Segundo o Económico, "as legislativas “têm constituído um instrumento eficaz para superar situações de impasse”. A especulação em torno da aprovação do PEC IV revela uma "anomalia", diz o ex-ministro das Finanças de António Guterres que sublinha, em entrevista ao diário Económico, uma evidência: "É cada vez mais irreversível a necessidade de ouvir o povo".
Ainda é possível um entendimento entre o Governo e a oposição para a aprovação do PEC IV?
Ainda é possível um entendimento entre o Governo e a oposição para a aprovação do PEC IV?
A circunstância de se especular sobre um entendimento entre o Governo e a oposição para aprovação do PEC (IV) evidencia, desde logo, uma situação anómala. Essa "anomalia" é política e institucional. Na verdade o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) foi concebido como um instrumento plurianual, mas anualmente monitorável para avaliar a conformidade e a consistência entre o projectado e o verificado no conjunto agregado da nossa economia nacional e da sua integração no espaço económico da União Europeia.
O País vai ser confrontado com o quarto PEC em menos de um ano. Que sentido faz isto?
Em consequência o PEC não é, não dever ser, uma espécie de "tarte" que se serve às "fatias", ao ritmo das estações e ao "sabor" das ocasiões... O PEC deve ser um procedimento de política económica, aplicado ano a ano, e com uma visão estratégica, plurianual, integrada e articulada capaz de lidar com as diferentes velocidades a que se desenvolve a economia portuguesa, com um quadro macroeconómico de referência, actualizado ano a ano para sucessivos períodos de três anos.
Estamos ou não confrontados com novas exigências?
Estamos ou não confrontados com novas exigências?
Estamos perante uma identificação exigente dos desvios que se manifestam e das suas causas. Nestes há que salientar que o nível de endividamento interno e externo está a criar um novo estrangulamento: Portugal depende cada vez menos de si próprio e cada vez mais das opções dos nossos "sócios" europeus, das diferentes velocidades que imprimem ao desenvolvimento da nossa economia e à sua inserção internacional.
Precisamos ou não de eleições?
Precisamos ou não de eleições?
Parece evidente que, a crise e as dificuldades da governação, estão a conduzir a um rápido desgaste da actual solução política tornando cada vez mais irreversível a necessidade de ouvir o povo, em eleições legislativas. Diz-nos a experiência democrática, que eleições legislativas antecipadas têm constituído um instrumento eficaz para superar situações de impasse ou de esgotamento de soluções políticas".
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