Segundo o Jornal I, o
Primeiro-ministro fez bem em recusar demitir-se quando Portas ameaçou sair, mas
o governo remodelado não convence os portugueses. Questionados sobre a decisão
de Passos de se manter no governo, com o argumento de que não se podiam
desperdiçar os sacrifícios feitos nos últimos dois anos pelos portugueses, a
maior parte dos inquiridos do barómetro i/Pitagórica considera que o
primeiro-ministro tomou a decisão mais acertada. Entre os que acham que a
atitude do primeiro-ministro foi "muito boa", "boa" ou
"razoável", Passos reúne 54,8% de aprovações. Neste total, uma
percentagem significativa está no meio termo, considerando que o
primeiro-ministro assumiu uma posição "razoável" após a demissão de
Vítor Gaspar e Paulo Portas do executivo, estão 21,5% dos inquiridos. No lado
negativo da tabela, há 41% de inquiridos, que, podendo, vetariam a decisão de
Pedro Passos Coelho face à ameaça de Portas. Em concreto, 41% das pessoas
pensam que a atitude do chefe de governo ao recusar demitir-se foi
"má" (21,1%) ou mesmo "muito má" (19,9% das respostas).
MODELO NÃO AGRADA
Portas pressionou,
Passos cedeu e o CDS viu a sua posição sair reforçada de uma crise política que
podia ter ditado o fim do governo. Mas a subida do líder centrista a
vice-primeiro-ministro, com a responsabilidade pela área económica e pelas
negociações com a troika, não configura uma boa solução governativa aos olhos
de 41,6% dos inquiridos. Destes, 24,4% qualificam como "má" a nova
solução de governo. Já 17,2% dos inquiridos optam por uma apreciação
"muito má". São sobretudo as mulheres, os indivíduos com idades acima
dos 55 anos, os indivíduos da classe social baixa e os indivíduos residentes na
região que mais se mostram contra o acordo alcançado entre Portas e Passos para
salvar a face do governo. Com uma visão
"razoável" da orgânica surgem 32,9% dos participantes no barómetro -
ainda assim atrás do conjunto de opiniões negativas. Mais baixa ainda é a soma
das opiniões positivas face ao novo elenco governativo: se a proposta do
governo é "boa" (16,2%) ou "muito boa" (1,9%), isso é
matéria em que apenas 18,1% dos inquiridos estão de acordo. Um valor baixo de
aprovação para um governo que ainda tem por cumprir mais dois anos de mandato.
NOTA CONTINUA
NEGATIVA, MAS SOBE
Apesar de ver
reprovada a nova configuração, o governo até regista em Julho uma subida na
nota. Em média, os inquiridos atribuem ao governo sete valores (51,3% das
classificações são entre 0 e oito valores). A avaliação ao
executivo PSD/CDS sempre foi e continua a ser negativa, mas é menos negra que a
verificada no mês de Maio, quando se registou o pior resultado de sempre (5,4
valores). Desde essa altura, os valores vêm subindo progressivamente. Este mês,
a redução de participantes que dão nota muito negativa ao governo reflecte-se
sobretudo nas notas intermédias. Há mais 6,3% de inquiridos que em Julho - e
mesmo com uma crise política cujo resultado merece reprovação - atribuem entre
oito e 13 valores ao executivo. As notas mais altas -
de 14 a 20 valores - sofrem também uma ligeira subida. Mais 1,2% dos inquiridos
considera o governo merecedor de boa classificação, compondo o terceiro melhor
resultado desde o início do barómetro nesta componente do quadro.