sábado, fevereiro 25, 2023
Assembleia da República: Negócio com Airbus, indemnizações e gestão vistos à lupa
Venezuela de Maduro reata relações diplomáticas com o Brasil de Lula
O Governo de Nicolás Maduro cortou relações diplomáticas com o Brasil, depois do ex-Presidente Jair Bolsonaro ter reconhecido o líder da oposição como chefe de Estado. Os dois países partilham fronteiras. O Presidente venezuelano Nicolás Maduro, celebrou o restabelecimento das relações diplomáticas entre a Venezuela e o Brasil, suspensas desde 2019, após o então Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, reconhecer o opositor Juan Guaidó como “legítimo líder” do país. “Boas notícias! Está aberto o caminho para o reinício das relações diplomáticas entre a República Federativa do Brasil e a República Bolivariana da Venezuela. Saúdo a nova etapa de fraternidade e cooperação entre dois povos irmãos”, escreveu Maduro na sua conta da rede social Twitter. A mensagem de Nicolás Maduro refere uma outra do Ministério dos Negócios Estrangeiros brasileiro que anuncia que “a secretária-geral das Relações Externas, a embaixadora Maria Laura da Rocha (Brasil), recebeu das mãos do embaixador da Venezuela, Manuel Vadell, cópias das suas cartas credenciais. Abordaram a normalização das relações bilaterais e a reabertura das respetivas embaixadas”. As relações entre o Brasil e a Venezuela foram reatadas com o regresso de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência do ‘gigante’ sul-americano. Após os primeiros contactos, a Assembleia Nacional (NA, parlamento venezuelano), de maioria chavista, aprovou por unanimidade a nomeação de Vadell como embaixador do país no Brasil, depois de o Governo brasileiro lhe ter concedido credenciais diplomáticas. Entretanto, a Venezuela recebeu, a 18 de janeiro, o encarregado de negócios do Brasil no país caribenho, Flávio Macieira, com o que ambas as nações deram mais um passo em direção à normalização das suas relações (Lusa)
Público: Ministério da Cultura pediu avaliação da Colecção Berardo em 2018 até agora desconhecida
A avaliação foi feita por um historiador português a pedido do então ministro da Cultura. Pedro Adão e Silva, hoje na pasta, desconhece a sua existência revelada por parecer novo pedido por Berardo. O historiador de arte e crítico Bernardo Pinto de Almeida realizou para o Ministério da Cultura, há cinco anos, uma avaliação da Colecção Berardo que se manteve desconhecida até hoje, revela um parecer elaborado a pedido da Associação Colecção Berardo a que o PÚBLICO teve acesso.
O novo parecer foi pedido no início deste ano ao professor da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto pelo advogado André Luiz Gomes, considerado o braço-direito jurídico do empresário José Berardo, e foi entregue, segundo o jurista, a 17 de Fevereiro no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa. O documento está integrado num requerimento pedindo a revogação da acção de arresto judicial que em Julho de 2019 visou a colecção de arte moderna e contemporânea do empresário depositada no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, desde 2006.
Sondagem Católica: Reivindicações dos professores consideradas justas e sindicatos com avaliação positiva
Uma sondagem conduzida pela Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e Público, revela que 84% dos inquiridos consideram as reivindicações dos professores justas. Na avaliação média de desempenho, os sindicatos surgem com uma avaliação melhor do que a do Governo. O inquérito da Universidade Católica foi realizado entre os dias 9 e 17 de fevereiro de 2023, já depois de se terem iniciado os protestos dos professores e com alguns deles ainda a decorrer.
Neste enquadramento, os inquiridos nesta sondagem respondem pela justiça dos argumentos dos professores. 84 por cento consideram que são justas e apenas 12 por cento consideram que são injustas. Na categoria “não Sabe/não responde” estão 4 por cento dos inquiridos. Este inquérito foi realizado entre os dias 9 e 17 de fevereiro de 2023. Foram obtidos 1002 inquéritos válidos, com margem de erro de 3,1% e nível de confiança de 95%
Neste assunto, 57 por cento dos inquiridos consideram que têm sido os sindicatos que têm tido a melhor postura para se chegar a uma solução. 20 por cento consideram que essa postura tem sido assumida pelo Governo. Espontaneamente, 12 por cento consideraram que nenhum deles tem tido uma postura de acordo e dois por cento consideraram que ambos têm tido uma postura para se chegar a uma solução. Nove por cento ou não sabem ou não respondem.
Sondagem Católica: Maioria dos inquiridos prefere ver TAP privatizada
Para 61 por cento dos inquiridos na sondagem conduzida pela Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e Público, o melhor cenário para o país seria o de ter a TAP privatizada. Questionados sobre o desempenho de várias personalidades no que toca à gestão da transportadora aérea, ninguém reúne uma avaliação média positiva por parte dos inquiridos. Apenas 27% das respostas a esta sondagem apontam para uma vantagem para Portugal em ter a TAP como empresa pública. 61% considera que devia ser privada e 12% das respostas inserem-se na categoria do “Não sabe/não responde”. Este inquérito foi realizada entre os dias 9 e 17 de fevereiro de 2023. Foram obtidos 1002 inquéritos válidos, com margem de erro de 3,1% e nível de confiança de 95% Questionados sobre a avaliação do desempenho de várias personalidades na gestão da TAP, numa escala de 0 a 20, a nota máxima obtida é de 7,5, atribuída a António Costa, o primeiro-ministro em funções. Ainda assim, longe dos 10, valor a partir do qual a avaliação média seria positiva. A nota mais baixa é a que os inquiridos atribuem à administração da TAP, de 5,6, na escala de 0 a 20. O anterior ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, consegue um pouco mais, 6,4, na mesma escala. O ministro das Finanças, Fernando Medina, chega aos 7,1. A sondagem da Católica esmiuçou estes valores e dividindo o número de avaliações positivas (iguais ou superiores a 10), pelo total de avaliações, revela que António Costa tem 42% de avaliações positivas, Fernando Medina tem 38%, Pedro Nuno Santos tem 29% e a administração da TAP tem 27%.
Ficha Técnica
Este inquérito foi realizado pelo CESOP - Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena1 e Público entre os dias 9 e 17 de fevereiro de 2023. O universo alvo é composto pelos eleitores residentes em Portugal. Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir duma lista de números de telemóvel, também ela gerada de forma aleatória. Todas as entrevistas foram efetuadas por telefone (CATI). Os inquiridos foram informados do objetivo do estudo e demonstraram vontade de participar. Foram obtidos 1002 inquéritos válidos, sendo 46% dos inquiridos mulheres. Distribuição geográfica: 29% da região Norte, 20% do Centro, 37% da A.M. de Lisboa, 7% do Alentejo, 4% do Algarve, 2% da Madeira e 2% dos Açores. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população por sexo, escalões etários e região com base no recenseamento eleitoral e nas estimativas do INE. A taxa de resposta foi de 26%. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1002 inquiridos é de 3,1%, com um nível de confiança de 95% (RTP)
Sondagem Católica: País pior do que há um ano e rendimento disponível no topo das preocupações
Uma sondagem realizada pela Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e Público mostra que as principais preocupações dos inquiridos se prende com o rendimento disponível, mas também com a Governação e confiança. Comparando com o questionário de há seis meses, há agora mais pessoas a considerar que o país está pior do que há um ano. As dificuldades financeiras agora sentidas estão a par das registadas há uma década, no tempo da troika.
No inquérito de opinião agora realizado, 72% das pessoas diziam que o Portugal está pior do que há um ano. Em julho, eram menos os pessimistas: 63% dos inquiridos é que afirmava então que o país estava pior do que no ano anterior. Este inquérito foi realizado entre os dias 9 e 17 de fevereiro de 2023. Foram obtidos 1002 inquéritos válidos, com margem de erro de 3,1% e nível de confiança de 95% Nesta sondagem, 17% dos inquiridos considerou que o país está “igual” (eram 24% em julho) e 9% diz que o país está melhor (eram 11% em julho). Dois por cento dos inquiridos não sabe ou não responde. Aos 1002 inquiridos nesta sondagem foi pedido que identificasse o principal problema do país, numa pergunta aberta, sem lista de potenciais respostas pré-definidas. Depois dos inquéritos concluídos, as respostas foram agregadas em temas.
Easyjet perspetiva "ano histórico" na Madeira e reforça 300 mil lugares no verão
A Easyjet quer transformar 2023 num “ano histórico” com mais de 300 mil lugares para a Madeira no verão, operando mais do dobro do que operava no último verão antes da pandemia. A companhia aérea de baixo custo Easyjet quer transformar 2023 num "ano histórico", ultrapassando uma oferta de 1,1 milhões de lugares, 300 mil dos quais no período de verão a preços acessíveis para a Madeira, foi esta sexta-feira anunciado. "O nosso número total de lugares na Madeira vai ultrapassar os 1,1 milhões, comparados com 600 mil antes da pandemia, e agora, no período de verão, no segundo semestre, vão ser mais de 300 mil", afirmou o diretor geral da transportadora, José Lopes, numa conferência de imprensa realizada no Funchal. O responsável salientou ser "uma oferta ampla, com muitos turistas a virem, a preços acessíveis", indicando que nesta fase de retoma da procura "é importante continuar a melhorar a relação qualidade/preços".
Opinião: EFERVESCÊNCIAS
Esta foi uma
semana com demasiada "turbulência" informativa. Primeiro foi a
saltada de Biden a Kiev para adiantar nada ao que já se sabia antes dela. Ficou
o simbolismo da visita. Depois foram dois discursos de Putin para dizer a mesma
porcaria mentirosa de sempre, vendendo aos russos, sem acesso a uma comunicação
social livre, um país e um mundo que nada tem a ver com a realidade, negando o
que todos sabemos ser a verdade, mas demonstrando que a capacidade de
manipulação do regime totalitário de Moscovo, e a forte censura imposta, rende os
frutos desejados.
A isto junta-se o
discurso de Biden em Varsóvia, com poucas novidades, direccionado contra Putin
e a guerra que ele construiu na sua loucura sanguinária, mas
"esquecendo" habilmente a China, porque os EUA dificilmente conseguem
enfrentar duas potências ao mesmo tempo.
Daqueles dois
discursos de Putin ficou a decisão - perigosa mas que pode ser também uma
tentativa de pressão sobre as opiniões públicas ocidentais e de propagação do
medo - de suspender (diferente de abandonar) o último Tratado Start assinado
pelos EUA e pela Rússia e que ainda se mantinha em vigor. Embora de pouco ou
nada valendo, na medida em que o sucesso destes acordos sobre matéria nuclear, depende
da confiança entre os subscritores. Neste momento é fácil concluir que essa
confiança mútua entre EUA e Rússia é nula.
Confesso que me
interrogo, e cada vez mais, sobre os efeitos da manipulação informativa, promivida
pelos dois lados, sobre as opiniões públicas ocidentais e do discurso belicista
da NATO e daquele patético secretário-geral - dizem que vai abandonar o cargo
para ocupar um tacho na liderança de um banco na Noruega - e a qual a dimensão
da mentira que todos "cheiramos" em cada declaração proferida.
Acho que todos nos
lembramos do que os EUA e os seus aliados na coligação que invadiu o Iraque
disseram sobre as armas de destruição massiva alegadamente existentes no Iraque
de Saddam, que foram o pretexto para a invasão militar que depôs Saddam e
destruiu economicamente um pais rico e cujas sanções ocidentais nenhum efeito
tiveram. Factual é que essas tais armas nunca foram localizadas e todos
desconfiam que nunca existiram. Ou seja, foi montada uma enorme teia de mentira
e de manipulação para justificar uma invasão que já estava decidida muito
antes, enganando até organismos internacionais como a ONU. Os mentores sabiam
que as opiniões públicas ocidentais, depois da invasão do Kuwait pelo Iraque, nunca
mais perdoaram Saddam. Era fácil “vender” qualquer teoria. E nem falo na
fantochada da cimeira nos Açores que antecedeu a invasão... O
"ambiente" de hostilidade ajudou essa patifaria bem montada.
Desconfio que a
guerra na Ucrania esconde muitas histórias - a começar por pretensas tentativas
de contactos falhados ou recusados para evitar a guerra... - que estão por contar. Não me espantaria nada
que estivessemos em linha com mais uma situação semelhante à que aconteceu no Iraque
e no Afeganistão - de onde os EUA sairam de forma vergonhosa abandonando aquele
povo ao radicalismo talibã que reassumiu o poder. Espero que tudo o que
aconteceu na Ucrânia - onde depois desta guerra nojenta, destruidora e
sanguinária é fácil, demasiado fácil, reunir ódios contra Putin, porque na
realidade foi ele a invandir um pais independente e a matar pessoas e destruir
bens - não se compare a estes casos que referi.
E não vale a pena perguntar o que fizeram os
"indignados" de hoje quando em 2014 a Rússia de Putin invadiu o
Donbass, o mesmo Donbass que é hoje palco de combates violentos, ou quando a
Rússia tomou de assalto a Crimeira reclamando-a como território russo.
Sim o problema tem
a ver com a História, com o processo de desagregação da antiga URSS, com a
criação de uma vintena de novos países independentes, a partir do imenso
territorio da antiga URSS soviética e comunista. Sim, o problema reside no
facto de que Putin, antigo agente secreto do KGB e que há mais de 25 anos
deambula pelos corredores do poder em Moscovo, tomando mesmo de assalto os mais
altos cargos do país - primeiro-ministro e Presidente - nunca aceitou essa
decomposição territorial incentivada e apoiada pelos ocidentais, com os EUA e a
Europa à cabeça, que apostaram e conseguiram fragilizar a Russia e tornar
Moscovo insignificante no contexto da política mundial, Sim, o problema é que
tudo isso mudou agora, e muito, mudou demasiado, de forma violenta e sanguinária,
sem que ninguém saiba o que vai acontecer e muito menos garantir como é que
tudo isto acabará. Ou se vamos alegre e pateticamente caminhar para um confronto nuclear guiados por
idiotas como o secretário-geral da NATO e outros falcões que, dos dois lados do
conflito, condicionam e dominam os processos de decisão das estruturas
militares que, de uma forma ou de outra, estão presentes na guerra da Ucrânia.
Mas isso são
factos para os especialistas, e para aqueles que acham que só podemos falar da
guerra manipulando as opiniões públicas, incluindo a portuguesa, com
comentadores televisivos tendenciosos que não explicam todas as realidades
históricas essenciais a uma correcta percepção do que se passou na realidade na
Ucrânia e no seu processo de independência que Moscovo sempre verberou.
Histórias que contribuíram para uma guerra nojenta que todos diziam ser
inevitável mas que hipocritamente vieram chorar lágrimas de crocodilo e de
falsa surpresa quando os russos entraram há um ano pela Ucrânia e queria tomar Kiev de assalto e destruir
o poder ucraniano. Sem sucesso, felizmente.
Mas nada ficará
como antes, nada será igual à pré-invasão russa a começar pala Ucrânia apesar
de, paradoxo dos paradoxos, este país continuar envolto em escândalos de corrupção
em plena guerra, aproveitando-se essas redes de bandidos, com ligações sabe-se
lá a quem - já se esqueceram das denúncias do Panamá Papers sobre a Ucrânia e
alguns dos seus dirigentes?! Ou não interessa falar nisso agora?! (LFM, artigo de opinião publicado no Tribuna da Madeira de 24.2.2023)
sexta-feira, fevereiro 24, 2023
Nestas terras as armas não se calam: 20 conflitos no mundo
Ronald Reagan levava pouco mais de um ano na Casa Branca quando, num discurso proferido na cerimónia de formatura do Eureka College (Illinois), a 9 de maio de 1982, partilhou o seu conceito de paz: “Não é a ausência de conflito, é a capacidade de lidar com o conflito por meios pacíficos.” O norte-americano e o soviético Mikhail Gorbatchov seriam os últimos líderes das duas superpotências que ditaram as regras nos anos da Guerra Fria (1947-1991), quando muitos conflitos foram travados por procuração, numa lógica de esferas de influência que partiu o mundo em dois, tornando-o mais previsível do que é hoje. No atual mapa-mundo da conflitualidade há disputas ativas que se arrastam há décadas, como na Palestina e no Sara Ocidental, em que as iniciativas de paz não germinam. Em regiões com grande diversidade étnica, como nos Grandes Lagos africanos ou em Mianmar, a perseguição a um povo concreto com o intuito de o apagar da face da Terra — no caso, os tutsis e os rohingyas — prova que o genocídio não é prática do passado.
UCRÂNIA, CASO ÚNICO NO SÉCULO XXI
Diferendos envolvendo potências nucleares, seja em torno de Caxemira ou Taiwan, seja a propósito do desenvolvimento de programas nucleares nacionais, como nos casos da Coreia do Norte ou do Irão, têm potencial para escalar para um conflito global. No Médio Oriente, Iémen, Líbia e Síria são atualmente os incêndios mais ativos numa região onde a conflitualidade é endémica. No continente africano, a Somália e a região do Sahel — latitudes especialmente castigadas pela seca — têm sido portos seguros para grupos terroristas. No território correspondente à ex-União Soviética e à sua antiga zona de influência dois conflitos ameaçam arrastar terceiros para crises maiores: o estatuto do Kosovo e a disputa pelo enclave de Nagorno-Karabakh.
Já a invasão russa da Ucrânia — iniciada em 2014, no Leste, e visando todo o país desde 24 de fevereiro de 2022 — não encontra paralelo no século XXI: o ataque de um Estado soberano a outro com o intuito de o controlar.
Portugal e a Ucrânia: mais dinheiro não, mais refugiados e apoio militar sim
Dos inquiridos, 79% concordam ou concordam completamente que o país receba mais refugiados ucranianos. Sondagem do Cesop tenta perceber limites dos portugueses num eventual reforço da ajuda à Ucrânia. Se Portugal for chamado a reforçar a ajuda à Ucrânia, deve fazê-lo recebendo mais refugiados ou enviando mais equipamento militar para a frente de batalha. Esta é a opinião da maioria dos inquiridos pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica. A sondagem feita para o PÚBLICO, RTP e Antena 1 revela que, por outro lado, uma ajuda superior em termos financeiros já não colhe o apoio maioritário dos inquiridos.
Resumindo: mais dinheiro não, mas mais meios militares ou mais refugiados acolhidos no país é aceite. Na sondagem feita pelo Cesop, que aproveita o momento em que se assinala um ano do início da invasão da Ucrânia pela Rússia, os portugueses vêem os seus limites testados quando questionados sobre vários tipos de ajuda adicional que pode ser requisitada, caso se revele necessária. Mais de três quartos dos inquiridos – concretamente, 79% – concordam (58%) ou concordam completamente (21%) que Portugal receba mais refugiados ucranianos, se necessário. Já 18% discordam ou discordam completamente. E 3% dos inquiridos não sabem ou não respondem.
Da energia aos alimentos, guerra esvaziou carteiras
A 24 de fevereiro de 2022, com a invasão russa da Ucrânia, os desafios que já se verificavam adensaram-se e as consequências rapidamente se fizeram sentir na carteira dos portugueses. Um ano mais tarde, o custo de vida está exponencialmente mais alto, com efeitos óbvios na energia, alimentação e habitação. "E o que vamos ter nos próximos meses na Europa continua a ser um cenário de grande incerteza", avisa Fernando Alexandre, doutorado em Economia e professor na Universidade do Minho.
Um dos temas é o aumento da fatura energética, com efeitos diretos, como a subida do valor de combustíveis e gás, e indiretos, com o incremento a chegar aos bens cuja produção e transporte dependam do petróleo, gás ou carvão. Quase tudo foi afetado pela crise energética. Só em 2021, as exportações energéticas da Rússia com destino à UE terão rendido cerca de 400 mil milhões de euros. "A inflação sentiu-se em toda a Europa e não tem só a guerra como causa, era anterior. Foi acelerada com o choque energético e nos bens alimentares", diz o economista.
Sondagem: Governo não faz tudo o que pode para controlar preços
Quase todos sentiram o impacto da guerra (81%), seja nas taxas de juro (68%), seja na mudança de hábitos de consumo alimentar (69%). O Governo não está a fazer tudo o que deve para minimizar o aumento dos preços de primeira necessidade. É o que diz a esmagadora maioria (82%) dos portugueses, praticamente a mesma percentagem dos que, um ano depois da invasão, dizem já ter sentido o impacto da guerra na sua vida particular (81%), de acordo com a sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF. A crítica ao Governo é unânime em todos os segmentos da amostra, ainda que seja possível perceber algumas diferenças quando se analisam as respostas em função do voto nas últimas legislativas: os maiores críticos de António Costa são os eleitores do BE e do Chega, enquanto os socialistas são, sem surpresa, um pouco menos cáusticos: 29% acham que o Governo está a fazer o suficiente.
Sondagem: A guerra será longa e a NATO não deve intervir
Cresceu o pessimismo quanto à duração do conflito. Mas, se este se alargar, 64% defendem que Portugal deve enviar os seus militares para a Ucrânia. Um ano depois da invasão da Rússia à Ucrânia, os portugueses estão mais pessimistas quanto ao tempo que a guerra ainda vai durar: 59% apontam para mais de um ano a ferro e fogo, de acordo com uma sondagem da Aximage para o DN, JN e TSF. Há poucas dúvidas quanto a quem é o principal responsável pelo conflito (86% acusam Moscovo), mas são cada vez mais os que apoiam a decisão da NATO de não intervir diretamente (62%). No entanto, e na hipótese de esse agravamento se verificar, são também quase dois terços (64%) os que defendem o envio de tropas portuguesas para a Ucrânia.
É quando os portugueses são confrontados com a duração da guerra que as diferenças entre o resultado de sondagens anteriores e a atual são mais evidentes. Em abril do ano passado, dois meses depois do início da guerra, a maioria dos inquiridos (53%) ainda acreditava que tudo estaria terminado em menos de um ano. Agora, os "otimistas" são apenas 22%. O pessimismo alastrou (59% dizem que haverá guerra para lá de fevereiro de 2024), em particular entre os homens.
Sondagem da Católica: Maioria dos portugueses culpa Putin e Rússia pela guerra na Ucrânia
É praticamente consensual entre os portugueses que os principais responsáveis pela guerra são o presidente Vladimir Putin e a própria Rússia. A conclusão é de uma sondagem realizada pelo CESOP - Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público, segundo a qual os inquiridos estão divididos sobre a atribuição de mais apoio financeiro a Kiev. A maioria está, no entanto, de acordo que o conflito não sairá da Ucrânia, apesar de ainda estar para durar. Nesta sondagem, 85% dos inquiridos responderam que “o principal responsável pela guerra na Ucrânia” é Putin/Rússia, enquanto apenas 1% considera que é o presidente Volodymyr Zelensky/Ucrânia. Dois por cento dos participantes acreditam que a culpa é dos Estados Unidos, 1% diz ser da NATO e outro 1% crê que os responsáveis são os países europeus/União Europeia. Sete por cento não sabem ou não quiseram responder, enquanto 3% responderam “outro”. Questionados sobre como avaliam a atuação da NATO e dos seus países-membros até ao momento, no que diz respeito à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, 51% disseram que “estão a envolver-se o necessário”, 30% considerou que “estão a envolver-se menos do que deviam” e 12% pensam que “estão a envolver-se mais do que deviam”. Sete por cento não responderam.
Sondagem: avaliação ao Governo é má, mas este deve cumprir legislatura até ao fim
Mais de metade dos inquiridos (53%) classifica o desempenho de mau ou muito mau, mas 70% defendem que o melhor para o país é cumprir o mandato até 2026. A análise dos números quase dava para uma rábula humorística inspirada naquela que os Gato Fedorento faziam com a posição de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o aborto. Mais de metade (53%) dos inquiridos (e, extrapolando, dos portugueses) na sondagem da Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1 classifica o desempenho deste Governo como mau (35%) ou muito mau (18%) e 85% dizem que há um problema de coordenação política no executivo. Porém, mais de dois terços (70%) consideram que “o melhor para o país” é que a equipa de António Costa cumpra o mandato até ao fim.
A avaliação média é agora pior do que em Julho, quando a classificação acumulada de mau (24%) e muito mau (13%) era de 37%. Na altura, metade considerava que o desempenho da equipa de António Costa era "razoável" e agora são apenas 39% a dizê-lo. A avaliação de "bom" também se reduziu, de 9 para 7% e os 1% de "muito bom" de Julho recuaram para 0,4%. Um ano depois da maioria absoluta do PS, o desempenho dos socialistas no Governo é agora negativo. O que estará por detrás da conclusão aparentemente contraditória de que o Governo é mau mas irá até 2026 poderá ser a falta de uma alternativa forte aos socialistas e/ou a preferência dos inquiridos pela estabilidade política.
Sondagem: popularidade de Marcelo continua em queda
Avaliação média do chefe de Estado, que já foi a mais alta de um Presidente desde 2004, está no seu nível mais baixo desde que tomou posse em 2016. Exigência com o Governo mantém-se. Será um cenário normal, dirão muitos, que um Presidente da República vá perdendo alguma da popularidade que o levou ao cargo. Sobretudo tratando-se de Marcelo Rebelo de Sousa, que deu novos contornos ao sentido de popularidade do chefe de Estado. Com quase sete anos passados sobre a sua tomada de posse, o Presidente da República tem agora a sua avaliação média e o conjunto de avaliações positivas mais baixo desde 2016. Habituado a dar notas nos seus comentários semanais nas televisões, é agora Marcelo quem as recebe dos inquiridos: na sondagem do Cesop/Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1, recebeu nota positiva, ou seja, igual ou superior a 10 de 79% dos inquiridos. Porém, a avaliação média está em queda acentuada desde o início do segundo mandato, e situa-se agora numa nota de 12,2, o que representa uma queda de 0,7 pontos desde Julho do ano passado. A essa classificação não será alheio o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter praticamente defendido o Governo em quase todas as polémicas que envolveram membros do executivo nos últimos meses. A excepção mais óbvia terá sido o caso da secretária de Estado da Agricultura, a quem Marcelo abriu a porta da rua e que provocou a sua demissão 26 horas depois de lhe ter dado posse em Belém. A oposição tem acusado o Presidente da República, em várias situações, de não exigir o suficiente do Governo.
Sondagem: Queda do PS leva a empate técnico com o PSD e direita ultrapassa a esquerda
Socialistas perdem seis pontos em relação à sondagem de Julho do Cesop. PSD só ganha um ponto. Quem também recupera terreno são o Chega, IL, Bloco e PAN. Direita toda junta chega aos 51%. Não é o PSD que melhora, é sobretudo o PS que piora: se as eleições legislativas se realizassem agora, haveria um empate técnico entre os dois maiores partidos e a direita conseguiria, toda junta, a maioria absoluta. Os resultados da última sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1 dão aos socialistas 32% das intenções de voto e 31% aos sociais-democratas, mostrando uma queda de seis pontos percentuais do PS e apenas uma ligeira subida de um ponto para o PSD quando comparado com o estudo realizado em Julho do ano passado. Um ano depois da maioria absoluta do PS, nem os socialistas nem mesmo a esquerda toda junta consegue alcançar novamente essa fasquia. O PS tem agora menos 9,5 pontos do que a votação que teve nas últimas legislativas, e o PSD está um ponto percentual acima do resultado nas urnas (29,86%). O Chega ganhou 3,5 pontos, a IL ganha 3, e o Bloco 2,5 pontos. Já a CDU encolhe meio ponto. Esta nova sondagem do Cesop/Católica, cujo trabalho de campo foi realizado entre os dias 9 e 17 deste mês, indica que os quatro partidos à direita – PSD, Chega, Iniciativa Liberal (IL) e CDS – obtêm, juntos, 51% das intenções de voto, contra os 47% de uma “geringonça” com todos os partidos da esquerda e o PAN. Aos 31% do PSD juntam-se os 11% do Chega, 8% da IL e 1% do CDS-PP.
Sondagem: Luís Montenegro é menos mau do que Rui Rio
Na avaliação, 26% dizem que o desempenho do novo líder do PSD é “mau” ou “muito mau”, quando Rio somava 32%. Porém, Montenegro só conseguiu subir a classificação “razoável” de 48 para 53%. Já passaram mais de sete meses desde que Luís Montenegro assumiu a presidência do PSD no congresso do Porto, no pavilhão Rosa Mota e onde então chegou acompanhado de Rui Rio, de quem recebeu a liderança do partido. As comparações são incontornáveis: Montenegro é apenas um pouco menos mau do que Rui Rio, de acordo com os resultados da sondagem do Cesop/Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1. Aos mais de mil inquiridos foi pedida uma avaliação do desempenho de Luís Montenegro como líder do PSD e houve uma fatia de um quarto dos inquiridos (26%) que "chumbou" o novo presidente social-democrata, respondendo que é "mau" (20%) e "muito mau" (6%). Ainda assim, Montenegro consegue que mais de metade considere que está a ter uma performance "razoável". Um em cada dez respondeu que tem sido um "bom" desempenho e apenas 1% o sublinhou como "muito bom".
Sondagem da Católica: Portugueses dão nota negativa ao Governo de António Costa
De acordo com uma sondagem realizada pelo CESOP - Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público, mais de metade dos inquiridos faz uma avaliação negativa do Governo. Ainda assim, uma larga maioria defende que o Executivo de António Costa deve cumprir o mandato até ao fim. Em relação ao Presidente da República, a avaliação foi piorando ao longo dos anos, mas mantém níveis elevados de popularidade. Já em relação a Luís Montenegro, os portugueses fazem uma avaliação mais positiva do desempenho do atual líder do PSD do que do seu antecessor, Rui Rio. Um ano após as últimas eleições legislativas, que deram a maioria absoluta ao Partido Socialista, os portugueses fazem uma avaliação negativa do Governo de António Costa. Segundo a sondagem da CESOP, mais de metade dos inquiridos (53 por cento) dizem que o desempenho do Executivo tem sido “mau” ou “muito mau”. Por sua vez, 39 por cento avaliam o desempenho do Governo socialista como “razoável” e sete por cento como “bom”. Apenas 0,4 por cento dão nota “muito boa” ao Governo. A avaliação média é pior do que há seis meses, quando metade dos inquiridos avaliava o desempenho do Governo de Costa como “razoável”. A maioria dos portugueses (58 por cento) admite que as recentes polémicas associadas ao Governo alteraram a avaliação que fazem do Executivo e 87 por cento dos inquiridos dizem que os casos e demissões têm impacto na credibilidade do Governo de Costa.
Sondagem da Católica: Tombo do PS deixa direita à espreita
Um ano depois da maioria absoluta nas eleições legislativas, a sondagem da Universidade Católica para a RTP evidencia uma grande queda do PS, com apenas 32 por cento dos votos. Na estimativa de resultados eleitorais, os social-democratas surgem logo atrás, com 31 por cento. Se houvesse eleições, o conjunto dos votos dos partidos de direita ultrapassaria a junção dos votos da esquerda, algo que não se verificava desde 2015. A estimativa de resultados eleitorais na mais recente sondagem da Católica para a RTP dá sinais de uma esquerda em declínio e de uma direita em crescendo. Pouco mais de um ano depois das eleições que deram a maioria absoluta ao Partido Socialista, a sondagem mostra uma quebra abrupta do PS para os 32 por cento nas intenções de voto, muito longe dos 41 por cento das eleições de janeiro de 2022. Nesta sondagem da Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e jornal Público, o PSD de Luís Montenegro alcança os 31 por cento, mais 1 por cento face à sondagem de julho de 2022, mais três pontos em relação ao resultado das últimas eleições legislativas, ainda sob a liderança de Rui Rio. Nesta sondagem, PSD, Chega e Iniciativa Liberal alcançam em conjunto 50 por cento das intenções de voto. Já o PS, Bloco de Esquerda, CDU, PAN e Livre ficam-se pelos 47 por cento. É a primeira vez que a direita ultrapassa a esquerda desde 2015.



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