Segundo o Expresso, num texto da jornalista Isabel Leiria, "a corrupção no seio da Administração Pública e da classe política portuguesa existe mas a um nível moderado. É esta a percepção que agentes económicos e analistas, nacionais e estrangeiros, têm sobre o fenómeno em Portugal. De zero a 10, Portugal recebe um 6,1 no Índice de Percepção da Corrupção, um indicador criado pela organização cívica Transparency International (TI). que todos os anos elabora um relatório sobre este fenómeno a nível mundial. Sendo que o número mais alto corresponde a ausência de tentativas de suborno, pagamento de luvas e outras formas de obter benefícios por vias ilegais. Entre os 180 países avaliados pela TI, Portugal ocupa um honroso 32º lugar. Mas fica a perder quando se estreita a comparação aos Estados da União Europeia. Aí, apenas oito têm piores desempenhos. É o caso da Itália, da Grécia e dos países de Leste. E a situação tem vindo a agravar-se nos últimos anos. De acordo com o último relatório Corrupção Global, recentemente divulgado, Portugal caiu quatro lugares neste ranking e foi um dos países cuja nota mais desceu entre 2007 e 2008. A organização aponta algumas explicações para a evolução. Entre elas, o facto de mediáticas figuras do mundo desportivo estarem envolvidas em investigações de corrupção, como o ‘caso Apito Dourado’. Ou de o país ter assistido à “primeira investigação bem sucedida de um financiamento ilegal de uma campanha política”, numa referência aos donativos da Somague ao PSD. Se a isto juntarmos a discussão e chumbo do plano de combate à corrupção, da autoria do socialista João Cravinho, é natural que a percepção se tenha agravado, sublinha o documento. A verdade é que tem aumentado o número de processos por crimes de corrupção. Segundo dados do Ministério da Justiça, em 1999, 43 pessoas foram constituídas arguidas, tendo sido condenadas 24. Já em 2006, os números subiram para 147 e 71, respectivamente. Ainda assim, os especialistas acreditam que o que chega a tribunal é apenas a ponta do icebergue. “Há um défice de acção penal no campo da repressão do crime económico”, assegura a procuradora-geral-adjunta Maria José Morgado, considerando que a morosidade da Justiça, o desfasamento dos códigos em relação a certos crimes ligados à corrupção e a falta de prevenção fazem com que haja “uma visível desproporção entre os resultados dos processos e a percepção do fenómeno”. Por tudo isto, a opinião que empresários e peritos têm da situação em Portugal está muito longe da imagem de honestidade e legalidade que continua a existir nos países nórdicos. Dinamarca, Suécia e Finlândia ocupam os primeiros lugares desta tabela, parecendo dar razão ao estereótipo. Mas por que razão serão os países do Sul da Europa mais vulneráveis à corrupção? “A relação dos países com o fenómeno da corrupção tem muito que ver com factores histórico-culturais. A ideia de nepotismo é quase aceite como natural no Sul da Europa, mas é tida como um sacrilégio nos países nórdicos”, aponta o politólogo Manuel Meirinho. E o “laxismo cívico” característico do Sul, expresso na típica frase portuguesa “tanto se me dá como se me deu”, também não ajuda, acrescenta. Os índices de corrupção estão intimamente ligados com os níveis de desenvolvimento económico dos países, sendo mais elevados nos Estados mais pobres. O problema, alerta Maria José Morgado, é que “as práticas corruptivas tornam os serviços públicos mais caros e mais incompetentes”. Ou seja, “a corrupção que vem da pobreza causa ainda mais pobreza”. Para a construção do Índice de Percepção da Corrupção, a TI utiliza estudos elaborados por 11 instituições internacionais independentes".
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