domingo, maio 11, 2008

Opinião: "Um Porto Santo para investir"

Do Publico, transcrevo:
"Os suaves relevos montanhosos da ilha de Porto Santo mantém-se intactos e despovoados, mas a paisagem que circunda a orla marítima pouco ou nada retém da década passada. Grandes complexos hoteleiros começaram a instalar-se ao longo da praia, que se estende por mais de nove quilómetros. E, se por agora são ainda poucos, torna-se difícil visualizar como se vai apresentar daqui a dez anos a "ilha dourada", concelho com maior investimento "per capita" em Portugal e onde o turismo se afirmou já como principal actividade económica. Actualmente, segundo dados fornecidos pela Secretaria de Estado do Turismo, 97,7 milhões de euros estão a ser investidos em Porto Santo, quase exclusivamente na actividade turística. "Uma ilha em que o turismo pode representar cerca de 25 por cento do seu contributo para o emprego e para a riqueza gerada não pode perder esta oportunidade", defende o Secretário de Estado do Turismo. Falando ao PÚBLICO durante a inauguração do Pestana Porto Santo Hotel, um dos principais investimentos turísticos realizados na região, Bernardo Trindade salientou que, numa ilha relativamente pequena onde outras actividades não têm incrementado o seu um peso, "é no turismo que o processo de desenvolvimento económico pode acontecer". Uma oportunidade que a Câmara Municipal de Porto Santo não quer deixar escapar. Segundo o presidente da autarquia, Roberto Silva, o objectivo é que Porto Santo tenha sete mil camas num horizonte de 15 anos, pois "só assim se poderá vender e promover Porto Santo como destino turístico de uma forma autónoma". Uma realidade que, sublinha, ainda não é inteiramente possível neste momento por não haver capacidade suficiente de alojamento. Até ao final deste ano, com a entrada em funcionamento do Columbus Resort, Roberto Silva prevê que a ilha tenha 3500 camas disponíveis e sejam criados 300 postos de trabalho. "Quando tivermos as sete mil camas, serão 800 empregos", salienta.A meio caminhoEste ritmo acelerado de desenvolvimento começou a ser desenhado há cerca de dez anos, explicou ao PÚBLICO o presidente do Turismo de Portugal, Luís Patrão. "A aprovação do PITER, um programa integrado de desenvolvimento turístico regional, trouxe à ilha uma nova lógica de desenvolvimento e, sobretudo, muito apoio ao investimento privado e público", realça. Segundo Luís Patrão, esta aposta na ilha foi reforçada no ano passado, quando o Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT) declarou Porto Santo como pólo de desenvolvimento turístico prioritário. Ao longo de uma década, melhoraram-se os espaços públicos e as infra-estruturas de circulação, saneamento e tratamento de águas, construiu-se um campo de golfe e recuperou-se o Ilhéu da Cal, instalando-se um teleférico. Em 2001, aparece o Grupo SIRAM, que investe mais de 50 milhões de euros na construção de um Columbus Resort Hotel e Aparthotel. Pouco tempo depois, surge o Grupo Pestana, investindo 35 milhões de euros numa unidade hoteleira, que vai ser agora completada com um complexo turístico-residencial no valor de 40 milhões. "Criaram-se então as condições para surgirem investidores privados e deu-se um "boom" na construção civil", resume o presidente da Câmara de Porto Santo. O futebolista Cristiano Ronaldo, que afirmou à imprensa ter comprado terrenos em Porto Santo, pode vir a ser um desses investidores. O resultado? "Porto Santo é o concelho do país com maior investimento "per capita"", revelou o presidente da República durante a inauguração do Pestana Porto Santo Hotel. Uma conquista importante mas que não pode ficar por aqui. Segundo o presidente do Turismo de Portugal, "faltam ainda serviços complementares da hotelaria, nomeadamente de restauração e de animação". O presidente da autarquia corrobora, mas acrescenta que é necessário resolver um problema maior, "as ligações aéreas, a auto-estrada de Porto Santo para o mundo, que não satisfazem nem os residentes nem os visitantes". Roberto Silva exemplifica dizendo que um turista estrangeiro que chegue ao Funchal à hora habitual dos voos regulares (10h) só consegue voo para Porto Santo ao final da tarde. Se esta situação não for resolvida, defende o autarca, continuará a "criar constrangimentos à afirmação de Porto Santo e a tornar a ilha menos competitiva como destino turístico".
Evitar os erros dos outros
Com a paisagem de Porto Santo a mudar à velocidade dos investimentos, as preocupações em torno do impacto ambiental emergem, mas, segundo as autoridades nacionais do turismo, os potenciais riscos estão e deverão continuar a ser evitados. Isto numa ilha onde é notória a falta de água potável, garantida através de uma central de dessalinização. Segundo o Secretário de Estado do Turismo, "vai haver um enorme cuidado para garantir que o desenvolvimento económico de Porto Santo não seja fragilizado por um maior esforço em termos de densidade urbanística". O presidente da autarquia corrobora, defendendo que Porto Santo não pode seguir maus exemplos de destinos de praia como as Canárias. Um perigo que, para o presidente do Turismo de Portugal, não se coloca na "ilha dourada", que apostou em "unidades turísticas de qualidade que nada têm a ver com destinos massificados" e que têm um público-alvo sobretudo estrangeiro.Por outro lado, defende Roberto Silva, a preservação ambiental é uma das preocupações que os dois grandes investimentos hoteleiros em Porto Santo - o Pestana Hotel e o Columbus Resort - estão a ter ao inserirem-se numa região com um solo muito arenoso e pobre em nutrientes e uma pluviosidade muito baixa. Apostando na auto-sustentabilidade, as duas unidades dotaram-se de painéis solares e sistemas de captação de água do mar, que abastecem as necessidades dos empreendimentos. Iniciativas favoráveis ao ambiente e que o presidente da autarquia acredita também poderem constituir um ponto de diferenciação da ilha em relação a outros produtos turísticos, ao fazerem de Porto Santo "um eco-destino, um resort em ponto grande". (O Publico viajou a convite do Grupo Pestana)

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