quarta-feira, abril 15, 2009

A culpa deve ser da Madeira e do Jardim...

Li hoje no DN de Lisboa um texto da jornalista Clara Brito, intitulado "Tempo de publicidade na TVE vai ser reduzido", seguindo o qual "Zapatero anunciou diminuição, não revelando quanto, nos 10 minutos de publicidade como forma de libertar investimento para outros meios. O primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, anunciou que "haverá uma drástica redução da publicidade na televisão pública", não revelando quanto. Actualmente com 10 minutos de publicidade por cada hora de emissão, a TVE, que passou por um processo de reestruturação idêntico ao da RTP (2002-2007), vive dias mais tranquilos, com audiências relativamente positivas e investimento publicitário equivalente a esta performance. Menos tempo publicitário na TVE significa que muitos anunciantes terão de procurar outros canais, sobretudo privados, ou optar por outros meios como a imprensa, rádio, outdoor. Por isso é que esta medida, sem ter sido revelado quanto irá ser cortado no tempo publicitário da TVE, é vista como uma forma de acalmar o sector audiovisual, muito afectado pela crise, e num momento em que o Governo já devia ter apresentado um esboço da Ley General Audiovisual (prometida para Março). Este é também um anúncio que surge dias depois da "marcha atrás", segundo o El Mundo, da chegada definitiva da televisão digital terrestre (TDT) paga, por alegadas pressões da Prisa. Durante os últimos anos, o Governo espanhol tem reduzido o tempo de publicidade na televisão pública à razão de um minuto por ano até aos actuais 10 minutos. Por cá, a situação foi muito semelhante. Era, em 2002, Nuno Morais Sarmento ministro com a pasta da comunicação social quando a RTP deu início a um profundo processo de reestruturação, com a administração de Almerindo Marques. O também ministro da Presidência anunciou então que a RTP não dependeria para o seu normal funcionamento dos proveitos de publicidade, em coerência com o conceito de serviço público de referência e como incentivo à programação não orientada às audiências. Aliás, recorde-se que estas receitas foram directamente para abater a dívida negociada com um consórcio de bancos estrangeiros e avalizada pelo Governo. Como contrapartida, mas também uma via para acabar com a crítica de "concorrência desleal" da parte da RTP face à SIC e TVI, o ministro reduz o tempo publicitário na RTP1 de 7,5 para seis minutos/hora, em 2003, chegando a falar-se em 4,5 minutos/hora, mas não se veio a confirmar".

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