"O júri do mais importante concurso de fotojornalismo do mundo, o World Press Photo, escolheu um trabalho do fotógrafo norte-americano John Stanmeyer para o Grande Prémio de 2013 - a imagem mostra um grupo de emigrantes africanos que, de telemóveis erguidos para o céu, tentam a partir da costa do Djibuti encontrar a rede somali, mais barata, para poderem falar com os seus familiares. Intitulada Signal (rede), a imagem data de 26 de Fevereiro e foi publicada na revista National Geographic. John Stanmeyer, segundo a nota biográfica fornecida pelo júri do prémio, trabalha quase exclusivamente com a conceituada publicação norte-americana na última década, mas fez fotografia também para a revista Time entre 1998 e 2008, tendo fotografado a guerra no Afeganistão ou a luta pela independência em Timor-Leste. Foi responsável por 18 capas da emblemática revista americana. Como contextualiza o júri, o Djibuti é um ponto de paragem comum para aqueles que viajam por África entre países como a Somália, a Etiópia e a Eritreia “em busca de uma vida melhor” noutras regiões ou continentes como a Europa ou o Médio Oriente. Além do grande prémio da organização, que distingue assim a foto do ano, a imagem de Stanmeyer venceu também o primeiro prémio da categoria de Temas Contemporâneos. A polissemia da imagem em causa é o elemento mais destacado pelos membros do júri ao explicar a sua escolha para o grande prémio World Press Photo – o jurado norte-americano David Guttenfelder classifica-a mesmo como “uma mensagem numa garrafa”. “É uma fotografia que está ligada a tantas outras histórias – abre discussões sobre tecnologia, globalização, migração, pobreza, desespero, alienação, humanidade. É uma imagem muito sofisticada e poderosamente matizada”, disse na conferência de imprensa Jillian Edelstein, um dos membros do júri, sobre a imagem Signal. O júri de 19 profissionais do fotojornalismo e documentário, que se debruçou durante duas semanas sobre as imagens candidatas, procura na imagem vencedora “a mesma qualidade que procuraríamos num grande filme ou na literatura – a impressão de que existe em mais do que um nível, que nos faz pensar sobre coisas em que não tínhamos pensado”, diz Susan Linfield, também jurada, que descreve a fotografia do ano como “digna”. Os prémios, atribuído pela fundação homónima com sede em Amesterdão desde 1955, distribuem-se por nove categorias em que são distinguidos os três primeiros prémios. Este ano, foram atribuídos a 53 fotógrafos de 25 nacionalidades entre 98.671 imagens candidatas, submetidas à apreciação do júri por 5754 fotógrafos de 132 países. As fotografias premiadas estarão durante um ano a viajar pelo mundo na exposição itinerante que mostra os melhores trabalhos de 2013 de fotojornalistas de várias nacionalidades. O ponto de partida da exposição é Amesterdão, inaugurada a 18 de Abril. Depois, parte para cem cidades em 45 países (fonte: Publico, com a devida vénia)

















