sábado, julho 20, 2013

Grupos da Madeira entram em força para salvar Banif


Li no Dinheiro Vivo que há uma forte entrada de grupos empresariais da Madeira no aumento de capital do Banif. A aquisição de ações no âmbito da oferta pública de subscrição por parte destas empresas foi confirmada ao Dinheiro Vivo. Várias fontes do banco do Funchal garantiram que a oferta terá “ultrapassado os 100 milhões de euros” de ações, colocadas à venda nos balcões ao preço unitário de 1 cêntimo cada. “Há um conjunto importante de empresários madeirenses, quer individuais quer grupos residentes e espalhados pelo mundo (emigração), que com esta operação podem vir a representar entre os 20% e os 25% do atual aumento de capital. Há uma vontade enorme em atribuir à Madeira um papel importante no núcleo acionista do banco, reforçando assim a sua posição”, referiu uma das fontes.
Até ao momento, a representação madeirense rondará os 2% do capital social, o que significa que houve uma grande aposta no plano de recapitalização do banco, um forte investimento estratégico e um retorno às origens por parte dos acionistas madeirenses. “Há boas perspetivas de investimento. O mercado-alvo do Banif continuam a ser as regiões autónomas, onde mantém uma posição de liderança, nomeadamente junto das comunidades de emigrantes. Ou seja, estamos a regressar ao passado. Após a euforia de abertura de novas agências, a aposta centra-se, essencialmente, na concentração de captação de investimento nestes mercados”, adiantou. Outra fonte salienta o facto de Jorge Tomé, presidente executivo, ter sido a figura-chave deste processo, “deslocando-se a vários países, como Venezuela, áfrica do Sul e Estados Unidos, garantindo desta forma o êxito da operação ”, referiu.
Depois da venda de ações, o banco passará agora pela emissão de 250 milhões em obrigações, desconhecendo-se, para já, se o investimento dos grupos madeirenses também se estenderá a esta fase. Sobre as recentes quedas das ações em Bolsa, depois da forte valorização dos títulos na passada quarta-feira, quando o Banif subiu mais de 36%, fontes do banco consideram que houve uma corrida aos títulos vendidos a retalho (1 cêntimo) e às cotadas em Bolsa. Isto é, sublinham, “não há nada de irracional nesta situação”.“Se existe a possibilidade de comprar ações (em balcão) a 1 cêntimo e sabendo-se que o preço do mercado é superior, bastava vendê-las imediatamente a seguir para os acionistas registarem mais-valias”, dizem.
A família Roque
Uma das questões que, ainda, se coloca sobre a mesa é o conflito interno da família Roque e as possíveis implicações no grupo. As mesmas fontes reconhecem que a situação “não está ultrapassada mas não atinge o Banif”. O problema de saber se os sócios são a mãe (Fátima Roque, ex-mulher de Horácio Roque) ou as filhas (Teresa e Cristina Roque) não traz implicações ao banco, garantem os mesmos responsáveis, já que isto não interfere na gestão. “A gestão hoje é Jorge Tomé, presidente executivo, com Luís Amado, chairman. É uma gestão profissional que não mete família. Portanto, ninguém tem essa preocupação”, garante outra fonte. Recorde-se que já em finais de junho (cumprindo os compromissos assumidos no Plano de Recapitalização) o Banif aumentou o capital em 100 milhões subscritos pelos principais acionistas (75 milhões da Rentipar Financeira, holding detida pelas filhas do fundador do banco com 54% do Banif) e 25 milhões do grupo Auto-Industrial (13%). Na reunião da assembleia geral do banco, a 16 de janeiro, os acionistas aprovaram o reforço de capitalização com acesso a 1,1 mil milhões de euros em capitais públicos, ficando o Estado como acionista maioritário pelo menos até junho. Aí ficou deliberado que o capital seria de 450 milhões, através de oferta pública de subscrição até 30 de junho. Cumprido o objetivo, prevê-se que o Estado reduza a sua participação de 99,2% para 60,6% das ações e de 98,7% para 49,9% dos votos passando então o controlo para os privados.