelo governo de coligação, não pode, não se deve calar,
porque corre o risco de lhe acontecer o mesmo.
Passos
Coelho e o seu desgoverno incompetente de coligação com o CDS, não dão votos ao
PSD da Madeira – lamento dizê-lo - nem constituem qualquer mais-valia para os
social-democratas regionais. Pelo contrário, qualquer imagem de cumplicidade,
inclusivamente por via do silêncio e da ausência de crítica, terá um efeito
exactamente oposto ao pretendido. Se nos demarcamos não há que ter medo de o
referir claramente, sem hesitações. Não duvido que este desastrado governo de
coligação com o CDS que Passos Coelho ainda lidera será sempre altamente
prejudicial para as estruturas social-democratas que a ele se colem demasiado
ou que possam ser acusadas de cumplicidade. É uma opinião.
No
caso da Madeira o que me preocupa é a necessidade de combater a abstenção que
nas eleições autárquicas de 2005 foi de mais de 60%, descendo em 2009 para
cerca de 55%, embora os eleitores nos dois actos eleitorais, 139 mil cidadãos,
se tenham mantido estabilizados.