Li no DN de Lisboa
que Paulo Portas, Passos Coelho e Cavaco Silva são, por esta ordem, apontados
como os principais responsáveis pela crise das últimas semanas, segundo a
sondagem do CESOP/Universidade Católica para o DN/JN/RTP/Antena 1. Para 34% dos
inquiridos, o presidente do CDS é o principal culpado, enquanto que 20% entregam
essa responsabilidade ao primeiro-ministro. O Presidente da República - que
começou por pedir um "compromisso de salvação nacional" ao PSD, PS e
CDS e acabou por legitimar a manutenção do Governo de coligação - é apontado
como o primeiro responsável da crise por 11%. Bem mais abaixo estão outros
protagonistas, numa questão que permitia a resposta livre dos inquiridos: Vítor
Gaspar, José Sócrates e "todos os governos", com 3% das respostas,
respetivamente, estiveram na origem da crise. António José Seguro, o líder
socialista que foi envolvido por Cavaco Silva na procura de um entendimento com
a maioria, é apontado como culpado pela crise apenas por 2% dos inquiridos. Na
avaliação do papel de cada um dos intervenientes na crise política, os três
principais culpados voltam a ser aqueles que têm os piores resultados, com
Portas de novo à cabeça: 79% entendem que o agora vice-primeiro-ministro esteve
"muito mal" (42%) ou "mal" (37%). Só 14% fazem uma
avaliação positiva de Portas (14% dizem que esteve "bem") mas nenhum
inquirido responde que o líder do CDS esteve "muito bem". Passos
Coelho é o segundo pior avaliado, com um total de 67% de opiniões negativas,
embora aqui sejam menos os que fazem uma pior avaliação (para 41% esteve
"mal", para 26% "muito mal"). O primeiro-ministro recolhe
apenas 26% de avaliações positivas (dos quais só 2% dizem que esteve
"muito bem"). Também o Presidente da República não escapa da
avaliação negativa dos portugueses (59%) com 38% a dizerem que esteve
"mal" e 21% a carimbarem a atuação do Presidente com "muito
mal"). Há 34% que avaliam de forma positiva, o valor mais alto juntamente
com Jerónimo de Sousa, líder do PCP. Apesar de ser o menos responsabilizado
pela crise política, o papel do secretário-geral do PS durante estas semanas é
avaliado negativamente por 52% dos portugueses (39% dizem que esteve
"mal" e 13% "muito mal"), contra 29% que dizem que esteve
"bem" ou "muito bem" (só 1% neste caso). Há 17% de
inquiridos que não sabem avaliar o papel de Seguro. A sondagem que o DN divulga
amanhã na íntegra na sua edição em papel, diz ainda que a solução preferida dos
portugueses era a realização de eleições antecipadas (37%), seguido de perto
pela hipótese colocada na mesa por Belém - um "Governo sustentado por
compromisso PSD/PS/CDS" (34%). Só 12% entendem que a melhor solução para o
país é a que se manteve, do atual Governo de coligação.
Ficha técnica:
Esta sondagem foi
realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade
Católica Portuguesa (CESOP) para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o
Diário de Notícias nos dias 27, 28 e 29 de julho de 2013. O universo alvo é
composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e
residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezanove
freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada
eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com mais e menos de 3200
recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida
até os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2009 e 2011 nesse
conjunto de freguesias, ponderado o número de inquéritos a realizar em cada
uma, estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores
partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho
aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante
recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1096 inquéritos válidos,
sendo que 58% dos inquiridos eram do sexo feminino, 23% da região Norte, 17% do
Centro, 47% de Lisboa, 7% do Alentejo e 6% do Algarve. Todos os resultados
obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores
residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base
dos dados do recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi
de 55%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1096
inquiridos é de 3%, com um nível de confiança de 95%.
