Segundo o jornalista do Público ALEXANDRE MARTINS, "Antonio Caño é acusado de protagonizar um golpe palaciano para substituir Javier Moreno. Novo director nomeado dias depois de ter enviado um documento estratégico para dezenas de jornalistas, por engano. Em apenas duas semanas, os dois gigantes da imprensa espanhola disseram adeus aos seus directores de forma polémica, num emaranhado de problemas financeiros, quebra de vendas e acusações de pressão política. Depois da mudança no El Mundo, anunciada em finais de Janeiro, nesta terça-feira foi a vez de o El País oficializar a troca do seu actual director, Javier Moreno, pelo até agora responsável da edição americana do jornal. O nome de Antonio Caño já tinha sido lançado para a praça pública no domingo, pelo jornal digital Vozpópuli, mas a nomeação ficou em dúvida depois da revelação de um episódio que provocou um profundo mal-estar na redacção do El País, e que levou a acusações de golpe palaciano contra Javier Moreno. Na terça-feira da semana passada, Antonio Caño – então ainda apenas responsável pela edição americana do El País – enviou um documento ao presidente da Prisa, Juan Luis Cebrián, com críticas à actual direcção do jornal e com uma série de propostas de alterações. O problema é que, no momento de seleccionar apenas o endereço de email do patrão da Prisa, Caño disparou o documento para mais de 50 jornalistas das várias delegações do El País no continente americano. Nesse documento (de que o então director não tinha conhecimento), Antonio Caño propõe a substituição de toda a direcção – que acusa de estar "numa bolha", sem ligações "nem com a redacção, nem com a sociedade à qual o diário se deve abrir" – e uma troca na edição da secção Nacional, com a nomeação do jornalista José Manuel Romero, conhecido por manter boas relações com o ministro da Justiça, Alberto Ruiz-Gallardón, do Partido Popular, escreve o Vozpópuli. O jornal digital El Diario sublinha também a proximidade entre Antonio Caño e o príncipe Felipe, com quem iniciou boas relações quando o herdeiro do trono espanhol estudou na Universidade de Georgetown, em Washington. São também lembrados os elogios públicos do presidente da Prisa ao actual presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, e os editoriais em que o El País tem defendido as políticas económicas do actual executivo de centro-direita.
Viragem à direita?
Alguns jornalistas contactados pelo diário digital espanhol Público fazem eco de preocupações sobre uma possível viragem à direita na linha editorial do jornal, com Caño na direcção. "Comenta-se se ele é de direita ou de esquerda, ou se vem alterar a linha do jornal. O que sabemos é que Caño não pertence à ala esquerdista do jornal, pelo que temos um certo receio de que ele venha impor uma viragem à direita", cita o espanhol Público. Há também quem prefira esperar para ver, embora lembrando que o novo director é conhecido por ter "tentado suavizar a oposição do diário à guerra no Iraque" quando trabalhava na secção Internacional. Mas o próprio Javier Moreno já tinha sido muito criticado pela redacção há pouco mais de um ano, durante o processo de despedimentos de um terço dos trabalhadores. Na altura, foi acusado de ter uma atitude passiva em relação aos cortes anunciados pela administração. O anúncio foi feito nesta terça-feira, numa reunião em que estiveram presentes Javier Moreno, os restantes membros da sua direcção, os chefes de redacção e os membros do Conselho de Redacção, entre outros. Na reunião, o novo director disse que "não se trata de um golpe, mas sim da continuidade e do aprofundamento [da presença do El País] na América e na Internet". Em comunicado, o Conselho de Redacção do El País diz que questionou o presidente da Prisa sobre a veracidade do documento que contém as ideias de Antonio Caño para o futuro do jornal. Juan Luis Cébrian "negou ter alguma coisa que ver com ele e disse que será Caño a explicar os seus planos nos próximos dias". Quanto à escolha do novo director, o Conselho de Redacção disse apenas que a nomeação "será submetida a uma votação (não-vinculativa) da redacção", que será convocada "proximamente".
Viragem à direita?
Alguns jornalistas contactados pelo diário digital espanhol Público fazem eco de preocupações sobre uma possível viragem à direita na linha editorial do jornal, com Caño na direcção. "Comenta-se se ele é de direita ou de esquerda, ou se vem alterar a linha do jornal. O que sabemos é que Caño não pertence à ala esquerdista do jornal, pelo que temos um certo receio de que ele venha impor uma viragem à direita", cita o espanhol Público. Há também quem prefira esperar para ver, embora lembrando que o novo director é conhecido por ter "tentado suavizar a oposição do diário à guerra no Iraque" quando trabalhava na secção Internacional. Mas o próprio Javier Moreno já tinha sido muito criticado pela redacção há pouco mais de um ano, durante o processo de despedimentos de um terço dos trabalhadores. Na altura, foi acusado de ter uma atitude passiva em relação aos cortes anunciados pela administração. O anúncio foi feito nesta terça-feira, numa reunião em que estiveram presentes Javier Moreno, os restantes membros da sua direcção, os chefes de redacção e os membros do Conselho de Redacção, entre outros. Na reunião, o novo director disse que "não se trata de um golpe, mas sim da continuidade e do aprofundamento [da presença do El País] na América e na Internet". Em comunicado, o Conselho de Redacção do El País diz que questionou o presidente da Prisa sobre a veracidade do documento que contém as ideias de Antonio Caño para o futuro do jornal. Juan Luis Cébrian "negou ter alguma coisa que ver com ele e disse que será Caño a explicar os seus planos nos próximos dias". Quanto à escolha do novo director, o Conselho de Redacção disse apenas que a nomeação "será submetida a uma votação (não-vinculativa) da redacção", que será convocada "proximamente".