Diz o Jornal I que “em dois pontos apenas se contabiliza a distância dos
socialistas à coligação de direita, Aliança Portugal. Francisco Assis parte
para a campanha das eleições europeias com uma vantagem curta sobre PSD e CDS -
a coligação Aliança Portugal espreita de perto e a abstenção está bem acima dos
50%. Os resultados para as eleições de Maio chegam com a ressalva de não
contarem com a distribuição de indecisos. A mais de mês e meio das europeias, a
percentagem de inquiridos ainda sem voto definido (42,6%) não permite chegar a
números conclusivos sobre vencedores e vencidos. Mas o PS parece levar vantagem
na corrida ao Parlamento Europeu. Demorou, mas o secretário-geral socialista
decidiu-se por dar todo o protagonismo a Assis. António José Seguro vai levar o
deputado de volta ao palco europeu da política, logo no topo da lista, e 21,4%
dos eleitores concedem o seu voto ao grupo de "unidade" dos socialistas
- a expressão é responsabilidade do socrático Pedro Silva Pereira, escolhido
para ocupar o número sete da lista. Em jeito de comparação, no inquérito sobre
a intenção de voto nas legislativas, os valores sem distribuição de indecisos
dão 31,9% ao partido do Largo do Rato. À imagem do que aconteceu nas eleições
autárquicas, a pressão interna sobre o líder socialista volta a fazer-se
sentir. Ao "Expresso", Ferro Rodrigues fez questão de recordar os 44%
de votos que alcançou em 2004, e exigiu a Seguro "um grande
resultado" nas europeias, por contraponto a um "resultado
empastelado" - aqui, sem valores - que só faria por "prolongar a
agonia" da legislatura. Mas a tarefa não se avizinha fácil para o secretário-geral do PS. Ainda
que provisórios, os resultados do barómetro i/Pitagórica colocam a lista
conjunta PSD/CDS a pouco mais de dois pontos dos socialistas. Com Paulo Rangel
à cabeça, a "Aliança Portugal" recebe 19,2% das intenções de voto.
Uma distância demasiado curta, se nestas contas entrar a margem de erro de
4,4%. Somadas as percentagens dos dois partidos - que ainda não fecharam a
porta a uma eventual coligação para as legislativas do próximo ano -, PSD e CDS
teriam 28,7% dos votos. Em 2009, o BE ficou à frente do PCP por menos de três
mil votos (10,72% dos bloquistas contra os 10,64% liderados por Ilda
Figueiredo). Agora, os dois partidos invertem posições, com os comunistas a
levar vantagem no embate à esquerda do PS. João Ferreira consegue 5,6% das
intenções de voto (as perspectivas para as legislativas dão 8,4% à CDU),
ficando cerca de dois pontos à frente de Marisa Matias. A eurodeputada, com
3,7%, subiu este ano do segundo lugar da lista do BE para o primeiro, lugar que
em 2009 foi ocupado por Miguel Portas. As candidaturas de Marinho e Pinto pelo MPT,
do LIVRE (cujas primárias abertas ficam definidas este fim-de-semana,
sabendo-se no início da semana quem será o cabeça-de-lista do mais recente
partido), do MAS e de todos os outros partidos sem assento parlamentar
recolhem, para já, 0,3% das preferências. Neste momento, o grupo em grande
destaque é, sem adversários por perto, o dos indecisos. Mais de 42% dos
inquiridos está ainda numa fase de esclarecimento, e o momento em que definam o
seu sentido de voto poderá acentuar as distâncias já conhecidas ou, em
alternativa, dar origem a grandes mexidas na ordem de escolhas deste barómetro.
Feitas as contas, é cedo para dizer quem fica com quê a 25 de Maio”
